A Arte Caricatural de Bira Dantas ao serviço do blogue do Tex

janeiro 8, 2011

Bira Dantas, um génio na arte caricatural que tem colaborado com o blogue português do Tex e tem encantado diversos autores bonellianos que têm sido caricaturados por este artista brasileiro que é um dos maiores mestres do traço brasileiro na actualidade, é hoje alvo de homenagem e de agradecimento por parte do blogue do Tex, pelo que iremos mostrar num só post diversas caricaturas de sua autoria e que fizeram furor ao longo desta sua colaboração connosco e que continuará ainda por muito tempo, algumas delas passaram inclusive do blogue do Tex para outros espaços na Internet mundial e até para revistas impressas em outros países ou mesmo para as paredes de alguns dos retratados.

Mas para além das caricaturas aqui apresentadas, damos agora a palavra a Bira Dantas:

Em 1977, eu com 13 anos, fiz um estágio rápido no Estúdio Mauricio de Sousa, onde conheci o grande e saudoso luso-brasileiro Jayme Cortez. Ele me falou tudo o que eu precisava saber para entender que o meu caminho (nos quadradinhos) era longo e árduo. Para suavizar este caminho de pedras, presenteou-me com o livro “A Técnica do Desenho“, que virou a minha “Bíblia” de cabeceira. 31 anos depois, fiz caricaturas de todos os quadrinhistas presentes (e fotografados no livro), como podem ver clicando aqui.

Orlando Pizzi, Jorge Scudelari, José Lanzelotti (que vi de relance, um dia de 1979, no Estúdio do Ely Barbosa), Gutenberg, Sérgio Lima (tive a honra de conhecer este espectacular desenhador de Humor, Terror e Romance, que desenhou a Maga Patalógica na Abril e os Trapalhões para o Ely), Lyrio Aragão, Manoel Ferreira, Messias de Melo e Luiz Saydenberg são alguns dos quase 50 homenageados.

Eu também vejo as caricaturas como resgates humorísticos das pessoas. Onde tem uma roda de caricaturistas (e gente sendo caricaturada), sempre tem muita piada, muita risada, é um momento de descontracção e brincadeira. Isso é uma coisa muito boa, alegra o espírito de quem faz e de quem é feito. Quer dizer, nem sempre, vai depender do espírito desportivo do caricaturado (risos)!

Certa feita, por volta de 1985, durante o lançamento de uma colectânea de charges do Sindiluta -órgão informativo do Sindicato dos Químicos de São Paulo – depois de várias doses de cachaça que os caricaturados me davam de presente, um trabalhador pediu que eu fizesse a sua caricatura e que só pagaria pela revista se ficasse parecido. Eu pedi que ele continuasse falando, porque a voz era o único contacto que eu estava tendo com ele naquele momento (risos).
Os directores do sindicato faziam várias denúncias pelo Sindiluta e muitas vezes, encomendavam charges com caricaturas de chefes e donos de fábricas. Outra história que ouvi por lá de outro operário: “O Bira trabalhou na minha fábrica, com certeza, ele conhecia e desenhava a cara de todo mundo lá dentro!” Claro que eu não desmenti…

Mas a caricatura entrou na minha vida mesmo, quando fui estagiar no Estúdio Ely Barbosa em 1979. Lá tinha três caricaturistas fantásticos: João Baptista Queiroz (que desenhou Carequinha, Arrelia, Pimentinha, Oscarito e Grande Otelo), Cleiton Caffeu (adorava o Mort Drucker da MAD e fazia caricaturas de todo o mundo do estúdio) e Eduardo Vetillo (de quem fui assistente), que desenhava o pessoal do estúdio como figurantes nas BD’s dos Trapalhões. O trabalho deles enchia meus olhos…
Para lerem o que escrevi nessa época, cliquem aqui.

Paralelo ao meu trabalho no estúdio, eu comecei a fazer Quadradinhos e Charges para campanhas sindicais e partidárias (ajudei a fundar o PT, partido do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma, com os meus irmãos). Com esse meu engajamento, fazer caricatura era um “bem” totalmente necessário.

Assim fui pesquisar os clássicos J. Carlos, Belmonte, Alvarus, Mendez, os alternativos (Pasquim, Movimento, Versus) Ziraldo, Trimano, Loredano, Sábat, Henfil, Paulo e Chico Caruso. Depois veio a geração de Laerte, Nani, Angeli, Glauco, Luiz Gê, Maringoni, Jal, Xalberto, Orlando, Spacca, Baptistão, Carlinhos, Osvaldo Pavanelli, Seabra. Aí conheci os fantásticos caricaturistas norte-americanos Levine, Hirschfeld, o pessoal da MAD; os argentinos, franceses (Morchoisne, Mulatier, Rampal, Ricord, Plantu), os campinenses Paulo Branco, Dálcio, Rossi, Félix, Stegun, Dellova, André Pádua, Evandro; o belga Jan Op de Beeck, o alemão Sebastian Kruger. Fui percebendo as diferenças de traço, distorção, valorização e principalmente, que caricatura não é só aumentar um “detalhe”, muitas vezes é diminuir ou até sumir com um detalhe, um traço… Virei professor de caricatura e dou aula na Pandora (Escola de Arte de Campinas) há mais de 10 anos. Continuo aprendendo até hoje, tenho a minha mulher e filha como principais críticas. E posso afirmar, caricatura é uma arte difícil, mas possível de ser aprendida.

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Gosto tanto de caricaturar, que resolvi homenagear a personagem TEX.


Como disse na entrevista concedida ao blogue do Tex há quase três anos atrás e que pode ser lida clicando aqui, eu sou um fã inveterado de Tex porque gosto de bom humor. Dou risadas sozinho ao ler os impropérios ditos por Kit Carson e ironias ditas por Tex. Sempre encontro um jogo de diálogos muito espirituosos.
Tex está em minha estante ao lado de Flash Gordon, Tarzan de Foster e Hogarth, Mandrake, Brucutu, Spirit, Lil Abner, Cisco Kid, Príncipe Valente, Nhô Quim, Tico-Tico… porque além de Clássico é extremamente bem feito.

O meu fotolog, onde publiquei a minha homenagem ao famoso Ranger, é um ponto de encontro de cartunistas, quadrinhistas, fãs de cinema e BD. Como conhecem a minha faceta de cartunista político, eu quis que vissem que também aprecio Western. Tex tem tudo a ver com Política, ao discutir as atrocidades que os brancos cometeram (cometem e cometerão) contra as Nações Indígenas, contra a natureza, contra o Planeta.
E posso dizer que é uma honra colaborar com o Blogue do TEX, caricaturando argumentistas e desenhadores que me deliciam com suas tramas e seus traços. Nomes como (G. L. Bonelli, Sergio Bonelli, Galleppini, Ernesto Garcia Seijas, Gianfranco Manfredi, Moreno Burattini, Mauro Boselli, Rafaelle Della Monica, Pasquale Frisenda, Michelle Medda, Marco Torricelli, Mario Milano, Corrado Mastantuono, Alessandro Bocci, Fabio Civitelli, Alfonso Font, Giancarlo Malagutti, Giovanni Bruzzo, Leomacs, Pasquale Ruju, Roberto De Angelis, Guglielmo Letteri, Raul e Gianluca Cestaro, Alessandro Baggi, Victor De La Fuente, etc.) proporcionaram-me momentos de pesquisa histórica e artística.

Agradeço a todos os modelos! Aliás, uma das melhores notícias foi saber que a turma da Bonelli fica torcendo para ser o entrevistado do Blog e ganhar uma “caricatura do Bira”. Enorme honra!
Por coincidência, não é só o TEX que vem da italiana Bonelli, caricatura vem do italiano “Caricare”(carregar, no sentido de exagerar, aumentar algo em proporção). E da Itália, Leonardo da Vinci foi seu grande caricaturista na Renascença. Annibale Carracci, no século XVI, um de seus grandes expoentes. Temos ainda artistas como Domenichino, Guercino. Pier Leone Ghezzi que se dedicaram a produzir esta arte tão popular, isso, sem falar de Gianlorenzo Bernini.

No século XVIII, os ingleses James Gillray e Thomas Rowlandson, brilhantes caricaturistas, causavam furor quando lançavam suas caricaturas. Finalmente, no séc. XIX, surge na França o incomparável Honoré Daumier que publicava suas caricaturas revolucionárias nosjornais Le Charivari e La Caricature. Fiz uma caricatura deste Mestre, como se pode ver clicando aqui.

Tiepolo, Puvvis de Chavannes, Picasso, Monet também usaram seus crayons e tintas para carregar no traço e caricaturar personalidades. Por fim, a minha curtição pelas caricaturas é tão grande, que montei um blogue específico, onde posto todas as caricas que faço e cujo endereço é http://caricasdobira.blogspot.com

Grande abraço a todos leitores do Blogue do Tex e obrigado ao Zeca por mais esta oportunidade de falar da minha vida profissional!

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

3 Responses to “A Arte Caricatural de Bira Dantas ao serviço do blogue do Tex”

  1. O Bira realmente é um dos grandes desenhistas do Brasil e do mundo. Ele exerce a função de desenhador caricaturista com uma maestria ímpar. Ele diz que não é difícil desenhar caricaturas. Bom, pra ele pode ser que não, pois trata-se de um profissional de categoria.
    A outra faceta que eu não sabia é que ele foi um dos fundadores do PT junto com seus irmãos. Claro que isso me orgulha, apesar de termos entrado em discussão por causa da preferência política. Hoje quero apenas agradecer ao Bira por eu ter sido um dos seus caricaturados. Muita honra, pois!
    Vida longa ao Bira e sucesso na sua estrada como artista.

  2. O bengala-brother Bira é, sem dúvida, um dos bambas do gênero e o maior caricaturista da atualidade no Brasil. Quando recebi uma caricatura que ele fez da minha pessoa foi uma honra. O homem é fera e capta cada detalhe como ninguém.
    Grande matéria\entrevista e caricaturas geniais da turma do Ranger… (Rsss…).
    Grande jogada, Zeca Willer!
    Parabéns, este Blog tá melhor a cada dia!

  3. Wilde e Tony, vcs são dois caras maravilhosos que moram no meu coração!
    Merecem caricaturas e todas as honrarias que um adorador do Quadrinho Brasileiro possa fazer e render!
    Abraços especiais!

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