Entrevista com o fã e coleccionador: Giovani de Jesus da Silva

fevereiro 9, 2018

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Giovani de Jesus da Silva:
Primeiramente, saudações ao blogue que tem sido a principal referência em informações e textos sobre Tex em língua portuguesa. Meu nome é Giovani, nasci em 1987, em Ijuí, Rio `Grande do Sul, Brasil, actualmente sou bancário e estudo Letras Português/Inglês e respectivas literaturas. Sou grande admirador de Portugal e seu legado histórico e tenho orgulho de manter esse elo cultural que nos une. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de conhecer a velha pátria de Camões.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Giovani de Jesus da Silva: Minha mãe sempre leu para mim quando criança, o que me fez crescer com o hábito de ler literatura e os nossos queridos gibis. As memórias mais remotas que tenho é de ouvir as histórias do Coelho Quincas (Brer Rabbit) da Disney. Ela me levava junto no sebo quando ia comprar seus livros, o que me fez descobrir esse mundo fantástico dos quadrinhos.

Quando descobriu Tex?
Giovani de Jesus da Silva: Eu tinha uns 10 anos quando vi, na casa de um tio, o Tex nº 250, Liberdade para Skagway, a capa chamara a atenção, então comecei a folhear e percebi que aquilo era algo mais sério, uma sensação de aventura e perigo que eu não conhecia. Logo pedi para a minha mãe alguns Tex, e ela trouxe o nº 62, Os Apaches Atacam, e esta foi a primeira aventura de Tex que li efectivamente e comecei a ajuntar os exemplares.

Porquê esta paixão por Tex?
Giovani de Jesus da Silva: Tex é um herói. Ele é o arquétipo do herói ideal, algo inalcançável, mas cuja busca é necessária. O herói dá à criança o sentido de que pode ser alguém valoroso quando crescer; dá ao jovem a motivação de lutar pelo que quer conquistar; e dá ao adulto a inspiração para proteger a sua família e ser fiel a seus princípios. Um dos maiores males de nosso tempo é o abandono dos ideais com a justificativa de que não podem ser alcançados. Não acreditam em amor, porque poucos o tem, não acreditam em família porque as famílias são imperfeitas. Eu sou cristão e creio que a vida se resume em buscar ideais elevados num constante conflito com nossa natureza imperfeita.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Giovani de Jesus da Silvas: Tex permanece fiel à sua essência, imune a décadas de tendências e oscilações mercadológicas. Não precisou de reboots, não precisa de cronologia explicada porque aceitamos facilmente esse eterno presente situado em algum lugar perto de 1880.Há aí um mérito de Gianluigi Bonelli como escritor, um grande mérito do filho Sergio por manter o personagem como o pai o criou. Não sou um conservador quanto ao estilo de traço, ou formato, mas arrisco dizer que não se pode mudar a essência de Tex, bondoso e linha dura sempre na medida certa (às vezes até contornando a lei que representa). Uma boa definição é dada por um figurante enquanto Tex cavalga para o encontro com El Muerto: “…  é daqueles que o Pai Eterno fez e jogou a receita fora“. Não digo que toda a banda desenhada deva seguir essa fórmula do herói ideal, mas importa que elas existam.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Giovani de Jesus da Silva: Chutando devo ter umas 1000 revistas. Tenho toda a colecção principal, os Gigantes, Anuais e Almanaques lançados no Brasil. Estou atrás de completar a Edição Histórica, tenho alguns Ouro, só não acompanho o Tex Coleção. Estou comprando as edições da Salvat também. As mais importantes para mim são as poucas que tenho da primeira edição da Vecchi, entre elas a saga da morte de Lilyth.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Giovani de Jesus da Silva: Tenho alguns pósteres também, mas não costumo procurar nada além do que é publicado por aqui, principalmente pelas limitações financeiras.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Giovani de Jesus da Silva: Seria muito bom ter aquelas estatuetas que eu vejo na internet.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia?
Giovani de Jesus da Silva: Tenho grande afeição pelas aventuras da dupla Boseli/Marcello que são as melhores aventuras (Jack Thunder, Diabo Vermelho, A Grande Invasão, O Bando dos Irlandeses), mas o meu desenhador favorito é o saudoso Aldo Capitanio; Matador e Rio Selvagem são apoteóticas, dignas de emoldurar cada quadro, sem hipérboles.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Giovani de Jesus da Silva: Algo que percebo de muito bom é a média elevadíssima de boas histórias que o personagem tem. Há algumas histórias que se sobressaem, mas as medianas já são muito boas também, é diversão garantida. Não costumo me decepcionar com Tex, mas posso citar um caso: a recente aventura do retorno de Yama. A minha expectativa estava alta, a história desenhada por Civitelli no auge de sua forma, escrita pelo grande Boselli, mas algo não deu certo… ficou a impressão de que Boselli não tratou deste roteiro com esmero à altura dessa ocasião especial, ou simplesmente não estava inspirado o suficiente. Civitelli foi sensacional. Poderia citar também os problemas de impressão que a Mythos está tendo na série Ouro.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Giovani de Jesus da Silva: Se a resposta fosse fácil haveria mais publicações ininterruptas completando 70 anos (rs)! É uma fórmula que muitos buscam. É fácil reconhecer em Tex o bem e a justiça, sem cair em moralismos e condescendência, sem carolice ou crueldade. Reconhecemos prontamente, mas não é nada fácil criar um personagem nesse equilíbrio.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Giovani de Jesus da Silva: Nunca participei de encontros ou eventos, mas conheci pessoas pela Internet, fiz amizades, alguns já encontrei pessoalmente para conversar e trocar revistas.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Giovani de Jesus da Silva: Vejo um boom de Tex acontecendo no Brasil, muito graças à nova colecção da Salvat. Vejo pessoas ao meu redor dizendo que estão comprando, algumas procurando as edições da Mythos a partir disso, para estes recomendo a colecção Ouro e a mensal, que sempre será a principal publicação de Tex no Brasil. É o momento de investimentos e decisões acertadas, uma janela de oportunidades está se abrindo. Na Itália também está havendo mudanças de postura, experimentações como as graphic novels, e pelo pouco que sei sobre Davide Bonelli, podemos esperar outras novidades com a marca do Ranger além das HQs (BDs). Eu vejo um futuro promissor. Um forte abraço e obrigado pelo convite!

Prezado pard Giovani de Jesus da Silva agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

2 Responses to “Entrevista com o fã e coleccionador: Giovani de Jesus da Silva”

  1. Grande Pard Giovani, mais um gaúcho com sua coleção, por sinal belíssima, não pare não, faça também das outras séries e você não vai se arrepender!

  2. Muito bom, pard! Entrevista muito bacana com o pard Giovani.

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