As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #104 – Sem Remorso

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #104Sem remorso
Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero
(argumento)
Mario Janni
(desenho)
Mythos Editora
(Brasil, Julho de 2013)
135 x 180 mm, 132 p., pb, capa mole, mensal
R$ 9,90 / 4,50 €

Independentemente da qualidade e originalidade da história contada – que em Sem Remorso não estão de forma alguma em causa – é inegável que cada edição de J. Kendall é sempre uma lição de Berardi de como contar uma história aos quadradinhos.
Este número – actualmente distribuído em algumas bancas portuguesas – é mais um exemplo:
Explano porquê já a seguir.


Sem Remorso abre com uma conversa entre um homem e um jovem, cujo tema central não se consegue perceber, durante uma viagem de carro, com utilização de múltiplos planos que tornam dinâmica uma cena em que as personagens estão imóveis. Chegados perto de um rio, o homem mata o jovem a tiro e lança o seu corpo à água.
Mudança de cena (introduzida por uma passagem do cenário, do natural para a TV): Julia, relaxada, em casa, recebe um telefonema de Leo Baxter para a ajudar a resolver um problema familiar relacionada com um banco. A continuação promete uma grande novidade no universo da série, a juntar à curiosidade que a cena inicial já despertou.
Cena 3: reencontro com o ‘assassino’ inicial, no seu local de trabalho onde, perante o assédio da sua bela (e oferecida) secretária revela uma (surpreendente) resistência moral e um (assinalável) sentido familiar (que a continuação da história confirmará acima de toda a dúvida…)
Cena 4: uma jovem apresenta-se na esquadra da polícia, para dar conta do desaparecimento de um jovem que o leitor facilmente identifica como a vítima da cena de abertura.


Não vou continuar com esta descrição – que abrangeu já mais de um quarto da edição… – que destruiria o prazer da leitura. Serviu apenas para exemplificar como Berardi, progressivamente vai desenvolvendo a sua trama, alicerçando o universo que criou e enredando o leitor habilmente através do despertar da sua curiosidade para os vários desfechos potenciais das situações descritas.
Vai também, aos poucos, soltando mais alguns elementos que permitem ao leitor ir construindo a história, ao mesmo tempo que ela ganha em coerência e consistência, conforme vão sendo ajustadas mesmo as cenas que parecem não combinar.
E, apesar de tudo isto, consegue manter o suspense sobre as várias histórias que se desenvolvem em paralelo, de tal forma que só nas últimas quatro páginas o leitor encontra (finalmente) todas as respostas.


*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Um comentário

  1. Não leio J. Kendall, nem conhecia o blogue do Pedro, mas depois de ler esta crítica/resenha dele, sem dúvida eu vou passar a ler [ambos: Kendall e blogue!].

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