As Leituras do Pedro: Tex Gold #1: O profeta indígena

As Leituras do Pedro*

Tex Gold #1: O profeta indígena
Claudio Nizzi
(argumento)
Corrado Mastantuono
(desenho)
Salvat
Brasil, Abril de 2017
175 x 260 mm, 232 p., cor, capa dura
R$ 9,90

Forma, outra vez

poucas semanas coloquei a pergunta: “O que é mais importante: a forma ou o conteúdo?” e dei (um)a resposta. Permitam que volte ao tema e (até) me contradiga – ou talvez não…

Este é o primeiro volume do coleccionável que a Salvat achou por bem dedicar a Tex no Brasil. Uma colecção que retoma algumas das grandes aventuras do ranger, apresentando-as sob um determinado padrão: em edições de capa dura, com bom papel e a cores, num formato superior ao italiano e um pouco maior do que os Tex Gigante. E com um preço agradável – quando comparado a edições soltas similares – por via da sua inclusão numa colecção de longa duração.

A questão em relação a este O profeta indígena, que certamente se poderá estender a (muitos) outros (dos 60) títulos desta edição da Salvat, tem a ver com o facto de serem edições a cores – coloridas em Itália aquando da sua republicação em colecções apresentadas com jornais – de uma obra – de várias obras – criadas inicialmente a preto e branco. Facto que se torna mais significativo, quando falamos de um autor como Corrado Mastantuono cuja arte brilha pelos enquadramentos ousados que repetidamente apresenta e pelos contrastes acentuados de preto e branco que aplica às suas pranchas e cuja importância e eficácia a aplicação da cor destrói ou reduz.

Para além disso, dado o traço agreste de Mastantuono, o seu ranger é um dos mais duros já publicado – Ortiz, Font e Kubert ficam-lhe à frente, mas poucos mais – e o seu preto e branco acentua o seu lado vingador e justiceiro e a forma inflexível como aplica a justiça. O que a cor utilizada nesta edição de O profeta índigena atenua.

Quanto à história em si, com todos os ingredientes habituais deste western, é longa, multi-facetada e com algumas surpresas e coloca Tex na pista de uma revolta índia, liderada por um jovem que acredita ter tido uma visão que o mostrava como restaurador da grandeza do povo índio e alimentada por traficantes de armas sem escrúpulos.

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Nota 1

Muitas vezes, a ‘forma’ perde sentido quando o mais importante é o preço, em função do dinheiro que o leitor/coleccionador tem disponível. Nesses casos formato original/formatinho, papel de boa gramagem/papel de jornal, capa dura/capa mole… perdem sentido. Ou quase. Ou não.

Nota 2
Cada vez mais – ou mais algumas vezes do que há um ano, ano e meio, é um problema da actual ‘fartura’ editorial em Portugal – ouço falar dos ‘problemas de espaço’ para guardar as edições de BD.

Nestes casos, uma diferença de alguns milímetros – podem chegar a quase 50 %! – podem influenciar a opção do comprador. Mesmo que a escolha seja entre edições de capa dura e bom papel ou capa mole e papel inferior…

Parece que afinal as respostas às questões relacionadas com as temáticas ‘forma’ e ‘conteúdo’ não são assim tão evidentes… No caso presente, a ‘minha edição ideal’ seria sem dúvida em capa dura e bom papel mas… a preto e branco.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro (http://asleiturasdopedro.blogspot.com/).

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

5 Comentários

  1. Concordo totalmente com você Pedro. Gosto muito das edições mais elaboradas, com capa dura e papel melhor, porém TERIAM que ser a preto e branco.
    Para mim TEX a cores não funciona. Perde um pouco da magia que encanta a todos os fãs há tantos anos.
    A própria editora Mythos vai iniciar uma nova coleção com capa dura porém infelizmente a cores… Porém se fosse a preto e branco com certeza faria parte de minhas coleções.

  2. Não tenho problema com as cores em Tex, mas sim com a colorização feita em desenhos concebidos para publicação em P&B. Gosto muito das edições semestrais coloridas do ranger, com arte original em cores.

    Acredito que preservar a arte original seja uma demonstração de respeito ao desenhista. Se for realmente o caso de colorir o trabalho posteriormente, o artista deveria ser chamado para supervisionar ou avalizar o processo de colorização.

  3. Será que essa coleção chegará até número 60? Acho que não.
    Acho que para no número 40 como foi Homem-Aranha Definitiva!

  4. A Salvat vai cancelar todas suas coleções, menos a de Tex. Isso mostra a força do ranger no Brasil.

  5. Dois pontos que gostaria de colocar.
    Gosto muito das cores que estão sendo colocadas nas Edições de Tex Graphic Novel publicadas no Brasil, inclusive uma com a arte de Mastantuono… elas foram desenhadas para serem coloridas… as cores estão lindas, não lembro agora o nome do colorista… enfim, papel bom, cores lindas, formato bom.
    Outro… como leitor de Tex, desde a década de 80 e desenhista de Hq há mais de 20 anos, vejo Tex desenhado para ser PRETO E BRANCO… não gosto das edições coloridas como das em PRETO e BRANCO…* (diga-se de passagem, tenho quase todas as coloridas, inclusive as da SALVAT…) mas Tex só deveria ser em cores as que de fato forem feitas para esse fim, que se mantenha a originalidade do PRETO E BRANCO.
    Saudações a todos.

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