Evolução ou perda de identidade?

Artigo de Sérgio Sousa*

Evolução ou perda de identidade?

Falando de BD, a década de oitenta foi muito especial para mim! Talvez a mais rica de todas. As papelarias eram inundadas pelas publicações, muitas delas semanais: O FALCÃO, XERIFE, CONDOR, O MUNDO DE AVENTURAS, FAÇANHAS DO OESTE, SIOUX, CARAVANA DO OESTE, entre muitas, muitas outras.

Apesar da quantidade e diversidade disponível, no seio de todas publicações, existia uma outra, que me chamava particularmente à atenção. À primeira vista, pela grossa lombada! A maioria das revistas possuía entre 32 e 64 páginas, esta a que me refiro, ultrapassava normalmente a centena, e nas edições apelidadas de especiais, era frequente ultrapassar as duzentas páginas. Refiro-me a TEX, edição brasileira, que era, e continua a ser, distribuída em Portugal. Se fruto da primeira observação o que se destacava era o volume da revista, após a leitura, percebia-se facilmente, que a qualidade das histórias, em que se incluía a parte gráfica, com argumentos bem elaborados e desenvolvidos, que contrastavam abissalmente com as outras publicações, demasiados simplistas, eram os pontos fortes da publicação.

Vítima de uma bem orquestrada intriga, Tex é acusado e condenado, a vinte anos de prisão, na penitenciária de Vicksburg. Não satisfeito com a condenação, um misterioso personagem, cuja identidade só viria a ser revelada nas últimas páginas, que ambicionava apoderar-se das jazidas de ouro e prata, existentes na reserva Navajo, tenta por todos os meios livrar-se daquele que considera ser o único obstáculo para a realização dos seus intentos. As tentativas para eliminar o agente indígena sucedem-se vertiginosamente, umas a seguir às outras. O fracasso de cada uma, leva o homem na sombra a planear uma nova, com novos elementos. Durante um terço da história, Tex e os seus pards limitam-se a reagir, impotentes para contra-atacar. Somente quando Carson conhece Clem, o homem que lidera os índios que caçam sem piedade os fugitivos da penitenciária, surge a oportunidade de descobrir os conspiradores.

Tex Willer atrás das grades, na cela da morte da terrível penitenciária de Vicksburg. Desenho de Claudio Villa inspirado na aventura “A Grande Intriga” de Gianluigi Bonelli e Erio Nicolò

A grande Intriga 1” é o título desta história, um excelente exemplo de argumento bem estruturado e complexo, composto por diversos episódios, que só por si, poderiam resultar em histórias isoladas. Bonelli têm nesta história um dos seus melhores desempenhos, escrevendo uma aventura épica, que todos os texianos deveriam conhecer, em que ao longo de mais de quinhentas páginas, são abordados assuntos tão interessantes como contemporâneos: corrupção, abuso de poder e tráfico de influências.

Confesso a minha preferência por histórias mais longas! Histórias que preenchem duas ou três centenas de páginas, que permitem um desenvolvimento mais aprofundado dos argumentos e que fazem parte da fórmula de sucesso de Tex Willer. Permitem também a inclusão de pequenos episódios, por vezes de humor ou de suspense, que em muito enriquecem as tramas.  “A cruz trágica”, “Missão em Great Falls”, “O solitário do oeste”, “A patrulha perdida”, “A grande ameaça”, “O assassino sem rosto” e “Chamas de guerra”, são outros bons exemplos deste tipo de histórias.

Tex é uma publicação popular, para as massas, que apesar de ter sofrido alterações no formato, desde a sua criação em 1948, foi sempre considerada uma revista de preço acessível, com uma boa relação qualidade/preço. Ao contrário dos enredos que, como já referido, são bastante desenvolvidos, existe pouco desenvolvimento psicológico dos personagens, incluindo dos protagonistas. Outros fatores que poderão ter contribuído para o sucesso de Águia da Noite: ser uma publicação a preto e branco, o que sempre permitiu um preço mais reduzido! Existir uma seleção criteriosa de desenhadores e argumentistas por parte do editor, como Fábio Civitelli que foi recrutado da equipa de Mister No, ou Rafaelle Della Monica, da de Zagor. Não menos importante, o facto de o personagem sempre se manter fiel ao imaginado por Gianluigi Bonelli! Aspeto que Sergio Bonelli nas funções de editor, nunca prescindiu, tendo inclusive atribuído o crédito das primeiras histórias de Nizzi a seu pai.

Evolução ou perda de identidade?

staff responsável pela criação das histórias é, sem dúvida, um dos pilares do sucesso! Para perceber essa importância basta verificar que durante a fase, que muitos consideram de maior fulgor do personagem, entre meados da década de sessenta e o início da década de oitenta, o staff de Tex estava claramente definido. O que está muito longe de acontecer nos dias de hoje, com sistemáticas entradas e saídas! Gianluiggi Bonelli e Guido Nolitta eram os responsáveis pelos argumentos! Aurelio Galleppini, Guglielmo Letteri, Ferdinando Fusco, Erio Nicolò e Giovanni Ticci assinavam a quase totalidade dos desenhos, sendo auxiliados por diversos outros desenhadores, que ajudavam a cumprir prazos, desenhando cenários, vinhetas e mesmo pranchas, mas muito raramente, histórias completas. Excluindo os desenhadores referidos durante este longo período, apenas Virgilio Muzzi desenhou histórias completas, mas sempre com o rosto do personagem a ser da responsabilidade de Galep. Esta fabulosa equipa produziu a maioria das histórias que hoje são consideradas clássicas! Graças à pródiga imaginação dos escritores e também, quem sabe, graças à liberdade que lhe era conferida, por não existirem limites ao número de páginas por história, o que possibilitava dedicação exclusiva ao seu desenvolvimento.

Apesar do reconhecido sucesso do personagem, com inúmeras edições em banca, incluindo republicações, publicado em diversos países e continentes, que tem ganho novos mercados, desde o sucesso da COLLEZIONE STORICA A COLORI em 2007, com a republicação de todas as histórias de Tex em cores, a SBE tem vindo a introduzir mudanças drásticas nas diversas publicações do personagem. Num curto período de quatro anos, todos os pilares que constituíam a base do sucesso do personagem, ao longo de mais de seis décadas, são abalados! As histórias longas, o preto e branco, a BD popular, o formato bonelliano e a equipa selecionada de desenhadores e argumentistas. Nada é sagrado! Em 2011, surge o primeiro número de COLOR TEX e dois anos depois, em 2013, são introduzidas as histórias curtas, de 32 páginas, nessa mesma coleção. Já este ano, é publicado em Itália, “L’eroe e la legenda”. Uma nova e luxuosa coleção, cujo primeiro número é de autoria de Paulo E. Serpieri! É a entrada do personagem na chamada BD de autor, em que ao artista convidado é concedida quase total liberdade na interpretação do herói. Também este ano, é anunciado o fim de ALMANACCO DEL WEST, sendo substituído por TEX MAGAZINE, que incluirá uma história curta de 32 páginas e mais uma novidade: histórias de 78 páginas! Nos próximos anos, até a hipótese de crossovers ficcionais, entre Tex e Zagor e/ou Tex e Ken Parker, poderão ser uma realidade. Opção esta sempre rejeitada por Sergio Bonelli.

Capa da última edição do Almanacco del WEst, publicação que será substituída pelo novo Tex Magazine e que passará a incluir duas aventuras, uma curta de 32 páginas e outra de 78 páginas

Obviamente que as mudanças são necessárias e sempre existiram no passado na série, mas nunca tão radicais como atualmente.

Na segunda metade da década de oitenta entraram, num curto intervalo de tempo, diversos desenhadores para a série: Fabio Civitelli 1985, Jesus Blasco e Claudio Villa 1986, Raffaele della Monica e Alberto Giolitti 1989. Em 1988 foi lançado o ALBO SPECIALE, uma nova coleção de Tex, cuja intenção era apresentar apenas desenhadores convidados, sendo o primeiro Guido Buzzelli. Alguns deles, depois de aprovados nesta “prova de seleção”, passaram a integrar o staff oficial, como José Ortiz, Aldo Capitanio, Alfonso Font e Victor De La Fuente, só para referir alguns. Em 1991 é publicada em Itália a história “Oklahoma!”, de autoria de Giancarlo Berardi, criador de Ken Parker, com desenhos de Guglielmo Letteri. Seis anos mais tarde, a SBE lança “Il cacciatore di fossili” como nº 2 de MAXI TEX, originando assim mais uma publicação anual, apresentando apenas histórias completas. ALMANACCO DEL WEST surge em 1994, “La ballata di Zeke Colter” conta com a arte de três desenhadores convidados, Renzo Calegari, Luigi Copelo e Stefano Biglia.

Na segunda metade da década de noventa, na série mensal, as histórias passaram a ser fechadas em blocos de 110 páginas, sendo a maioria constituída por 2 ou 3 blocos. Esta alteração resolveu o problema de as histórias se iniciarem e concluírem em qualquer ponto da revista, como acontecera até à altura. Em minha opinião, criou um mais grave, que ainda hoje perdura! O fim abrupto de algumas histórias ou o “esticar” de outras, com diversas pranchas desnecessárias, com o único fim de fechar o bloco de páginas. Em fóruns e blogues sobre o personagem é usual encontrar comentários de leitores a mostrarem o seu descontentamento, perante a maioria das histórias atuais, devido a estes aspetos.

Em 2007 houve uma pequena revolução no staff de desenhadores texianos, quando Guido Nolitta anunciou a entrada de quinze novos desenhadores, alguns deles, não é do conhecimento geral, se de facto ainda integram a equipa, como Marco Torricelli ou os irmãos Cestaro.

Estas foram, talvez, as alterações mais significativas que ocorreram nas duas últimas décadas. Mas foram introduzidas bem desfasadas no tempo, permitindo  aos responsáveis avaliar as consequências de cada uma, antes de proceder à alteração seguinte.

Coloca-se então a questão: Porquê uma reforma tão profunda nas publicações e no staff texiano?

L’eroe e la legenda de Paolo Eleuteri Serpieri

Questionados sobre o assunto, os colecionadores portugueses, obtiveram-se respostas tão interessantes como contraditórias! Sobre a nova coleção de Tex, Mário Marques, um dos fundadores do blogue do Tex e colecionador há mais de trinta e cinco anos, considera-a como opção estratégica da SBE, para entrar em novos mercados: “…vejo-a como uma entrada notória no mercado francês, pois o formato é em todo igual e os autores são ali conhecidos. Depois de Serpieri prevê-se Mario Alberti e Giulio De Vitta, dois autores que trabalham habitualmente para o mercado francês…”. A expectativa criada em observar uma versão alternativa do personagem, por um desenhador consagrado em outros mercados, como Serpieri, pode de facto criar a oportunidade de entrada nesses mercados ou atrair outra gama de leitores, em mercados já existentes. Sejam cativados pelo desenhador ou pelo luxuoso álbum. No entanto, a grande maioria dos fãs de Tex são conservadores, que já ultrapassaram os quarenta anos, e poderão não ficar muito agradados com uma versão do personagem tão “distorcida” dos últimos modelos seguidos: Villa e Ticci! Olímpio Constâncio, colecionador de Tex há mais de 30 anos, alinha por esta forma de pensar: “…não vejo o nosso personagem Tex. Vejo um cowboy qualquer, de cabelos longos e traços faciais desconhecidos, que apenas se assemelha pela cor da camisa…”.

O COLOR TEX é claramente uma aposta ganha! O sucesso de COLLEZIONE STORICA A COLORI é a garantia! Já a introdução de histórias curtas, quer em COLOR TEX, quer em TEX MAGAZINE é mais difícil de gerar consensos. José Eduardo Monteiro, nascido em 1957, sobre as novas coleções de Tex: “…O equilíbrio entre histórias curtas e mais longas é positiva para a série e para os leitores, inclusive, para a introdução de leitores mais jovens, para quem muitas páginas é um obstáculo…”. Para o José estas alterações também são estratégicas! Considera, no entanto, que o objetivo é chegar às gerações mais jovens, segundo ele, cativando-as com a simplicidade dos textos. Já Olímpio, que aparentemente é mais tradicionalista, é totalmente contra: “…as histórias serem ricas em conteúdo, muito diferente da maioria, pelo que colocar toda essa riqueza e detalhe em histórias curtas seria impossível, e cortar o número de páginas é cortar substância às histórias…”.

Evolução ou perda de identidade?

entrada massiva de desenhadores e argumentistas, que se perspetiva nos próximos anos, é outro dos aspetos que aparenta dividir os colecionadores, um pouco por todo o mundo. O Mário discorda do termo: “…Não há uma política de entrada massiva de desenhadores. Entram conforme os ditames do mercado. Se este pede cada vez mais produtos…”. O Sérgio Bispo, colecionador há quase três décadas, vê esta entrada como positiva, discordando apenas, da quantidade: “…vai fazer revitalizar o personagem dando novas perspetivas, mas sendo de opinião que o personagem deve ter um núcleo pequeno selecionado e perspicaz, tanto a nível de desenho como de argumento.”

Apesar da divergência de opiniões, certamente que a grande maioria concorda que, na atualidade, é impossível manter a quantidade e qualidade das publicações em banca com um lote tão restrito de autores, como foi feito no passado. Especialmente se forem desenhadores! Mas será necessária uma equipa tão vasta? Na minha opinião, existem duas grandes desvantagens de integrar, num período curto, um número tão elevado de desenhadores:

Os desenhadores precisam de tempo para se adaptarem ao género, isto se vierem de outro tipo de histórias, que não o western, mas também ao personagem. Ticci, por exemplo, só na terceira história que desenhou, “A cruz trágica 2”,  parece ter completado a integração, no universo texiano. Mais recentemente, os irmãos Cestaro, apenas com “Lo sceriffo indiano 3” vislumbramos “o verdadeiro Tex”, destes magníficos desenhadores. Curiosamente, também na terceira história por eles desenhada! Nas duas primeiras eram claramente visíveis as influências de Villa!

Assim, para aqueles desenhadores que vão apenas desenhar uma ou duas histórias, por muita qualidade que tenham, provavelmente não visualizaremos as suas verdadeiras versões para o personagem, mas apenas uma cópia do modelo que resolverem adotar. A segunda grande desvantagem é que, com a enorme quantidade de desenhadores existentes, aqueles que são os nossos preferidos terão cada vez menos trabalhos publicados. Tomando como exemplo Civitelli e Ticci, dois que atualmente considero mais importantes para a série, pela qualidade, pelo tempo de dedicação e pelo número de trabalhos publicados: Fabio Civitelli esteve, praticamente, quatro anos sem ver uma história sua publicada, entre a conclusão de “La grande sete 4” Agosto de 2009 e o TEX ALBO SPECIALE Nº 27, em Junho de 2013. Quanto a Ticci, a última história publicada foi “Lo sciamano bianco 5”, em Agosto de 2013 em COLOR TEX Nº 3, e a próxima, da autoria de Pasquale Ruju, com título ainda desconhecido, nunca será publicada antes de Março de 2016.

O Tex de Alfonso Font

Grande parte dos leitores, especialmente os mais jovens e os que acompanham a série há poucos anos, poderão considerar que estas mudanças são obrigatórias e que o personagem tem de se adaptar às novas gerações, ou que, simplesmente, tem de evoluir. Evolução implica passar de uma fase para a fase seguinte, mas não me parece que seja o que está a acontecer. Não se passou do preto e branco para o colorido, assim como, não se passou para as histórias curtas, abandonando as longas. Na prática, a SBE pretende ter um produto e uma variante, cativando assim todos os leitores, a quem é oferecido um personagem, apresentado de diversas formas, numa clara tentativa de “agradar a Gregos e Troianos”. Além do TEX e MAXI TEX, que se mantêm praticamente inalteráveis e continuam a respeitar os princípios que tornaram a série um sucesso, surgem novas coleções, que se juntam ao ALBO SPECIALE, como COLOR TEX, TEX MAGAZINE e TEX ROMANZI A FUMETTI, em coleções claramente divergentes desses princípios.

Afinal quem será Tex no futuro próximo? Será que com todas estas alterações o personagem manterá a identidade? Será que bastará uma camisa amarela ou a vestimenta de Águia da Noite para a manter? Este aspeto parece preocupar o Mário, apesar de ser recetivo às alterações em curso: “…Qualquer evolução, sem desvirtuar a série, a sua essência e os seus códigos genéticos, é positiva.”. Também o Olímpio tem esta preocupação e consegue expressá-la, de uma forma bastante clara, através desta curiosa e interessante analogia: “…Tudo é bem vindo e assim alcança um público maior, fornecendo Tex para todos os gostos, mas mudar a receita original e manter o mesmo nome é que não. Não podemos substituir a maçã por pêssego numa tarte e continuar a chamar-lhe tarte de maçã.

Identidade não são apenas os traços fisionómicos, a cor da camisa ou o porte físico. Identidade também são as expressões utilizadas, o comportamento perante as diversas situações ou os princípios defendidos. Preservar a identidade, não somente de Tex, mas também dos seus “pards”, poderá ser o grande problema das alterações em curso, especialmente da existência de uma equipa tão vasta de escritores e desenhadores, responsável pela produção das histórias! Solucionar este problema poderá ser o catalisador que transforma estas mudanças em evolução.

Consegui-lo-á a SBE?

Os pards por Aldo Capitanio

NOTAS:
1 Originalmente publicada em 1972, escrita por Giovanni Luigi Bonelli e desenhada por Erio Nicoló. Publicada pela primeira vez no Brasil em 1980 e que ocupa quatro edições da colecção Tex, entre o número 107 e 110.
2 História de G.L. Bonelli, com a arte de G. Ticci, publicada pela primeira vez, no Brasil, nos números 50, 51 e 52 de TEX.
3 No Brasil intitulou-se: “O xerife índio”, publicada nos números 483 e 484, de Tex, em Janeiro e Fevereiro de 2010
4 Publicada no Brasil em Maio e Junho de 2010, na revista TEX 487 e 488, com os títulos: “A grande sede” e “Jogos de poder
5 No Brasil, “O xamã demoníaco” em TEX ESPECIAL COLORIDO Nº 3

* Texto de Sérgio Madeira de Sousa publicado originalmente na Revista nº 2 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2015.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima clique nas mesmas)

4 Comentários

  1. Pard Sérgio Sousa, o seu artigo toca num aspecto crucial para quem lê as histórias de Tex, que é a personalidade do personagem. Já escrevi aqui que o desenhista de Zagor Ferri disse em uma entrevista que Tex se parecia muito com o seu criador Gian Luigi Bonelli, um sujeito decidido, com idéias claras do que acha certo e que entra em ação rapidamente, sempre buscando ajudar aqueles que estão em dificuldades.
    Muitos dizem que Zagor e Ken Parker são mais humanos por serem psicologicamente mais reflexivos, mas isso não é verdade, pois quem leu Tex desde o nº1 “O Signo Da Serpente“, sabe que Tex erra, é ferido, torturado e preso; o fato de Tex ser mais fechado e muitas vezes ser lacônico, demonstra justamente que ele tem uma personalidade diferente de Zagor e Ken Parker, todos perfeitamente humanos, mas que reagem e tomam decisões muitas vezes diferentes para as dificuldades que aparecem, e é a diferença de personalidades que os torna humanos; e faz a diferença das publicações Bonelli, onde tem personagens que psicologicamente muitas vezes tomam decisões diferentes, mostrando perspectivas diferentes.
    Quem quer um personagem diferente do Tex de Gian Luigi Bonelli está no seu direito, mas que não se tente mudar Tex, e sim leia outros personagens, pois certamente há opções para agradar a todos.

  2. Como leitor não somente de Tex, mas de outras bandas desenhadas – europeias, americanas e japonesas, posso concluir que o principal estão conseguindo manter: histórias de alta qualidade. Mas é fato que o Tex mudou um pouquinho desde o Gian Luigi Bonelli. Seu Tex era um personagem de pavio curto e irônico. O Tex do Boselli é um pouco mais calado e falta o senso de humor tão presente na fase do Nizzi. O que caiu bem como um “Tex mais velho e experiente”. É também natural haver essas pequenas mudanças de um roteirista para o outro. Entretanto sinto que o caráter, o mais importante, se mantém.

  3. Noutro dia comentei sobre o assunto, mas os tempos mudaram, os desenhistas mudaram, os roteiristas mudaram. Era inevitável.
    O único que não MUDOU foi o senso de justiça de Tex…
    Mas…
    Vamos em frente…

  4. Bela matéria. Os meus respeitos ao autor. Sobre a evolução, é notória e real, inevitável. Em termos comparativos ficamos preocupados se nos debruçamos sobre duas revistas, uma antiga e uma atual, mas fazer o quê se tudo muda, se os criadores não estão mais e o timão está nas mãos de outros? Os problemas existem, mas onde não existem? O importante é que o Tex está gigante nesse momento – muitas publicações – e consigo me envolver numa história com entusiasmo, pois não entro para comparar ou julgar, mas para cavalgar junto do meu herói.

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