Kit Willer abstémio motiva página VETADA!

Kit Willer abstémio

motiva página VETADA

Por José Carlos Francisco

Kit Willer a beber cerveja na companhia do pai

O seu nome é Kit, Kit Willer. É apenas um rapaz, mas no momento da necessidade, sabe defender-se com astúcia e habilidade dos mais experimentados “frontier-men”. De resto, como se diz, filho de peixe sabe nadar… porque Kit – que os índios chamam de Pequeno Falcão – é o digno filho de Tex, nascido do (infelizmente brevíssimo) matrimónio de Tex Willer com uma índia navajo, de nome Lilyth.

Desde a sua primeira parição, nas vestes de um pequeno arqueiro (acertando em cheio no chapéu do “padrinho” Carson, de quem herda o nome) faz-se notar pela sua vivacidade e inteligência. Crescido entre os índios e tendo Tex e Jack Tigre como professores, Kit Willer torna-se um óptimo atirador, grande lançador do laço e do punhal, experiente seguidor de rastos, cavaleiro hábil (portentosas as suas acrobacias na sela do seu mustang Diablo) e discreto lutador.

Kit Willer pedindo uma cerveja de boa qualidade

Kit Willer pedindo uma cerveja para ele e outra para Jack Tigre

Graficamente, Kit nasce a 18 de Janeiro de 1952, período em que na Itália estava em voga e faziam furor “os heróis jovens” (Capitão Miki, O Pequeno Xerife, Sciuscià, só para citar os nomes mais conhecidos) e até para dar exemplo aos mais jovens Gian Luigi Bonelli decide considerar o filho do nosso Ranger como sendo abstémio (quem não consome bebidas alcoólicas ou [por extensão] quem é sóbrio ou moderado na sua conduta) como se comprova na página, da autoria de Aurelio Galleppini, que mostramos de seguida:

Da clássica história com o capitão Barba Negra, uma página que exprime com clareza a relação de Kit Willer com o álcool

Pois bem, recentemente Mauro Boselli, o editor italiano de Tex vetou uma página (ainda a lápis) do Tex Gigante em produção por Mario Rossi, popularmente conhecido por Majo, onde o consagrado desenhador italiano tomou a liberdade de pôr Kit Willer a beber uma bebida de elevado teor alcólico. E Boselli vetou a página que deste modo permanecerá inédita (mas que o blogue do Tex divulga neste texto), justificando que o jovem Willer no máximo (e muito raramente) bebe uma cerveja:

Uma página de Majo que permanecerá inédita porque Kit Willer é abstémio

Mas o tema é bem polémico pois o próprio G. L. Bonelli no passado por vezes entrou em contradição pondo Kit Willer a beber whisky como se constata nas vinhetas que se seguem…

Kit Willer bebendo whisky numa história de G. L. Bonelli

Em Tex contra Yama o jovem Kit declara que deseja beber um bom whisky tendo Tex avalizado a sua escolha

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

6 Comentários

  1. Já vi também Kit tomar “uísque”… vetar uma página por esse motivo é precipitado… não creio que muitos leitores tenham reparado… li dezenas da vezes “São Francisco” e “Luta no mar“… e nunca havia reparado isso, ou não me importei pois “quem gostaria de beber com um inimigo”… por isso interpretei o “sou abstêmio” como uma recusa definitiva… mas nunca supus que Kit fosse abstêmio mesmo.

  2. Sou fã de Tex a muitos anos, mas estes “politicamente corretos” estão tirando a graça do nosso herói. Homens de fronteira, rudes, ignorantes e numa época que valia tudo para enriquecer o mais rápido possível, um velho oeste sujo e cruel, onde as muitas das vezes o que distinguia um facínora de um homem da lei era apenas a estrela no peito. Se fumava e bebia muito, se mascava “tabaco”, raramente se fazia a barba e tomava banho e a cerveja era no mínimo ruim e morna e o “querozene” batizado ou falsificado.

  3. Se Kit Willer é abstémio ou não é apenas um pormenor insignificante. Isso não justifica em nada vetar uma página! Qualquer dia chegamos ao ponto de Tex não poder sacar da pistola porque isso pode ferir a sensibilidade do leitor (o que seria mais do que patético)!

  4. Nesse caso eu até concordo.
    Eu, por exemplo, nunca bebi na frente de meu pai.
    Pode ser coisa da antiga, mas não há necessidade de mostrar o Kit Willer bebendo, já que não acrescenta nada no contexto de qualquer história.

  5. A propósito da censura e do “politicamente correcto” (que parece preocupar muita gente, hoje em dia, às vezes por más razões), lembro-me do 1º episódio de Matt Marriott, um célebre cowboy dos “comics” ingleses — de cujas histórias fui sempre um grande fã, tendo chegado a traduzir algumas delas para o “Mundo de Aventuras” —, em que Matt, depois de aprender a manejar os “colts“, abandonando o seu pacifismo, mata em duelo, num “saloon“, o causador da morte dos seus pais.
    Esse episódio foi publicado em Inglaterra no final dos anos 50, sem quaisquer problemas, apesar dos rígidos códigos de censura então vigentes, mas a versão francesa decidiu pura e simplesmente alterar o duelo final, fazendo Matt poupar a vida ao seu inimigo, sem disparar um tiro, por uma “questão de consciência”. Um autêntico absurdo, mas a verdade é que assim aconteceu, com total desrespeito pelo guião original. Felizmente que o “Mundo de Aventuras“, ao publicar esse episódio, respeitou a sua veracidade e a única coisa que fez foi mudar o nome da personagem para Calidano! Do mal o menos…
    Também não entendo por que motivo se censura uma cena em que Kit Willer resolve molhar a goela com uma bebida alcoólica… depois de já o ter feito noutras aventuras, inclusive com a caução “paterna” de G. L. Bonelli. É puritanismo a mais, na minha opinião, e estou plenamente de acordo com os argumentos explanados pelo pard Sandro Moreira. No velho Oeste ser abstémio era até, frequentemente, motivo de troça… E que mal faz um gole de uísque de vez em quando, sobretudo na companhia dos velhos amigos?

  6. Acho que foi vetada porque é muito explícita a cena que ocupa a página inteira. Se concentra e dá muita importância ao “embriagar” do Kit coisa que não acontece nas tantas vezes citadas pelos leitores que se passa de relance.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *