RECOMEÇAR

Por Sérgio Madeira Sousa[1]

RECOMEÇAR

Grandes Clássicos do TexEm Fevereiro de 2006 a editora Mythos lançou mais uma colecção de Tex Willer, intitulada de: “Os Grandes Clássicos de Tex”. Esta colecção tem como objectivo publicar as históricas marcantes da personagem, com uma nova tradução e uma nova capa. Se analisarmos com atenção a listagem de histórias de Tex, disponível no Portal Tex Brasil, facilmente constatamos que na prática, esta colecção não é mais do que uma reedição desordenada, de “Tex Edição Histórica”.

Tex e os AventureirosPrecisamente um ano antes, foi lançada uma colecção que gerou altas expectativas entre os Bonellianos portugueses e brasileiros: O almanaque Bonelli, baptizado de forma pouco feliz de “Tex e os Aventureiros”. Este Almanaque foi a colecção mais inovadora que a Mythos lançou, fugiu ao “formatinho” e juntou numa única revista as vários personagens Bonellianas. Infelizmente, por diversos motivos, entre os quais se destaca o baixo volume de vendas, esta série nem atingiu os seis números inicialmente previstos. O sexto número foi lançado como edição especial e já no famoso “formatinho”.

Já passaram dez anos desde que a Mythos lançou a primeira revista de Águia da Noite: Tex Nº 351, O bando dos irlandeses. Ao longo de toda uma década, a editora colocou nas bancas diversas colecções e o maior feito: Publicou todas as histórias inéditas que haviam sido ignoradas pelas antecessoras, possibilitando assim aos coleccionadores, o conhecimento de toda a obra. Apesar dos reajustamentos na periodicidade de Tex Gigante e do Almanaque Tex, que obrigatoriamente terão de passar a anuais, devido à inexistência de material inédito, circulam nas bancas brasileiras um número de publicações dedicadas à personagem, superior ao que circula na própria Itália.
Tex Ouro e Tex Edição FériasDe periodicidade anual, existem ainda: Tex Anual e Tex Especial de Férias. Mensalmente nas bancas, o Tex e Tex Coleção. Bimestralmente, Os Grandes Clássicos de Tex e Tex Ouro. Por ultimo, de periodicidade algo indefinida, o Tex Edição Histórica. As mini-séries foram publicadas apenas três e muito dificilmente será publicada uma quarta, pela razão já apontada. Apesar de coleccionador fanático, pois colecciono todas as colecções, considero excessivo e desadequado, a quantidade de publicações existentes.

Tex Edição Histórica e Tex AnualSocorrendo-me mais uma vez da listagem das histórias de Tex, excelente trabalho realizado por Rodrigo Bratz, não só verificamos que os OGCT republicam de uma forma desordenada TEH, como já referi, como também, TO publica actualmente e também de uma forma desordenada, as histórias que sairão daqui a alguns anos em TEH, desta vez respeitando a cronologia. É perfeitamente compreensível o ponto de vista editorial, a Mythos possui um artigo que têm mercado e vende muito bem, então, à que rentabilizá-lo. Prefiro no entanto o sistema utilizado pela SBE: As reedições respeitam sempre a ordem cronológica e assim é possível coleccionar todas as histórias publicadas, mesclando as diversas colecções existentes. Penso que no lugar dos OGCT, teria sido preferível lançar TEH 2ª Edição, apresentando novo formato e capas, para atrair também, quem já possuía a 1ª Edição.

Anúncio do novo lançamento do Tex a coresInesperadamente, numa atitude da grande audácia editorial, tendo em conta a grave crise económica que afecta todo o globo, a editora, não só não cancela nenhuma das séries existentes, como decide lançar uma nova colecção. Esta nova publicação, cujo primeiro número deverá estar nas bancas no final de Setembro, será totalmente inovadora relativamente às existentes: Ao formato italiano apenas existente em TAV, é adicionado o atractivo da cor, característica exclusiva de algumas edições especiais. Estes dois factores combinados, tornam esta série única e com elevado potencial de sucesso.

Esta nova série a ser lançada no mês em que o “ranger” completa 61 anos de vida editorial, terá como base a colecção “Collezione Storica a Colori”, lançada em Itália em 2007. Estrondoso sucesso desde o lançamento, o que era para ser uma colecção fechada de 50 números, rapidamente passou a 84. Posteriormente foi decidida a continuação, não sendo hoje previsível o término da mesma. Baseando-me no que já se conhece desta nova publicação, é possível fazer uma análise das probabilidades de sucesso e das consequências para as outras publicações da personagem Tex. Apesar de todo entusiasmo e euforia demonstrado pelos fãs, existem diversos aspectos que poderão inviabilizar a continuação da série, para além dos seis números inicialmente previstos:
Collezione Storica a Colori– O preço, ainda não divulgado. Certamente terá um peso muito importante no volume das vendas e está directamente associado à tiragem, quanto maior tiragem menor o preço.
– Numero fixo de páginas. Ao fazer esta opção, a editora está a oferecer aos leitores histórias em perpétua continuação, aspecto que desagrada a diversos leitores. Como as primeiras histórias do ranger eram publicadas semanalmente, numa estrutura de 32 tiras, ao optar por um número fixo de páginas por volume, vai criar situações de histórias a terminar na 2ª página ou a começarem na antepenúltima.
– As histórias publicadas. As seis edições previstas vão apresentar as primeiras nove histórias de Tex, todas já publicas em OGCT nos últimos três anos, algumas delas nos últimos meses.

Tex GiganteEspero estar apenas a ser pessimista, mas estou convicto que lançamento desta colecção vai influenciar todas as outras, baixando o volume de vendas. Além disso, e como consequência, para compensar a diminuição de vendas, a editora poderá ter de proceder ao aumento de preço em algumas séries, ou mais grave, ao cancelamento. Devido à forma como está estruturada a colecção, não acredito que esta série cative leitores de outras personagens ou de outros géneros, é mais provável o resgate de leitores que abandonaram a série normal. Não são as histórias em continuação, devido ao elevado e variado número de páginas que cada história pode ter, obviamente que teriam de existir. É sim, por as histórias poderem começar e terminar em qualquer ponto da revista, aspecto que apenas será tolerado pelos fãs da personagem, nenhum outro coleccionador o aceitará.
Almanaque TexAs histórias apresentadas, também não são as ideais para atrair outros coleccionadores: Apesar do trabalho gráfico ser da responsabilidade do mestre Galep, são desenhos do início da carreira e produzidos a um ritmo alucinante de cerca de 11 pranchas semanais e após o trabalho diário na série “Occhio Cupo”. Actualmente são pouquíssimos os desenhadores que conseguem, mensalmente e a tempo inteiro, este desempenho. Assim, parece-me óbvio que terão de ser os fãs de Tex, a suportarem também esta série, os mesmos que já compram todas as outras. Considerando que grande parte dos coleccionadores, não possui poder aquisitivo para adquirir mais uma colecção, a solução encontrada por muitos, vai ser sacrificar algumas das existentes, deixando de as adquirir.

Tex OuroPoderemos nos considerar satisfeitos, se os danos colaterais da publicação desta nova série, se limitarem ao cancelamento de OGCT. Refiro OGCT, porque é a série mais recente, é aquela que nos traz as histórias da mesma época e que aparentemente será a mais afectada. Sinceramente considero-as incompatíveis, o sucesso de uma implica o fracasso da outra e a manutenção das duas, poderá provocar o insucesso de ambas. Talvez a melhor opção seja, “congelar” OGCT durante um ano e decidir que colecção continuar nessa altura.

Logo-TexApesar do aqui exposto, espero sinceramente estar enganado e que este recomeçar, novamente, seja um enorme sucesso tal como sucedeu em Itália, sem consequências para as outras colecções e que se prolongue muito para além dos seis números anunciados. Se a editora, com a experiência e competência demonstrada ao longo dos anos que leva à frente das publicações Bonelli,  decidiu avançar com esta nova colecção então é porque acredita no sucesso da operação. A nós leitores, que tanto pedimos esta colecção, somos agora responsáveis pela sua continuação, fazendo uma coisa muito simples: Comprar! Concordemos ou não com a forma como que se apresenta.

[1]Coleccionador de Tex desde 1980.
OGCT – Os Grandes Clássicos de Tex
TEH – Tex Edição Histórica
TO – Tex Ouro
TAV – Tex e os Aventureiros
SBE – Sergio Bonelli Editore

Fontes:
http://www.texbr.com
http://texwillerblog.com
http://www.sergiobonellieditore.it/

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

7 Comentários

  1. Concordo com você, caro Sérgio, na maioria das suas observações. Discordo apenas da questão do número de páginas e da continuação. Isso não fará com que deixem de comprar, até porque na Itália, no TEX STORICA A COLORI, acontece algo parecido. Quanto ao OGCT acho que ela se encerra esse ano para não voltar, não apenas “congelar”. A nova veio para ficar, pelo aspecto da cor, não pelas histórias que publicará. E breve outras séries poderão ser descontinuadas, como TEX OURO. Valeu pelas inteligentes observações, mas sou um pouco mais otimista que você.

  2. O cancelamento ou congelamento de OGCT já vem sendo discutido desde do anúncio da série á cores, e qual não foi a surpresa em saber que a Mythos não cancelaria essa série, o que deixou os leitores muito temerosos. Na minha opinião, a Mythos está tentando dar passos maiores que a perna, manter esta edição nas bancas já será um desafio, e a Mythos se recusa a aumentar as chances de êxito dessa série, espero que eles tenham certeza do que estão fazendo!

  3. Belíssimo artigo Sérgio, mas também sou um pouco mais otimista que vc. Quanto ao número de páginas não vejo problema, pois como disse também o Cleudo na Itália as histórias começam no meio, no fim, em qualquer parte. Quem não gosta de ler históris com continuação, faz como eu, espera fechar as mesmas, e só depois inicia a leitura. Leio assim porque como leio muita coisa, não preciso ficar relendo o número anterior para entender a história. Só acho que a Mythos está pecando na questão de não suspender ou cancelar a revista OGCT, pois como eu já citei no forum Texbr, os colecionadores da mesma, deixariam de gastar 17,90 e passariam a gastar de 25,00 a 30,00 reais, ficando mais fácil pra muita gente. Não sei de onde a Mythos tirou da cabeça que as duas coleções com a mesma temática, vão ter compradores em potencial, pois com exceção de poucos colecionadores que compram tudo que sai de Tex, entre os quais eu me incluo, a grande maioria vai migrar pra coleção colorida, ou como vc disse decretar o fim das duas, por falta de compradores para ambas, que eu espero que não aconteça. Vamos torcer para que tudo dê certo e tenhamos a coleção colorida e definitiva do nosso querido Tex.

  4. Caros Cleudo, Glauber e Marcilio,
    após tomar conhecimento da nova série pensei imediatamente em escrever o que penso. Durante cerca de mês e meio fui construindo a peça, obtendo informações no blogue, no portal e nos fóruns.Posso ter sido influenciado por alguns comentários nos fóruns, mas o que está escrito espelha a exactamente a minha opinião. Apesar da Mythos já ter definido os moldes da nova colecção, espero que se mantenha atenta às opiniões dos coleccionadores e que esteja receptiva a fazer alterações na estrutura da colecção se assim se justificar. O problema do continua não é grave, apenas acho que se houvesse alguma flexibilidade no nº de páginas, mais um ou dois cadernos (16 ou 32 páginas), poderia ser evitado situações de histórias a começar na antepenúltima página. Sinceramente, espero que vocês estejam a ser realistas.

  5. Bem, vou partilhar convosco uma outra situação. Eu compro tudo de Tex (por gosto, por paixão, para coleccionar e também para ler, admirar, encantar-me com as histórias, os desenhos), mas não consigo ler todas as revistas. Por isso há revistas que apenas conheço a capa e a lombada. Mas não é bem só para ser “proprietário”, pela “posse” de tais bens, porque eu quero e vou ler, inclusive tenho separado em prateleiras o que já li e o que que falta ler (nota: estas férias até fui mais activo na leitura que noutros anos).

    Partilho outra coisa – quando decidi começar a comprar regularmente (vai fazer 18 anos; antes comprava de forma não continuada), pensava: que bom seria que esta revista continuasse (nota: a distribuição em Portugal das revistas vindas do Brasil era muito deficiente, além de que eu não tinha noção do mundo de revistas em Itália – a informação era escassa). Agora penso: que bom seria que conseguisse ler tudo o que já tenho… Mas o mesmo se passa comigo, por exemplo, com jogos de computador (tantos que estão à espera que os jogue, alguns há mais de 5 ou 6 anos…), etc, só que um dia essas coisas sairão lá de casa, enquanto Tex permanecerá sempre.

    Estou muito reconhecido à Mythos (em especial a Dorival), sem ela teria deixado de ler em 1999 (inclusive houve uma interrupção da distribuição durante mais de 1 ano). Também foi por isso (e por um contacto que fiz para a Mythos em 2001) que conheci muitos amigos que tenho! Por último, se as revistas estão sendo lançadas em Itália, e até com sucesso, a Mythos apostaria. Se não decidiram já, seguramente tomarão em consideração o evoluir, porque em matéria de tomada de decisões, atenção ao consumidor, ajuste e flexibilização a Mythos dá cartas! Algo a melhorar: sempre. Como eu, que agora melhorei a minha contribuição no blogue, LOL.

    Um abraço,

    Orlando Santos Silva – Lisboa, Portugal

  6. Acredito que a Mythos não pensa em cancelar a série OGCT porque têm muitos leitores que não gostam de ler as histórias de Tex em cores, por causa da tradição do preto e branco, então esses leitores terão a opção de comprar a OGCT; o problema é que muitos leitores que compram a OGCT deixarão de fazê-lo para se dedicar à nova série a cores, com isto as vendas devem diminuir bastante e empurrar a série pro cancelamento inevitável. Só espero que a nova série tenha bastante leitores para mantê-la nas bancas, independente do preço, porque senão a mesma fatalmente vai parar de sair, como aconteceu com Tex e os aventureiros, apesar de que essa série de Tex é bem diferente da outra. Sobre a questão do número fixo de páginas, acho que é melhor assim, ou poderia haver uma variação no máximo em torno de 50 págs, sendo que não poderia haver nenhuma edição com menos de 200 págs, porque não acho legal uma edição sair com 370 págs e logo em seguida sair uma com 170 págs como já aconteceu em Tex edição histórica, e recentemente em OGCT, no qual o número 22 foi a edição mais fina até então, ficando com um tamanho muito diferente das outras, que têm uma variação não muito grande no número de págs.

  7. Pelo que conheço de todas as colecções Tex, (como o amigo Sérgio sabe, estou fazendo um esforço para tentar completar todas), apenas não faço Tex Coleção, tirando o nº especial 200, uma vez que Tex Coleção é integralmente reproduzido em Tex Edição Histórica, com a vantagem de T E H ter em todos os números, as histórias completas; só peço que não se lembrem de suspender T E H pois isso para mim e outros coleccionadores que pensam como eu, seria catastrófico. Aliás, pelo que me tem sido dado a perceber aqui em Portugal, Tex Coleção não tem tanta procura como o Tex normal; penso que Tex Coleção vale essencialmente talvez pelas suas capas diferentes; mas a falta de espaço fez com que cortasse onde tinha menos prejuízo. Quanto ao nº de páginas, é uma falsa questão, uma vez que Tex Ed. Histórica tem nºs como o nº 15 com 157 pág. e o nº 67 com 362 pág. e sempre histórias completas. Na minha opinião, e parecendo que as histórias a cores não vão ser inéditas, preferia de longe ter o mesmo formato de Tex Ouro, ou Tex Edição Histórica.
    Um abraço,
    António Freire.

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