O Alfabeto do Velho Oeste – Letra A

janeiro 18, 2010

O Alfabeto do Velho Oeste, by Vieira

Wilson Vieira - by Fred MacedoWilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…
É também autor dos seguintes blogues na Internet:

http://wilsonvieira.blogs.sapo.pt/
http://brawvhqs.blogspot.com/

O Alfabeto do Velho Oeste, by VieiraCaros LeitoresGeograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1- O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2- O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3- E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1- Aquele de “fronteira”. 2- Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação O ALFABETO DO VELHO OESTE propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência - o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, já a partir de agora com a letra…

A

AAtsosni – “Aa-tro-sni”= (vale estreito), uma das grandes famílias do clã dos índios Navahos.

Ababco – Tribo ou sub-tribo dos índios Algonkins, talvez uma sub-tribo dos índios Choptanks. Em 1741 a administração colonial Inglesa notou que os Ababcos ambicionavam possuir a margem meridional do Choptank River em Maryland. Após 100 anos, quase não havia mais membros desta tribo; foram assimilados em outras tribos.

Abayca - de Tequesta, vilarejo na fronteira meridional da Flórida, escreveu o Conquistador espanhol Juan Ponce de Léon.

Abbott – E.C., “Teddy Blue”, nascido em 17 de Dezembro de 1860 em Cranwich Hall, Cranwich, Condado de Norfolk, Inglaterra. Cowboy do Wyoming e de Montana, criador de gado, descobridor e desbravador de pastos, fundador dos criadores de gado em Montana, autor da famosa auto-biografia: “We pointed them north“.

DiligênciaAbercrombie Pass – Passagem de montanha, também estação para diligências postais em Caprock Plateau no Texas sul ocidental. A linha Butterfield Overland Stage Coach em 1858, ano de sua inauguração, era usada somente uma vez por semana para a troca de mulas.

Aberdon Angus – Bovinos de raça escocesa, vinda das colinas, importada em 1871 por um criador desconhecido, para  as Laramie Plains em Wyoming, depois que um Inverno duríssimo, havia provocado enormes perdas entre os Longhorns texanos. A forte e negra raça dos Angus, de longos pelos, suportava o Inverno magnificamente, porém sofria no calor do Verão. Foram feitos cruzamentos em experiências com os bovinos Brahman e chegou-se a uma raça nova; os bovinos Brangus. Mas também suas características não foram satisfatórias.

Aberginier – Nome dado pelos colonos de Massachusetts aos índios desta região. Talvez pertencessem a sub-tribo dos Wippanap, a qual por sua vez pertencia à nação dos índios Abnaki. A palavra Aberginier (Inglês: Aberginian), talvez fosse uma modificação da palavra Abnaki.

Abikudshi - Acampamento dos índios Creeks, na margem direita do rio Tallahatchee Creek perto do Coosa River em Talladega County no Alabama. A maioria dos índios Abihkas falava o dialecto Chickasaw.

AbileneAbilene - Capital do distrito de Dickinson County em Kansas, fundada na margem oeste do Mud Creek em 7 de Junho de 1861, por Charles H. Thompson. Eleita já em 5 de Agosto de 1862 como capital, era no entanto na Primavera de 1867 ainda um vilarejo, contendo uma dúzia de casas, feitas com troncos de árvores. Somente quando a linha ferroviária Kansas & Pacific chegou ao local no Verão de 1867 e o comerciante de gado Joseph G. McCoy, correndo o risco, construiu um restaurante para os criadores e os comerciantes do norte, um centro comercial e um de divertimento para os cowboys, Abilene transformou-se naquela que os históricos, correspondentes e narradores  contemporâneos chamam de a primeira “Cidade de Bovinos” (Cattletown), a “Cidade do Pecado” (Sin City), a “Gomorra das  planícies” (Gomorrha of the Plains), a “Cidade dos seis tiros” (Sixshooter City). Quando no Outono de 1867 chegaram os primeiros grandes rebanhos de Longhorns do Texas nesta cidade, a organização de Joseph G. McCoy era perfeita. Estava previsto para os bovinos, currais de espera, vastas zonas de pastos e rampas para o embarque do gado. Os comerciantes e os criadores de gado encontraram a hospitalidade em Drover’s Cottage Hotel e os cowboys nas pousadas da Texas Street. Para eles tinham barbeiros, grandes armazéns, lojas de armas, saloons, casinos, locais de baile, quartos à hora e um “Quarteirão da luz vermelha”, fechado, com mais de 100 prostitutas; um verdadeiro paraíso de diversões, jamais visto igual. Aconteciam tiroteios todos os dias, mas quase sempre tratava-se de duelos entre os Texanos que partiam durante o transferimento das boiadas. Um vapor quente, dia e noite saia dos “banhos”, misturando-se com o vapor repleto de odores das cozinhas dos vários restaurantes, o fumo negra das locomotivas e a poeira fina das pradarias levantada por milhares de cascos. Pela primeira vez depois do fim da Guerra Civil, aqui em Abilene, notava-se novamente o contraste norte-sul; para o cowboy nómada do Texas a vida só havia um senso se era absolutamente livre, e para os nortistas, somente se houvesse dinheiro e poder.  Essa convivência entre nortistas e sulistas, provocou mudanças que estenderam-se para as pradarias. Porém o respeito de um para com o outro, e os distritos interessados na economia, tornou-se mais importante em Abilene que em qualquer outro local. Típicos nortistas como “Bear River” Tom Smith, que parava seus concorrentes com os punhos e “Wild Bill” James Butler Hickok, o pistoleiro, eram iguais aos texanos. Em 1867 foram embarcados 35.000 bovinos, em 1868  75.000, em 1869 350.000, em 1870 300.000, em 1871 600.000, e finalmente em 1872 350.000. Ao longo da linha ferroviária que conduzia ao West, nasciam outras cidades como Newtown, Caldwell, Wichita e Dodge City e o caos aumentava. Após aqueles anos loucos, foram feitas coisas impossíveis; bastava ter dinheiro e um bom revólver, sendo assim, a frota de aventureiros seguiu os rastos dos grandes rebanhos para o Oeste e Norte. Abilene forjou o seu futuro na convicção  de Theodore C. Henry, para o qual a pradaria era a terra ideal para o grão. No período da baixa económica, após a fartura, seguiu-se o período dos plantadores de grãos, dos fazendeiros, que fizeram do Kansas, o celeiro da América.

AbileneClube Social – A vida mundana dos cidadãos com condições mais elevadas, tinha a sua sede no clube que acolhia somente casais, indicados por 4 cidadãos mais velhos do local. Lá uma vez por semana, aos domingos, os sócios dançavam ao som de valsas no Drover’s Cottage Hotel.

AbileneEscolas – A primeira escola, construída em 1869 por Mathias Nicolay, era uma construção feita com troncos de árvores e custou 2.500 dólares. Até aquele tempo, a Union Sunday School (Escola do domingo) tinha a sua sede num pequeno hotel perto da estação.

AbileneIgrejas – Fundação em 1868 da Comunidade Batista, em 1870 da Igreja Lutherana e Universalista; em 1871 da Igreja Metodista, em 1873 da Igreja Presbiteriana e em 1874 da Igreja Católica.

AbileneJornais – Do início ao fim da abolição das boiadas, os seguintes jornais noticiaram as mais desvairadas notícias; Abilene Daily, Abilene Democrat, Abilene Gazette, Abilene Monitor, Abilene News, Abilene Reporter, Dickison County Chronicle, Enterprise Journal, Reflector Chronicle e Weekly Reflector.

AbileneMoinhos – Christian Hoffman construiu a Enterprise Mills em 1869. O primeiro moinho de propriedade do distrito de Abilene, foi colocado em actividade em 1873, os City-Mills em 1879 e os Dickinsons County Mills em 1882.

AbilenePrisão – A primeira prisão, erguida em 1868, era uma construção calcária, grande 3,50 mts X 3,50 mts.  No mesmo ano foi destruída pela quadrilha Driscill com cordas, para libertar o cozinheiro que lá estava prisioneiro.

AbileneQuarteirão da “luz vermelha” – As casas de tolerância do West tinham o costume de acender um lampião vermelho quando descia a noite. Esse gesto significava a “disponibilidade”. A primeira casa de tolerância de Abilene em 1867 encontrava-se ao sul da Texas Street, perto da escola. Em 1868 essas “senhoras” emigraram para um acampamento perto da margem do rio Mud Creek e em 1869, foram habitar num quarteirão isolado e cercado, composto de 12 barracas e sua própria administração. “Vale do Pecado” (The Valley of Sin), “Ilha do Diabo” (Devil’s Island), “Inferno do Texas” (Texas Hell) eram os nomes mais pitorescos que designavam este quarteirão, o qual tinha o seu grupo de homens protectores. A mais conhecida “senhora” era conhecida com o nome de “Colombella” e a sua barraca era a “Hattie’s House”. Somente uma vez ao dia das 16:00 às 17:00 horas, podiam ser vistas no centro do quarteirão e dia após dia, durante este desfile de prostitutas pela Texas Street, a rua ficava em polvorosa. Saloons e casas de jogos, como em qualquer lugar do West, era reservado  somente aos homens.

Abilene - Seitas – Como primeira seita de colonos que se estabeleceu em Abilene, foi a Illinois Prohibition Society em 1871. Naquele mesmo Outono, surgiu a Tennessee-Colony e ao fim de Setembro a River Brethren, uma seita religiosa muito similar à dos Quackers, composta pela maioria de alemães da Pennsylvania. A influência desta gente trabalhadora e sem pretensões, mudou o carácter das pessoas ao redor, porque se interessavam mais pela agricultura que pela política.

AbileneTeatro – Também conhecido como Plaza Theatre. Este edifício foi construído em 1868 e servia não só como teatro, mas também para reuniões da comunidade e festas locais.

AbileneTribunal – A primeira determinação do juiz Cyrus Kilgore, foi a seguinte: “Nenhum cavalo, mula, asno, ovelha, porco, boi ou qualquer outro animal, poderá vagar dentro da cidade, durante o dia ou noite”. Como resposta, os sarcásticos cowboys conduziam seus rebanhos pela Texas Street, entravam com seus cavalos em saloons, pousadas e armazéns e ficavam sentados nas selas, fazendo-se servir.

ÍndioAbiquiu – Pueblo fundado em 1747, pelos espanhóis e invadido naquele mesmo ano pelos índios Utes. Depois do acontecido permaneceu desabitado durante um ano. Em 1748 estabeleceu-se no local 20 famílias, que foram novamente atacadas pelos Utes e Navajos. Os habitantes somente retornaram ao Pueblo em 1754. Em 1765 o nome do povoado foi trocado para Santo Thomas. Ainda hoje lá permanece, perto do rio Chama no Rio Arriba County do Novo México.

Abmoctac – A velha cidade Costanier, próxima a Missão Dolores em São Francisco, Califórnia.

Abnaki – Tribo dos índios Algonkins. A administração colonial Inglesa e Francesa usavam esse nome como classificação das tribos que se encontravam na região do actual estado do Maine. Em 1604, Champlain foi visitar uma pequena cidade (composta de pequenas choupanas) na foz do Penobscot River, lá, onde se encontra hoje a cidade de Bangor, Maine. Os Abnakis lutaram ao lado dos Franceses, contra os vitoriosos Ingleses.

Abraham LincolnAbraham Lincoln – Nasceu em Hardin, no estado Sulista de Kentucky, a 12 de Fevereiro de 1809. Morreu assassinado às 7 horas e 20 minutos da manhã de 15 de Abril de 1865, por John Wilkes Booth, ironicamente um actor, num complô com seus comparsas; George Atzerodt, Edward Spangler, Lewis Payne e com a participação feminina de Mary Surrat, durante uma apresentação teatral no Ford’s Theatre, em Washington. Filho de trabalhadores rurais, aos 7 anos conseguiu entrar numa escola pública. Teve de abandoná-la depois de poucos meses; a família, enfrentando constantes dificuldades financeiras, vira-se obrigada a mudar para Indiana. Também nessa cidade as condições eram duras; Nancy, a mãe do pequeno Abraham, faleceu dois anos depois. O marido, Thomas Lincoln casou-se então com Sarah Bush Johnston, que ensinou Abraham e sua irmã a ler. O jovem pedia livros emprestados a amigos e vizinhos e estudava após as tarefas diárias. Trabalhou numa serraria e foi barqueiro nos rios Ohio e Mississipi.
Quando Abraham tinha 21 anos, sua família mudou-se para Springfield, no Estado de Ilinois. Ele exerceu então, as mais diversas profissões; lenhador, barqueiro, caixeiro, agente dos correios, ajudante de moinho e de granja. Em seis semanas, aprendeu o ofício de agrimensor e trabalhou em medição de terras. Estudando sem cessar, fez por correspondência o curso de Direito e em 1837, passou a exercer a advocacia, destacando-se entre os colegas por sua honestidade e competência. Dado a meditações e por causa de seu corpanzil desengonçado, era uma figura estranha; no entanto, apesar disso, respeitada e popular. Iniciou a sua carreira política em 1834. Em 1842 casou-se com Mary Todd. Foi eleito em 4 de Março de 1861 como presidente dos EUA. Foi uma personagem marcante e importante no cenário da Guerra de Secessão.

Abridor – (Inglês: Can Openers), nome sarcástico dado para as esporas.

Acampamento de fronteira – (inglês: Line Camp) – Também conhecido como posto avançado do rancho ou guardas de confins. Nos grandes ranchos, cujos pastos não podiam ser observados unicamente pela sede do edifício central, existia, longo o perímetro mais externo, sólidas cabanas feitas com troncos de árvores ou adobe, ocupadas por dois guardas “confinados” a cavalo. Suas obrigações consistiam em cuidar dos animais doentes e impedir a perda das boiadas. Durante o Inverno eles quebravam o gelo que era formado na superfície dos depósitos de água, afugentavam os animais predadores e faziam a defesa contra os ladrões de gado. Os guardas ajustavam também as cercas vivas e ficavam de serviço 14 semanas durante o Verão e 3/4 semanas durante o Inverno, depois eram substituídos.

Acampamento e a sua forma circular – Quando as tribos das planícies se empenhavam em grandes caçadas, a cada etapa as mulheres índias preparavam grandes acampamentos com seus quinhentos metros de diâmetro. Muitas vezes juntos aos “tipis”, formava-se um grande círculo, do qual era formado por círculos menores; nos quais eram reunidos as famílias ou um clã político. Junto aos Dakotas, essa formação possuía o nome de “Conselho dos Sete Fogos”, reunindo dois grupos, um composto com quatro círculos e o outro com três. Os Omahas acampavam-se formando uma grande circunferência na qual se podiam reunir dez famílias. Ao menor barulho os cavalos eram reagrupados no centro. Quando os Kiowas, os Cheyennes e as outras tribos do Oeste reuniam-se para a Sun-dance (Dança do Sol), que era feita uma vez ao ano, acampavam-se num círculo maior que o normal, no qual cada divisão ocupava um lugar pré-estabelecido, segundo uma ordem regular. Todas as aberturas dos tipis eram voltadas para o leste. Quando invés os índios estavam em pé de guerra, os acampamentos eram montados sem uma organização precisa.

Accomac – (“Acco-mac”= “O pequeno povoado do outro lado da praça”), certa vez a tribo da então chamada Confederação Virginia, pertencia à família dos Algonkin. Após 1812, esta tribo perdeu a sua identidade como grupo étnico e foi absorvida por outras.

AchougoulaAchougoula – (da palavra “ask-un-ga”= cachimbo feito, o chamado “Povo dos cachimbos”), Achougoula era uma das nove cidades (1699) da então chamada Confederação “Natchez”.

Acoma Pueblo – Pueblo grande que permaneceu quase intacto, tornou-se famoso por sua cerâmica. O termo “acòme” significava “gente das rochas brancas”. Este Pueblo encontra-se numa elevação rochosa com 115 mts. de altitude, 90 kms. a oeste do Rio Grande do Norte no Valencia County do Novo México. Em 1540 foi visitado pela expedição Coronados que chamou a cidade de “Acuco”. Acoma Pueblo é mais antiga colónia habitada nos EUA. Os índios deste Pueblo aravam os campos e cultivavam milho, melões, feijões, etc. Como animais domésticos criavam perus. Hoje Acoma é um ponto turístico, 18 kms. ao sul da US-Highway, número 66 e 90 kms. a oeste de Albuquerque, Novo México, onde, os índios ainda hoje oferecem a sua famosa cerâmica.

Acoti – Local indicado em pergaminho datado de 1865, como o nascimento de Montezuma, a oeste de Taos, Novo México.

Actinea – Planta, usada pelos Navahos, para a produção de um colorante verde-amarelado. Os cobertores Navahos tingidos com a actinea não sofrem o branqueamento, mesmo se expostos ao sol ou chuva e conservam a sua cor vivaz por dezenas de anos.

Adai – Tribo de índios, cujo dialecto era muito semelhante ao Anadarko. Os Adais faziam parte da então chamada Confederação Caddo. Em 1572 esta tribo foi visitada pelo conquistador espanhol Cabeza de Vaca. Logo após os Adais foram muito útil aos Franceses em vista dos anteriores planos de conquista Espanhol (1571), daquela parte da Lousiana por eles ocupada. A estrada que unia a cidade Adai (que compreendia uma parte do território colonial Francês e outra do território Espanhol) era conhecida como a “Trilha dos contrabandistas” e foi muito usada por ambas as partes. O traçado passava inclusive perto de San Antonio de Boxar, um forte Espanhol. A tribo Adai encontrando-se sob controle Francês e Espanhol, sofreu muito pelas sanções impostas por ambas potências coloniais.

Erwin SmithAdams - 1. Alwin, nasceu em Vermont, fundava em 1841 a Adams & Company’s Express, companhia para expedição de valores, que após 12 anos era a mais importante da Califórnia. – 2. Andy, cowboy, com a idade de 20 anos já no Texas, comprava e vendia cavalos e gado e levava as boiadas de Brownsville, Texas, até Montana. Em 1892 sugestionado pela febre do ouro foi para Cripple Creek, Colorado estabelecendo-se por lá, e começou a escrever o livro “Reed Anthony, Cowman”, onde relatava as características de um criador de gado, uma série de contos breves (Cattle Brands) e o best-seller “The Log of a Cowboy” (O Diário de um Cowboy), que surgiu em 1903 num período o qual o “Virginier” de Owen Wisters tinha já tornado famosa no mundo a figura do cowboy. – 3. Daniel, nasceu em 1861 e foi fuzilado por Joe Mitchwell e Nels Matthews em 21 de Novembro de 1884 em Dodge City. Deixava mulher, um filho e a invenção do relógio de bolso. “que dava corda sozinho”; foi produzido em baixa escala, e considerado o precessor dos relógios automáticos. Após 7 anos, este relógio era fabricado como “relógio perpetuum”, pelo relojoeiro Harald W. Neihardt de St. Louis. O xerife Michael Surghrue de Dodge City procurou os assassinos, oferecendo uma recompensa, prendeu Joe Mitchwell e o levou para a prisão do Distrito. Em 26 de Novembro de 1884, por volta da meia-noite a população furiosa desarmava o ajudante Thompson e linchava o assassino. O jornal “Dodge City” em 4 de Dezembro de 1884, trazia esta notícia: “O prisioneiro foi enforcado numa das traves do depósito de lenha de Bullen & Averill. O seu cadáver foi retirado as 10:25 horas”. – 4. Gus, um inspector da União de Criadores de Gado, empregado entre 1883/1885 pela Mocassin Association de Montana como detective especial, participou de inúmeras buscas aos ladrões de cavalos e gado. Essas caçadas, geralmente terminavam com o enforcamento dos prisioneiros na primeira árvore robusta da região.

Adams, Burke & Co. – Sociedade do comércio de gado, propriedade da “Union Stock Yards” em Chicago, que assinou contratos de entrega de longa duração com os pecuaristas do Texas.

Adams, Diane & Adams – Pequena fábrica de munições da Virgínia, que produzia vários modelos de revólveres a percussão para as tropas dos Confederados, segundo  o sistema Colt.

DiligênciaAdams & Company’s Express - “Cada dia, milhares de pessoas deixam os Estados e vão em direcção do Atlântico para irem à Califórnia. Cada homem deseja receber uma carta de casa, tantos encontrarão ouro e gostariam de mandar para o Oeste. Antes, nunca tinha aparecido uma ocasião assim grandiosa, para a expansão da nossa empresa de transporte de valores”. Com estas palavras,  Alvin em 1852 colocava a base do seu império. Em três anos serão investidos 2 milhões e dólares para o correio a cavalo e serviços postais com diligências, quase todos os pequenos empreendedores serão incorporados; foi criado um enorme consórcio, com bancos próprios. Em 23 de Fevereiro de 1855, um mês após a publicação de um balanço sólido, anunciava-se a primeira grande falência do West; o primeiro banco “Adams & Company” não conseguia pagar as suas dívidas. As arriscadas especulações feitas nas companhias ferroviárias do Oeste, chegaram à falência; o império do “Express” desmoronava como um castelo de cartas.

Adams & Trender – Fábrica Inglesa de munições, que exportou de 1850 a 1867 um grande número de modelos de revólveres a percussão nos EUA. Muitos homens que andavam pelo West, carregavam consigo tais revólveres.

Adios – Cumprimento Espanhol, muito popular entre os cowboys do sudoeste; significa adeus, como a palavra Francesa “adieu”, “com Deus”.

Adirondack – Expressão da língua Mohawk, significa “comedores de árvores”. A sub-tribo dos índios Mohawks, que em tempos difíceis, alimentavam-se com a cortiça das árvores, pertencia à família dos Algonkis e vivia num distrito setentrional do rio San Lorenzo.

Adobe – Terra argilosa muito difusa nos estados meridionais e ocidentais dos EUA e no México, que misturada com água, areia e palha sob uma contínua irradiação dos raios solares, fica rapidamente compacta como um tijolo. Este “tijolo”, que media + ou – 45x13x20 cms., já era conhecido no Antigo Egipto e nos hieróglifos e eram chamados de “pedra cozida”. Em Árabe chama-se “At-tob” e em Espanhol “Adobar”, que significa compor, reparar, adornar. Somente no século XVI os Espanhóis iniciaram a trabalhar com formas de madeira; até aquela época faziam os tijolos redondos, empastados com uma cinza especial.  Com a cal se usava o barro misturado ao adobe. As casas feitas com esses tijolos possuem paredes grossas de 50 cms, que durante as horas quentes do dia permanecem mantendo a temperatura  amena, e no frio da noite, irradiam o calor acumulado durante o dia. Verifica-se assim uma compensação de temperatura que talvez nem o mais moderno ar-condicionado poderia dar hoje em dia. Por esse motivo ainda hoje no sudoeste usam-se os tijolos adobe para a construção de casas, e sua composição é sempre a mesma.

Christopher Kit CarsonAdobe Walls – Posto comercial próximo da margem setentrional do Canadian River no Panhandle District do Texas, construído em 1843 pelo comerciante William Bent, que trocava mercadorias com os índios Comanches e os índios Kiowas, até Novembro de 1864, quando o coronel Christopher “Kit” Carson com 14 oficiais, 321 soldados, 72 “scouts” índios e 2 pequenos canhões de montanha dizimou estas 2 tribos na primeira histórica batalha de Adobe Walls. Na Primavera de 1873 os mercadores de peles de bisontes John e Wright Moar provenientes de Dodge City fundaram sobre as ruínas um depósito para abastecer os caçadores da região. Comanches, Kiowas e Cheyennes furiosos, pela expansão de caça a esses animais que ameaçavam a sua existência, atacaram sob o comando de Quannah Parker em 27 de Junho de 1874, 28 homens e uma mulher em Adobe Walls. Após 10 horas de batalha os branco contaram 3 mortos e os índios 80 mortos e alguns feridos. A lenda conta que, nessa ocasião o caçador de bisontes Billy Dixon com um sensacional tiro de 1538 yards ( 1384 mts) desmontava um índio.

Índio a cavaloAdoeete – Cacique dos índios Kiowas, famoso sob o nome de “Grande Árvore”, que do sudoeste de Oklahoma ia atacar no Texas, onde o governo estava construindo o Forte Sill bem ao centro do território Kiowa. Após atacar um trem, soldados o prenderam no próprio Forte. Prometendo que a sua tribo não mais atacaria os brancos, ele foi libertado. Partiu para a reserva de Kiowa no território indígena de Oklahoma e converteu-se ao Cristianismo. Adoeete manteve sua palavra e não cometeu nenhum outro ataque.

Agaihtikara – Sub-tribo dos Paviotsos que viviam em Walker River e Carson River, Nevada, conhecidos também como “Comedores de peixes”. A tribo com 1500 índios, sob o comando do cacique “Oderie”, foi falada até 1866, depois foi confinada gradualmente em reservas.

AgaveAgave - (Latim: Agave americana; Inglês: Agave; Mexicano: Maguey) de origem grega (aguauè = bela). Género de planta adaptada ao clima quente e seco, muito  conhecida em centenas de variedades no México e nos estados meridionais dos EUA. Das raízes os índios e os mexicanos extraiam o aguardente Pulque e o Mescal, enquanto usavam as suas folhas para a feitura de cestos e sandálias. Suas flores brancas dos arbustos erectos e altos, de geralmente 10 mts., se cozidas tornavam-se uma saborosa verdura, se secas e condimentadas com o mel, resultava num óptimo doce. Com o “coração” da flor triturado, fazia-se farinha e com ela uma espécie de pão, cozido em brasas. As raízes das agaves eram para os índios Apaches, no deserto, o seu alimento mais importante.

Agawano – Pueblo pré-histórico dos índios Nambes do Novo México perto do rio Grande do Norte.

Agua Caliente – Reserva Californiana, na qual, em 1880, viviam 560 índios sobreviventes da tribo do deserto Cahuilla. Essa tribo nutria-se de ervas e vermes. Helen Jackson em 1880, disse: ” É um deserto que possui somente uma nascente quente, encontra-se num depósito rochoso muitos metros abaixo do nível do mar e estes índios são paupérrimos; mais de quanto uma pessoa possa imaginar”.

Aguancy – Cidade do sul de Washita River, em Arkansas, visitada em 1542 por De  Soto, havia não só um importante centro comercial, naquela pradaria oriental, mas era importante sobretudo por suas salinas.

ÁguiaÁguia – Como os antigos, os índios consideravam a águia o emblema da força e da coragem. Eles a temiam, algumas tribos a veneravam e outras eram terrivelmente supersticiosas à sua imagem. Os Hopis diziam que a águia era o Deus do céu, outros a viam como a encarnação do Pássaro Trovão. As extraordinárias faculdades da águia: sua visão ampla, o seu modo de voar muito em alto no céu, a sua longevidade, impressionava os índios a tal ponto que eles viam nela o símbolo da esperança e garantia de sucesso e na vitória. A maioria dos índios era convicta que a águia tivesse sido criada por um Ser Supremo que lhe havia dado uma beleza superior. A águia da cabeça branca transformou-se no emblema dos Estados Unidos da América, porém os índios preferiam aquela dourada, ou a águia das montanhas, que por um longo período dominava o West. A caça à águia era particularmente perigosa e podia ser feita somente por guerreiros inteligentes e espertos. Algumas tribos não hesitavam em escalar as montanhas altas, para capturá-la nos ninhos. As tribos das planícies recorriam a uma estratégia que requeria muita audácia e confiança em si. Um guerreiro escondia-se num buraco entre arbustos, no qual era colocado um pedaço de carne. Quando ela pousava, para capturar a isca, as mãos do índio seguravam as suas pernas. Esse tipo de caça dava início a cerimónias solenes. Quando o espanhol Coronado estava entre os índios dos pueblos, encontrou águias domesticadas. As penas da águia dourada eram muito apreciadas; serviam para a confecção de ornamentos para a guerra. Uma tira de couro com doze penas de águia valia mais que um poney das planícies e as mais cobiçadas eram as penas brancas com as pontas negras. Elas serviam para decorar o escalpo arrancado do inimigo, as crinas dos cavalos e os escudos. Um índio podia portar uma pena de águia somente quando houvesse matado um inimigo em combate e em algumas tribos, somente se tivesse desafiado o seu inimigo. O número de penas correspondia ao número de inimigos mortos ou de combates enfrentados. Junto aos índios Chippeways, um guerreiro que houvesse escalpelado o seu inimigo, tinha o direito a duas penas e se houvesse liberado um prisioneiro ferido, a cinco penas. Algumas tribos utilizavam para os sacrifícios as penugens, as penas das asas e dos rabos. Os Sioux faziam com elas, abanadores. As penas da águia eram óptimas para a feitura das flechas. Os ossos da águia serviam para fazer apitos, que eram usados durante as cerimónias e, sobretudo para a Sun-dance dos Cheyennes. As garras acreditavam que trazia sorte.

Índio PowhatanAhone – Palavra que significava “Deus” na linguagem dos índios Powhatan da Virgínia.

Ahorn – (Latim: Aceraceae; Inglês: Maple Trees) De todas as espécies de plantas árboreas  que encontram-se na América do Norte, a ahorn de açúcar é a mais conhecida dos cowboys e dos índios. De importância essencial é o seu conteúdo adocicado. O xarope “Maple”, líquido viscoso e muito doce de cor castanha, era indispensável para o cozinheiro do rancho ou durante o transporte das boiadas. Do xarope conseguia-se também, vinho e brandy.

Ailward – Fred, chamado também como “Big Jim”, cowboy do Rio Concho no Texas. Certa noite, voltando embriagado com o seu colega Bill Williams de uma farra em Neutral City (Terra de Ninguém), começou atirar, sem motivo aparente,  na casa do cidadão Ira Norton. O velho teve que se proteger, jogando-se ao chão. Quando Norton notou que já estava sem munição,  respondendo aos tiros, arrancou pedaços irregulares de metal  de uma velha panela com uma picareta e carregou o seu revólver. O primeiro disparo, matou imediatamente Bill Williams, o segundo derrubava Big Jim da sela. O doutor Vardan, que fez a necropsia e contou com um “amigo” para concluir a sua experiência, preparou o esqueleto alto 1,92 mts. de Big Jim Ailward e colocou-o no seu consultório em Gate, perto de Beaver City. Por muitos anos os pacientes puderam observar os numerosos fragmentos de bronze de Ira Norton que se encontravam em quase todos os ossos de Big Jim.

Akasquy – Tribo de índios que habitava perto do River Brazos, Texas, foi cercada em 1687 por La Selle e desapareceu no século XIX. Os índios Akasquy faziam os seus trajes com peles de bisontes e ornavam as costuras com plumas de pássaros.

Akonye – Grupo familiar de índios do Arizona, que eram chamados de “A-kon-ye” (O povo do Canyon), foram para o Forte Apache e a reserva San Carlos.

Alabama Black Cherry – (Latim: Prunus serotina alabamensis; Prunus é a palavra latina para “Prunia”  e serotina significa “Florescer tardio”), no Oeste é também chamada de Mountain Black Cherry e Rum Cherry. Essa árvore pode atingir a altura de 30 mts., floresce de Março a Junho e os frutos amadurecem de Junho a Outubro. Possuem uma pele macia, são negros, sucosos e agridoce. Esses frutos secos serviam aos cowboys como ingrediente para doces, recolhidos directamente do pé, serviam de sobremesa aos cavaleiros. Secos e sem as sementes eram úteis como alimento durante as longas cavalgadas pelo deserto. Mais de 50 espécies de animais alimentavam-se deste fruto, porém para o gado, as suas folhas eram letais pois o seu veneno causava graves cólicas. Um chá feito da cortiça da Black Cherry sarava de resfriados e se os cowboys viajavam muito, as suas roupas íntimas eram banhadas numa espécie de extracto, obtido da mesma cortiça, que após a secagem, impedia que os cowboys sofressem de assaduras. A lenha macia, era usada para esculturas e ornamentos.

Batalha de AlamoAlamo1. Frades Franciscanos Espanhóis construíram em 1724 Alamo na periferia de San Antonio de Baxar que era uma Missão fortificada, chamada “San Antonio Valero”. Durante a guerra mexicana da independência (2 de Outubro 1835 a 22 de Abril de 1836), o Alamo era um local importante e estrategicamente decisivo para o Texano Sam Houston (comandante do exército e homem político), cujo compromisso era o de parar a armada, muito bem organizada pelo presidente Mexicano Santa Anna, até quando os grupos de combatentes voluntários Texanos tinham a possibilidade de reunirem-se. Quando em 24 de Janeiro de 1836 Santa Anna com seus melhores generais, muitos canhões e 6000 soldados, cercou o Alamo, o jovem William Barret Travis, comandante Texano da pequena guarnição compreendeu que não haveria a mínima chance com seus 182 homens; entre eles os lendários Davy Crockett e Jim Bowie e um único canhão. – “Estou pronto”, escreveu Travis na sua última carta para “todos os americanos do mundo, a resistir o mais possível e morrer como um soldado, que não esquece o dever para consigo mesmo e para o seu País”. Santa Anna limitou-se no início a atingir com tiros explosivos e incendiários de canhões a Missão, causando poucos danos. Os atiradores de elite Texanos, quase todos habituados a combaterem contra os índios, causaram relevantes danos ao inimigo; assim Santa Anna em 6 de Março decidiu o ataque. O toque de corneta “deguello” (fazer maior dano possível; acção de degolar) e o estandarte vermelho escarlate pendurado na catedral de San Antonio de Bexar (este sinal, era tradição dos tempos da guerra Espanhola contra os Mouros, significava que não podiam ser feitos prisioneiros), concediam a armada Mexicana um torpor sanguinário. Durante 5 horas 6000 soldados lutaram das 4 horas da manhã até as 9, contra os 182 resistentes. Tombaram 1544 soldados e 2367 foram mais ou menos mortalmente feridos; Davy Crockett, o último defensor de Alamo, ao centro de 16 Mexicanos também mortos. Somente 5 mulheres, algumas crianças e 2 escravos negros deixavam o Alamo, vivos. Diante do campo de batalha Santa Anna desesperado gritava aos seus generais: – “Mais uma vitória dessas e estaremos arruinados!”. A 21 de Abril de 1836, Sam Houston preparava para o ditador Mexicano a sua Waterloo, próximo a San Jacinto. Com o grito de batalha: – “Pensem em Alamo!”, 910 Texanos barbudos atacavam os 1568 soldados Mexicanos. Quando a batalha terminou, Santa Anna era  prisioneiro de Houston e somente 938 soldados sobreviveram. Dos homens que defenderam Alamo, 29 eram de Tennessee, 17 da Inglaterra, 13 da Virgínia, 11 da Irlanda, 9 do Kentucky, 8 da Escócia, 8 do Sul da Carolina, 7 do Missouri, 7 da Giórgia, 7 de New  York, 6 da Bavária, 6 da Pennsylvania, 5 da Prússia, 5 de Maryland, 5 da Lousiana, 4 do Norte da Carolina, 4 de Ohio, 4 de Mississipi, 3 do Arkansas, 2 de Gales, 2 da França, 2 do Alabama, 2 de New Jersey, 2 de Massachusetts, 2 de Connecticut, 1 da Dinamarca, 1 de New Hampshire e 1 do Maine. – 2. Fim da batalha heróica de Alamo nome usado pelos saloons na cidade dos bovinos (Abilene), Dodge City e Newton em Kansas. – 3. Palavra Espanhola que indicava todas as especiarias derivadas das árvores da família do salgueiro (Latim: Salicaceae, Inglês: Willow Family), que era muito comum no sudoeste dos EUA com o nome popular de “Cottonwoods”. A Missão de San Antonio de Valero era adornada por essas árvores, muito características, que além de uma agradável sombra, serviam aos viajantes, que procuravam a Missão, como um ponto de referência.

Alamocitas Canyon – Profundo precipício entre o Rito Blanco Pasture e o Canadian River em território do XIT-Ranch no Texas oriental, que servia aos cowboys da fazenda (XIT = 10 em Texano), esse rancho, que se estendia por 10 condados, era circundado por 10.000 kms. de cerca para protecção do gado durante as tempestades de neve. O cowboy Gene Elliston no Inverno de 1892, escrevia: “Quando chegou a tempestade, os amigos Flannellauge-Frank e Bob Blackell congelaram nas selas e morreram a menos de 5 milhas de distância do Canyon. Mesmo antes que a tempestade soprasse o seu gelo no Canyon, já estavam mortos 500 animais e 24 cavalos”.

Alamocitas Ranch Division - O grupo do XIT-Ranch, que habitava numa fazenda em Alamocitas Canyon era utilizado principalmente durante o Inverno, para proteger as boiadas que se encontravam nas regiões.

LonghornsAlamo Plaza – Grande praça em San Antonio de Bexar, Texas, na qual durante muitos anos era o centro comercial dos Longhorns, antes mesmo de sua ida para o norte. Os hotéis próximos à praça (Central Hotel, Menger Hotel, Schmittis Hotel) de 1867 até 1878 serviam de sede da bolsa para o comércio de gado do Texas, onde vinham fixadas as trilhas dos rebanhos, os preços e formadas as equipas. Era também ao mesmo tempo centro de diversão da cidade, podia-se tomar um banho quente no Sulnon’s Barbershop, jogar bilhar no Crystal Palace ou no Jack Harri’s Saloon, assistir à tarde a corridas de cavalos, ou então ganhar ou perder uma fortuna no Silver King ou no The Banner Gambling House.

Alamo Rifle – Rifle que após a batalha de Alamo, era fabricado entre 1836 e 1839 por algum armeiro desconhecido de San Antonio (imitando os rifles Harpers Ferry e Kentucky Rifles, usados pelos Texanos), para a participação anual da parada comemorativa (Dress Parade).

Alamosa Camp – Divisão independente do Rancho Zacaweista (789 milhas quadradas, que se estendia por 6 condados de Wilbarger, Baylor, Archer, Knox, Foard e Wichita no Texas). Os 23 campos possuíam confortáveis casas para uma família de cowboys,  centro variado e necessário para suas funções, centro médico e veterinário.

Alarcón Hernando de – Vice-comandante do explorador e conquistador Espanhol Coronado, que curioso pelas descrições dos índios sobre “bois estranhos”, descobriu em pradarias além de Rio Grande, inúmeras manadas de bisontes e por último o Estado de Colorado.

Alaun - Sulfato de alumínio e potássio, que servia aos índios Navahos, como agente corrosivo durante as suas pinturas em tecidos e peles.

Alawahku – Grupo de índios Pecos, do Novo México.

Alce – Chamado também como Elk ou Moose, vivia nas florestas do Norte e o Waipiti das planícies eram, para certas tribos, animais preciosos que forneciam alimento e o couro para se vestirem. A sua carne era tratada como aquela do bisonte e a pele servia para a confecção de roupas e túnicas. Os dentes, com os quais esse animal cortava grandes árvores, eram especiais para os índios; fixados na extremidade de um bastão, formava um arpão, enquanto que com uma empunhadura menor, transformava-se em pequenos utensílios, como por exemplo, um raspador. As peles foram por um longo período objecto de trocas entre índios, caçadores e comerciantes.

Alder Gulch – (Inglês: Alder Gulch = precipício das árvores),  imenso precipício em Montana, atravessado pelo Alder Creek, no qual William Bill H. em Maio de 1863 com Robert Vaughn, T. Cover, H. Edgar, B. Hughes, Sweeney e Rodgers encontrava o mais rico veio de ouro de Montana. A primeira “peneirada” tinha o valor de 2,80 dólares, a segunda mais de 100 dólares. Dia após dia os homens tiravam ouro do Alder Creek, enchiam os sacos de couro e procuravam manter segredo.  Mas, 10 minutos após terem gasto as primeiras pepitas em Bannack, começava uma das maiores corridas ao ouro, uma verdadeira febre, jamais vista então na América. Surgia Virginia City no espaço de poucas horas e já em 28 de Maio de 1863 acontecia em Beaverhead Creek o primeiro encontro constitucional de garimpeiros de ouro, no qual eram fixadas as regras do negócio. Em 7 de Junho de 1863 eram fixado em 23 artigos, as leis e suas normas, que manteria a ordem comum aos exploradores do minério. No prazo de um ano a cidade do “Precipício das Árvores” tinha mais de 10.000 habitantes e mais de 10 milhões de dólares,  havia sido extraído daquela terra escura.

Alexander H. Stephens – Vice-presidente da Confederação. Velho amigo de Lincoln aceitou em 1861 o cargo, somente porque se sentia ligado por um senso de dever para com o próprio Estado, a Geórgia. Defenderá intensamente a causa dos Sulistas até o fim do conflito, bem sabendo que a Confederação estava destinada a ceder à potência económica do Norte. Até Novembro de 1860 sempre se referiu contrário à Guerra de Secessão. À véspera do conflito tinha escrito, referindo-se à situação do Sul: “A gente parece enlouquecida. Parecem todos furiosos e frenéticos”. Em 1883 seria o Governador da Geórgia, já inválido por uma queda.

Alfabeto Morse – Em 10 de Maio de 1869, concluiriam os trabalhos da ferrovia do Pacífico, e aquelas do Oeste. O telégrafo, inventado por Samuel F. B. Morse (1791-1872), após ter assistido do navio inglês a algumas experiências de electricidade. É também o inventor do “Alfabeto Morse”.

AlforjaAlforja – Nome Espanhol (em Inglês: saddlebag) dado a um grande saco de couro ou saco de linho engomado (geralmente em formato duplo), que os cowboys colocavam na sela e levavam consigo, no qual era colocado tudo o que haviam.

Alfred – Prato de macarrão dos cowboys, geralmente preparado com os seguintes ingredientes: 1/2 kilo de macarrão, 250 grs. de tomates, 125 grs. de manteiga, 150 grs. de queijo, 150 grs. de queijo suíço, 1/2 caneca de creme de leite fresco.

Algonkian – Rochas da região do “Lago Superior”da América do Norte. Eram formações arqueozóicas e paleozóicas. A palavra é derivada da língua indígena da tribo, que vivia nessa região.

AlgonkinAlgonkin –   Grupo linguístico dos índios que pertenciam às tribos dos Cheyennes, Arapahoes, Atsinas, Piegan, Blackfeet, Blood, Chippewas e Crees do Oeste, e numeroso agricultores e grupos de caçadores do West até a costa Atlântica, como os Delaware e os Winnebagos, habitantes dos lagos. Esse grupo linguístico de índios toma nome de uma pequena tribo Algonkiana, “Weskarini”. As tribos desse grupo eram espalhadas num território maior do que os demais grupos linguísticos. A habitação típica dos Algonkin era oval e feita com cortiça de bétulas. As tribos de Virginia construíam casas alongadas e os Algonkins do norte casas com troncos de árvores. Os Delawaren e os Chippewas usavam uma espécie de escritura simbólica, que era desenhada ou esculpida nas partes interiores das cortiças. Os Algonkins orientais eram inteligentíssimos, altivos e corajosos; porém faltava a eles, como aos demais índios, o sentido de organização. Sob o comando dos caciques como: Pontiac, Tecumesh, Philip, Powhatan e Opechancanuogh, obtiveram muito, mas jamais o bastante para defenderem-se com sucesso, o desenfreado desejo de conquista dos brancos. Isso era devido em sua maioria à estrutura democrática de sua sociedade: contra a maioria não podia nunca ser tomada qualquer decisão. Somente os Algonkins da Virginia foram uma excepção sob o comando de Powhaan; resistiram contra os brancos até quando foram todos totalmente dizimados.

Alkali – (latim: Haploeshes gregii. Inglês: Gregg Alkali Bush). Arbusto verde-claro que contém álcali, de 30/60 centímetros de altura, encontrado em terras secas, salinas e alcalinas. Os cowboys do Texas, Novo Mexico, Arizona, Oklahoma, Colorado e Kansas ficavam muito atentos com esse arbusto, pois ele misturado à grama verde, provocava tremenda cólica aos animais. Por outro lado protegia-os da desidratação da pele durante as longas marchas pelo deserto.

Allan PinkertonAllan Pinkerton – O conhecido detective americano de Chicago fundou uma das primeiras agências de investigações, que foi determinante na repressão do bandidismo após a Guerra da Secessão. Aliás, durante a guerra poucas pessoas do exército Nortista, conheciam a sua verdadeira identidade, sendo chamado simplesmente como “Major Allen”. Foi ele quem organizou o serviço secreto do exército de McClellan, porém em 1862 foi destituído do cargo. Foi acusado de não ter reconhecido a tempo a força militar do general Lee, induzindo em tal modo McClellan e sua armada de Potomac a uma excessiva precaução. Todavia actuou em numerosas acções, entre as quais; a descoberta de um complô dos Confederados que libertaria 8.000 prisioneiros Sulistas, ao sul de Chicago.

Allen-Pepperbox – Arma de fogo com seis canos, segundo o sistema Cap & Ball. Os projécteis, eram disparados muito rapidamente, caindo fora como a pimenta da pimenteira.

Allen & WheelockAllen & Wheelock –  Revólver carregado pela culatra, de um só tiro, cano longo e octogonal, calibre 44-40

Alley Theatre – Teatro folclórico em Houston, Texas, fundado em 1963 por Nina Vance com dois milhões de dólares, fornecidos pela Ford Fondation, fundação essa especializada sobre o cowboy texano.

Allred, James V. – Governador do Texas reorganizou em 1935 as tropas dos Texas Rangers, com armas modernas, carros e equipamentos.

Allin, E. S. – Grande mestre armeiro da fábrica de armas Springfield Armory, que em 1865 resolveu o problema de utilizar velhos rifles de percussão Springfield com cartuchos inventando assim a chamada “Allin-Convertion”: encurtava o cano e inseria os cartuchos. Um compartimento especial fechava o cartucho que se encontrava no cano, e continha o percussor. Inicialmente os modelos Springfield 65 assim modificados eram ainda de calibre grande 58, que vinham reduzidos para 50 e 45. A Allin-Convertion ficou famosa no Oeste e identificou-se com o Springfield 45-70 (calibre dos cartuchos 45, carregado com pólvora para disparos de 70 grãos), porque muitas unidades empregadas nas batalhas contra os índios eram armadas com estas armas. Depois da batalha contra a Sétima Cavalaria em “Little Big Horn”, os índios encontraram muitos rifles Springfield, bloqueados pelos cartuchos detonados, porque a rapidez dos tiros tinha aquecido muito os seus canos.

Allison, Clay – Nasceu em 1850, no Tennessee, morreu em 1 de Julho de 1887. Chegou ao Oeste do Texas no Novo Mexico, com seus 20 anos, tornando-se cowboy e finalmente proprietário com seu irmão de um pequeno Rancho perto de Washita e o Cimarron River. Tinha um defeito no seu pé de nascença, porém ele superava essa desvantagem física, em sua rapidez em sacar e atirar, custando assim a vida de 15 pessoas. Corajoso e temerário ao ponto da loucura, mantinha consigo em consideração o rígido código de honra do West e onde quer que chegasse com as boiadas (entre Montana e Rio grande do Norte), fazia-se obedecer e fazia justiça; isso queria dizer para todos aqueles que gostariam de tocar a sua propriedade e a sua honra. “Tê-lo como inimigo era como uma sentença de morte” escreveu em 1887 o jornal “Ford County Globe” e um de seus biógrafos, “Ladrões de cavalos ou de gado não viviam muito, perto de Allison. Onde os encontrava, matava-os, sem perdão. Ele era alto 1,88 e com mãos adaptadas para quebrarem o pescoço de um touro, durante a sua vida, não foi considerado como um fenómeno, mas como um homem muito corajoso, às vezes perigoso, e com um coração mais que honesto, que arriscava a vida em cada momento, para fazer respeitar a assim chamada justiça”. Disse o jornal Santa Fé Daily Mexican em 19 de Julho de 1887. Somente após que a causadora urbanização e o código de honra dos cowboys do West, foram substituídos pelos parágrafos das leis, as gerações seguintes começaram a ver nesse homem, um terrível monstro. Nasceram sobre ele, grandes lendas; como a que ele tinha arrancado quatro dentes a um dentista, que teria arrancado um seu em perfeito estado. Ou que teria matado o xerife John Spear e o seu vice Charles Faber, porque teriam atirado e ferido um dos braços de seu irmão John, que fazia barulho na cidade. Outra dizia que cavalgou nu, portando somente seu par de botas, seu cinturão e um sombrero atirando pela cidade de Canadian, deixando os seus habitantes puritanos, boquiabertos. Em 26 de Fevereiro de 1860, Allison escrevia para a redacção do Ford County Globe, no Kansas: “Nunca matei um homem sem motivos e nunca sem lhe dar a possibilidade de se defender. Quem diz o contrário, que venha aqui onde estou em Washita no Hemphill Country, Texas, falar comigo, ou mantenha a boca fechada”. Em 1 de Julho de 1887 ele caia de sua charrete, acabando debaixo das rodas e morreu. Hollywood eternizou Clay Allison como xerife e Marshall.

Altar – Um altar indígena podia ser feito com tudo, um crânio de animal por exemplo, de bisonte, ou com algumas rochas, mas também com fontes d’água, grupos de árvores, alguns troncos de árvores petrificadas. Alguns altares eram muito complicados como por exemplo aqueles dos índios Hopi. Eram feitos com tecidos, cachimbos, peles de animais, guizos de cascavéis e penas. Podiam ser orientados para os pontos cardiais (quase sempre o Oeste, talvez pelo alçar do Sol). Existiam também altares com sentido prático; para as preces, para a chuva, para uma boa colheita, para uma caça farta, para a saúde, para a fecundação, ou para ter força contra o inimigo.

American HorseAmerican Horse –  Cacique dos Ogalla Sioux, que combateu com Touro Sentado na guerra Sioux e foi morto em 29 de Setembro de 1895 na batalha perto de Slim Buttes no Dakota do Sul. Foi um dos firmatários do tratado de paz, escrito pelo general Crook, em 1887 que reduzia pela metade as terras de seus companheiros. Muitos deles protestaram e contagiados pela notícia da morte do cacique Touro Sentado, reuniram-se e quiseram pegar em armas contra os brancos. Porém American Horse convenceu-os a respeitarem o tratado. Em 1891 fez parte de uma delegação da reserva de Pine Ridge em Washington e conseguiu obter condições de vida melhores para o seu povo.

AmericanosAmericanos –  Já passou mais de um século de quando, por volta de 1730, os colonos ultrapassaram a “primeira fronteira”, constituída pela faixa costeira no Atlântico. Também a “segunda fronteira”, ultrapassaram os Montes Apalaches. Estamos em 1860. Esses colonizadores estabeleceram-se a Oeste da “terceira fronteira” aquela formada pelos vales do Ohio e do Mississippi. São pessoas de origens diversas e cujos acentos, recordam todas as línguas Europeias. Três são as fases que distinguiram o avanço para o Oeste. Diante de todos estão os caçadores, munidos com armas e armadilhas. Gente audaz e irrequieta. Na segunda fase juntam-se homens que sabem usar também a enxada. Porém não são ainda autênticos agricultores, atacados à terra que começaram a trabalhar. Os homens decididos a estabelecerem-se definitivamente no local escolhido, chegam durante a terceira fase. Com eles chegam os comerciantes e profissionais, os homens políticos. Surgem assim os primeiros centros, que em breve se transformam em cidades. John Crèvecoeur, um agricultor francês que vivenciou as várias fases do processo de colonização, escreveu em um volume intitulado: “Cartas de um agricultor americano”: “O que é o americano, esse homem novo? Ele é geralmente um Europeu ou um descendente directo de Europeus; dessa explicação, dessa estranha mistura de sangue que não é possível encontrar em outro País… posso mostrar uma família na qual o avô era inglês e a mãe holandesa; o filho casou-se com uma francesa e os quatro filhos nascidos desse casal, por sua vez casaram com quatro mulheres de nacionalidades diversas. Americano pode-se dizer, que deixados antigos preconceitos, conquistaram novas nascentes no modo de viver, que livremente escolheram durante as suas vidas, obviamente após os índios nativos, os donos naturais e absolutos desse imenso País”.

Amon Carter Museum – (of Western Art). Museu de Arte fundado por Amon G. Carter em 1861 no Forte Worth, Texas, era também fundador e editor do jornal “Forth Worth Star Telegramm”. Nas galerias desse museu estão quadros famosos e esculturas dos mais notáveis artistas do West, também os de Charles Marion Russel e Frederick Remington. Esse museu dispõe ainda de ricas colecções, quadros, estampas e fotografias da história pioneira do início do século XIX até aos nossos dias. Uma vasta colecção de microfilmes e fotos e uma biblioteca oferecem aos históricos a experiência única para estudar as origens da história dos pioneiros. Mostras especiais e programas para estudantes, conferências sobre expedições arqueológicas e novas teorias académicas, completam o seu perfil.

Amoque – Rancho para animais de criação dos Maricopas, perto do Gila River, no sul do Arizona.

Anadarko – Agência governamental em território indígena do Oklahoma, que de 1880 e após, providenciava o abastecimento dos sobreviventes Comanches, Kiowas e Wichitas. O primeiro homem a ajudar essa agência e alguns grupos armados, foi W. S. “Buffalo” King. Segundo o jornal de Oliver Nelson: “Era um homem alto de seis pés, pesando 152,20 quilos e com uma voz que fazia cair o chapéu da testa a qualquer um”.

Andalusier – Raça de bovinos espanhóis, importadas em 1540 durante a procura das “sete cidades de ouro de Cibola”, na América do Norte, pelo conquistador espanhol Cabeza de Vaca e Vázquez de Coronado. Desta raça, originou-se a raça texana Longhorns.

AndersonvilleAndersonville – O processo contra Wirz, um oficial de origem suíça, ex-director do campo de prisioneiros de Andersonville, acusado de “louca crueldade”, no confronto dos prisioneiros de guerra Unionistas, inicia em 21 de Agosto de 1865. O doutor A. W. Barrows, um médico do exército Nortista, descreve como no Inverno de 1864, no campo de Andersonville, setecentos homens foram mortos de frio, porque estavam sem roupas. Depois, a mesma testemunha, narra sobre Wirz: “a cavalo, seguido por cães, inspeccionava o campo todos os dias e advertia os prisioneiros que se um eles fugisse, faria morrer de fome cada danado yankee, por isso”. Yankee era o nome com o qual vinham chamados os americanos de sangue anglo-saxão. Assim os sulistas chamavam os nortistas. Barrows narra de horríveis torturas, de esqueletos viventes pendurados, fazendo com que somente as pontas dos pés tocassem por terra, de homens nus vagando pelo terreno congelado. Wirz afirma ser inocente. Nas ruas e em locais públicos e no Congresso, todos gritam incessantemente: “Enforquem Wirz!”. Condenado à morte, foi enforcado no mesmo local onde foram enforcados os assassinos de Lincoln. Quando Wirz apareceu no patíbulo, os espectadores espremidos ou sobre as cercas assobiam e dizem insultos. Os soldados que circundavam o patíbulo cantam uma canção que dizia: “ Wirz, lembre-se de Andersonville…Wirz, lembre-se de Andersonville”. Um oficial lê em voz alta a condenação à morte, em 10 de Novembro de 1865, depois, olhando para Wirz, diz que sente muito, mas que deve executar a ordem dada. “Conheço muito bem as ordens, senhor oficial e por tê-las sempre executadas, agora serei enforcado, grande ironia do destino, não acha?”. Respondeu serenamente o algoz de Andersonville.

Andrew Carnegie – Esse nome significa o “trust” do aço e das ferrovias, feito humano. Escreveu o humorista Finley P. Dunne: “É um monstro horrível, produto da iniciativa iluminada dos homens que tanto fizeram para o progresso da nossa querida Terra”. Em 1900 Carnegie cedeu o seu “império” por 492 milhões de dólares.

Andrew JohnsonAndrew Johnson –  O sucessor de Lincoln foi Andrew Johnson. Mesmo sendo natural do Sul, militou com os Nortistas. Falando para o público em Washington, tinha dito que se tivesse o poder, teria enforcado com prazer Jefferson Davis e todos os “diabólicos secessionistas”. Mas, eleito presidente, aceitou o perdão de guerra aos soldados Sulistas e declara-se contrário à pena de morte para Jeferson Davis e para os outros grandes Sulistas. Durante a sua gestão, houve as eleições no Sul para criar os novos governadores: o direito do voto era somente reservado aos brancos. Isso provoca uma ruptura com a ala radical do partido Republicano, tendo à sua frente Thaddeus Stevens, particularmente vingativo em relação aos ex-Confederados. Quando o Congresso se reuniu em 4 de Dezembro de 1865, os radicais não reconhecem os membros eleitos dos Estados Rebeldes e fundam um Comité para a Reconstrução que propõe a Décima Quarta Emenda da Constituição, a fim de assegurar o direito da cidadania aos negros. Essa Emenda foi ratificada em 1868.

Angel Food Cake – Bolo do cowboy que era preparado no Rancho somente em dias de festas. Composto com; 250 gramas de farinha de grãos e farinha de milho, 300 gramas de açúcar, 15 claras de ovos, 100 gramas de creme de leite, um pouco de sal, 1 colher pequena de baunilha, 2 colheres de açúcar caramelizado e um pouco de canela.

Annie OakleyAnnie Oakley –  Foi por muitos anos uma artista, dos números mais sensacionais no circo fundado por Buffalo Bill. Era uma jovem do West, atiradora infalível, que conseguia acertar da distância de dez metros, uma pequena moeda de 50 centésimos, que um homem segurava entre o indicador e o polegar. Geralmente desafiava em suas apresentações os espectadores incrédulos e vencia-os, sempre. Apesar dessa sua extraordinária habilidade masculina, era muito graciosa e casou-se.

Antrim, William H. – William H. Nasceu em 1 de Dezembro de 1842, padrasto de Henry McCarthy, aliás, Henry Antrim, aliás, William H. Bonney, aliás, Billy the Kid. W. H. Antrim esposava em 1 de Março de 1873 a mãe de Billy the Kid, Catherine McCarthy, na igreja presbiteriana de Santa Fé. De lá os Antrim com Joe e Henry McCarhy foram habitar em Silver City no Novo México, onde o marido trabalhava de vez em quando e a sua esposa era costureira. Catherine Antrim morreu em 13 de Agosto de 1875 por tuberculose e deixava seu marido bêbado que não queria mais sustentar seus enteados. O sensível Heny Antrim, com apenas 16 anos, sofreu mais que o irmão maior Joe, por causa da sua morte, uma das razões pela qual muito cedo, deixou o padrasto e começou a vagar sem metas pelo West. Mais tarde Billy the Kid diria: “Minha mãe, era uma mulher que se devia amar”.

Apache KnuckledusterApache Knuckleduster –  Arma curiosa, uma combinação de arma de fogo portátil, punhal e punho de ferro, composta por um tambor para cinco balas, um punhal com cabo fixo e um punho de ferro dobrável; fechado podia-se muito bem levá-la no bolso e com um movimento só, tudo estava pronto; o tambor para disparar, o punhal para cortar e o punho de ferro abria-se ao mesmo tempo, em torno aos dedos do punho fechado. No West essa arma ficou na moda por um breve período de tempo e era levada por aventureiros, logo após desapareceu, pois o homem que a portava era considerado um ser desprezível. Somente quando desapareceu a figura do cowboy e surgiu de moda aquela do gangster, sobretudo na época da proibição de bebidas, elas novamente surgiram do esquecimento.

Apache Pass – Cochis, como Geronimo, foi um grande cacique dos Apaches Chiricahuas. Quando os brancos quiseram prender a sua gente em uma reserva do Novo México, ele rebelou-se. Tendo sob o seu comando 200 guerreiros e disciplinados, conseguiu durante mais de dois meses enfrentar o exército Americano. Inteligente e habilidoso, Cochis não era contagiado pelo ódio contra os brancos, tanto que foi até amigo do tenente Thomas Jeffords, o qual, bem conhecendo o carácter do índio, tentou convencer o seu superior, o general Oliver Otis Howard, a recorrer através de meios pacíficos. Cochis foi acusado pelo tenente George Bascomb do Sétimo Regimento da Cavalaria de ter raptado o mestiço Mickey Free. O oficial obstinado, partiu em procura do cacique dos Chiricahuas e armou uma emboscada em Apache Pass. Cochis conseguiu escapar, mas três de seus companheiros foram feito prisioneiros. Então ele capturou alguns colonizadores brancos e propôs uma troca. George Bascomb recusou: os Apaches mataram os seus prisioneiros e os três índios capturados foram também mortos, pelo tenente. Apache Pass era um ponto estratégico de grande importância. Ele era atravessado pelas diligências da Butterfield Overland Stage Company, e caravanas em direcção à Califórnia e pelos destacamentos militares. Após o caso Bascomb a situação piorou e tropas foram enviadas, não só para afastar os Apaches, mas também para impedir aos Sulistas de se infiltrarem pela fronteira. Quanto aos índios, eles não faziam alguma diferença entre Nortistas e Sulistas; matavam todos os brancos que viam pela frente. Em 15 de Julho de 1862, em Apache Pass, quinhentos guerreiros Chiricahuas e Mimbrenos prepararam uma emboscada a um Destacamento de Voluntários, comandados pelo general James Henry Carleton. Guiados por Cochis e Geronimo, os Apaches seguiram o plano determinado pelo velho cacique Mangas Coloradas; os militares foram apanhados de surpresa e recebidos a tiros que vinham de todas as direcções, enquanto que grandes rochas eram jogadas sobre eles, das encostas. Os brancos usaram dois pequenos canhões e defenderam-se bravamente. Mangas Coloradas foi ferido, mas seus companheiros dominaram a façanha. Após esse incidente, foi construído um forte na entrada da passagem: o Forte Bowie.

ApachesApaches –  “Apachu” = Inimigo, palavra para designar esses índios, atribuída aos índios Zunis, povo rival, que habitava as mesmas regiões deles. Tribo do grupo linguístico dos Atapaski meridionais com as subtribos: Aravapai, Chiricahua, Cocotero, Coyottteros, Gileno, Jicarillas, Kiowas, Lipan, Mescalero, Mimbrenjos, Mogollons, Pinal, Pinaleno, San Carlos, Tonto e White Mountains. Habitavam, sobretudo nas estepes e nos desertos do sudoeste da América e eram os mais adaptáveis índios, que outras tribos ao deserto. Ou seja, tinham condições de sobreviverem onde nem os animais podiam; por isso resistiram aos conquistadores espanhóis e às tropas americanas. Os Apaches eram nómadas e caçadores, com uma cultura igual àquela dos homens da idade da pedra. Os Apaches foram os primeiros índios a montar em cavalos. Esse animal que vinha do México espalhou-se pelas planícies onde os índios habitavam. Para eles o cavalo servia mais como alimento, do que como meio de transporte. Quando os Apaches obtiveram os cavalos e depois os rifles, transformaram-se em terrivelmente perigosos e foram os adversários mais resistentes para os brancos, sendo conhecidos também como os temíveis: “Tigres do deserto”. O código de honra era desconhecido aos Apaches, pois viviam de caça e assaltos, combatendo com o método de emboscadas e arriscavam-se o menos possível. Não conheciam virtudes e conceitos de honra dos cavaleiros das pradarias e das estepes; eram hábeis, porém na confecção de cestos e tapetes. A ordem no interior da sua comunidade linguística era democrática. Todos os guerreiros poderiam um dia tornar-se cacique. Naturalmente eram inimigos de todos que invadiam o seu território, combateram por 300 anos os espanhóis, mexicanos, texanos e americanos, matavam não somente os homens, mas mulheres e crianças, sempre com torturas horríveis. Sempre que aumentava a perda de seus guerreiros, raptavam crianças brancas, como escravos, para depois inseri-las em suas fileiras de guerreiros. Os cowboys, que mostravam um grande respeito pela tribo dos Comanches e dos Sioux, eram mal vistos pelos Apaches, que os matavam sempre que podiam.

Apaches del Perillo – Esse grupo de Apaches viveu por um certo tempo, perto do Rio Grande do Norte, a sul do Novo México e foi também chamado de “Apaches do cão pequeno” pelos espanhóis daquela região, porque um de seus cães, quando estavam sucumbindo pela falta de água, encontrou uma nascente e salvou os conquistadores espanhóis da morte por sede.

Apaches Gila – (Ginelos) – Subgrupo dos Apaches ocidentais, Arizona, alojados nas margens do Gila River e adeptos da agricultura, por ensinamentos do Dr. Michael Steck em 1858. Em 1862, após o inicio da Guerra Civil, os Gila tornaram-se hostis aos colonizadores, porque o Exército dos Estados Unidos tinha tirados os seus soldados e abandonado o Correio Transcontinental (serviço de diligências).  Os “Arizona Volunteers” (Voluntários do Arizona), juntamente com os índios Pimas e os Marikopas, dispersaram os Gila, que acabaram por perder sua importância.

Apache KiowaApaches Kiowa –  “Gettackas”, na própria língua, “Nadi-isha-Dena” = Povo Principesco. Tribos dos Apaches da família linguística dos Aapaski, que vieram do North Platte River, já por volta de 1680 dispunham de cavalos e juntamente com os Kiowas, retiraram-se diante aos Sioux e aos Cheyennes, emigrando para a faixa meridional da pradaria, onde se debateram com os valorosos guerreiros Comanches e foram obrigados assim por muitas décadas, sustentarem uma guerra sangrenta entre eles. Somente ao final do século XVIII, chegaram finalmente nas regiões de estepes do norte ocidental e setentrional do Texas, encontraram uma pacífica vivência com os Comanches. Em 1837 seus caciques “Hen-ton-te” (Mocassim de Ferro) e “A-ei-kenda” (Aquele que se arrende) e “Cet-ma-ni-ta” (Urso Urrane), concluíram a paz com os EUA e estabeleceram-se perto da nascente do Arkansas e dos rios Canadian e Red. Como todas as tribos do Oeste meridional, eles não suportavam os Texanos. Ainda mais quando o Texas alistou-se nas fileiras da União e os Texanos, tornaram-se americanos (1846), recomeçaram as sangrentas agressões. Em 1867 os Kiowas e os Apaches-Kiowas firmaram um tratado de paz, perto de Medicine Lodge e declararam que estavam dispostos a ir para uma Reserva do Oklahoma. Mantendo estreita ligação com os Kiowas e os Comanches, eles participaram em todas as suas agressões e guerras, até que em 1874 foram derrotados e foram deportados para a Reserva perto ao Fort Dill.

Apaches Lipa – (Llaneros) – Tribo de Apaches com sede no Novo México norte oriental, no Texas norte ocidental e sul ocidental, que no século XVI resultou da fusão de outras três tribos de Apaches: os Querechos, os Paloma e os Carlana, que podiam ser considerados os mais hábeis atiradores de flechas de todos os índios da América do Norte. Os homens distinguiam-se por seus penteados: eles cortavam a metade esquerda da cabeça, acima da orelha, enquanto deixavam pendurados os cabelos do lado direito. Com o cacique Castro eles foram chacinados pelos Texanos, numa repressão que durou até após a Guerra Civil. Uma parte dos sobreviventes foi levada para a Reserva de Bosque-Redondo, no Novo México oriental. Por volta de 1880 outros 350 índios foram presos na Reserva de Fort Stanton.

AparejoAparejo –  Termo espanhol usado pelos cowboys do sudoeste para indicar uma sela para carga.

Apetite Bill – Guarda-nocturno de rebanhos do SH-Ranch em Montana, famoso pelo West inteiro, por sua incrível fome. No Verão de 1886 por exemplo ele comeu 38 ovos fritos na manteiga com 2 quilos de bacon (toucinho defumado), um pão inteiro, 6 latas de feijão, 41 chávenas de café, 17 pedaços de torta doce e um litro de xarope Maple e quase foi atingido pelos tiros da espingarda do cozinheiro da comitiva, porque ainda desejava 4 bifes, pois ainda não estava satisfeito.

Appalousa.
Appalousa
–  Lewis e Clark encontraram durante a procura da passagem Norte Oeste, em 1805, juntos aos índios Nez Percé de Palouse, alguns cavalos nas cores branca e bege, cujos pelos eram cobertos por manchas ovais, negras, castanhas e vermelho-acastanhado e outros tinham a parte anterior somente de uma cor e o resto com grandes manchas brancas. “A Palouse”. Possuir um Palouse era o sonho de consumo de cada cavaleiro, porque essa raça era muito nobre, inteligente, paciente e veloz. Em 500 A.C. esses cavalos na China eram de propriedade sagrada das grandes dinastias, após o imperador Wu Ti. O encontraremos novamente na Arte da Pérsia do XIV século; da África passou certamente para a Espanha e de lá, para a América meridional e central e com os Conquistadores espanhóis, para a América setentrional. Os cowboys os chamavam geralmente de “Apple Lucy”, “Polka Dot” e “Leopard Blanket Hip”. Em 1887 o exército dos EUA, tomou dos Nez Percé os seus territórios, dos Estados de Oregon, Washington e Idaho, após uma brutal marcha de guerra e matou 800 cavalos Appalousa, de um total de 1.100. O resto se perdeu nas Montanhas Rochosas e foi exterminado em seguida pelos caçadores de cavalos Mustang. Ultimamente os criadores americanos de cavalos, deram início com o restante dos Appalousas sobreviventes, uma criação sempre mais consistente.

Applebaum Barney W. – Comerciante muito conhecido no West, do qual se dizia que podia encontrar de tudo a pagamento; diamante de 1.000 dólares a grão de sal. Inicialmente na cidade de Abilene, agitou o comércio de bovinos. Depois Caldwell, Newton, Wichita, Great Bend, Dodge City, viram os negócios de Applebaum progredirem cada vez mais. Em 1880 estabeleceu-se definitivamente em St. Louis.

Applegate Jesse – Famoso guia da primeira caravana de carroções e gado, que foi em Junho de 1843 partindo de Westport, Missouri, até o Estado de Oregon, composta de 121 carroções, 1.000 pessoas, 698 reses, 296 cavalos e 973 bezerros.

Applejack Saloon – Cervejaria e casino em Abilene, Kansas.

ÁrabeÁrabe –  A mais antiga e a mais pura raça de cavalos do mundo, que foi importada para a América em 1520 por Hernando Cortez, portanto são os antecessores do comummente chamado Cowpony. Os cowboys de hoje preferem esse cavalo de raça pura, conhecido também por “Stock Horse” e “Cuting Horse”.

Arame farpadoArame Farpado –  Um grupo de cowboys a serviço de um grande pecuário em Nebraska corta com grandes e específicas tesouras o arame farpado que delimitava a propriedade de um pequeno agricultor. Esse sistema de “alargar as pastagens” era proibido por lei, por isso esses homens executavam a tarefa mascarados. O arame farpado é o protagonista de uma sangrenta luta entre “os barões do gado”, que não admitem limitações aos pastos, e os agricultores, para os quais os animais estragam as suas plantações. O arame farpado aparece em cena no West em 1874. O primeiro que o usa, em San Antonio no Texas, é um agricultor alemão. Os bovinos, ainda não estavam acostumados, jogam-se contra e ferem-se. No dia seguinte o agricultor recebe a seguinte e anónima intimidação por escrito: “Ou joga fora aquela inumana, cruel barreira, ou deixará a cidade, dentro de uma lata”. Os cowboys tinham uma canção: “Dizem que o céu seja uma terra livre para as pastagens. Mas existe o arame farpado. Repleto deles, lá em baixo, no inferno”. A expansão da agricultura é, todavia a senhora de tudo, e a lei tende a favorecê-la. Com o advento da mecanização e com o extraordinário aumento da população, entre 1860 e 1910 o número de fazendas sobe de dois milhões para seis. Em seguida os criadores também utilizam o arame farpado, em seus pastos. Em 1881 o coronel W. H. Day fecha a sua propriedade com 7.000 acres, no Texas, com o arame farpado. É o famoso “Pasto do arame vermelho”. Entram então em acção, os cowboys cortadores, e a luta é violenta. Um jornal de Chicago publica a notícia: “O inferno está furioso no Texas. Os cortadores talham 500 milhas de cerca”. Mas o arame farpado é destinado a ser o vencedor. Um cowboy escreveu numa carta: “Quando vi uma máquina operando na produção do arame farpado e disseram-me que ele teria muitas funções, voltei para casa e disse para os meus homens que deixassem as tesouras. Entendi que o arame farpado havia vencido e que entre o arame farpado e as ferrovias, os dias do cowboy estavam contados”.

AraphoeAraphoes –  Talvez vindo da palavra “Tirapihu”, ou então “Larapihu” = Comerciante, tribo dos Algonkin, até o fim da metade do século XVIII eram agricultores em Minnesota e Cheyenne River, expulsos pelos Comanches, estabeleceram-se após uma longa marcha através do Horn River (1781/92), North Platte River (1793/1812), Arkansas River (1812/42) ao oriente de Saskatchewan e em Black Hill, como cavaleiros nómadas. Lá essa tribo uniu-se aos Cheyennes e aos Sioux, contra a emigração branca e o exército dos EUA. O agente índio Thomas Fitzpatrick escrevia em 1849: “A maior parte dos índios, que assaltaram as caravanas da Santa Fe Trail, era composta de Araphoes, os mais perigosos”. Para evitar esses ataques, em 1851 foi estipulado um tratado de paz, no qual o governo dos EUA garantia aos Araphoes o seu território de caça e prometia que nenhuma caravana ou boiada o atravessariam mais. Naturalmente essa promessa não seria jamais cumprida. No tratado de 1860 os Araphoes declaravam-se prontos para se estabelecer perto do Arkansas River, como agricultores, se o governo fornecesse as sementes e material necessário. Porém após prometido, os brancos continuaram a ocupar o território designado, os Araphoes dirigiram-se para o Fort Lyon para protestar contra a ruptura desse tratado. Lá a maioria deles; homens, mulheres e crianças foram mortos em 29 de Novembro de 1864, pelo exército americano. Aqueles que escaparam ao chamado “Sand Creek Massaker” foram para o norte e uniram-se aos Sioux, para organizarem uma sangrenta acção de guerrilha contra os brancos. Em 1869 a maior parte dos Araphoes vivia entre os Cheyennes e os Gros Ventres em Montana, transferindo-se (obrigados pelo exército dos EUA) em 1870 para a Reserva Red Cloud Agency. Porque o abastecimento para os índios estava nas mãos de empregados brancos ávidos, em 1874 houve uma sangrenta insurreição que terminaria em 1877 com a transferência dos Araphoes sobreviventes para o território índio de Oklahoma. Em 1930 viviam ainda 4.000 Araphoes nas reservas de Oklahoma (Blaine e Canadian County) e na Fremont County do Wyoming. Ainda hoje vale a lei de 1879 emitida pelo Congresso dos EUA: “Nem os Cheyennes nem os Araphoes possuem qualquer direito legal sobre propriedades fundiárias”.

Arbukcle CaféArbukcle Café –  Ainda após a Guerra Civil Americana (186-1865), o café nos Estados Unidos existia no comércio somente como grãos crus. A dona de casa torrava-os em casa. Os irmãos Arbuckle, comerciantes de Pittsburg, Pensilvânia, iniciaram a empacotarem grãos de café já torrados ainda quente com uma mistura de açúcar e clara de ovo, conservando dessa maneira todo o aroma e pureza. O café Arbuckle tornou-se então tão indispensável para os cowboys como as suas munições e whisky. Um rancheiro de nome Chip G. McQuire definia a sua importância neste provérbio: “Os Arbuckles para todos nós são tão importantes que não precisaria mais chamar esses malditos grãos de “café” e sim de “Arbuckles”. Os pequenos pacotes vermelhos iguais a saquinhos continham também um pedaço de rebuçados de menta, que era disputado pelos cowboys quando o cozinheiro de caravanas prometia como prémio para quem moesse o café. Um cozinheiro que pudesse escolher entre o carvão e o café durante a travessia do gado com a neve e gelo, preferia levar o café que o carvão, sempre.

ArikaraArikaras –  “Ari-ca-ri” = Chifre de Alce ou então Alce munido de chifre. Pertenciam à mesma família linguística dos Caddo, chamados também de “Pawnees Brancos”, pelos franceses, nos primeiros anos da sua colonização. Habitavam no lado superior e médio do Missouri e foram muito usados pelos americanos como “Scouts” por seu bom carácter. Assim entre os demais, também os Arokaras-Scouts faziam importantes serviços de espionagem a favor dos americanos nas batalhas do exército dos EUA contra os Sioux. Isso talvez dependesse do facto que os “Pawnees Brancos” (primitivos e mal armados), nos anos precedentes à conquista do West por parte dos brancos, foram mortos por tribos vizinhas com armas francesas. O major Reno, que não conseguiu salvar o general Custer, da destruição total, dizia sobre seus espiões Arikaras: “São sem pretensões, fiéis e confiáveis, como cães de caça, bem treinados”.

Arizona – Quadragésimo oitavo Estado Confederado dos EUA. De 1540 a 1821 esse território sob domínio Espanhol, pertence primeiramente à província de Sonora, depois ao Novo México. Arizona era o nome da missão Saric, que administrava algumas minas de prata, muito produtivas. A palavra “Arizonac” deriva da língua indígena dos Papago (Ali= pequeno, Shonac = lugar da nascente). Em 1853 os EUA adquiriram através do “Gadsen Purchase” o Novo México e parte da província mexicana de Sonora, e em 23 de Fevereiro de 1863 o governo declarava o Arizona como território politicamente independente, com Prescott como sua capital e sede do governador. Em 14 de Fevereiro de 1912 o Arizona foi aceito na Confederação como o quadragésimo Estado com capital em Phoenix. O Arizona pertence aos estados desérticos dos EUA com a mais baixa percentual de precipitações atmosféricas. O clima é quente e muito seco, por isso prevalecem estepes e desertos e somente as montanhas mais altas e húmidas são cobertas por bosques. A agricultura é possível graças à irrigação artificial, mas a criação de bovinos nos grandes vales começava a render muito bem em 1876 e até hoje são conservadas ao norte. Rico em minerais, já sob o domínio espanhol; em numerosas minas vinham extraído o cobre, zinco, chumbo, ouro e prata. Hoje o trabalho com o cobre, representa a indústria mais importante.

Arizona HomeArizona Home –  Popular canção dos cowboys, com texto do médico Brewser Highley, que escreveu a canção em sua barcaça às margens do West Beaver Creek River, com a música de Daniel E. Kelley, um jovem camponês, um ex-corneteiro da Marinha. Publicada pela primeira vez em 21 de Março de 1874 na revista “Kirwin Chief”, essa melodia, similar a um antigo canto religioso “Home for the Soul”, transformou-se por décadas numa das mais amadas canções de cavaleiros entre o Canadá e o México, mesmo com outros títulos: “Home where the Buffalo Roam”, “Colorado Home”, e “My Home in the West”. Um cowboy infeliz no curso dos anos inseriu ao texto original a seguinte estrofe: “Oh, give me a jail where I can get bail, If under the shining Sun. I’ll wake with the dawn, I’ll chase the wild fawn, I’ll ride with my saddle and gun”.

Arizona RangersArizona Rangers –  Tropa da polícia militar, fundada em 21 de Março de 1901, pelo governador do Arizona com a Lei número 74/1901. Era composta por um capitão (Cap. Mossman) com um soldo de 120 dólares, um sargento (75 dólares) e 12 voluntários (55 dólares): tinham a missão de bloquear a fronteira Mexicana de Sonora e encontrar as quadrilhas de ladrões de gado. Disse o capitão durante o juramento de seus soldados: “Eu considero uma espécie de invasão armada, o facto que os bandidos mexicanos usem a Sulphur Spring’s Valley e a San Pedro Valley como estradas de passagem para seus furtos e homicídios. Se tivermos sorte cada um de nós terá que enfrentar uns 25 bandidos, cada. Por isso, disparem, disparem, disparem antes de fazer qualquer pergunta”. Em 23 de Novembro de 1901 o capitão Cap. Mossman estava ao pedestal da forca de Salomonville, perto do último bandido de fronteira ainda vivo e perguntou a ele (Augusto Chacon) se tinha ainda algo a dizer. O bandido respondeu: “Adios amigo! Você é pior que um puma”. E caiu enforcado, dentro do alçapão. Os sete Rangers sobreviventes, restituíram naquele mesmo dia, seus distintivos, e o capítulo “Arizona Rangers”, começava ali a pertencer ao passado.

Arkansas – Os índios o chamavam de “Rio do Povo que escorre para baixo”. 1 – Terceiro afluente da direita do Mississipi em ordem de grandeza. 2410 quilómetros de comprimento, esboçando pela cadeia Sawatch das Montanhas Rochosas e percorrendo a pradaria, num profundo vale. Era o rio do destino (River of Fate); de facto as boiadas deviam atravessá-lo durante suas marchas para o norte. Quase todos os bovinos que chegavam ali após o descongelamento da neve e dos meses chuvosos da Primavera tardia, encontravam o rio assim caudaloso que na névoa da manhã, podia-se pensar que fosse um mar. E milhares de reses afogavam-se ao atravessar o Arkansas. Muitos pecuários iam à falência no giro de poucos dias e muitos cowboys perdiam tudo, pois a água tortuosa levava também os carroções. Muitos cowboys desapareceram com os seus cavalos naquelas correntezas. 2 – Estado meridional do Middlewest, com uma extensão de 138.132 quilómetros, com pradarias (ricas em lagos e pântanos) que circundam os dois lados do Arkansas River, zonas montanhosas e com muitos bosques de Ozark e Wachita e as depressões ocidentais do Mississipi. O clima é moderadamente quente e húmido, 2/3 daquele local são pradarias sem árvores, 1/3 de bosques, as montanhas são ricas em bosques de quércias, de “Hickory” e pinhos. Sob o domínio dos franceses de 1685, os EUA, compraram de Napoleão Bonaparte em 1803, juntamente com a Louisiana. Foi declarado e organizado como território em 1819, o Arkansas tornou-se o vigésimo quinto Estado membro dos EUA em 15 de Junho de 1836 com a capital em Little Rock.

Arkansas TravellerArkansas Traveller –  Populares canções de cowboys que o cozinheiro de caravanas o texano Lake Porter tocava com a gaita de boca: “Dinah Had a Wooden Leg” (Dinah tinha uma perna de madeira), e “The Walls of Jericho” (Os Muros de Jericó), durante os dias exaustivos de viagem, entre muita areia ou neve.

Armas – Perneiras de couro pesadas de Chaparreras mexicanos, que protegiam as pernas do cavaleiro dos espinhos.

Armas de fogo Espanholas – Quando o revólver Colt revolucionou a Era das armas de fogo portáteis e as fábricas Americanas não podiam mais satisfazer o comércio mundial, pois suas armas possuíam um preço exorbitante, muitas pequenas fábricas na Espanha começaram a fabricar imitações desse modelo. Não possuindo a experiência necessária, suas armas funcionavam mal, porém eram vendidas pela metade do preço da original. Tom Lowery disse: “Qualquer homem inexperiente que pensasse em procurar armas a um preço baixo, arriscava ficar mutilado, já no primeiro tiro, quando essas armas “Made in Spain” explodiam em suas mãos”.

ArmitasArmitas –  (inglês: Small leg Armor). Chaps leves feitos com o couro macio de bezerro ou ovelha, usados, sobretudo na Califórnia.

Arroyo – (espanhol: riacho). Pequeno riacho ou o seu leito seco. No sudoeste dos Estados Unidos grandes regiões eram sulcadas por inúmeros arroyos, que geralmente formavam profundos buracos com paredes íngremes. No leito desses arroyos encontrava-se água ocasionalmente, depois da chuva ou após o derretimento da neve. Lá onde se encontra camadas de barro, abaixo da terra seca, formam-se retenções de água, as quais os índios do deserto, escavam. Após um tempo curto a água surgia e podia ser usada. Também os cowboys conheciam essa importante reserva d’água escondidas nos arroyos, utilizando-as quando a água transportada terminava ou era pouca.

AssiniboineAssiniboines –  palavra dos Chippewas: “Assi-nibo-in” = “Aquele que cozinha sobre as pedras”, pelos ingleses eram chamados de “Os Sioux das Rochas”. Pertenciam à família linguística dos Sioux, falavam um dialecto e encontravam-se quase sempre em pé de guerra, de quando separados ainda nos tempos pré-históricos, eram partidos para o norte, indo com os Crees, assumindo suas vestes, tendas e usanças. George Catlin, o grande pintor dos índios célebres, escreveu: “São uma raça nobre e excelente, bons caçadores e possuem muitos cavalos, tornando-os nesse País de bisontes, homens ricos. Suas danças, de muitos tipos, são iguais àquelas dos Sioux”. A festa mais importante dos Assiniboines, a “Medicine Lodge”, chamada hoje erroneamente de a “Dança do Sol”, era preparada com muito esmero durante a Primavera, para acontecer somente na metade de Junho. Durante a cerimónia, que durava dois dias e duas noites, devia-se ficar em jejum. Cada dia rezava-se para o “Pássaro Trovão”, ou seja, o Deus da Chuva, agradecendo-o pelo sucesso do passado e pedia-se uma vida longa e sorte em guerras. Às vezes durante essa cerimónia, alguns pequenos animais eram curados pelos pajés. O último dia, antes que acabassem os cantos, que precedia o acto, pedia-se em alta voz que obtivessem muita chuva e um Verão e Outono produtivos, levando-se oferendas para o Pássaro Trovão. Se após a dança chegassem os trovões, os raios e a chuva, os índios sussurravam: “Escutem, o Pássaro Trovão e seus ajudantes estão vindo pegar nossas oferendas e pedidos”. Mais tarde faziam a “Dança do Cavalo”, durante a qual se pedia por tantos cavalos. Com canções rituais fumava-se o cachimbo das cerimónias em direcção da terra, do sol e do Pássaro do Trovão. No século XX a “Dança da Grama”, que era dos Sioux, porém depois modificada, tinha também uma grande importância, para eles. O território dos Assiniboines estendia-se dos rios Saskatchewan e Assiniboine River no Canadá até o Milk e Missouri River em Montana. A metade da tribo hoje vive num território protegido entre Calgary e Banff em Alberta, Canadá e outra Meade nos EUA, nas Reservas dos Fortes Belknap e Peck, em Montana.

Association sela – Sela pesada, perto dos 34 quilos, construída pela fábrica de selas Hamley & Company, eram especiais para cansarem os cavalos selvagens durante os rodeios.

Assuti – Subtribo dos Nez Percé, que vivia perto do Assuti River em Idaho e participou em 1877 da guerra contra os Estados Unidos da América como aliados de “Joseph”, cacique maior dos índios Nez Percé.

AtakapansAtakapans –  Palavra dos Choctaw para designar “Canibais”, dialecto da família linguística dos Caddo, que com as tribos Karankawas, Akokisas (Povo do Rio), Bidais (Pequeno Bosque de Arbustos), Patiris e Deadoses, viviam no sudoeste da Louisiana e nas costas do golfo do Texas até à nascente do Sabine River. Viviam da caça, favas e pesca e durante o domínio colonial espanhol, serviram aos franceses como intermediários para o armamento dos Lipan-Apaches e dos Comanches com armas francesas. Por portarem-se pacificamente com os espanhóis, e sendo muito primitivos, eram deixados em paz. Somente por volta de 1830 os texanos começaram logo após que alguém os denunciou como sendo canibais, a caçarem como se fossem coiotes. Simars de Bellise foi um das testemunhas das cenas de canibalismo: “Quando voltavam, jogavam o prisioneiro por terra. Um deles cortava a cabeça, outro os braços e alguns em pedaços o restante do corpo. Alguns deles comiam a gordura ainda crua e depois de duas horas sobravam somente ossos e tendões”. J. O. Deyer assim os descreveu: “Estatura pequena, cabeça grande e pele escura, com grandes orelhas, lábios salientes, zigomas largos, cabelos negros, sujos e com dentes podres”. Em 1922 viviam 96 descendentes dos sobreviventes, na Reserva Alabama Coushatta da Polk County do Texas.

Atapaski – Família linguística indígena, uma das mais difundidas nos Estados Unidos da América. Estendendo-se do Alaska até o México, do Pacífico até a Baía do Hudson, do Rio Colorado até a embocadura do Rio Grande do norte no sul.

Atascosa1 – Afluente do Canadian River, no nordeste do Texas. 2 – Primeira estação postal e primeiro depósito armazém na embocadura do Atascosa Creek no Canadá, construído na Primavera de 1878 por um comerciante que queria prover os caçadores de búfalos daquela região. Logo após, naquele mesmo local, foi fundada a cidade de Tascosa.

Atchison1- Cidade fundada em 1854 no extremo nordeste do Kansas, nas margens ocidentais do Missouri River. Antes da Guerra Civil, foi sede do partido a favor dos escravos do Kansas, depois cidade comercial e ferroviária de notável importância. 2 – Atchison, Topeka & Santa Fé Railroad, companhia ferroviária de Atchison, fundada em 24 de Novembro de 1863, que pioneiramente construía uma linha ferroviária através do Kansas, do nordeste em direcção ao sudeste passando por Topeka, Burlingame, Emporia, Newton (chegou em 1872), Dodge City (1872) até Santa Fé em Novo México (16 de Fevereiro de 1880). Por meio dessa linha ferroviária foram transportados, durante os anos da caça ao bisonte, mais de 20 milhões de peles e mais de 10 milhões de bovinos para o Oeste.

AtenAten – Ira nasceu em 3 de Setembro de 1862 no Cairo, Illinois, morreu em 5 de Agosto de 1953. Cowboy, agricultor, fazendeiro, Texas Ranger, director de banco nos anos sucessivos, colhedor de algodão, xerife, Marshal, detective. Por sua vida aventureira de Texas Ranger, merece realmente a glória, de Hollywood que sabe fazer tributos a seus heróis.

Atlas Rifle – Rifle de um tiro, no qual o percursor serve ao mesmo tempo como obturador, construído pela Meriden Firearms & Co. em Connecticut.

AtlatlAtlatl –   Objecto auxiliar para atirar uma lança. É composto de um bastão curto que em suas extremidades apresenta incisões ou pequenas cavidades, na qual se coloca a lança. O Atlatl permite, graças ao seu movimento de impulsão, lances muito longos.

AtsinaAtsina – (palavra dos Blacckfoot: at-se-na = Povo Corajoso). Tribo Algonkin muito chegada aos Araphoes. Os brancos os chamavam durante a conquista do West de “Gros Ventres” (Barrigas grandes), não porque as tivessem, mas sim porque habitavam perto do Big Belly River (Rio Grande Barriga), que actualmente se chama Sud-Saskatchewan. Eram aliados com os Araphoes e com os Pés Negros, caçadores nómadas de bisontes e viviam nas Montanhas Rochosas setentrionais de Montana, onde se estabeleceram em 1870 juntos com os Akiras e Mandans, numa Reserva entre o Yellowstone e o Powder River. Eram amigos dos brancos sendo chamados pelo Exército Americano, como: Bons Índios. Em 1879, 1700 índios Atsina viviam ainda na Reserva Dakota e em 1937, 809 índios ainda em Oklahoma.

Automóvel a vapor – O automóvel a vapor é apresentado em New York no ano de 1860. Não é uma grande novidade para os americanos, que já em 1804 viram fumegando pelas estradas da Filadélfia algo similar, um estranho veículo construído e guiado por um seu inventor de Newport, Oliver Evans. A máquina a vapor, substituindo a carroça, puxada por cavalos, não obteve muito sucesso naquela, mesmo conservando sua forma exterior. A tracção a vapor nas ruas era naquele período quase que exclusivamente feita por veículos pesados, adoptados para transporte colectivo, industrial e na agricultura. Em Cincinnati, Filadélfia e New York existiam vários carros a vapor para bombeiros. A mesma máquina, chegando a locais de incêndio, servia para accionar as bombas de água. Os Estados Unidos, com respeito à Europa, interessaram-se tardiamente ao automóvel. Era a opinião da maioria dos americanos, até 1900, afirmando que o cavalo seria insubstituível. Recuperaram drasticamente o tempo perdido com o evento do motor a gasolina. Henry Ford, o homem que criará a maior indústria, entre todas elas. Ford nasceu em 1863. Com o surgimento do automobilismo, será imposto a construção das estradas, que no momento eram ainda escassas.

Jim AverillAverril James –     Nasceu em 1860, ex-estudante de Filosofia na Cornell University, que em 1885 comprou um pedaço do território livre, que estava ao meio do território de criação de bovinos do Wyoming nas margens do Sweetwater River, e construiu um grande mercado para os novos colonos e cowboys dos Ranchos vizinhos. Os criadores de gado estavam furibundos pela política de colonização praticada pelo governo americano que tinha deixado livres os territórios para a colonização, justamente o local que por mais de 10 anos eles levavam as suas boiadas. Perto de Averill, uma jovem senhora, Ella Watson, construiu a sua casa, e rapidamente ficou noiva dele, e divertia os cowboys com espectáculos de dança e canções; fazendo-se pagar geralmente com cabeças de gado, e ficou também conhecida como: “Cattle Kate”. Após o Inverno 1886/7, muito rígido para os fazendeiros, começaram os contrastes entre os novos colonos, que cercavam suas propriedades, e os fazendeiros que preferiam os pastos livres. Esse contraste aumentou até degenerar-se em acções violentas que deveriam intimidar os colonos. O inteligente e eloquente Jim Averill tornou-se porta-voz dos colonos e chamou a atenção geral sobre os métodos dos “patrões de bovinos”, com cartas para as redacções de jornais e ao governo. Os criadores de gado então culparam Averill e Ella Watson “Cattle Kate” de roubo de gado.
Ella WatsonQuando A. J. Bothwell, criador mais importante, ameaçou fechar o seu território de pastos aos novos colonos, Averill através de um protesto em Washington, conseguiu obter que o grande proprietário renunciasse a esse seu intento. Em Julho de 1889 chegaram os fazendeiros Bothwell, Tom Sun, John Durbin, R. M. Galbraith, Bud Connor, E. McLain e George B. Henderson, no comércio de Averill e lincharam sem hesitação Ella Watson e Jim Averill, perto do barranco de Pring Creek. Esse homicídio chocou o Wyoming e começou uma guerra declarada entre os grandes criadores de gado e os colonos, que passaria para a história como: A Guerra de Johnson County.

Ayers Sarsaparilla – Pomada calmante e anti bacteriana feita pelo farmacêutico John Ayers, que a ofereceu pela primeira vez no “Fort Smith Elevator”, em 15 de Julho de 1887. A pomada continha um extracto concentrado da raiz da “Texas Sarsaparilla” (latim: Menispermum canadense), uma planta trepadeira que no ocidente chamava-se também como Yellow Sarsaparilla, Yellow Parilla, Canadian Moonseed, Vine maple, e no Canadá como Raisin de Couleur.

AzaleaAzalea – (latim: Rhododendron oblongifolium, anche cenescens o serrulatum), em inglês Bush Azalea, Hammock Sweet Azálea, Pinxter Flower, Texas Azalea, Thicket Azalea, White Azalea, White-Bush Honeysuckle. Moita de vegetação com belas flores, encontradas em zonas rochosas. Das flores os Lipan Apaches e os Tonkawas extraíam uma seiva narcótica e venenosa. Típica dos Estados de Arkansas, Florida, Norh Carolina, Louisiana, Tennessee e Texas. O cozinheiro dos cowboys usava-a para a salmoura dos alimentos.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

21 Responses to “O Alfabeto do Velho Oeste – Letra A”

  1. Fantástica matéria. Reunidas todas as letras, de A a Z, daria um livro sensacional!

  2. Realmente vocês estão de parabéns. Fantástico!

  3. Muito legal, parabéns! Na literatura de cordel existe uma forma antiga de poema que chamamos de ABC (tem relação com seu “Alfabeto”) onde se narrava uma história em versos, começando cada estrofe com uma letra do Alfabeto na ordem, de A à Z.

  4. Iniciativa louvável.
    Os meus parabéns ao blog.

    Sérgio Bispo

  5. LINDO, MARAVILHOSO, UM BELO TRABALHO DE QUEM REALMENTE CONHECE. ESPERO QUE ALGUÉM FAÇA O MESMO COM FILMES DE WESTERN.

  6. Só tenho a dizer que cada vez mais, deslumbro-me com a inteligência das pessoas ligadas ao mundo dos quadrinhos/BD/Fumetti. Pois alguns possuem a sapiência e organização de conteúdo, além é claro, de um vasto conhecimento sobre determinados assuntos que só nos faz enriquecer no saber e no prazer de ler. E dentre estes está nosso pard Wilson Vieira, agora enriquecendo o blogue do TEX com o Alfabeto do Velho Oeste. Anteriormente já acompanhava os trabalhos deste na série Homens de Couro, que ao final do volume um, deixou este fã com ar de “quero mais”. Parabéns!

  7. PARABÉNS!!! Excelente trabalho que vai auxiliar alguns “editores” e “tradutores” de quadrinhos de western. Tenho visto cada “coisa” publicada nos gibis… principalmente aqueles de tradução européia. PARABÉNS!

  8. Excelente iniciativa!

    O amigo Wilson está sempre a nos surpreender com sua incansável capacidade produtiva e generosidade. Esse dicionário do Velho Oeste é um presentão para os amantes de Western.

    Concordo com o Gervásio, ao final poderia ser publicado um livro.

    Parabéns ao amigo Zeca pelo apoio e comprometimento de sempre.

    Abraços!!!

    Fred Macêdo

  9. Olá!
    Vamos lançar em março, nosso hq “Apache“, revista em pb deste velho oeste.
    Abs

  10. Fantástica matéria, realmente o Gervásio tem razão, daria um belo livro, aliás espero que um dia seja realmente publicado, pois, como eu, muitos preferem ler em papel do que na tela textos longos e interessantes como estes. E reler …… e reler …… e reler ……
    Mas por enquanto vamos lendo e admirando por aqui mesmo ( já está muito bom ter acesso a esse material maravilhoso).
    Parabéns ao Vieira pelo excepcional trabalho, e ao sempre competente pard ZECA por divulgá-lo aqui e por ter e manter esse FANTÁSTICO BLOG.
    Abraço,
    Ezequiel

  11. Quero parabenizar pela iniciativa fantástica.
    Minha dúvida é que somente encontrei até a letra H.
    E o resto?

  12. Olá caro Roberto,
    Obrigado por nos seguir através do fantástico TEX WILLER BLOG – O ALFABETO DO VELHO OESTE. Realmente na letra H, demos uma parada, digamos “forçada”, pois com meus afazeres profisionais (sou o Wilson) e os afazeres profisionais do (José Carlos Pereira Francisco), infelizmente fomos forçados a essa atitude temporária. Porém a partir de Outubro, segunda quinzena ou final dele, retomaremos com grande prazer o nosso ALFABETO, que está desde o início, programado para ir até a letra Z e o faremos com grande prazer para os leitores que nos seguem pela infindável trilha do Velho Oeste, como você, e que são os incentivadores da nossa proposta. Até lá então!
    Grande abraço

    Wilson e José

  13. Meu nome é Natanael, moro no Brasil e tenho 16 anos. E sou fanático pelo velho Oeste. Eu queria que vocês me ajudassem a descobrir uma história sobre um cowboy que vivel no velho Oeste. Não sei ao certo se ele existiu, mas diz a lenda que ele era quase imbatível. O seu nome era John Marston. Espero a resposta.

  14. John Marston é o personagem protagonista do jogo Red Dead Redemption um dos melhores jogos de Playstation 3 já lançado e quase unanimemente aclamado como o melhor do ano passado. Creio que seja um personagem fictício, pois nunca vi menção sobre o jogo ser baseado em fatos reais.
    Espero ter ajudado ;) .

  15. Natanael,

    Segue o resultado da busca no Google, para o nome citado.
    http://www.google.com.br/search?q=John+Marston&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a

    Espero ter ajudado.

    Abraços

    Alvarez

  16. Fantástico esse trabalho. Esse dicionário serve como um grande suporte para os estudiosos e curiosos da matéria.

  17. Obrigado caro Aprigio, a nossa ideia foi essa mesmo desde o início.

    Abção.

    Wilson

  18. Obrigado caro Ezequiel por suas palavras incentivadoras, quem sabe algum dia alguma Editora se faça avante, seria muito interessante realmente ver todo o material publicado em papel, vamos aguardar. E realmente temos que agradecer ao Zeca e ao Marinho, pelo espaço fantástico cedido por eles.
    Gde. abço.
    Wilson

  19. Wilson, Clay Allison era igual aqueles rancheiros que se acham o rei da cocada preta que Tex costuma enfrentar?

  20. Caro Pedro, acredito que sim, pois os poderosos mantinham o poder a qualquer custo; usando o lícito e também o ilícito.

    Grande abração.

    Wilson

  21. Annie Oakley:”Apesar dessa sua extraordinária habilidade masculina, era muito graciosa e casou-se.” Saber atirar é uma habilidade que só homens têm? Mesmo que na época as mulheres não eram ensinadas a guerrear, essa frase foi péssima. E saber atirar impede uma mulher de ser feminina, aliás o que é ser graciosa? Apesar de tudo isso conseguiu se casar…ZzZz…Não li o texto inteiro, mas conseguiram reduzir a vida da única mulher que achei aos padrões do patriarcado.

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