As Leituras do Pedro: Tex Especial Colorido #8 (Laboratório)

julho 11, 2017

As Leituras do Pedro*

Tex Especial Colorido #8

Ameaça nas trevas, de Boselli e Franzella
Duelo na Missão, de Ruju e Tisselli
A Quadrilha Hogan, de Simeoni
Chindis, os espíritos, de Mignacco e Vannini
Mythos Editora
Brasil, Fevereiro de 2017
160 x 210 mm, 130 p., cor, capa mole
R$ 21,90 / 7,00 €

Laboratório

Número sim, número não, o Tex Especial Colorido, nas edições pares, com histórias curtas, afirma-se cada vez mais como um laboratório no qual se prepara, na base da tentativa e erro – ou acerto – (parte d)o futuro do ranger. Ou tão só o momento presente de cada leitura, por muito interessantes que elas possam revelar-se.

Este oitavo número da série – quarto para o que hoje analiso – mostra-o mais uma vez. Gráfica e tematicamente. Fracassando ou sendo bem-sucedido. Abrindo portas ou, quem sabe, fechando-as. Vamos avançar história a história.

Ameaça nas trevas traz a Tex o fantástico e o sobrenatural num nível que talvez só tenha atingido com Mefisto. A história, que parte dum assassinato anunciado em quarto fechado, é equilibrada e desenhada de forma sólida, dando a possibilidade de El Morisco brilhar como co-protagonista.

Ameaça nas trevas, de Boselli e Franzella

Duelo na Missão, apresenta-se como a mais original das quatro, embora dificilmente o futuro de Tex possa passar por aqui. A diferença começa no desenho a um tempo realista e de base fotográfica e contraditoriamente impressionista, servido por uma paleta de cores nada habitual em Tex, em que predominam os ocres e os tijolos. E acaba na verdadeira protagonista deste conto, Patricia Graves, mulher de um militar de alta patente e raptada por um comanche; vítima do síndroma de Estocolmo ou mulher nascida antes do seu tempo, terá uma surpreendente palavra a dizer quando o destino lhe proporcionar a oportunidade de escolher.

Duelo na Missão, de Ruju e Tisselli

Por vezes, o desejo de segurança deita tudo a perder; na banda desenhada também acontece mais vezes do que se possa pensar. A Quadrilha de Hogan, história tradicional de contornos (re)conhecidos, se vive no esteio do que Tex fez quase sempre nos seus quase 70 anos de vida, também não se distingue deles o suficiente para impressionar ou deixar lembrança, pois o relato é previsível e o desenho está bem abaixo dos padrões do ranger.

A Quadrilha Hogan, de Simeoni

A fechar, Chindis, os espíritos, ‘trilha’, se assim posso escrever, sendas similares a duas das abordagens anteriores: o sobrenatural fantástico de Ameaça nas Trevas e o tratamento gráfico diferente de Duelo na missão. Em relação a ambas, de forma menos conseguida, quer pela história baseada na procura de vingança pelos espíritos de uns índios mortos, quer graficamente com o desenho irregular mal servido por um colorido diferente mas deficientemente aplicado.

Chindis, os espíritos, de Mignacco e Vannini

Uma nota final para uma chamada de atenção para a capa, que é assinada por Tanino Liberatore, que muitos recordarão de Ranxerox

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro (http://asleiturasdopedro.blogspot.com/).

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima – provenientes da edição italiana original da Sergio Bonelli Editore -, clique nas mesmas)

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