Fim de semana com CARLO AMBROSINI na cidade de Beja

Por José Carlos Francisco (texto) e Orlando Santos Silva (fotos)

Realizou-se nesta última sexta-feira, dia 4 de Setembro, a inauguração da XVI Edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, evento organizado pela Câmara Municipal da cidade de Beja e comandado por Paulo Monteiro, o coordenador da equipa do Festival de Banda Desenhada Beja 2021, que tem atractivos que poderão fazer desta uma das melhores edições de sempre do certame que decorrerá até ao dia 19 deste mês de Setembro e que neste último fim de semana comprovou uma vez mais que é o Festival nacional que possibilita um contacto mais próximo entre os autores e o público.

Com o escopo de juntar autores consagrados e alternativos no mesmo espaço, o director Paulo Monteiro esmerou-se para receber autores e público com a máxima gentileza e fidalguia, bem típica da gente alentejana. Entre os autores consagrados, destaque para um dos mais apreciados e queridos autor (escritor e desenhador) da editora Bonelli: Carlo Ambrosini.

O autor italiano, um dos grandes trunfos do Festival, foi um dos centros de atenção, distribuindo autógrafos e sorrisos, além de posar para fotos ao lado de seus inúmeros fãs presentes (muitos deles tiveram inclusive uma bela recordação desenhada pelo próprio autor) naquela bela e pacata cidade alentejana. Destaque para a belíssima Mostra pessoal dedicada a Carlo Ambrosini, uma das melhores e mais belas exposições que já lhe dedicaram, segundo nos confidenciou o autor.

Carlo Ambrosini cativou toda a gente com a sua simpatia e simplicidade, nunca negando um autógrafo, um sorriso, uma foto ou um desenho aos ávidos texianos, dylandoguianos e não só, que o rodeavam durante as sessões de autógrafos (bem demoradas, devido ao constante assédio que sofreu por parte dos seus fãs), fazendo com que no sábado desenhasse já noite dentro, iluminado apenas pelas luzes dos telemóveis dos seus fãs, mas não deixando ninguém sem um desenho de sua lavra. Uma verdadeira lição de profissionalismo e de humildade deste também embaixador de Dylan Dog, Ken Parker, Napoleone, Jan Dix e inclusive de Tex, já que no passado Ambrosini chegou a desenhar um Tex Gigante!

O autor italiano tirou dezenas de fotos e fez muitíssimos desenhos com dedicatórias que sem dúvida passarão a ser um grande tesouro de todos os coleccionadores bonellianos que os conseguiram. E o mais interessante é que realmente estava a divertir-se tanto quanto os seus admiradores, nesta sua (de Ambrosini) primeira “aventura” em terras portuguesas, mas que seguramente não será a última já que a sua classe, simpatia e profissionalismo certamente motivarão um novo convite para regressar a Portugal num dos próximos anos, quiçá até numa das próximas Mostras do Clube Tex Portugal.

Ambrosini não se cansava de agradecer a todos os portugueses pela acolhida que recebeu (inclusive foi dessa forma que iniciou a sua conversa no auditório da Bedeteca de Beja) sentindo-se sempre muito acarinhado e bem tratado tanto pela organização como pelo numeroso público presente nestes primeiros dias do evento.

Estas foram apenas as primeiras e rápidas impressões (e fotografias) deste primeiro fim de semana “texiano” do XVI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, prometendo para breve outras incursões à presença de Carlo Ambrosini em Beja nos próximos dias, aqui no Blogue do Tex!

Grazie per tutto, carissimo Maestro e Amico Carlo Ambrosini!!! Arrivederci!!!

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Decoração dedicada a Tex no Restaurante Dodô em Osório, no Estado Brasileiro do Rio Grande do Sul

O Dodô Restaurante localiza-se na Estrada Geral da Borússia, 371, em Osório, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul e caracteriza-se por um buffet caseiro no fogão a lenha em casa com arquitectura rústica germânica, peças antigas e mercearia colonial.

Trata-se de uma óptima opção de restaurante para happy hour, datas comemorativas, encerramentos e encontros com a família e amigos. Pelos ecos que nos chegaram o ambiente é agradável e aconchegante para realizar a sua refeição e até mesmo para descontracção. A especialidade são as carnes nobres assadas, embora oferecendo um menu variado, contando com diversas opções para atender os mais variados paladares acompanhados de deliciosas sobremesas e carta de bebidas.

Mas o grande destaque, sobretudo para fãs e coleccionadores de Tex, é que na sua decoração variada e inusitada que tornam este estabelecimento de único, o Ranger Tex tem um lugar de destaque numa das fachadas de um dos principais salões do restaurante, através da exposição emoldurada de algumas belas capas de Tex como se pode ver de seguida:

Tex Willer presente na decoração do Restaurante Dodô

Para finalizar esta curiosidade, divulgamos um vídeo que faz a apresentação do Restaurante Dodô e da belíssima região onde está integrado:

Carlo Ambrosini, autor italiano que desenhou um Tex Gigante, é um dos quase 80 autores que expõem (já neste fim de semana) no Festival de Banda Desenhada de Beja

Quase 80 autores de sete países, como o português Luís Louro e o italiano Carlo Ambrosini, vão contar histórias em imagens no 16.º Festival Internacional de Banda Desenhada (BD) de Beja, que começou esta sexta-feira.

Carlo Ambrosini, uma das principais Estrelas da Nona Arte presentes no Festival de Beja deste ano

Após ter sido cancelado em 2020, o festival regressou este ano, mas inclui menos exposições e decorre mais tarde do que o habitual – costuma realizar-se em maio e junho -, tudo devido à pandemia de covid-19, disse esta semana à agência Lusa o diretor do evento, Paulo Monteiro.

Também devido à covid-19, as exposições vão estar patentes “apenas” num só espaço, a Casa da Cultura, que “foi sempre o núcleo principal” do evento e é onde funciona a Bedeteca de Beja, acrescentou, frisando que “o importante é fazer-se o festival”.

Até dia 19 deste mês, obras desenhadas por autores consagrados e novos talentos da nona arte vão poder ser apreciadas em 13 exposições, sendo nove individuais e quatro coletivas, indicou o também autor de BD.

Este ano, o festival, que é organizado pela Câmara de Beja e visa “divulgar um pouco de todos os formatos, géneros e estilos de BD”, vai mostrar obras de autores de Portugal, Brasil, Canadá, Espanha, Egito, França, Itália, precisou Paulo Monteiro.

As exposições individuais são ‘assinadas’ pelos portugueses António Jorge Gonçalves, Bárbara Lopes, Luís Louro e Jorge Magalhães e pelos estrangeiros Bartolomé Segui (Espanha), Carlo Ambrosini e Lele Vianello (Itália) e Nicolas Barral e Vicent Vanoli (França).

Homenagem de Carlo Ambrosini a Tex

Entre as coletivas, Paulo Monteiro destacou a “relativamente inusitada” exposição “Shennawy, Tok Tok & Companhia”, que reúne obras de sete artistas do Egito.

“Tem sempre piada dar uma vista de olhos à BD árabe”, em relação à qual “temos, muitas vezes, posso dizer mesmo, um certo preconceito, porque olhamos para a cultura da língua árabe como se fosse mais ou menos uniforme e não é”, pelo contrário, “é muito diferenciada de país para país”, explicou.

Por isso, frisou, “tem piada trazer [ao festival] a exposição dos egípcios”, que “é muito crítica a nível político”.

Paulo Monteiro também destacou a coletiva “Toupeira – Há Movimento Debaixo da Terra”, com trabalhos de 33 artistas do atelier de BD de Beja Toupeira, que vai fazer 25 anos em outubro.

“Umbra”, uma “exposição espetacular” com obras de 16 artistas de Portugal, Brasil e Canadá, e “Ditirambos”, que reúne trabalhos de 10 autores portugueses que “estão a começar o seu percurso com muita qualidade”, são as outras mostras coletivas do festival.

Além das exposições, o festival, inaugurado às 21:00 desta sexta-feira, inclui, nas arcadas exteriores da Casa da Cultura, o Mercado do Livro, com 70 editores representados e várias lojas para venda de originais, serigrafias e publicações, e a “Tasquinha da BD”, com comes e bebes.  

O festival também vai ter uma programação com várias iniciativas, como lançamentos e apresentações de livros, revistas e fanzines, sessões de autógrafos, conversas e “concertos desenhados”.

No sábado, a partir das 21:00, vai ser entregue o Prémio Geraldes Lino 2021, criado pela Bedeteca de Beja, a Bárbara Lopes, autora de obras de uma das exposições individuais e da coletiva “Umbra”.

XVI Festival Beja 2021 – Arte do cartaz da autoria de Susa Monteiro

“Super Tex”, uma nova série colorida com periodicidade mensal cuja primeira capa será da autoria de Stefano Biglia

A primeira imagem promocional de “Super Tex” difundida pela Sergio Bonelli Editore. Ilustração da autoria de Stefano Biglia

A Sergio Bonelli Editore anunciou hoje Super Tex, uma nova série mensal dedicada a Tex. A nova colecção reproduzirá, a cores e no clássico formato bonelliano (16×21 cm), as aventuras publicadas fora da série regular mensal dedicada ao mítico Ranger.

O primeiro número, a ser distribuído em Novembro, trará a primeira parte de Oklahoma!, (enviados pelo Comando dos Rangers para investigar uma série de ataques a colonos, Tex e Carson participam da histórica Oklahoma Land Rush, a grande corrida por lotes de terras no território que se tornaria o Estado de Oklahoma. Nessa acirrada disputa, os pards ajudarão os Paxton, uma família que deixou tudo para trás sonhando com um futuro melhor) história escrita por Giancarlo Berardi e desenhada por Guglielmo Letteri, publicada pela primeira vez no Maxi Tex #1, em 1991.

Capa do volume 1 da Colecção Bonelli Portugal, A Lenda de Tex. Ilustração de Stefano Biglia

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Tem a particularidade de ter uma capa inédita da autoria de Stefano Biglia, consagrado desenhador italiano que também foi o autor da primeira capa da Colecção Bonelli Portugal, uma colecção de 10 volumes inteiramente dedicada à editora de Milão, onde naturalmente, a honra de abrir a colecção coube obviamente a Tex Willer, o Ranger do Texas criado por Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini em 1948, cujo sucesso perene ajudou a escrever a história da editora Bonelli.

Este primeiro volume de Super Tex terá 144 páginas e custará 4,40 euros. Do número 2 em diante os volumes terão 112 páginas.

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Tex Willer de Marco Ghion

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Tex Willer de Marco Ghion

Marco Ghion e Diego Moratti na mostra ghionesa em Martinengo, Itália

Nascido em Milão, Itália, em 25 de Dezembro de 1980, depois do diploma de geómetra, Marco Ghion frequenta a “Scuola del Fumetto” de Milão em 2001 e diploma-se como desenhador realístico.

Depois de uma breve experiência no sector da animação, em 2009 Marco Ghion encontra Bruno Bozzetto, célebre director e animador. Aí ele inicia a sua colaboração no StudioBozzetto de Milão, com animações em gráfica, estudo de personagens e background artist em séries 3D animadas – “Topo Tip” – e spots publicitários – Nutella, Campari, Atalanta -, desenvolvendo uma forte paixão pela animação.

Em 2015, encontra Enea Riboldi, capista de “Dampyr” que o traz para o mundo da banda desenhada. Em Março de 2018, Marco Ghion entra na staff de desenhadores da Sergio Bonelli Editore estreando no álbum especial da série “Tex Willer” lançado em Dezembro de 2019 com o título “Fantasmi di Natale”.

No presente está a trabalhar na série regular “Tex Willer” desenhando a história “I 5 della mano rossa” (título provisório).

Prova para Tex Willer

Prova para Tex Willer

Marco Ghion

Fontes: Imagens: Marco Ghion. Biografia: Sergio Bonelli Editore e Marco Ghion.

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

Agradecimentos a Marco Ghion pelo desenho de Tex, para o blogue.
Afrânio Braga

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Vídeo: Tex (publicado em Portugal pela Editora Levoir) em grande destaque no bdnauta

O bdnauta é o espaço, no Youtube, em que a banda desenhada, uma forma de contar histórias de que o português Nelson Chantre (pessoa bem disposta, criativa, polivalente e que gosta de estar presente nas várias etapas do processo criativo. Gosta de ler, escrever, cinema, banda-desenhada, música e desenhar) muito gosta, ganha espaço. Não só a banda desenhada mas também outras formas de contar histórias que buscam actualmente inspiração no campo da banda desenhada.

Nelson Chantre

O bdnauta no seu programa número 15, de Abril de 2018, destacou o Tex, o protagonista do primeiro volume na colecção da editora Bonelli que a Levoir lançou no nosso país, dedicando cerca de meia hora à apresentação do mítico Ranger “italiano” e falando também de algumas edições de Tex publicadas no Brasil e que chegaram a Portugal ao longo dos anos.

Para aguçar ainda mais a curiosidade, apresentamos primeiro o brevíssimo (39 segundos), mas interessantíssimo, preview do bdnauta #15 e somente depois o programa na íntegra onde é também apresentada a Colecção Bonelli de Portugal:

Depois da publicação de Mater Morbi, uma aventura de Dylan Dog incluída em 2017 na terceira série da colecção Novela Gráfica, os fumetti (nome dado à BD em Itália) da Bonelli regressaram a Portugal, com uma colecção de 10 volumes inteiramente dedicada à editora de Milão. Naturalmente, no ano em que completou 70 anos de existência, a honra de abrir esta colecção coube naturalmente a Tex Willer, o ranger do Texas criado por Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini em 1948, cujo sucesso perene ajudou a escrever a história da editora Bonelli.

Mas, para além de Tex e de Dylan Dog, que tiveram direito a dois volumes cada (um com histórias curtas a cores, outro com histórias mais longas a preto e branco), esta colecção acolheu ainda outras personagens carismáticas da mais popular editora italiana de fumetti, como Dampyr, o caçador de vampiros, Martin Mystère, o detective do impossível, Júlia Kendall, a criminóloga com as feições de Audrey Hepburn, o explorador Mister No, para além de dois dos mais recentes sucessos da Bonelli, as séries Le Storie e Dragonero, como se pode então assistir no vídeo do bdnauta:

As Leituras do Pedro: Nathan Never – Estación Espacial Internacional

As Leituras do Pedro*

Nathan Never: Estación Espacial Internacional
Bepi Vigna (argumento)
Sergio Giardo (desenho)
Panini Comics
Espanha, 1 de Outubro de 2020
195 x 259 mm, 144 p., cor, capa dura
ISBN: 9788413345451
18,00 €

Credibilizar o incrível

Entre os heróis ‘tradicionais’ – vou escrever assim… – da Sergio Bonelli Editore, onde incluo Tex, Zagor, Martin Mystère, Mister No, Nick Raider, (também) Ken Parker, este Nathan Never é aquele que menos conheço. Possivelmente porque, quando fiz a descoberta da produção popular Bonelli através das edições brasileiras da Mythos Editora, não havia nenhum título dedicado ao herói espacial. E, possivelmente, outra vez, porque entre todas as temáticas que aquelas séries abordam, a ficção científica – base de Nathan Never – é a que menos me atrai.

Com uma mão cheia de edições lidas – portanto sem grandes ligações à personagem nem tão pouco uma opinião sólida sobre ela – este Estación Espacial Internacional apresentava-se como uma leitura de descoberta do desconhecido, bem ajustada à sua temática. No entanto, uma vez concretizada, revelou-me uma outra realidade.

Convém começar por referir que a edição original italiana deste livro – tal como a actual – contou com o apoio da Agenzia Spaziale Italiana (ASI) e da European Space Agency (ESA), cumprindo a primeira o propósito de apoiar anualmente uma obra que contribua para unir ciência e cultura. Daí, o tom mais pedagógico deste tomo, que apresenta um improvável encontro entre o agente espacial Nathan Never (um detective futurista da agência privada Alfa) e o mais experiente astronauta italiano, o comandante Luca Parmitano.

Inevitavelmente, a forma de união entre seres – mesmo que um de papel e outro real – de épocas distintas – NN vive no século XXIII – é um salto temporal involuntário, que traz o herói criado em 1991 por Michelle Meda, Antonio Serra e Bepi Vigna, ao nosso tempo, mais exactamente ao nosso espaço. Vigna, autor do presente argumento, a par de uma base científica sustentável, enriqueceu-o com diversos aspectos próprios de uma história de ficção – o incidente tem origem numa conspiração para a realização de uma experiência não autorizada – e outros bem reais, como o facto de a presença no espaço do italiano corresponder à concretização dos seus sonhos de criança.

Se a resolução do problema surgido acaba por se revelar mais simples do que seria expectável e estão ausentes cenas de acção, é impossível desligar esses factos do tom pedagógico da obra, cujo principal mérito é tornar (mais) credível aquilo que hoje parece incrível – como pareceriam, com certeza, os factos reais aqui narrados, a quem viveu há 50 ou 60 anos atrás, quando (já) se davam os primeiros passos na exploração espacial que aqui conduziram.

Para essa credibilização contribui o traço realista competente de Sergio Giardo, sendo curioso constatar como a (real) Estação Espacial Internacional é retratada de forma mais completa e detalhada, do que a (ficcional) Estação Orbital Calíope onde Nathan Never toma conhecimento da sua missão, na qual, como referido atrás vai ser quase só um simples observador.

Esta é mais uma sólida edição da colecção dedicada às criações Bonelli pela Panini Comics do país vizinho, que encerra com um volumoso dossier que inclui uma conversa entre Beppi e Giardo, sobre as suas influências no que à ficção-científica diz respeito, uma entrevista com Luca Parmitano e uma explicação sobre a Missão Beyhond, que marcou o regresso ao espaço deste último, no segundo semestre de 2019.

Termino, destacando duas questões bastante interessantes – e que para mim sempre foram prementes – levantadas no prefácio por Francisco Rea, responsável pelas relações externas da ASI.

A primeira – partindo de Star Wars – e generalizando eu – o facto de a maioria das histórias de ficção-científica decorrerem em planetas em que as condições de vida – atmosfera, temperatura, gravidade… – são similares à terrestre, O que facilita imenso a narrativa, reconheçamos!

A segunda, relacionada com a vida em estações espaciais e/ou em ambientes sem gravidade, é o papel (narrativamente) secundário dado aos pequenos nadas quotidianos – lavar os dentes, ir à casa de banho, dormir, comer… – que os próprios leitores esquecem…

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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Tex – “O Homem das Pistolas de Ouro”, na análise de Hugo Pinto

Por Hugo Pinto [*]

Tex – “O Homem das Pistolas de Ouro“, de Pasquale Ruju e r.m. Guéra

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Depois da editora A Seita se ter iniciado na publicação de histórias do icónico cowboy Tex, com A Chicotada, que nos ofereceu uma história interessante, e que acabou por ser uma agradável surpresa para muitos, a editora portuguesa volta a lançar mais uma aventura de Tex nesta coleção de cariz muito específico já que, conforme já referido no Vinheta 2020 noutras alturas, é uma coleção que nos traz histórias de Tex auto-contidas, criadas para o formato franco-belga e a cores. Um Tex de cara lavada, portanto, em contraste com o Tex mais clássico que marcou a história dos fumetti italianos, publicados originalmente pela editora Bonelli.
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Neste segundo Tex desta coleção, que dá pelo nome de O Homem das Pistolas de Ouro, temos novamente Pasquale Ruju aos comandos do argumento. Mas, desta vez, as ilustrações são feitas por r.m. Guéra.
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A história desenrola-se poucos anos depois da guerra civil, quando o guerrilheiro Juan Gonzales – que se julgava morto – regressa para se vingar dos Texas Rangers que o perseguiram, nomeadamente Kit Carson que, há 20 anos, era um dos mais jovens rangers do Texas. Assim, um a um, todos os antigos companheiros de Carson começam a jazer, fruto dos tiros certeiros das pistolas de ouro que Gonzales carrega com vista a vingar os seus irmãos. Agora que Kit Carson é o próximo nome a abater na lista de Gonzales, é o momento certo para que o primeiro, acompanhado de Tex Willer, possa parar Gonzales e as suas malditas pistolas de ouro.
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Tal como já acontecera em A Chicotada, a personagem que assume um papel mais importante e marcante nesta aventura é, especificamente, o vilão, ou seja Juan Gonzales. Ruju é exímio em desenvolver uma personagem maléfica com carisma, que não nos deixa indiferentes e sobre a qual, gravita todo o enredo. E é assim mesmo este vilão que carrega as pistolas de ouro. Temos até um flashback na história que nos faz retroceder 20 anos no tempo, para melhor compreendermos quais os acontecimentos que alimentaram, desde então, tamanha sede de violência por parte de Gonzales. Tex Willer acaba por representar um papel bastante discreto sendo apenas necessário para os momentos de maior ação em que há o embate final.
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Isto dá à narrativa uma clareza e uma simplicidade que acabam por funcionar muito bem. Sendo a história bastante linear, parece-me que a mesma está pontuada pela existência de um vilão muito bem construído pelo autor, que acaba por nos prender ao natural desenvolvimento da história.
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E depois, temos a arte de r.m. Guéra que faz aqui um ótimo trabalho! Quer na caracterização das expressões das personagens, quer na linguagem corporal dos cavalos e das personagens humanas, Guéra brilha com o seu talento. Nem sempre as suas ilustrações são muito detalhadas mas, quando o são, cada vinheta torna-se espetacular, fazendo-nos querer observar com atenção cada uma das ilustrações. Guéra também brilha na forma como desenha as cenas de ação, conseguindo imprimir aos seus desenhos uma noção de movimento e de urgência nas ações que muito me convenceu. 
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Destaque ainda para a planificação bastante dinâmica que altera entre vinhetas de vários tamanhos e que permite incrementar, ainda mais, a tal noção de movimento e dinâmica narrativa que referi atrás. Sem dúvida um excelente trabalho visual e que ainda é sedimentado por uma boa aplicação de cores. A paleta de cores altera para tons mais sépia no flashback temporal que, mais uma vez, oferece à obra dinâmica e beleza.
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Se há alguma coisa onde, para muitos leitores, eu inclusive, este livro pode pecar, será no facto de ser uma história curta. É o “calcanhar de Aquiles” desta obra como também já o havia sido em A Chicotada. Porque, de facto, as histórias são apelativas e a arte visual – incluindo ilustrações e cores – também o é. Simplesmente, estas aventuras sabem a pouco e acabam por ser histórias algo superficiais que não vão ao âmago de si mesmas. 
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Sei, todavia, que o público-alvo desta coleção será, por ventura, um público que procura uma experiência de bd de western mais suave. E, apontando para esse pressuposto, a verdade é que este O Homem das Pistolas de Ouro funciona muito bem. Acho apenas que, desculpem a minha insistência, com mais páginas para melhor desenvolver as personagens e a trama, o resultado seria ainda mais gratificante. Seja como for, estou bastante agradado com esta incursão de Tex no formato franco-belga e a cores.
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A edição d’A Seita mantêm-se excelente tal como em A Chicotada. Capa dura (e diferente em relação à edição original italiana), bom papel, boa qualidade na encadernação e impressão e, para além disso, os extras do livro têm uma ilustração inédita e exclusiva, um texto de Pasquale Ruju e um conjunto de esboços de Guéra. Tudo muito apelativo.
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Em suma, este Tex eleva ainda mais a qualidade do anterior A Chicotada! Muito por culpa de um argumento mais bem conseguido e uma arte de Guéra que, em determinados momentos, sobressai pela sua qualidade e talento. Altamente recomendado para todos os fãs do género western. Bem, e quanto aos fãs de Tex, passa de recomendado a obrigatório!
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NOTA FINAL (1/10)
8.4
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Ficha técnica
Tex – O Homem das Pistolas de Ouro
Autores: Pasquale Ruju e r.m. Guéra
Editora: A Seita
Páginas: 56, a cores

Encadernação: Capa dura
Lançamento: Maio de 2021
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[*] (Texto publicado originalmente no blogue “Vinhetas 2020, em 25 de Agosto de 2021)
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