O regresso de Nathan Never ao Brasil, agora pela Editora Graphite é destaque no Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

Nathan Never: o futuro em formato “fumetti”

Texto do Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

4 de Março de 2020

Por Rodrigo Fonseca

Celebrando vitórias recentes no âmbito da cultura, como o sucesso de bilheteria de “Pinóqui” e a conquista de dois prémios importantes no Festival de Berlim (a láurea de melhor roteiro para “Favolacce” e a de melhor ator para Elio Germano, por “Volelo Nascondermi), a Itália se prepara para expandir seus domínios sobre as bancas, livrarias e (as poucas) gibiterias do Brasil com a ajuda de seu herói intergaláctico: o investigador Nathan Never.

Depois de publicar “Brad Barron” em solo nacional, a Editora Graphite publicará o vigilante futurista da milanesa Bonelli Editore seguindo a numeração italiana desde o primeiro número, em formato 17X23cm, com 336 páginas em seu preto e branco estilizado e irrigado de chiaroscuros (com 24 páginas extras em cores). Este primeiro volume (que está sendo viabilizado via financiamento coletivo pelo site catarse.me/nn1) garante ao leitor brasileiro as três primeiras edições originais de Never, confeccionadas em Milão, agora com tradução de Paulo Guanaes.

Para o leitor que deseja um complemento à trama, haverá mimos ensaísticos no gibi, como uma coluna de artigos, cujo nome é “Arquivos Alfa”, escrita por Edgar Smaniotto. O editor do projeto é Wagner Macedo, um ninja do setor. Há tempos, a Bonelli mantém seus pés fincados no Brasil pelas páginas do Oeste selvagem de Tex e Zagor, além do thriller com “J. Hendall – Aventuras de uma Criminóloga” e do terror com “Dylan Dog”, lançados por aqui pela Mythos.

“Nathan nasceu do nosso interesse em investigar como seria o Amanhã neste mundo em plena transformação, mas preservando imperfeições inerentes à condição humana”, disse ao P de Pop o roteirista Antonio Serra, um dos pais de NN, em uma vista à Bonelli, em 2005. Ele criou o mais aguerrido operativo da Agência Alfa em parceria com dois conterrâneos seus da Sardenha, Michele Medda e Giuseppe Vigna em 1988. Três anos depois, Never chegou às bancas, cheio de influências do filme “Blade Runner” (1982). ” A gente via o futuro com um romantismo que já não existe mais”, lembra Serra.

Nos enredos de Serra e de outros elementos dos fumetti, Never usa engenhocas científicas – e doses certas de raio laser – para debelar o mal, em um momento no qual a Terra terceirizou a segurança pública. Agências como a Alfa são contratadas a peso de ouro para proteger cidadãos que pagam por proteção. Litros de chuva ácida empapam os caminhos pelo qual Never se esgueira em prol de uma particularíssima noção de Justiça.

Copyright: © 2020 Rodrigo Fonseca & Estadão, Brasil

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