Entrevista com o fã e coleccionador: Cicero Linhares

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Cicero Linhares: Eu nasci em Nanuque, no estado brasileiro de Minas Gerais, aos 9 de Fevereiro de 1973. Actualmente exerço a função de professor de Biologia em uma escola estadual do ensino médio. Faço isso há quase 23 anos.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Cicero Linhares: O meu interesse começou por intermédio dos meus pais, mais precisamente da minha mãe que sempre gostava de ver os filhos lendo alguma coisa, então, quando ela saía para ir fazer compras, sempre dava um jeito de trazer um “gibi” como dizemos cá no Brasil. Então, desta feita, começou o meu interesse.

Quando descobriu Tex?
Cicero Linhares: Bem, em umas dessas viagens da minha mãe, sempre ela trazia gibis de personagens da Marvel e DC, que eram mais comuns e populares na época.Mas aí um belo dia, ela trouxe um gibi diferente: era preto e branco e as histórias envolviam paisagens do velho Oeste americano. Achei bastante interessante, então comecei a ler.

Porquê esta paixão por Tex?
Cicero Linhares: Já o meu pai sempre gostou de filmes de faroeste e nos finais de semana, acordávamos cedo para assistir algumas sessões na TV. Com isso fui criando o gosto por filmes de faroeste e também por Tex. Sempre que podia, ia comprando as revistas que via em banca. No entanto, nem sempre dava para comprar pois a minha família vivia sempre mudando e nem sempre onde a gente ia morar tinha banca de jornais, então, ficava sem comprar por um tempo.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Cicero Linhares: A diferença é que o personagem, a meu ver, não sofre tantas mudanças brusca no seu estilo. É um personagem com todos os aspectos humanos e com um senso de justiça bem próprio e que sempre queremos ver. Creio que por esses motivos Tex foi cativando e criando ao longo dos anos uma contínua legião de fãs no mundo e principalmente no Brasil, onde dificilmente, se encontra um estado onde não tenha um leitor ou coleccionador de Tex.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Cicero Linhares: Eu tenho aproximadamente umas 700 revistas de Tex. Era para ter mais, no entanto, como a minha família vivia a mudar-se de uma cidade para outra, acabava perdendo algumas edições e também fiquei um bom tempo sem comprar Tex, pois a cidade onde moro nunca teve uma banca de jornais e as bancas mais próximas ficam em uma cidade a 70 km de distância. Mas mesmo assim fui comprando alguns números esporadicamente. Há quase dois anos, conversando com um amigo que também é coleccionador, perguntei-lhe qual colecção do Tex deveria iniciar, e ele me sugeriu o Tex Coleção. Eis que hoje encontro-me com a colecção completa. Tenho várias edições antigas (década de 70), mas tenho uma que é bem importante: Tex 94 – Pacto de Sangue (O casamento de Tex).

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Cicero Linhares: Eu colecciono de tudo um pouco e o que puder estar a meu alcance. Para mim, tudo o que diz respeito a Tex é bom e espero ter. Estou projectando um reforma na minha casa e nela vai ter o meu “Espaço Tex” onde vou colocar tudo o que diz respeito ao personagem.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Cicero Linhares: No momento são as revistas, mas o que acho bem interessante são as estátuas que foram produzidas na Itália. Convenhamos que é um objecto de consumo de todo bom Texiano que se preze.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Cicero Linhares: Sem dúvida é o Tex nº 23 – Tex, Vingador e Justiceiro, que conta como ele saiu de uma vida em um rancho para ser atracção de um rodeio. Eu gosto muito dos desenhadores da velha guarda, mas devo admitir que actualmente temos alguns que são muito bons. No entanto, devo admitir que admiro muito os traços do Giovanni Ticci e actualmente os do Fabio Civitelli. Os textos de G. L. Bonelli são magistrais, mas admiro muito os de Claudio Nizzi.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Cicero Linhares: O personagem em si, as paisagens e os roteiros. De vez em quando somos presenteados com boas histórias, bem como o facto de não se prender a um único tema, desde que foi criado, Tex e seus pards envolvem-se em situações diversas, quer sejam deste mundo ou de outro. Poderia dizer que é o estilo de alguns desenhadores que não me agrada, mas como também gosto de desenhar, então entendo que cada um tem o seu estilo ou técnica.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Cicero Linhares: Por ser um personagem muito humanizado e por ter um senso de justiça que agrada a todos os seus leitores. A revista sempre mostra uma busca pela justiça, a preservação da amizade, do companheirismo e a solidariedade que deve haver entre as pessoas, independente de religião, cor, raça e nacionalidade.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Cicero Linhares: Ainda não fui a nenhum evento onde se reúnem coleccionadores de todo o Brasil, mas estou me programando para o próximo que vai acontecer em Belo Horizonte em 2017. Fora isso, participo do grupo Clube Tex Brasil no whattsapp onde tenho a oportunidade de conversar com vários coleccionadores que moram em vários estados do Brasil e aproveitamos para trocar e vender edições de Tex.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Cicero Linhares: Eu vejo um futuro bastante promissor. O melhor de tudo é que o personagem vem sendo reinventado pelos novos desenhadores onde sempre tem um novo enredo que prende tanto os leitores antigos como os novos. Uma coisa que temos sempre que ir fazendo é divulgar o personagem, pois quem é fã nunca vai deixar de ser e para o bem do nosso Ranger, temos que incentivar que novos leitores surjam e continuem a apreciar as suas belas histórias.


Prezado pard Cicero Linhares, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

9 Comentários

  1. Excelente entrevista. Como fazer parte do grupo Clube Tex Brasil no whattsapp?

    • O pard Cicero para além de um grande texiano é também um grande benfiquista no Brasil como ele mesmo mostra orgulhosamente nas fotos que nos enviou tornando esta entrevista muito especial para mim que tive o privilégio enorme de entrevistá-lo porque juntou as minhas duas paixões: Tex e Benfica.
      MUITO OBRIGADO (e parabéns pela bela colecção) pard Cicero!!!

  2. Parabéns Cicero Linhares pela excelente entrevista que deu ao Zeca, e assim, nos proporcionar que passemos a conhecer a sua história de vida, que sem sombra de dúvidas, caminha lado a lado com o nosso destemido herói.
    Também espero poder participar do Encontro Nacional do Fã Clube Tex e Zagor do Brasil que será realizado em Belo Horizonte, seu estado natal, e quem sabe não nos conhecemos pessoalmente.
    Um forte abraço e continue ampliando a sua coleção, inclusive, faço votos para que você alcance o tão cobiçado “objecto de consumo de todo bom Texiano”, que são as estátuas da coleção do Mundo de Tex.

  3. Otima entrevista Pard, vamos fazer com que o Tex tenha uma longa vida editorial cavalgando nas pradarias.

  4. Sempre bom conhecer histórias e coleções de pards espalhado por esse Brasil afora. Assim como Cicero Linhares foi através de minha mãe que iniciei o salutar hábito da leitura através dos gibis. Parabéns por sua ótima entrevista e vida longa a Tex e cia.

  5. Excelente entrevista. Comecei a ler Tex há pouco tempo, mas estou gostando muito, é sempre bom conhecer os colecionadores e suas dicas de melhores histórias e como eles guardam a sua coleção.

  6. Eu também sou um grande admirador de Tex. Desde quando comecei a decifrar as primeiras palavras ainda garoto tornei-me um amante do prazer de ler. Nasci e morei até os 14 anos de idade numa fazenda. O esposo de uma prima que morava perto da minha casa era leitor de Tex. Foi ele que me apresentou Tex. Desde então eu passei a ir pra casa dele só para ler as revistas de Tex. Li todas as revistas que ele possuía. Aos 14 anos mudei para a cidade para continuar os estudos porém só anos depois quando comecei a trabalhar é que comecei a comprar Tex e formar minha coleção. Compro quase todas as edições de Tex que são publicadas no Brasil. Leio e compro também diversos outros gibis (Marvel, DC) e também Mangás.

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