Tex, o Pistoleiro – O filme de Tex Willer

Por Filipe Chamy

Tex, o Pistoleiro (1985) — Duccio Tessari

Cartaz português de Tex, o PistoleiroOs filmes baseados na banda desenhada são quase sempre ignorados pela crítica dita especializada. Mas verdade é também que os próprios admiradores da nona arte costumam rejeitá-los; quase sempre elementos considerados basilares nas revistas são modificados ou adulterados na visão cinematográfica, e isso configura um fenómeno interessante: abandonados pelos fãs das obras originais e menosprezados por todos os outros espectadores em potencial, os trabalhos adaptados de BDs geralmente adquirem uma certa fama maldita e não vivem além da memória de coleccionadores mais aficionados, escavadores devotos de tudo que possa remeter aos seus personagens favoritos. Tex, o Pistoleiro (no Brasil: Tex e o Senhor do Abismo), de certo modo, encaixa-se nessa condição desagradável: praticamente os seus únicos conhecedores são os fãs de Tex Willer, o famoso e implacável ranger dos quadradinhos italianos, a criação máxima dos artistas Giovanni Luigi Bonelli (o grande argumentista dos fumetti) e Aurelio Galleppini (o criador gráfico).

Tex WillerUma das principais críticas apontadas é a escolha de um tema sobrenatural, pouco comum nas aventuras texianas, para ambientar a história. De facto há uma certa preocupação excessiva (mas insatisfeita) com os efeitos especiais e a vontade de surpreender com uma trama que foge, em essência, do faroeste tradicional. Spaghetti tardio, é de todo modo um programa divertidíssimo, conduzido pelo subestimado Duccio Tessari, especialista em acção. Não é uma obra-prima, mas não se pode cobrar isso de todo produto cinematográfico.

Águia da NoiteGiuliano Gemma, o astro dos bangue-bangues à italiana, estrela no glorioso papel de Tex Willer. Actor de presença, é uma escolha peculiar mas não de todo equivocada: particularmente destaca-se por pequenos detalhes (que sempre fazem a força dos filmes), como sua absoluta segurança, suas poses heróicas e sua vontade de deixar tudo bem claro, mesmo que isso custe os móveis e a integridade física de seus oponentes.

Kit CarsonAuxiliando-o nessa jornada, estão seus pards Kit Carson (William Berger, muito bem escolhido) e Jack Tigre (Carlo Mucari, opção estranha mas competente — seus cabelos aqui são bem longos, diferentemente dos quadradinhos). Seu filho Kit não participa do filme, bem como da história que o inspirou — na verdade, o filme é uma mescla de duas aventuras, mas a principal é a semi-protagonizada pelo místico El Morisco, que, com seu jeito sinistro, é um dos maiores amigos de Tex, sempre o auxiliando em casos que fogem da compreensão comum. Seu criado, Eusébio, mesmo sem seu nefasto bigodão, também dá o ar de sua aparição.

Trata-se de uma inexplicável sucessão de bizarrices, que desnorteariam qualquer pessoa normal — por sorte, o ranger e seus amigos já lidaram com coisas piores. Pessoas que murcham misteriosamente, resquícios de povos indígenas que teoricamente estariam dizimados há tempos (e o pior, são belicosos e fanáticos!), sacerdotes malignos, uma bela e perigosa mulher, e a criatura estapafúrdia que consta no título brasileiro do filme: esses são alguns dos perigos que os justiceiros enfrentam, enquanto escapam de tiros, facadas, quedas e correrias de todo tipo. Não é uma vida fácil, mas mitos costumam ser à altura de sua fama.

Jack TigreTalvez certos artifícios das revistas em quadradinhos soem exagerados quando transportados a outra mídia (e este talvez seja o grande empecilho apontado pelos detractores de Tex e o Senhor do Abismo). Mas isso não é defeito, a irrealidade é parte componente das lendas do western. E este é um filme rápido, de pouco pensamento e muitos confrontos, que não se exija dele uma densidade filosófica à John Ford. E que não se pense que por isso seja um subproduto rasteiro e pálido ante os grandes faroestes: filme sincero, divertido, ágil, já é acima de uma infinidade de obras industriais. Com seus erros honestos, e “papai” Bonelli em sua participação especial, é pelo menos um filme especial, bem a seu modo.

Os pards

Tex em acçãoGian Luigi Bonelli

12 Comentários

  1. Este filme vale pelo o que ele é.
    Um filme de Tex.
    Item importante para todo fã e colecionador das aventuras de Tex Willer.
    AMoreira.

  2. O texto ficou regular, mas o filme é mesmo muito bacana, e mais legal foi a tradução “lusitana” das minhas palavras “brasileiras”! Viva a nossa língua portuguesa, hehe.

  3. É um filme fraco, mas é muito legal poder ver o Tex em carne e osso. O melhor do filme é o ator que interpreta Kit Carson. Ficou igualzinho.

  4. Eu acho que o grande erro foi terem escolhido esta história para transformar em filme. Deveriam ter utilizado uma HQ mais próxima dos faroestes tradicionais, e isso é o que não falta ao Tex!

  5. Porque não fazem mais filmes sobre Tex Willer? Histórias é que não faltam e Giuliano Gemma é o melhor sem dúvida. Obrigado.

  6. Legal o filme, o Kit tava igualzinho no gibi, resmungão, pessimista, tagarela, e sempre viciado numa bisteca e batata frita, dei risada, muita risada quando o El Dorado, kanas e mais outro índio entraram no barracão o pavio da dinamite já tava se explodindo e eles saíram voando de lá e a hora que o Kit e o Tigre tavam pendurados naquela pedra o Kit mandou Kanas ir pro inferno, Kanas mandou descer a corda que ele tava pendurado, e o Kit começou chamar ele de cascavel, e disse que ele não se referia ao Kanas mas a ele mesmo porque ele nunca ficava quieto, mas a parte que eu não gostei foi quando o Kit teve que matar aquele belo palomino e acho que ele devia ter matado aquele cara na torre, não o Tigre, ele quase não mata ninguém, quer dizer ele é major dos rangers, e só ficou escondido atrás da casa no tiroteio na cidade fantasma, ele matou 3 bandidos e 4 índios, e o Tex e o Tigre muitos mais, pena também que o Kit Willer não apareceu, tirando isso o filme tava muito legal.

  7. Foi bom demais saber que existem filmes destes heróis das histórias em quadrinhos que me lembram a minha adolescência, onde li vários gibis de Tex e amigos. Queria ver mais…
    Um abraço.

  8. Eu confesso, li a primeira edição completa de Tex, ficava contando os dias para ver chegar a nova revista. Depois outra editora assumiu e lançou novamente toda a edição mais alguns exemplares especiais. Quando ouvi falar sobre o filme fui fundo e busquei até achar, baixei com o programa ares e o filme é muito bom, um presente para nós colecionadores. Pena que não fizeram filmes de todas as histórias. Sou fã número 1 de Tex e também li muito Zagor, mas a Águia da Noite está em primeiro lugar. Quem ler se apaixonará.

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