TEX 565 – Bastidores da produção brasileira

Por Ezequiel Guimarães

Ezequiel Guimarães e os legendadores (letristas) Marcos Valério e Marcos Maldonado

Uma das motivações principais do ser humano chama-se paixão. No topo de um possível ranking as mulheres liderariam (com folga), como o principal motivo das paixões.  Mas também carros e futebol têm um grande apelo em todo o mundo. E também as artes, e entre elas, para o que nos interessa aqui, precisamente a 9ª!!!

Ela mesma, a falada arte sequencial dos quadradinhos! E como no futebol, Ela tem as suas estrelas. Nos relvados (no Brasil: gramados) as estrelas são normalmente os goleadores: quem marca os golos é mais visto, mais falado! Mas não é só dele que vive a equipa; aliás, se se chama equipa já quer dizer que é um grupo de pessoas, e não só um elemento. O que seria da equipa se só houvesse goleadores? Aonde iria a equipa sem defesas (zagueiros)? Sem guarda-redes (goleiro)? Sem os demais jogadores de outras posições que nunca marcam golos (ou raramente marcam), mas sempre estão em campo participando (construindo) das vitórias?

Assim como no futebol, nos quadradinhos também há as estrelas: normalmente desenhadores e argumentistas. Aliás, para algumas pessoas, as verdadeiras estrelas são os desenhadores: sem os seus belíssimos desenhos não existiriam as histórias, e o sucesso delas (para esses, mesmo se o argumento for fraco, não importa, o que vale são os desenhos). Para outros, de que valem os desenhadores se a histórias fossem ruins, e não tivessem um bom argumento central e bom roteiro? Para eles, a verdadeira estrela é o argumentista (podendo até os desenhos serem ruins).

Para outros, há a necessidade de ambos. Para esses, uma história não atinge o sucesso sem um belo desenho e bom argumento central/roteiro (nessa visão sobre as BDs, o universo bonelliano está bem representado há décadas, e em uma variedade grande de temáticas, e sub-temáticas).

Mas independente dessa ou daquela escolha por parte do leitor, os quadradinhos, como o futebol, funcionam somente em equipa. Se não tiver um grande número de pessoas trabalhando nos bastidores, para a história chegar à mão do leitor, de nada adiantaria ter um belo desenho e um óptimo argumento/roteiro: a história nunca chegaria a ver a luz do dia. Entre essas outras diversas pessoas da equipa, temos um grande leque de profissionais envolvidos, e entre eles, temos o editor, o tradutor, o copydesk e o… legendador (letrista)!

O legendador muitas vezes é esquecido. Tem pessoas que nem percebem que o nome do legendador vem no expediente da revista! Mas ele desenvolve um importantíssimo trabalho, pois sem ele a história seria muda, não haveriam os balões preenchidos, e a história não teria sentido (a não ser que a história fosse só de imagens, como são algumas; mas é uma parcela bem ínfima da produção de BDs. Ou algumas que, só as imagens, mesmo tendo texto, contam muito do enredo). Como a maioria (quase esmagadora) das histórias tem balões, sem o trabalho desse profissional, não haveria histórias para o público ler!

E nessa profissão, do trabalho extenuante de antigamente, onde borracha, cola e até gillettes e estiletes eram usados com frequência, os legendadores hoje também se adaptaram à evolução tecnológica, e usam software para executar o seu trabalho: preencher os balõezinhos das BDs. Recebem a página digitalizada em idioma italiano, ´limpam´ retirando o texto e depois inserem o texto em português, recebido do copydesk.

Aqui vemos, em plena actividade, dois grandes representantes desse importante trabalho: a afinada e competente dupla dos Marcos: a lenda viva Maldonado e o intrépido Valério, trabalhando em mais uma edição texiana, com o software InDesign.

Marcos Maldonado (com sua esposa Dolores Maldonado) estão há mais de 4 décadas se dedicando aos quadradinhos, e brilham com Tex deste o tempo da lendária e saudosa Editora Vecchi – Tex nº 110 – A Sombra do Patíbulo,  Tex nº 111 – Ao Sul de Nogales, e Tex nº 112 – El Muerto, foi a trinca de histórias do início da caminhada com o ranger, no início dos anos 1980. E que continua…

Por sua vez, Marcos Valério realiza seu competente trabalho há muito tempo com a Mythos, e conseguiu a grande façanha de legendar (letreirar)  todos (eu disse TODOS) os volumes da excepcional série Mágico Vento (do Mestre Manfredi). Tendo sido muito ajudado na ocasião pelo seu filho Renan e em algumas edições pelo Caio Lopes, filho do editor Dorival.

Hoje, além do InDesign, também trabalha com o Photoshop e pouco usa o rato (mouse) – trabalha bastante com a Mesa Digitalizadora da Wacom. E como o companheiro homónimo (Maldonado), actualmente também é ajudado pela esposa, Roseli Fermiano, na montagem, limpeza dos balões e colocação de textos.

Na foto abaixo, a dupla está realizando o trabalho em cima das pranchas digitais de Tex 565  INSIDIA NELLA NEVE (história com texto de Faraci e desenhos de Nespolino), que é o Tex que se encontra à venda nas bancas brasileiras.

Ruan, o simpático filho mais novo do Marcos Valério acompanha com atenção o trabalho do pai (estaria aí um futuro legendador texiano?).

Enfim, nem sempre lembrado com o devido merecimento, mas sempre presente nas edições que chegam às nossas mãos, os legendadores (letristas) executam um trabalho fundamental, importantíssimo.  A eles, nosso aplauso, respeito e agradecimento por tão nobre tarefa, brilhantemente executada.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

3 Comentários

  1. SIM! Tudo isto ACIMA! E mais…
    …e entre eles, temos o editor, o tradutor, o copydesk e o… legendador (letrista)!”
    Porque não se destaca nas revistas Tex (no caso) o capista? Também toda esta equipe citada!?
    Alem do Roteirista/Desenhista. Eles não estariam aquém.

  2. Sempre achei a arte do letramento muito interessante. Hoje fica bem mais fácil com todas as inovações tecnológicas, mas até pouco tempo atrás tinha que ter o pulso firme para colocar as letras nos balões em um trabalho que se iguala em relevância aos desenhistas e roteiristas. O bom disso tudo é saber que Tex passou por tudo isso e ainda continua abrilhantando os seus fãs. Vida longa à Tex!

  3. Bem observado Ivo. Realmente o capista deveria ter crédito em toda publicação. Não só em Tex, mas em toda produção de quadrinhos; bem como, em qualquer produto, que tivesse um trabalho de um ´capista´.

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