Entrevista com o fã e coleccionador: Christiano da Conceição Ferreira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Christiano da Conceição FerreiraPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Christiano da Conceição: Meu nome é Christiano da Conceição Ferreira, moro em Arroio Grande, interior do Estado do Rio Grande do Sul no Brasil. Nasci no dia 6 de Fevereiro de 1973 e trabalho numa loja de produtos Agro-Veterinários.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Christiano da Conceição: Acredito que desde cedo comecei a gostar de banda desenhada, pois mesmo quando não sabia ler eu já gostava de olhar as figuras, pois muito cedo tive contacto com esse tipo de revistas através dos meus tios e alguns amigos mais velhos.

Quando descobriu Tex?
Christiano da Conceição Ferreira - Colecção - Foto 1Christiano da Conceição: Descobri Tex juntamente com Zagor, quando ganhei no final do ano de 1978 um pacote da minha mãe que continha duas revistas do Tex (nº 21- Os Renegados de Virgínia City e nº 89 – A Lei do Mais Forte), duas de Zagor (nº 5 – A Odisseia Americana e nº 6 – A Neblina Infernal) e mais uma de Ken Parker que não me recordo o nome, pacote esse que a minha mãe encomendou pelo reembolso postal e que me ofereceu, pois eu estava prestes a entrar para a escola primária e serviria para eu começar a aprender a ler e como os meus amigos tinham tais revistas eu as havia pedido de presente para a minha mãe.

Christiano da Conceição Ferreira - Colecção - Foto 2Porquê esta paixão por Tex?
Christiano da Conceição: Porque Tex sempre teve uma presença constante na minha vida, desde a infância mesmo em épocas que eu (quase todo mundo em determinado momento deixou) larguei ele um pouco de lado, já que mesmo eu  tive uma época em que passei a ler revistas de super-heróis Marvel, especialmente o Capitão América (todas as crianças tiveram seus momentos em que pensavam que eram um super-herói), mas que por vez retornava e lia alguma história de Tex e como as histórias de heróis começaram a se perder com a morte de determinado herói e depois a ressurreição dele novamente começaram a confundir e muito as histórias, de modo que quem deixava de ler por algum tempo quando ia ler uma história nova acabava não entendo mais nada. Paralelamente a isso Tex sempre seguia do mesmo jeito com histórias sempre bem elaboradas e sem nenhuma mudança drástica em seu universo.

Christiano da Conceição Ferreira - Colecção - Foto 3O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Christiano da Conceição: Exactamente porque Tex sempre é Tex, não modificou a sua estrutura, ganhou alguns amigos novos, perdeu alguns velhos mas nunca teve alguma transformação radical na personagem, o Tex que conheci quando tinha 5 ou 6 anos é o mesmo de agora que tenho 36. Mudaram os desenhadores e os argumentistas mas a essência ficou e sinceramente espero que isso nunca mude.

Christiano da Conceição Ferreira - Colecção - Foto 4Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Christiano da Conceição: Tenho pouco mais de 500 revistas de Tex e a que eu considero a mais importante é o Tex nº 32 (O Caçador de Criminosos) da primeira edição que é uma revista que está comigo em torno de uns 25 anos.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Christiano da Conceição: Colecciono apenas livros, não tenho o hábito de procurar outro tipo de objectos de Tex, mas se algum dia eu tivesse algum iria guardá-lo com a colecção também.

Christiano da Conceição Ferreira - Colecção - Foto 5Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Christiano da Conceição: Eu teria pelo menos umas vinte para citar, mas como tenho que optar por uma fico com o Tex nº 112 – El Muerto. Por ser um clássico, uma grandíssima história daquelas que parece que ao ler você está a ver um filme, tamanha é sua acção do inicio ao fim, com Tex e seus companheiros passando grandes dificuldades mas no fim acaba vencendo um duelo, que na minha opinião é o maior duelo das histórias em quadradinhos. O meu desenhador favorito é o Italiano Erio Nicollò, e quanto ao argumentista gosto muito do Guido Nolitta.

Christiano da Conceição Ferreira - Colecção - Foto 6O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Christiano da Conceição: Gosto muito do seu jeito humano, de sempre querer ajudar o mais fraco e nunca deixar um amigo em dificuldades. Gosto também de histórias em que o Kit Carson participa sempre dando uma pitada de humor nas aventuras, já o que eu não gosto são histórias que se desenrolam rápidas demais e sem trazer dificuldade alguma para o nosso Ranger, prefiro quando ele ou um dos seus pards caem nas garras de um adversário trazendo um pouco mais de drama às suas maravilhosas histórias.

Christiano da Conceição Ferreira - Colecção - Foto 7Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Christiano da Conceição: Só o facto de se manter há mais de 60 anos no mercado, já faz de Tex um ícone e sobretudo o facto de não mudarem essa fórmula de sucesso que já vem dando certo há muitos anos.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Christiano da Conceição: Não, aqui na minha cidade apesar de eu achar que tem bastante gente que leia Tex, não há esse tipo de contacto entre leitores, até porque hoje em dia muita gente que não tem acesso a este maravilhoso universo acha que ler revistas de banda desenhada é uma tolice. Mas vez por outra alguém me vê com uma revista na mão e aí faz a pergunta: “Você lê Tex?“.

Christiano da Conceição Ferreira - Colecção - Foto 8Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Christiano da Conceição: Para ser franco, ainda não pensei muito nesse assunto, mas acredito que mesmo com toda a tecnologia que existe por aí, computador, jogos de vídeo, Internet e TV a cabo entre outras coisas, o Tex continua firme por aí. Vejo no fórum do Portal TexBR que apesar de vários leitores veteranos há também vários jovens que gostam das aventuras do Ranger. Eu por exemplo que não comprava Tex já há alguns anos, tinha umas 50 revistas que já havia lido e re-lido umas dez vezes cada, voltei a interessar-me firmemente novamente por comprar, quando consegui uns scans de umas histórias que tinha vontade de reler, pois já tinha lido há muitos anos e daí em diante passei a pesquisar na Internet e comprá-las. Acho que o Tex vai durar muitos e muitos anos ainda.

Prezado pard Christiano da Conceição Ferreira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

4 Comentários

  1. Parabéns pela entrevista que nos faz conhecer mais um pouco a paixão pelo Tex e também a coleção do amigo, o Pard Guns.

  2. Parabéns pela entrevista e pela bela coleção, pard Guns (se não fosse o amigo Iranildo eu não saberia quem era). Você é mais um gaúcho da minha geração ( e ano, 1973) que é colecionador. Quem sabe um dia a gente se conhece pessoalmente.
    Grande abraço;
    Neimar.

  3. Só gostaria de deixar o meu agradecimento ao pard Zeca por esta oportunidade e de agradecer aos meus companheiros do fórum onde sou mais conhecido pelo nome de “Guns” por seus mais sinceros comentários.

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