SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 5

Por Saverio Ceri [1]

Quinto encontro dedicado à retrospectiva das capas de Tex Classic, colecção quinzenal italiana que republica, a cores, as aventuras do Ranger criado por G.L. Bonelli.

Com a sua camisa vermelha, Tex ocupa o centro da cena na quinta capa. Aquela camisa “não regulamentar”, que se usada numa das capas actuais, faria o mais fanático dos adeptos de Tex gritar em escândalo (hoje é problemático mudar as cores, Tex deve ter sempre camisas amarelas!), à época era normal vê-la em capas, já que essa roupagem texiana, destacava-se bem contra os fundos geralmente amarelados das primeiras capas no formato stricia (talão de cheques).

De facto, na época dos Albi d’oro, na redacção Bonelli não se preocupavam sequer que o protagonista devesse comparecer em todas as capas, muito menos que fosse imediatamente reconhecível. Somente mais tarde é que foram afinados alguns expedientes na composição de uma capa bonelliana, de modo a tornar mais visível, para o comprador, o protagonista, deixando-o sempre em evidência com um look imutável e pondo o logótipo no alto à esquerda, ao lado ou no limite, sob o título, uma situação sem precedentes relativamente às capas anteriores, mas também com as de quaisquer reimpressões vendidas nos quiosques italianos naquela época.

Tudo isto no tempo das striscias ainda não era aplicado, consequentemente não era incomum encontrar duas capas consecutivas que narravam uma cena muito semelhante, como por exemplo uma luta num bar, como neste caso.

Tex Classic #5 – Sangue sulla frontiera

Nesta nova colecção de republicações, o problema das aparências passa para segundo plano, ou melhor a Editora Bonelli preferiu, sempre que possível, manter inalterada a imagem original, tendo em conta que o protagonista da série é bastante intuitivo graças ao inconfundível logótipo que ocupa boa parte da capa. E assim sendo, que se use a camisa vermelha, como foi usada na capa original… ou quase, já que a endossada por Águia da Noite na capa do nono Albo d’oro (Outubro de 1952) é mais alaranjada do que vermelha. Capa a qual pode ser admirada em todo o seu esplendor e fascínio vintage, graças à imagem retirada do sítio internet www.collezionismofumetti.com

Albo D’oro Tex #9

A capa deste nono Albo d’oro, narra uma situação similar àquela do vigésimo quinto volume em tiras, datado de 13 de Março de 1949, mas… triplicada a dimensão da imagem, triplicados os adversários: três patifes prontos a porem as mãos no nosso protagonista, mas sempre menos perigoso do que enfrentar o único pistoleiro solitário da capa de L’estrella de Rio que pode ser vista de seguida:

Collana del Tex – Série I – nº 25 – “L’estrella de Rio”

Na realidade, graficamente, a imagem com a qual estamos a ocupar-nos agora é claramente inspirada em duas outras capas das striscias de Tex de 1949. A pose de Tex e do seu oponente mais próximo vêm directamente da capa da edição nº 39, que vemos abaixo. Em sequência, a versão à venda na época nos quiosques italianos e o desenho original de Galep antes da colorização na gráfica:

Collana del Tex – Série II – nº 39 – “Agguato al Passo di Tula”

Collana del Tex – Série II – nº 39 – “Agguato al Passo di Tula” – Arte original de Galep

A pose preocupada da garota do saloon, atrás de Tex é tirada da décima quinta striscia de Tex. Observe-se, no entanto, como em poucos anos se passa dos ombros nus das duas senhoras, das tiras de 1949, para os ombros estritamente cobertos da protagonista da capa de 1952. O selo da Garantia Moral ainda não aparece, mas já se intuí o advento iminente.

Voltando ao tema do “traje típico” do Ranger, num dos próximos apontamentos, também encontraremos espaço para conversar sobre a primeira aparição da mítica, institucional, camisa amarela.

Collana del Tex – Série I – nº 15 – “Uno contro cinque”

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rúbrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 18/05/2017; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2017, Saverio Ceri

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