Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Página 47 – “Heróis” do Oeste: Chick Bill e “Jerónimo”, um «cow-boy» brasileiro

“HERÓIS” DO OESTE

CHICK BILL

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 47A aparição de “Chick Bill” dá-se a 30 de Abril de 1953, no primeiro número da revista “Chez Nous Junior”. Na altura, as personagens principais da série tinham cabeças de animais. Eram “Chick Bill” (o pateta), “Dog Bull” (o xerife), “Petit Caniche” (o índio) e “Kid Ordinn” (o herói). Os três primeiros tinham cabeças de cães e o último de porco. Mas esta situação dura unicamente dois episódios. Tibet que escreve e desenha os episódios, resolve então dar feições humanas às suas personagens. A partir de 1956, as aventuras de “Chick Bill” surgem igualmente na revista “Tintin”. Em “Chez Nous Junior” a série irá manter-se até 1972.

Não há dúvida que os leitores sempre se interessaram pelas Histórias aos Quadradinhos sobre o Oeste, já que esta excelente série cómica, possuía já uma grande longevidade, até à morte do seu autor recentemente. Foram 48 anos e mais de 60 álbuns publicados. Em paralelo com “Lucky Luke” de Morris (desaparecido em Julho 2001), mantiveram sempre um recorde de vendas e publicações.

As personagens principais de “Chick Bill”O sucesso de “Chick Bill” deve-se não só aos traços do seu desenhador Tibet (pseudónimo de Gilbert Gascard), como aos argumentos das suas histórias, da autoria de Greg, René Goscinny e A. P. Duchâteau. É natural que o traço de Tibet tenha perdido a sua frescura, ao longo dos anos, amadurecendo, mas tornando-se menos preciso. De qualquer dos modos, apesar de em paralelo desenhar a série “Ric Hochet”, igualmente com umas dezenas de álbuns publicados, nunca as duas séries foram prejudicadas na sua apresentação e qualidade. Aliás, a longevidade de ambas, comprova bem isso.

“JERÓNIMO”, UM «COW-BOY» BRASILEIRO

Almanaque do JerónimoEvidentemente que se os nossos desenhadores criaram personagens do Oeste, nada mais natural que os artistas brasileiros fizessem o mesmo, não deixando de aproveitar o interesse que este tema sempre despertou nos jovens leitores de então. Assim, também criaram vários “cow-boys”. É claro que não iremos falar deles todos. Escolhemos “Jerónimo” por ser a figura mais representativa e também a de maior sucesso, se considerarmos o número de revistas publicadas com as suas aventuras. Estas não se passavam verdadeiramente no Oeste e sim, no Sertão brasileiro.

“Jerónimo” foi criado por Moysés Weltman para a Rádio e, mais tarde, adaptado por Edmundo Rodrigues para as Histórias aos Quadradinhos, em Abril de 1957, para a Rio Gráfica e Editora. Milton Rangel fazia a voz de “Jerónimo” na Rádio e “Moleque Sacy”, era a voz de Cahuê Filho.

JerónimoA série na Rádio iniciou-se em 7/12/53. Em 1961 (8º ano), mais de 1500 capítulos já tinham sido transmitidos. A revista seria um êxito também e manteve-se, depois do seu lançamento, com uma periodicidade mensal. “Jerónimo” seria publicado durante mais de 7 anos, embora os últimos números já não fossem desenhados pelo seu autor inicial. O último número que se conhece da revista é o 93, datado de 1965.

“Jerónimo” viria a ser relançado pela Bloch, em formatinho, em Janeiro de 1980, a cores, com a republicação de histórias de Edmundo Rodrigues, dos quais saíram 3 números. A personagem teria direito também a uma série de TV (durante um ano e meio), discos e a um filme de longa-metragem.

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6 Comentários

  1. Jeronimo foi o meu principal herói (pelo Rádio) por toda a minha infância.
    Não perdia um capitulo de suas aventuras trasmitidas pelas ondas do rádio.
    Saudades de Jeronimo, saudades de minha infância.
    AMoreira.

  2. Grande José Carlos!
    Eu era menino, meu avô tinha um rádio enorme. Para você ter uma idéia do seu tamanho do rádio, as válvulas tinham o tamanho de uma garrafa pequena de Coca-Cola. E era nele que ouvíamos, entre chiados e zumbidos, as aventuras de Jerônimo (o acento é o circunflexo), o Herói do Sertão, Moleque Saci e Aninha, a eterna noiva. Eram muitos os vilões, mas o principal deles, era o Caveira. Jerônimo era uma espécie de justiceiro , lutava com cangaceiros, não tinha nada com cow-boys e eu me orgulhava disso. Mesmo nos primeiros números da revista em quadrinhos da RGE, o herói tinha os traços do ator que o interpretava no rádio e usava peixeira à moda dos cangaçeiros (atravessada no cinto), infelizmente, com o tempo, seus revólveres foram ganhando a forma de Colts 45 e chegou ao ponto de se transformar em uma personagem do western. Quanto a Edmundo Rodrigues, um artista de primeira grandeza. Bons tempos, valeu e muito, sua postagem.
    Abraço,
    João Guilherme.

  3. JG.
    Não podemos esquecer de Maria Homem, mãe de Jerônimo que de vez enquanto aparecia nas história e também era boa de arma e de briga.
    Alías tenho na memória, até hoje, a letra e música tema do seriado.
    AMoreira.

  4. Este trabalho fantástico do Carlos Gonçalves, recordo para quem não sabe, foi publicado em 2001 no seu Fanzine, ou seja, antes do advento da Internet, por isso é de louvar e realçar ainda mais este trabalho baseado sobretudo na própria colecção do Carlos Gonçalves, um dos maiores coleccionadores (e experts) de Banda Desenhada em Portugal, que como se pode ler na entrevista que concedeu ao blogue do Tex ( http://texwillerblog.com/wordpress/?p=9761 ) possui no seu acervo mais de 50.000 revistas portuguesas de Banda Desenhada e cerca de 20.000 revistas brasileiras, por isso o mérito desta postagem é todo do próprio Carlos Gonçalves.

  5. A novela JERÔNIMO, O HERÓI DO SERTÃO, iniciou em 07/12/1952. Deve ter ocorrido erro de digitação na ótima biografia digitada acima.

  6. Prezado Carlos Henrique, não duvido da sua informação, mas a própria Wikipédia diz “Jerônimo, o Herói do Sertão, foi criada em 1953 por Moysés Weltman para a Rádio Nacional” embora também se encontre informações que tal aconteceu realmente em 1952.

    Mas como no texto original do Fanzine “A Conquista do Oeste” consta 1953 e nós aqui no blogue apenas transcrevemos, vamos deixar essa data por respeito à fonte.

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