TEX no Diário do Alentejo: 10 de Novembro de 2006

Texto do Suplemento Alentejo Ilustrado de 10/11/2006
Espaço bd
Por Luiz Beira

* Tex agrada a adolescentes e adultos, independentemente do sexo, porque representa o Grande Irmão, o Grande Companheiro e Amigo, o Anjo da Guarda…

Tex, o “Cowboy italiano”

TEX no Diário do Alentejo - 10 de Novembro de 2006Classificar o herói-BD “Tex Willer” de “cowboy” é uma força de expressão, um tanto e propositadamente exagerada, para facilitar em abertura o que abaixo se segue.
Maioritariamente, Tex Willer, vive as suas aventuras no mítico Longe Oeste (norte-­americano). Mas Tex não é um vaqueiro nem um vulgar pistoleiro, mas sim, um “ranger” (um justiceiro, mais por conta própria do que oficialmente). O curioso é que Tex “nasceu” em Itália, pelo entusiasmo do novelista e editor Giovanni Luigi Bonelli (1908-1994) e daí também a poderosa editora italiana Sergio Bonelli Editore.

São já quase incontáveis as aventuras de Tex, constantemente editadas nos mais diversos países… excepto Portugal! As edições em lusofonia que por cá vamos lendo chegam-nos do Brasil, pela Mythos Editora. A única edição portuguesa aconteceu apenas e até agora na “Série Ouro – Os Clássicos de Banda Desenhada“, em 2005, sob apoio do jornal “Correio da Manhã“…

Tex “trabalha por conta própria“, é viúvo de uma ameríndia navajo de nome Lilyth e tem como seus directos amigos e companheiros o filho Kit Willer, o resmungão Kit Carson (tão diferente do personagem histórico e autêntico) e Jack Tigre (um índio navajo).

Prancha do Tex portuguêsTêm sido muitos os argumentistas (desde G.L. Bonelli) e desenhadores (desde Aurelio Galleppini) que têm assegurado e continuado as aventuras de Tex. Em Portugal, há um jovem que é o “embaixador” de Tex para o nosso espaço:
José Carlos P. Francisco, nasceu a 13 de Dezembro de 1967 em Lourenço Marques (Moçambique). É casado e pai de duas filhas. Reside na Anadia, onde é chefe de produção numa indústria de mobiliário metálico. Mas é também um coleccionador imenso das aventuras de Tex e o representante em Portugal da brasileira Mythos Editora e, de certo modo, “os olhos e ouvidos do rei” da Sergio Bonelli Editore. Parcialmente, o seu trabalho “texiano” esteve exposto no salão internacional “Viseu­BD / 2005“.
E vamos lá à nossa breve conversa:

Quando descobriste Tex?
Descobri Tex, já em Portugal, em 1980, quando os meus avós ao mudarem de residência, foram morar para uma quinta em Vila Nogueira de Azeitão. Durante o decurso das limpezas do sótão da habitação principal, descobri uma caixa com muitas revistas de BD e entre elas somente um exemplar de Tex, mas logo uma edição especial, que muito me cativou de imediato. Tratava-se do Tex 094, “Pacto de Sangue”, uma aventura completa, onde acontece o casamento deste herói.

Porquê esta paixão por Tex?
Esta paixão por Tex resultou de amor à primeira vista. A curiosidade e a gula com que li aquele primeiro Tex permanece até hoje. Os anos passaram e o mundo mudou, menos esta minha paixão. Quem lê Tex não consegue ficar indiferente ao ranger… Além disso, Tex tem-me proporcionado momentos inolvidáveis, como coleccionador do personagem há mais de 20 anos e, como todo o fã deste herói, sempre tivera o desejo e a esperança de conhecer a casa onde ele é produzido em Itália, ou seja, a Sergio Bonelli Ediore, assim como o seu grande responsável, o próprio Sergio Bonelli. E também conheci no Brasil a Mythos Editora, que hoje represento em Portugal.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis da banda desenhada?
Tex agrada a adolescentes e a adultos, independentemente do sexo, porque representa o Grande Irmão, o Grande Companheiro e Amigo, o Anjo da Guarda… Viver num mundo tão complexo e cheio de violência, repleto de injustiças e discriminação, faz-nos ansiar por uma divindade capaz de acertar o passo da humanidade. E Tex Willer é a personificação procurada. Tex transcende até os seus criadores e editores.
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Muito haveria a conversar com José Carlos Francisco sobre a temática de Tex, mas o espaço é curto…

Copyright: © 2006 Diário do Alentejo; Luiz Beira
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