As avaliações do Mattheus: Tex Ouro 1 – Cheyenne Club

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)

Tex Ouro 1 – Cheyenne Club

| Personagens carismáticas | Vilão | | Clichés de sempre | Evolução da trama |

Um nefasto local de reuniões dos principais criadores de gado do Wyoming – comandados pelo Coronel George Watson – que desejam estender seus domínios a qualquer custo. Para isso, criam um grupo de vigilantes com o fim de aterrorizar e matar os pequenos rancheiros da região e ficar com as suas propriedades. Apenas Tex Willer, com a sua astúcia e bravura, vai se opor aos barões do gado e tentar acabar com a prepotência do Coronel Watson e seus pistoleiros.

Bom

Cheyenne Club tem como destaque as suas personagens. Aqui, não tem como o leitor não se simpatizar com cada uma delas. A carisma de cada personagem é transmitida ao leitor através de suas expressões, de forma com que pareça que eles estejam se dirigindo a você.

Seja a beleza e o carácter de Ella Watson, a elegância e comportamento fino do Coronel Watson, o jeito atrapalhado do esquecido Skinny ou o divertido e animado casal Macon, o leitor tem aqui várias personagens originais e únicas, enriquecidas ainda mais com os traços de F. Fusco.

Coronel Watson

O antagonista de Cheyenne Club é um tipo de vilão raro, não só na saga texiana mas como também nos quadradinhos em geral. Achar um vilão mau e rude é fácil, mas um vilão educado, cavalheiro e fino, não se encontra sempre.

A “batalha” entre o coronel Watson e Tex é algo inusitado. As provocações do ranger, deixando o manda-chuva do Cheyenne Club em maus lençóis perante os convidados do clube, protagonizam os melhores momentos da aventura. Mas o ápice do confronto acontece num momento inesperado, onde o coronel Watson tenta, inutilmente, fazer com que o ranger mais temido do Oeste passe para o seu lado, oferecendo-lhe serviço no Cheyenne Club.

Esta personagem, mesmo em meio a uma trama vazia e recheada de clichés, conseguiu cravar o seu nome na saga texiana, tornando-se um antagonista inesquecível.

Sempre a mesma coisa

A trama de Cheyenne Club, com excepção de algumas personagens, não apresenta nada de novo na cronologia de Tex.

A história, escrita pelo saudoso Sergio Bonelli, é um amontoado de clichés com elementos que o texiano já cansou de ver nas páginas do ranger. É sempre assim: Tex está cavalgando, escuta um tiroteio, vai ver o que é e ali começa a aventura. Este “truque” já é velho e conhecido por todos nós.

Falta de criatividade não é, pois como foi destacado nesta crítica, Cheyenne Club tem personagem ricas e originais. O problema aqui é a qualidade do enredo. O leitor já não aguenta mais donos de cidade mandarem e desmandarem na mesma, nem suporta mais o drama das famílias que vivem nestas condições e sempre a mesma coisa. O que o leitor quer é algo original.

No passo de uma tartaruga


Se já é desestimulante ler Cheyenne Club devido aos factores mencionados agora há pouco, a coisa piora ainda mais com a progressão lenta da trama. Temos aqui uma história parada e com longos balões de texto, tornando a leitura chata.

São 308 páginas vazias. A maior parte do tempo Tex divide-se entre o Cheyenne Club e o rancho do casal Macon. Raramente acontece algo, e quando acontece, é algo forçado. Evolução mesmo no enredo acontece só a partir da página 240, onde a aventura vai se encaminhando para o seu fim. Mas até lá…

Conclusão:


Cheyenne Club poderia ser uma história bem melhor, mas não foi. Destacada apenas por conter personagem únicas e marcantes, a aventura não é lá das melhores. Por isso, a edição é indicada apenas
como item de colecção.

Nota: 4,5

*Material apresentado no blogue críticas texianas em 06/04/2013;
Copyright: © 2013, Mattheus Araújo

10 Comentários

  1. Leio Tex desde os 14 anos e já tenho 44 e fico doido quando vejo uns comentários desses sobre Tex, meu caro Mattheus… se a história é tão ruim assim como você esta comentando porque você não vai ler outra coisa? Eu adorei essa, assim como adoro todas as histórias do Tex. Você dizer que a edição é indicada apenas como item de coleção, você conseguiu me tirar do sério!!! Não quero ser grosseiro não… mas você merece uma bala na cara.
    Vida longa para Tex.

  2. Calma “pard” Edmilson, eu particularmente não tenho esta edição de Tex, não posso opinar sobre ela.
    Mas concordo com você na parte em que você comenta que gosta de todas as histórias do Tex, sempre tem algumas que eu gostei mais, mas todas são ótimas.
    Mas também acho que precisamos respeitar as opiniões diferentes das nossas, ou seja o Mattheus colocou a opinião dele sobre a história, então eu respeito a opinião dele, e também respeito a sua opinião e assim vivemos na democracia, mesmo que com opiniões diferentes.

    E para encerrar o assunto, vamos juntos com o Mattheus, vamos comer um bife enorme coberto de batatas fritas e regado por uma caneca de cerveja bem gelada 🙂

  3. O pard pegou pesado!!!!… merecer uma bala na cara, só por causa de uma opinião!!!… sei não… acho eu, que todos nós temos o direito de expressar nossas opiniões, sem merecer uma bala na cara!…
    Ei, vivemos em um país democrático!… outra coisa… é só uma opinião sobre um gibí! 😉

  4. Peço desculpas ao pard Edmilson e agradeço o Jean pela compreensão da nota. Espero que não fique bravo comigo, Edmilson. E vamos juntos comer um bife enorme coberto de batatas fritas com uma cerveja bem gelada!

  5. Pard Mattheus, quando eu disse “bala na cara” foi como se estivéssemos lá no velho Oeste kkkkkkk
    Aí você como o bom e Velho Camelo que é, me desafiaria para um duelo e a gente resolveria tudo com uns dois tiros kkkk
    Com certeza respeito muitíssimo a sua opinião e a de todos os pards.
    Abraço ao pard Jean e ao pard Beto e como diz o Manfredi… Mitakuye Oyasin!
    Somos todos irmãos.

  6. Também acho que 4,5 foi desproporcional, o problema é quando alguém emite uma opinião assim tão formal em um Blog, fica a impressão de um editorial, ou seja, que seja a opinião do Blog.
    Já li essa edição, não acho que valha só 4,5 e penso ainda que só pela arte do Fusco eu já daria 10, depois analisaria a história, e quem sabe subtrairia alguns pontos desse 10 inicial.

  7. Agora sim que você explicou, está tudo esclarecido! Ufa!!! Abraço! E como falou, vida longa a Tex!!!

  8. Pois pra mim essa foi a melhor história de Tex até hoje!
    Concordo com as críticas do Mattheus no sentido de que a história tem muitos lugares-comuns… mas o Velho Oeste é repleto de lugares-comuns mesmo, e são exatamente esses clichês que fazem a gente amar o Faroeste!
    Faltou Mattheus citar o personagem que pra mim é o mais carismático da história toda (fora o Tex, é claro): o empedernido vilão Lester Mills! Bandido sem escrúpulos, muito perigoso, ligeiro demais no gatilho e completamente impiedoso, que de repente vira um dos capangas do Coronel Watson, justamente por ter essas qualidades de durão! Lester Mills foi o verdadeiro fio da história, foi o motivo que fez Tex Willer viajar milhares de quilômetros do Arizona ao Wyoming, a fim de prender esse altamente perigoso celerado! Só em segundo plano é que está o Coronel Watson nessa história, apesar de o Coronel ser o centro dela! Mas em primeiro plano sempre esteve Lester Mills, o cruel pistoleiro que assassinou duas índias navajos no Arizona, e que por isso está com Tex em seus calcanhares! Apesar de Mills ser durão, muito astuto e calculista, ele tem um terrível medo de Tex, mas mesmo assim o tempo todo o desejo dele é varar Tex a bala, e por duas vezes ele tem essa intenção, e na segunda quase consegue mesmo, não fosse a lendária rapidez de Tex ao revidar tiroteios! Pra mim, Lester Mills foi o ponto alto dessa história, ainda maior que o Coronel Watson, que também é um vilão e tanto, não se pode negar, e nisso concordo plenamente com Mattheus!
    Também não é de se esquecer Cole e Kellerman, os dois porteiros da mansão dos Watsons! Dois sujeitos intransigentes, de cabeça-quente, acostumados a escorraçar qualquer um que queira cruzar os portões da mansão do Coronel! Mas que se dão tremendamente mal com Tex, levando uma surra daquelas do ranger, não sem antes o irritar até o limite, e até mesmo avançando pra cima dele sem nem saberem com quem estão lidando! Cole e Kellerman também foram o máximo nessa história, apesar de o papel deles ser secundário até demais!
    No mais, a história é cheia de ação, excelente, os desenhos de Fernando Fusco revelam sua melhor fase nessa história, o que faz com que ela vire um presente e tanto pra quem curte o Velho Oeste Texiano!
    Essa história é mais do que dez pra mim! E ainda a li pela primeira vez quando ela fazia parte da série normal de Tex, do nº 195 ao 198 da série, pela extinta Editora Rio Gráfica, isso no ano de 1986! Além do brilhantismo da história em si, que pra mim é a melhor de Tex já escrita até hoje, e com meu desenhista de Tex favorito, que é o Fernando Fusco, a história “O Coronel Watson” também tem pra mim um enorme valor nostálgico!

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