As Leituras do Pedro: Dragonero – Orígenes

As Leituras do Pedro*

Dragonero: Orígenes
Luca Enochi
e Stefano Vietti (argumento)
Giuseppe  Matteoni (desenho)
Paolo Francescutto (cor)
Panini Comics
Espanha, Outubro de 2018
195 x 259 mm, 320 p., cor, capa dura
25,00 €

Regressei a Dragonero.
Algo inesperadamente, devo dizer, não é esta verdadeiramente a minha praia. Mas regressei para descobrir – com agrado – que havia vida para lá de A (tal) Primeira Missão. Melhor, que havia vida(s) antes dela.

E que esta aventura ‘inicial’ de Ian e Gmor é uma conseguida introdução a um mundo fantástico, misterioso e desafiante. E, como tal, um bom complemento do livro que a Levoir incluiu na sua colecção Bonelli. Apesar de, atrevo-me a escrever, haver alguma contradição entre eles. Mas já lá vou.

Na origem de Orígenes – é propositado! – está a recorrente base deste tipo de narrativa, passe-se ele na ficcional Erondar, no Oeste Selvagem ou em qualquer outro universo: um perigo maior obriga a juntar uma equipa multi-tarefas para o poder enfrentar – e preferencialmente vencer.


A cada membro – para lá de eventuais discordâncias e choques – pede-se que dê o melhor de si e que complemente os outros para que, onde um falharia, seis – no caso presente – possam ter sucesso.
São eles Ian, ex-militar caído em desgraça e actual agente para missões difíceis, Gmor, o ogre erudito – os dois que a Levoir já nos apresentou, ‘enganadoramente’ pela primeira vez, já que aqui descobrimos (lá está!) que afinal se conheciam desde criança -, Alben, o mago que tudo vê e sabe e aglutina a equipa, Ecuba, a monja guerreira que o serve, Myrva, irmã de Ian e membros dos tecnocratas, e Sera, a pequena elfa botânica.

Em Orígenes, perante o recrudescer da ameaça das forças do mal do outro lado da Grande Muralha que divide o território, cientes já dessa ameaça, assistimos aos seus sucessivos recrutamentos, às missões que, separadamente, devem cumprir e, após a reunião de todos, ao confronto final cujo prémio é a salvação – ou a perdição – do mundo de Erondar.


Se a base é conhecida, se as personagens são reconhecíveis – o que não é o mesmo que estereotipadas, embora todas elas sejam, mais ou menos, estereótipos, mesmo que apresentados com características próprias, opiniões díspares e atitudes nem sempre segundo o(s) canône(s) – na forma como é narrada a história está (toda) a diferença.

E Orígenes distingue-se pela sua força narrativa, em que texto e imagem se fundem  para proporcionar não só uma conseguida aventura épica, mas também o abrir de uma porta para um mundo imenso, de que conhecemos uma parte ao longo destas quase 300 pranchas de BD, mas onde ainda haverá muito mais por acontecer.

A edição da Panini espanhola, nesta sua aposta nas edições Bonelli, é mais uma vez muito boa, com papel de gramagem elevada, uma consistente capa dura e uma muito boa impressão, o que faz realçar quer o belo desenho muito realista de um mundo fantástico, quer as cores vibrantes e muito conseguidas que o vestem.


Se a aposta da Levoir – encarada no âmbito de uma colecção obrigada a gerir número total de páginas e por edição e a equilibrar livros a cores e a preto e branco – fez todo o sentido, a verdade é que descobrir Dragonero desta edição, proporciona inegavelmente uma outra visão e apetência.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

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