As avaliações do Mattheus: Tex Ouro n° 64 – A Tragédia do Trem 809

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)

Tex Ouro n° 64 – A Tragédia do Trem 809

| Situação de Tex | Cenário | | Espíritos de carne e osso |

O trem 809 transporta o pagamento da guarnição de Forte Canby e isso desperta a atenção de um grupo de bandidos, liderados por Lennox, os quais resolvem abocanhar o dinheiro. Tex Willer está no trem, que é desviado dos trilhos sem que os maquinistas percebam, o que provoca o trágico descarrilamento do trem. Quase todos morrem e Tex escapa com um braço partido. Conseguirá o Ranger, em meio a uma nevasca infernal, e com o braço partido, escapar vivo desta aventura?

Dramático.

A situação em que o Ranger se encontra na aventura A Tragédia do Trem 809 é dramática, porém excitante. Ver Tex conseguir, com um braço partido e ardendo de febre, derrotar (sozinho) uma quadrilha de assaltantes e salvar todas as vitimas do acidente do trem, é algo fora de sério.

Os leitores que reclamam de que Tex quase nunca se aleija, sendo praticamente um “superman” do velho Oeste, não poderão reclamar nesta aventura. Aqui, Águia da Noite passa maus bocados e chega até a pensar que não conseguirá resolver o problema, e é justamente o modo como ele resolve tudo que é o grande trunfo do enredo.

Whhoosssh….

O cenário de A Tragédia do Trem 809 caiu como uma luva para a aventura. Não é só na hora em que a nevasca vira o trem que o cenário se destaca, e sim durante toda a trama. Aqui, a neve dá um tom espectacular para a aventura, encantando o leitor.

Visualmente, o saudoso Marcello deu um show à parte nos desenhos e soube, com mestria, transmitir ao leitor a proposta do argumento, que era de colocar Tex diante de vários problemas (incluindo o tempo). E por falar no argumento, Boselli soube usar o tempo nevado tanto contra Tex como também contra as vitimas da tragédia do trem e até mesmo contra os bandidos de forma formidável. O excelente resultado, deve-se ao entrosamento que argumentista/desenhador tinham, uma sintonia superada apenas por G. L. Bonelli/Galep.

Desde quando fantasmas usam flecha?.

A Tragédia do Trem 809, tem como história paralela o passado da vida pessoal do engenheiro Castleman, que traiu a confiança de sua esposa índia e sua tribo. Esse passado, é explorado secundariamente no desenrolar da trama e torna-se o foco principal no final da aventura, e é aqui que acontece a única falha da aventura.

Mal e com um rifle apontado para a cabeça, Castleman estava  praticamente morto, mas é salvo pelos espíritos dos índios (da tribo de sua esposa), que chegam dando flechadas no bandido que ameaçava o engenheiro.

Ridículo. Boselli, nesta cena, forçou ao fazer espíritos “tocarem” em arcos e flechas. Havia mil e uma maneiras de salvar Castleman e dar um “fim” à sua história de vida. É claro que, esta decisão do argumento não mancha a qualidade da aventura, mas deixa um pequeno arranhão nela.

ADENDA: A propósito desta conclusão, Mauro Boselli, escritor da história contactou-nos para dizer o seguinte:Os índios que surgem no final de “A Tragédia do Trem 809″ NÃO SÃO ESPÍRITOS, mas sim índios reais! Como vos passou pela cabeça que fossem espíritos? Somente porque Casteman, no seu delírio, o crê? Trata-se de um truque narrativo! Espero que a tradução brasileira não tenha gerado o equívoco! Assim sendo o final não é nada ridículo…

Conclusão:.

Ler A Tragédia do Trem 809 é quase como uma obrigação de todo texiano que se preze. Deixar de ler uma aventura dramática, cheia de surpresas e reviravoltas como esta, é um erro imperdoável. Seja pelo enredo ou pelos desenhos, A Tragédia do Trem 809 é certeza de uma boa leitura e de uma óptima aventura.

Nota: 9,5

*Material apresentado no blogue críticas texianas em 13/04/2013;
Copyright: © 2013, Mattheus Araújo

6 Comentários

  1. Antes de mais nada, é uma HONRA IMENSA receber um comentário do meu grande ídolo Boselli.

    Peço-lhe mil desculpas pelo meu texto e espero que eu não tenha ofendido você, Mauro Boselli.

    Abraço do seu fã n° 1.

    PS: Talvez tenha sido a tradução brasileira que tenha me dado a impressão dos índios serem espíritos…

  2. Ricordo bene questa bella storia, iniziata nel numero 446 del Tex Gigante italiano. Boselli è sempre un mito e Marcello si è superato con i disegni. Complimenti ad ambedue!!!

    Lembro muito bem esta história que começou com o número 446 do Tex Gigante italiano… Boselli continua sendo mítico e o Marcello superou-se com os desenhos. Parabéns à dupla!!!

  3. Gli indiani alla fine de “La tragedia del treno 809NON SONO AFFATTO SPIRITI, ma indiani reali! Come gli è passato per la testa che fossero spiriti? Solo perché Casteman, nel suo delirio, lo crede? Ma si tratta di un trucco narrativo! Spero che la traduzione brasiliana non abbia generato l’equivoco! Per cui il finale non è ridicolo per niente…

    Tradução para PORTUGUÊS do comentário escrito por Mauro Boselli:
    Os índios que surgem no final de “A Tragédia do Trem 809” NÃO SÃO ESPÍRITOS, mas sim índios reais! Como vos passou pela cabeça que fossem espíritos? Somente porque Casteman, no seu delírio, o crê? Trata-se de um truque narrativo! Espero que a tradução brasileira não tenha gerado o equívoco! Assim sendo o final não é nada ridículo…

  4. Essa história é belíssima em enredo e desenhos.
    A parte dos índios nez-perce eu acho que eles não são fantasmas em sentido literal, pois Tex também os vê.
    Castleman diz que são fantasmas pois devem ser fantasmas do seu passado, que ele abandonou e agora lhe trouxeram a salvação.
    Uma história que eu coloco no meu top10, junto com as outras de Boselli-Marcello que li, O Passado de Kit Carson e O Bando dos Irlandeses.

  5. Representar bem situações na neve em preto & branco é muito difícil.
    Excelente o Trabalho do artista.

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