O SUCESSO DA EDITORA BONELLI NO BRASIL

[*] Por Carlos Gonçalves com a colaboração de Edgard Guimarães

O sucesso da editora Bonelli no Brasil é um dado adquirido, já que para todos os efeitos ele é também um reflexo do seu êxito em Itália. Se tal não se tivesse verificado, seria difícil conseguir um sem o outro. Mas um dos factores mais importantes para o seu reconhecimento junto do público leitor em Itália, foi a publicação da revista Audace, que, a partir de Janeiro de 1941, passou a publicar as aventuras de Furio Almirante da autoria de Bonelli pai, com desenhos de Carlo e depois Vittorio Cossio. Outra das personagens que ajudariam a editora na sua caminhada para o êxito seriam igualmente as histórias de Capitan Fortuna de Rino Albertarelli, um dos maiores e conceituados desenhadores italianos.

A seguir à Guerra a editora continuou com as personagens que até aí se tinham evidenciado e dado credibilidade à empresa, mas havia necessidade de tentar mudar algumas coisas, inclusive adquirir sangue novo no campo do argumento e do desenho, ainda que em relação aos textos, Bonelli pai continuasse a possuir uma imaginação fértil e inesgotável. Surge assim Franco Baglioni que cria Frisco Bill com desenhos de Guido Zamperoni. Seguem-se mais tarde outros argumentistas e desenhadores com os seus trabalhos: Gino Cossio, Mario Uggeri, Roy D’Amy, etc…

Nos anos seguintes novas personagens vão sendo criadas, umas da autoria de Gian Luigi Bonelli e outras por Roy D’Amy, enquanto a editora vai mudando de nome… de Redazione Audace, para Edizione Audace, passa depois para Araldo, Daim Press, Cepim, Altamira, etc., até finalizar em Sergio Bonelli Editore.

No início dos anos 1960, a direcção da empresa passa para as mãos de Sergio Bonelli filho, argumentista criativo e autor de personagens que viriam a ajudar a alcançar ainda mais êxitos, depois que o aparecimento de Tex em 1948 viria a conseguir um nível de sucesso jamais alcançado por qualquer outra editora e que se manteria, durante os quase 70 anos da sua criação. Nascem assim Un Ragazzo Nel Far West, Zagor e Mister No. Zagor seria a segunda personagem da casa a ter sucesso, depois de Tex. Uma simbiose perfeita entre Bonelli filho e o desenhador Gallieno Ferri faria nascer um aventureiro corajoso, cujas aventuras eram muitas vezes pejadas de fantasia e ficção científica, tão do agrado dos leitores mais jovens. Se até aqui Tex era a personagem principal, Zagor oferecia também grandes potencialidades para se tornar igualmente um “herói” querido dos leitores italianos, o que viria a verificar-se num espaço curto de anos. Evidentemente que para o seu sucesso não seriam só os textos de Bonelli filho que contribuíram para tal, o pai algumas vezes ajudou na criação das histórias, bem como outros autores, nomeadamente Alfredo Castelli, Tiziano Sclavi, Decio Canzio, Giorgio Pezzin, etc… Quase vinte anos depois a personagem continuava solidária e firme nas suas edições, o que não aconteceria com outros “heróis” da casa.

Em 1977 Ken Parker dá um novo impulso nos destinos áureos da editora. Martin Mystère, em 1982, irá ajudar a que esta continue a evidenciar-se de muitas outras editoras. Mais personagens são lançadas, tais como Dylan Dog, Nick Raider e Nathan Never. Todas elas terão lugar garantido nos escaparates e, como tal, também a aceitação dos leitores, embora umas melhor do que outras. Os destinos da editora estavam pois alicerçados numa panóplia de “heróis”, que dificilmente poderiam ser esquecidos. Mas o maior sucesso de sempre continuava a ser Tex, que para cativar mais leitores e aqueles que possuíam um pouco mais de dinheiro para investir em novas edições, a editora criava novas formas de apresentar as suas aventuras. Era o aproveitamento de novos leitores com a Colecção Tex, em que as histórias da nossa personagem começavam a ser republicadas por ordem cronológica. Ao mesmo tempo são editadas outras publicações comemorativas de aniversários, Almanaques, edições a cores, outras em formato A4 a preto e branco e depois, neste formato, a cores, onde as pranchas de afamados desenhadores eram meticulosamente pinceladas a cores suaves e deslumbrantes. Tudo se resumia afinal a uma fórmula muito simples. Oferecer ao leitor aquilo que ele queria, mas sempre com uma qualidade e preço aceitáveis.

Ao longo das décadas e com três gerações da família Bonelli, o último é Davide que tomaria conta dos destinos da editora, depois da morte de seu pai Sergio. A audácia do seu pai e do seu avô nos destinos e desenvolvimento da firma são fulcrais e sempre nortearam as suas acções. Tal era seu nome no início: Audace – Audaz.

O INÍCIO DE TEX NO BRASIL

A editora Vecchi foi fundada em 1913 e desde 1920 passou a editar romances para leitoras, ao mesmo tempo que se notabilizava por esse facto. Depois da Guerra, editava os célebres romances de foto-novelas, de assinalável sucesso e importados de Itália, na revista Grande Hotel. Outro grande êxito que se estenderia a Portugal, onde essas edições eram também distribuídas. A partir de 12 de Janeiro de 1950, surge O Pequeno Xerife em formato de tira, e em Setembro de 1950 aparece também o nº 1 de Xuxá no mesmo formato. Chegou a editar igualmente os livros de texto de Arsène Lupin (1956) e outros de cowboys (1957) em grandes formatos, além de cadernetas de cromos.

Na altura em que a Vecchi publicava O Pequeno Xerife e Xuxá, para fazer concorrência a esta editora, a Rio Gráfica resolve também lançar a colecção Júnior em idêntico formato e onde aparecerão a partir do seu nº 28, As Aventuras de Texas Kid. Ao contrário dos brasileiros, os portugueses não conheceram as aventuras de Tex em formato de tiras (pois esses fascículos não foram cá vendidos). Elas seriam lançadas a partir de 25 de Fevereiro de 1951, através do nº 28 da revista Júnior. Nessa época o nome de Tex era Texas Kid. Os primeiros 27 números desta colecção publicaram outras personagens (histórias recolhidas da colecção italiana Albi Salgari de 1949), que publicava adaptações de histórias do escritor Emilio Salgari, da autoria de vários desenhadores italianos, Franco Paludetti, Nunzio Catania, Francesco Gamba, Walter Acquenza, etc… Essas primeiras histórias não seguiram rigorosamente a ordem da revista original italiana, e houve, inclusive, censura na ilustração de algumas capas. A revista Júnior era de periodicidade semanal e viria a publicar as aventuras do nosso “herói” até ao nº 263. A colecção teria terminado por volta do nº 277. Devido à dificuldade de encontrar exemplares desta colecção, uma das mais raras no Brasil, ainda se desconhece alguns elementos sobre ela.

A partir de Fevereiro de 1971, a editora Vecchi passará a publicar Tex. Zagor aparecerá em Agosto de 1978. Os lançamentos da Vecchi foram se diversificando e se dividiam por alguns temas, western, terror e humor: Spektro (Janeiro de 1977) e seus almanaques, Sobrenatural (Abril de 1979), Histórias do Além (Agosto de 1979), Pesadelo (1980), Mad (1974) e seus derivados. O tema forte era o de cowboys, com lançamentos como Ken Parker (Novembro de 1978), Histórias do Faroeste (Dezembro de 1979), Chet (Maio de 1980), Chacal (Julho de 1980). Publicou também material argentino em Skorpio (1979), diversificado em Eureka (1974) e uma longa linha de revistas infantis.

Nos inícios de 1981, a editora começou a atravessar uma séria crise, que se estenderia a princípios de 1983. Soube depois que a editora fecharia as suas portas, abrindo falência, 70 anos depois da sua existência.


OS INSUCESSOS DA EDITORA BONELLI

Mas se muitas personagens criadas por Bonelli pai e filho estavam à altura dos desejos dos leitores, também apareceram outras que viriam a ser um fracasso a nível de edições, ficando por pouco mais do que uma dezena de títulos e, às vezes, nem isso, como seriam os casos de Judas (16 números), Bella & Bronco (8 números), Leo Pulp (2 números)… Este insucesso iria por vezes reflectir-se nas edições brasileiras, que acompanhavam as edições italianas. Falta de histórias não permitiam que a série continuasse, mesmo que personagem tivesse melhor aceitação no Brasil. Mas felizmente tais situações seriam muito pontuais e se consideramos os êxitos, os outros são uma percentagem mínima num desfilar de “heróis” que povoariam a mente de todos os leitores nos países onde as séries eram publicadas. Se calhar, alguns dos leitores desta revista são capazes de se interrogarem em relação à publicação de um artigo a dar a conhecer os sucessos de Sergio Bonelli Editore no Brasil. Para muitos haverá sempre a incógnita de saber se esse mesmo material foi ou não vendido em Portugal. Pois a maior parte foi, com algumas excepções em que alguns exemplares não apareceriam nos escaparates portugueses, obrigando os coleccionadores dessas revistas a solicitá-las directamente à editora brasileira. No entanto fica sempre a incógnita de se saber se a colecção terminou ou não e em qual o número. Vamos pois indicar a seguir em paralelo, as personagens italianas criadas ao longo das décadas e as suas edições no Brasil para conhecimento dos interessados.

Algumas personagens foram parcialmente publicadas pela Bonelli, mas na listagem abaixo foram relacionadas todas as suas edições brasileiras, para melhor informação do leitor. Akim foi editada pela Tipografia Tomasina a partir de 1950 até 1967, mas a partir de 1976 seria retomada nas suas edições pela casa Altamira, que foi um dos nomes que a casa Sergio Bonelli Editore teria antes deste. Ken Parker foi lançado pela Bonelli, mas teve uma fase publicada em revista de outra editora e pela editora dos autores, a Parker Editore. Depois retornou à Bonelli para mais uma fase.

AS PUBLICAÇÕES DE SERGIO BONELLI EDITORE NO BRASIL

A listagem a seguir traz primeiro os nomes das personagens e suas datas de lançamento em Itália. Em seguida, os nomes das edições brasileiras, suas editoras, os números lançados com as datas.


Tex – Setembro de 1948
Júnior
(Rio Gráfica) – nº 28 (25/02/1951) ao nº 263 (jul/1957) – Tex é chamado de Texas Kid.
Tex
(Vecchi – 1ª edição) – nº 1 (fev/1971) ao nº 164 (ago/1983).
Tex
(Vecchi – 2ª edição) – nº 1 (abr/1977) ao nº 94 (ago/1983).
Tex – O Ídolo de Cristal
(Vecchi) – 1980.
Álbum Tex
(Vecchi) – 1981 – cromos.
Tex
(Rio Gráfica) – nº 165 (out/1983) ao nº 206 (dez/1986) – continuou a numeração da Vecchi.
Tex
(Rio Gráfica – 2ª edição) – nº 94A (1983) ao nº 133 (nov/1986)
Tex Coleção
(Rio Gráfica) – nº 1 (nov/1986)
Tex
(Globo) – nº 207 (jan/1987) ao nº 350 (dez/1998) – em 1987, a Rio Gráfica Editora passou a se chamar Globo.
Tex Coleção
(Globo) – nº 2 (mar/1987) ao nº 143 (dez/1998).
Tex
(Globo – 2ª edição) – nº 134 (jan/1987) ao nº 149 (dez/1998).
Tex Edição Histórica
(Globo) – nº 1 (jan/1987) ao nº 33 (dez/1998).
Tex, O Grande – Edição Especial 40 Anos
(Globo) – set/1988 – teve reedição em 1998.
Tex Edição Especial Colorida
(Globo) – nº 1 (set/1990) ao nº 6 (dez/1997).
Fumetti
(Globo) – nov/1993 – com Tex, Mister No, Martin Mystère, Dylan Dog, Nick Raider e Nathan Never.
Tex Edição Especial
– A Marca da Serpente (Globo) – 1993 – teve reedição em set/1998.
Tex Edição Especial – O Grande Roubo
(Globo) – jul/1994.
Tex Edição Especial – Arizona em Chamas
(Globo) – jul/1995.
Tex Edição Especial – O Vale do Terror
(Globo) – out/1996.
Tex
(Mythos) – nº 351 (jan/1999) ao nº 553 (nov/2015) – em publicação – continuou a numeração da Globo.
Tex Coleção
(Mythos) – nº 144 (jan/1999) ao nº 393 (nov/2015) – em publicação – continuou a numeração da Globo.

Tex Edição Histórica (Mythos) – nº 34 (jan/1999) ao nº 94 (nov/2015) – em publicação – continuou a numeração da Globo.
Tex Gigante
(Mythos) – nº 1 (mar/1999) ao nº 30 (out/2015) – em publicação – o nº 1 teve reedição em mar/2010.
Tex Anual
(Mythos) – nº 1 (dez/1999) ao nº 17 (dez/2015) – em publicação.
Almanaque Tex
(Mythos) – nº 1 (mar/2000) ao nº 47 (fev/2015) – em publicação – o nº 1 teve reedição em mar/2010 em formato italiano – os nºs 40, 41, 43 e 44 foram encadernados com o nome Superalmanaque Tex.
Tex Revista Poster
(Mythos) – nº 1 (abr/2001).
Tex Edição de Ouro
(Mythos) – nº 1 (jun/2002) ao nº 81 (nov/2015) – em publicação.
Tex Especial de Férias
(Mythos) – nº 1 (jul/2002) ao nº 11 (jun/2012).
Tex Edição Comemorativa de Meio Século de Aventuras no Brasil
(Opera Graphica) – nov/2002.
Tex – Minisséries
(Mythos) – 3 minisséries de 2 volumes cada, de abr/2004 a ago/2007.
Seleção Tex e os Aventureiros
(Mythos) – nº 1 (fev/2005) ao nº 6 (out/2005).
Tex e os Aventureiros Especial
(Mythos) – fev/2006.

O Mocinho do Brasil (Laços) – 2009 – estudo.
Tex no Brasil
– O Grande Herói do Faroeste (Sal da Terra) – 2009 – estudo
Tex em Cores
(Mythos) – nº 1 (out/2009) ao nº 28 (2015) – em publicação.
Tex Edição Especial Colorida
(Mythos) – nº 1 (abr/2012) ao nº 5 (jun/2015) – em publicação.
Os Grandes Clássicos de Tex
(Mythos) – nº 1 (fev/2006) ao nº 30 (dez/2010).
Tex Especial 60 Anos
(Mythos) – out/2008.
Tex Especial Civitelli
(Mythos) – out/2010.
O Oeste Segundo Civitelli
(Mythos) – out/2010.
Tex Willer – A História da Minha Vida
(Mythos) – fev/2012 – texto.
O Meu Tex – A Balada do Oeste
(Mythos) – 2012 – texto de Burattini e ilustrações de Civitelli.
Tex no Brasil – Justiça a Qualquer Preço (Sal da Terra)2012 – estudo
Tex Apresenta – Especial Sergio Bonelli
(Mythos) – nº 1 (ago/2013).
Tex Gigante em Cores
(Mythos) – nº 1 (jul/2014) ao nº 7 (2015) – em publicação.
Tex no Brasil – Águia da Noite (Sal da Terra) 2015 – estudo


Piccolo Ranger – mai/1954 a fev/1965 – e Um Ragazzo nel Far West – 1958/1962
Coleção Reis do Faroeste (Ebal) – nº 1 (mar/1980) ao nº 30 (dez/1985) – os números ímpares trouxeram a série O Pequeno Ranger e os números pares, a série Estrela Negra (Um Rapaz no Faroeste).


Zagor – Junho de 1961
Zagor
(Vecchi) – nº 1 (ago/1978) ao nº 55 (jul/1983).
Zagor
(Rio Gráfica) – nº 1 (jun/1985) ao nº 24 (dez/1986).
Zagor
(Globo) – nº 25 (jan/1987) ao nº 38 (fev/1988).
Zagor Edição Especial
(Globo) – jun/1988.
Zagor
(Record) – nº 1 (1989) ao nº 64 (1995).
Zagor Extra
(Record) – nº 1 (1990) ao nº 7 (1991) – publicou aventuras do Chico.
Zagor Especial
(Record) – nº 1 (1991) ao nº 7 (1992).
Zagor Anual
(Record) – nº 1 (1992) ao nº 2 (1993).
Zagor
(Mythos) – nº 1 (jun/1999) ao nº 162 (out/nov/2015) – em publicação – os nºs 2 e 3 foram encadernados com o nome Zagor Vingança Vodu.
Zagor Especial
(Mythos) – nº 1 (ago/2002) ao nº 51 (set/2015) – em publicação – o nº 2 trouxe o encarte Zagor 25 Anos no Brasil.
Zagor Extra
(Mythos) – nº 1 (abr/2004) ao nº 123 (mar/2015).
As Aventuras de Chico
(Mythos) – nº 1 (jun/2004) ao nº 3 (jun/2012).
Zagor Especial 30 Anos de Brasil
(Mythos) – ago/2008.
Zagor Gigante
(Mythos) – nº 1 (set/2011) ao nº 3 (out/2013).
Zagor – Os Muros de Jericho
(Mythos/2012) – texto.


Storia del West – jun/1967 a dez/1980
Epopeia-Tri
(Ebal) – nº 1 (nov/1970) ao nº 73 (out/1987) – houve uma 2ª edição a partir de 1977.
História do Oeste
(Record) – nº 1 (1991) ao nº 47 (1995) – os primeiros três números desta edição têm páginas inéditas.

I Protagonisti – set/1974 a jun/1975
Personagens do Oeste
(Ebal) – nº 1 (1975) ao nº 5 – publicou apenas 5 números dos 10 originais.

Mister No – jun/1975 a dez/2006
Mister No
(Noblet) – nº 1 (1976) ao nº 8
Mister No
(Noblet) – nº 1 (1982) ao nº 8 – histórias iguais mas com algumas capas diferentes.
Mister No
(Record) – nº 1 (1990) ao nº 20 (1992).
Mister No
(Mythos) – nº 1 (jul/2002) ao nº 24 (jun/2004).


Akim – fev/1950 a mar/1967 e jun/1976 a jul/1983
Akim
(Noblet) – nº 1 (1972) ao nº 196 (1991) – teve mais duas edições especiais e uma 2ª edição na década de 1980.

Un Uomo Um’Avventura – jul/1976 a nov/1980
Um Homem Uma Aventura
(Ebal) – nº 1 (1976) ao nº 6 (1977).

Ken Parker – jun/1977 a mai/1984
Ken Parker
(Vecchi) – nº 1 (nov/1978) ao nº 53 (ago/1983).
Ken Parker
(Best News) – nº 1 (1990) ao nº 2 (1990).
Ken Parker
(Tendência/Tapejara) – nº 1 (2000) ao nº 59 (2006).
Após os 59 números pela Bonelli, a saga de Ken Parker continuou com histórias curtas ou seriadas, às vezes coloridas, nas revistas Orient Express e Comic Art, entre abr/1984 e jan/1988. Essas histórias foram compiladas em 3 volumes, numerados 60, 61 e 62, acrescentados aos 59 originais, quando os autores lançaram pela própria editora, Parker Editore, a coleção Ken Parker Serie Oro, a partir de 1989. A seguir, onde esse material saiu no Brasil.
Ken Parker – Os Cervos & Um Hálito de Gelo
(Ensaio) – 1994.
Ken Parker – Onde Morrem os Titãs
(Cluq) – nº 1 (1999) e nº 2.
Ken Parker – Um Príncipe para Norma
(Cluq) – 2000.
Ken Parker
(Cluq) – nº 1 (2008) ao nº 4.
Ken Parker – Um Hálito de Gelo
(Cluq) – 2011.
Ken Parker – Onde Morrem os Titãs
(Cluq) – 2012.

A Parker Editore lançou em 1992 a revista Ken Parker Magazine, revista variada que trouxe 17 novas aventuras de Ken Parker além de vários outros personagens. A partir do nº 20, passou a ser editada pela Bonelli, até o nº 36, em 1995. Em 1996, a Bonelli lançou Ken Parker Collezione, no formato bonelliano e num total de 13 números, reunindo as aventuras do personagem saídas em Ken Parker Magazine. Entre 1996 e 1998, a Bonelli lançou 4 números de Ken Parker Speciale, com aventuras inéditas do herói em volumes de 180 páginas cada.
Ken Parker
(nova série) – 1992 a 1998

Ken Parker
(Mythos) – nº 1 (set/2000) ao nº 18 (mai/2002) – os 11 primeiros números foram reunidos em 4 volumes encadernados – histórias de Ken Parker Magazine.
Ken Parker
(Cluq) – nº 1 (2013) ao nº 4 – histórias de Ken Parker Speciale.
Ken Parker Magazine
(Cluq) – nº 0 (2015) ao nº 6 – em publicação – histórias de Ken Parker Magazine.


Judas – set/1979 a dez/1980
Chacal
(Vecchi) – nº 1 (jul/1980) ao nº 16 (set/1981) – a colecção continuou com outras personagens.
Judas
(Record) – nº 1 (1989) ao nº 16 (1991).

Martin Mystère – Abril de 1982
Martin Mystère
(Rio Gráfica) – nº 1 (nov/1986).
Martin Mystère
(Globo) – nº 2 (mar/1987) ao nº 13 (fev/1988).
Martin Mystère
(Record) – nº 1 (1990) ao nº 17 (1992).
Martin Mystère
(Mythos) – nº 1 (ago/2002) ao nº 42 (jan/2006).


Bella & Bronco – jul/1984 a out/1985
Bella & Bronco
(Globo) – nº 1 (out/1990) ao nº 8 (mai/1991).

Dylan Dog – Outubro de 1986
Dylan Dog
(Record) – nº 1 (1991) ao nº 11 (1992).
Dylan Dog & Martin Mystère
(Record) – nº 1 (1992).
Dylan Dog – Incubus
(Record) – 1993.
Dylan Dog
(Conrad) – nº 1 (out/2001) ao nº 6 (abr/2002).
Dylan Dog
(Mythos) – nº 1 (ago/2002) ao nº 40 (fev/2006).


Nick Raider – jun/1988 a jan/2005
Nick Raider
(Record) – nº 1 (1991) ao nº 10 (1992).
Nick Raider
(Mythos) – nº 1 (ago/2002) ao nº 16 (fev/2004)

Nathan Never – Junho de 1991
Nathan Never
(Globo) – nº 1 (nov/1991) ao nº 8 (jun/1992).
Nathan Never
(Ediouro) – nº 1 (2005) e nº 2.

Collana Almanachi – Julho de 1993
Almanaque do Faroeste
(Globo) – ago/1996.


Magico Vento – mai/1997 a set/2010
Mágico Vento
(Mythos) – nº 1 (jul/2002) ao nº 131 (mai/2013)

Julia – Outubro de 1998
Julia / Aventuras de Uma Criminóliga
(Mythos) – nº 1 (nov/2004) ao nº 119 (nov/dez/2015) – em publicação.
Julia Especial
(Mythos) – nº 1 (2005) ao nº 6 (ago/2012).

Dampyr – Abril de 2000
Dampyr
(Mythos) – nº 1 (set/2004) ao nº 12 (ago/2005).

Leo Pulp – jun/2001 a jun/2007
Leo Pulp
(Mythos) – nº 1 (jan/2010) e nº 2 (fev/2010).


Volto Nascosto – out/2007 a nov/2008
Face Oculta
(Panini) – nº 1 (2012) e nº 2.

Cassidy – mai/2010 a out/2011 – e Demian – mai/2006 a out/2007
Cassidy & Demian
(Mythos) – nº 1 (fev/2014) ao nº 5 (set/out/2014) – a 4ª capa dedicada à série Demian.

Além de todas as edições mencionadas, há ainda duas edições relacionadas aos personagens Bonelli. O nº 22 da revista Histórias do Faroeste, da editora Vecchi, deveria trazer uma história de Tex. Antes de ser colocada nas bancas, a Bonelli italiana advertiu a Vecchi que o contrato não permitia o uso do personagem em outras publicações além de seu título próprio. A Vecchi teve que imprimir outra edição do nº 22 substituindo a história de Tex por outras histórias. Toda a tiragem do número original deveria ter sido destruída, mas alguns exemplares sobreviveram. Em 2005, a editora Mythos vendeu o nº 6 de Dampyr e o nº 4 de Júlia casados trazendo de brinde o Calendário Mythos/Bonelli 2005.


Há ainda edições que parecem produções da Bonelli, pelo principal motivo de que foram inspiradas nelas, mas tratam-se de revistas e heróis de outras editoras. Várias foram publicadas no Brasil. Na Itália, edições abertamente inspiradas nas da Bonelli são chamadas “bonellides”.

A editora Noblet, que publicou Akim e Mister No, também tentou edições semelhantes, como Carabina Slim, com 34 números e alguns almanaques de encalhe, Giddap Joe, com 4 números, Giddap Joe Super Edição, com 6 números, e Tex Tone, com 7 números. A Rio Gráfica e Editora lançou, em 1978, Gringo, com 2 números, e, em Novembro de 1979, Máscara Negra, com 2 números. A revista Histórias do Faroeste, da editora Vecchi, que publicava várias séries de cowboys de várias procedências, publicou entre os números 12, de Novembro de 1980, e 18, a série Welcome to Springville, de Giancarlo Berardi, Renzo Calegari e Ivo Milazzo, que teve alguns episódios publicados na revista Orient Express. Em Julho de 1984, a editora Abril lançou a revista Texas Kid, com o personagem originalmente chamado Jesus, dos mesmos autores de Judas, durando apenas 3 números. No final da década de 1980, a editora Martins Fontes lançou alguns álbuns com material tirado da revista Orient Express, da editora L’Isola Trovata, da qual Sergio Bonelli era um dos sócios. Saíram 4 volumes de As Investigações de Sam Pezzo e um de O Detetive Sem Nome. No início de 2006, a loja de revistas de quadrinhos Tutatis lançou o nº 0 de Lazarus Ledd, durando mais 6 números, em duas versões.


Cabe menção ainda a publicação de fanzines dedicados a personagens Bonelli, principalmente Tex. José Roca Martinez lançou 5 números de O Clássico Farwest Tex e dedicou a Tex o primeiro número de Os Arquivos do Martinez. Alexsandro Sampaio, entre 1980 e 1981, lançou 16 números de Jornal do Tex Amigo. Gonçalo Júnior, em 1984, deu destaque a Tex nos dois primeiros números de Quadrinhos Magazine. Antoneudo Ribeiro Lima publicou em Março de 1993 a edição única Tex. Leonardo Campos lançou em 2001 o fanzine IAQ com o nº 5 dedicado a Tex. Gervásio Santana, fundador do site dedicado aos personagens Bonelli, www.texbr.com, lançou um único número de Revista TexBR, em Outubro de 2009.

Finalmente, em 1992, houve uma exposição chamada O Mundo de Tex no Sesc Pompeia, em São Paulo, que resultou num catálogo chamado A Balada de Tex.


AS PERSONAGENS DE BONELLI NO BRASIL

Não seria de estranhar que de todas as personagens que a editora Bonelli criou ao longo dos anos, se destacassem as aventuras de Tex, como o principal protagonista das várias editoras brasileiras e reflexo das inúmeras edições, onde acabaria por figurar como um “herói” de elite. Ao longo de quase 70 anos e do mesmo modo que em Itália, Tex teria no seu palmarés a bonita soma de mais de 1500 edições enquanto Zagor ficaria pelas 500, um terço. De qualquer dos modos, a editora italiana não tem que se envergonhar, já que poucas são as personagens na Banda Desenhada a atingir essa soma nos seus títulos. Evidentemente que as suas aventuras, quer de um quer de outro, são destinadas ao público em geral e como tal destinadas a ter algum impacto junto deste, quer jovens quer adultos, o que na verdade seria conseguido por estas duas personagens. O mesmo já não se verifica nas histórias de Nathan Never, Dylan Dog ou Martin Mystère, onde o exotismo, a ficção científica, o esotérico e o supernatural estão presentes nestas três séries e todos estes temas nem sempre são compreendidos por todas as camadas de leitores. De qualquer dos modos e ainda que de uma forma modesta, todos estes “heróis” conseguem cativar os leitores. Uma das personagens italianas que no Brasil não teria a divulgação que merecia seria Akim. A editora Noblet era pequena e não fez um bom trabalho quer com Mister No quer com Akim, que teria em França 756 números publicados e mais 133 a cores, enquanto que no Brasil ficaria pelo total de quase 200 edições. A Rio Gráfica era uma editora que seria fundada por Roberto Marinho em 30 de Maio de 1952 e estava ligada ao Grupo da Rede Globo. Mas não podia usar este nome, porque só em 1986 Marinho conseguiu adquirir a pequena editora, que até aí usava o nome da Globo. Portanto a editora Rio Gráfica será a Globo desde sempre. Quanto à Record foi uma empresa que tentou publicar as personagens da editora Bonelli, respeitando o formato italiano e editando volumes com trezentas e mais páginas cada um, o que era um manancial de horas de acção para gáudio de todos os leitores. Só tinha um único senão, a impressão era absolutamente horrorosa, quase todas as edições desta casa pecam pela má impressão, cinzenta, esbatida, com imensas falhas… De todas as editoras brasileiras, a que na verdade faria um bom trabalho, em relação à divulgação das personagens italianas e também na apresentação das suas várias edições, quer a preto e branco quer a cores, seria sem dúvida alguma a Mythos. Tem sido um excelente trabalho, executado por profissionais excepcionais. E tem um objectivo de louvar no seu campo editorial, que é o de acompanhar a editora Bonelli nas suas iniciativas. Só lamentamos que Mister No não tenha tido a aceitação no Brasil que merecia, ainda mais quando as suas aventuras são passadas precisamente neste país…

[*] Texto publicado originalmente na revista #3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015

Capa da revista nº 3 do Clube Tex Portugal

(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima, clique nas mesmas)

2 Comentários

  1. Judas não foi um fracasso. Apenas foi produzida 16 edições propositadamente. Isso não faz de uma hq um fracasso.

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