Tex’s de Mastantuono e de Fusco em grande destaque no Diário As Beiras: 19 de Setembro de 2009

Logótipo Jornal As BeirasTexto do jornal Diário “As Beiras“, de 19 de Setembro de 2009
João Miguel Lameiras.
DUAS VISÕES DE TEX.
Duas Visões de Tex no jornal AS BEIRASVerdadeiro fenómeno de popularidade em Itália, onde chegou a vender mais de um milhão de exemplares mensais, Tex tem sido regularmente objecto de referência nesta coluna, algo que normalmente acontece de cada vez que sai um novo “Texone”, edições anuais em formato maior e com uma produção mais cuidada, em que autores de renome na Banda Desenhada mundial tem a sua oportunidade de imprimir a sua marca pessoal ao mais popular cowboy da BD italiana, em histórias de longo fôlego, com mais de 200 páginas de acção.
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Neste caso, além do Tex Gigante nº 20, ilustrado pelo italiano Corrado Mastantuono, vai estar também em análise o Tex Ouro nº 33, que publica uma história ilustrada pelo menos talentoso Ferdinando Fusco. Dois livros escritos por Claudio Nizzi, o principal argumentista da Bonelli, mas com claras diferenças de qualidade, em termos do desenho e da própria qualidade das edições, com clara vantagem nos dois campos para o Tex Gigante.

Tex Ouro 33.
Mas comecemos pelo “Tex Ouro”, que leva Tex e Kit Carson ao México em busca de um carregamento de Ouro roubado, acabando por ser envolvidos numa conspiração. Uma intriga com alguns pontos de contacto com uma aventura do Tenente Blueberry, conhecida como o ciclo do “Ouro dos Confederados”, que ocupa os álbuns de “Chihuahua Pearl” a “Balada por um Caixão”, mas que Charlier explora de forma bastante mais conseguida do que Nizzi. O que não quer dizer que a aventura de Tex seja má. Trata-se de uma história bem construída, com um final curioso, com um toque sobrenatural, ilustrada de forma competente por Fusco, um desenhador de traço dinâmico e pormenorizado, que sabe usar bem as sombras (veja-se a cena final, na cripta) mas que falha em termos anatómicos, com as suas figuras, extremamente rígidas, autênticos armários, com feições que parecem ter sido talhadas num bloco de madeira.

Capa Tex Gigante 20Quanto a “O Profeta Indígena”, a história do Tex Gigante nº 20, para além de ter a vantagem de partir de uma premissa menos vista, conta com o excelente desenho de Corrado Mastantuono, um autor que iniciou a sua carreira na Disney italiana, mas que está tão à vontade a desenhar o Mickey ou o Tio Patinhas, como westerns, aventuras contemporâneas, ou histórias de fantasia, como as que ilustrou para a editora francesa Les Humanóides Associes.

A história do profeta índio cujas visões o levam a reunir várias tribos numa guerra religiosa contra o invasor branco, está bem contada, apesar do final algo apressado. Além disso, Nizzi intercala bem as cenas com Tex e Jack Tigre, com as de Kit Carson e o filho de Tex, desfazendo aquelas que costumam ser as duplas mais habituais. Mas o melhor deste Tex é mesmo o trabalho gráfico de Mastantuono, senhor de um traço personalizado e de grande elegância. O desenhador romano aproveita muito bem o espaço concedido pelas pranchas de maior formato, para jogar de forma dinâmica com a composição das imagens, usando muito bem a alternância dos planos e as imagens panorâmicas, como a que escolhemos para ilustrar este artigo, em que o profeta indígena conta as suas visões à tribo.

Tex de Mastantuono em acçãoItália é um autêntico viveiro de grandes desenhadores, e este Tex Gigante permitiu-me descobrir mais um, numa edição que, apesar da fraca qualidade do papel, faz juz ao talento de Mastantuono.

Para terminar, apenas um reparo à política de preços da Mythos para Portugal. Não me parece que faça muito sentido que o Tex Gigante, que é em grande formato, custe o mesmo que o Tex Ouro, impresso no formatinho habitual da Bonelli, apenas com mais páginas. Tal como me parece que a série “Ouro” não perderia nada em usar umas capas mais recentes, em vez das ilustrações de Galep que, apesar de ter sido o criador gráfico do Tex, tem um traço muito datado, com um interesse mais arqueológico do que artístico, a milhas de um Claudio Villa, que actualmente assegura a maioria das capas do Tex.
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João Miguel Lameiras(“Tex Gigante nº 20: O Profeta Indígena”, de Claudio Nizzi e Corrado Mastantuono, Mythos Editora, 242 pags, 8,50 €
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Tex Ouro nº 33: O Traidor”, de Claudio Nizzi e Ferdinando Fusco, Mythos Editora, 354 pags, 8,50 €)
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Copyright: © 2009 Diário “As Beiras“; João Miguel Lameiras; crítico e especialista de BD.
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Um comentário

  1. Não posso falar de “O Traidor” que não li ainda. Mas quanto a “O Profeta Indígena” tenho que concordar com a opinião do João Miguel Lameiras sobre o final apressado dado à história. O enredo tem muitos “deja vu” e com este final tão apressado fica um sabor a … pouco.

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