Entrevista com a fã e coleccionadora: Raissa Lira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Raissa Lira: Nasci em João Pessoa, capital do estado da Paraíba, Brasil, em 15 de Setembro de 1993. Actualmente moro com os meus pais e estou aguardando uma oportunidade de emprego, mas um lado bom dessas circunstâncias, são as horas que tenho a mais disponível… por exemplo, eu gosto de ficar num cantinho calmo e tranquilo e apenas ler, isso quase sempre. Leio de tudo um pouco, romance, ficção, policial…
E tenho por sonho viajar pelo mundo, conhecer pessoas e lugares novos… e disso tudo levar comigo boas lembranças e algumas aventuras… e a leitura do Tex de alguma forma ou de outra dá-me um pouco disso. Bom, apesar de ainda sequer ter saído da minha cidade, eu gosto de me aventurar, sonhar… acho que deve ser por isso que gosto tanto de ler, sempre viajo o mundo sem sair de casa, em questões de segundos estou lá onde a história me leva. É semelhante a deitar na minha cama, no sofá, e entrar de alma e coração num bom livro, numa boa leitura… é como ler Tex, nem se dá conta das horas que já passaram.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Raissa Lira: Desde dos meus 7 anos de idade, quando o meu pai me levava com ele à banca para comprar o seu jornal. Lá eu via várias histórias aos quadradinhos, mas fui me interessar inicialmente pela Turma da Mônica, do autor brasileiro Maurício de Sousa. Com o passar do tempo fui lendo os exemplares da Disney e Marvel… mas depois que descobri Tex ‘’larguei ‘’ o interesse pelos outros completamente.

Quando descobriu Tex?
Raissa Lira: Todo fim semana um velho amigo da família, mais conhecido como ‘’Seu Dias’’, frequentava a minha casa. Era rotina os amigos se reunirem para festejar, beber,  jogar dominó, baralho… E esse amigo em especial, sempre vinha para cá com vários Cd´s, Dvd´s de faroeste e revistas do Tex. Meu pai sempre foi fã de filmes de faroeste, (por isso mesmo é que o Seu Dias trazia os Dvd´s) e no final do dia assistia com ele e outro amigo, e eu às vezes assistia com eles também, cresci vendo tudo isso… meio que fui influenciada também a assistir. Recordo-me que me chamava a atenção o facto de Seu Dias por onde andava levava aquela singela revista dentro da sacola, mas por muitos anos apenas observei.
E foi assim, com o passar do tempo, que descobri Tex por influência desse senhor, que me emprestou o primeiro exemplar que eu li. Digamos que há 9 anos atrás. Não lembro qual revista foi, mas de facto eu gostei muito, foi paixão à primeira ‘’lida’’ (…risos…). E eu sinceramente não troco Tex por nenhuma outra personagem… principalmente por ter passado por muitas barreiras até por questões de preconceito também, devido a ser mulher e ler revistas de faroeste. Na cabeça de muitos é coisa para homens, nunca tive apoio nesse aspecto… chegando até a chorar algumas vezes por isso. Acho que esse é um dos motivos de muitas mulheres não ficarem em evidência, seja em histórias aos quadradinhos em geral, ou western… espero que um dia isso mude e que nós tenhamos mais espaço e direitos iguais nesse meio.

Porquê esta paixão por Tex?
Raissa Lira: Encontrei em Tex um mundo totalmente diferente do que tinha visto ( lido ) antes… uma mistura de géneros que me encantou. Isso desde das batalhas contra perigosos fora da lei, até vilões do porte demoníaco e maléfico como Mefisto e Yama… e ainda por cima dentro do velho Oeste americano, algo totamente surreal para mim.  Eu também me identifiquei com a sua determinação em ser justo e com sua busca pela verdade em prol de ajudar os outros… apesar que francamente não teria a mesma coragem de sair por aí arriscando a minha vida caçando bandidos, indíos em pé de guerra, seres sobrenaturais, enfim… nesse sentido creio que eu ia preferir  ficar na plateia, como sempre, lendo ou quem sabe assistindo (… risos…). Com Tex também aprendi os costumes dos nativos americanos, canadianos, mexicanos… nomes de cidades,  rios, montanhas, tudo novo para mim. As tribos índigenas também foram uma grande novidade. Entre outras coisas, querendo ou não, Tex foi um modo educacional, pois apreciei ainda mais a paixão pela leitura como um todo e acredito que obtive outras qualidades devido a ele também.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Raissa Lira: O Ranger leva consigo muita coragem e vontade de fazer o bem, sem distição de cor, raça ou religião. Além de ser humilde, prestativo e ter sede por justiça… Isso o difere de tantos outros heróis da banda desenhada.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Raissa Lira: Actualmente tenho 509 revistas na minha colecção. E a mais importante é o Tex gigante número 14, Sombras na Noite… foi uma das primeiras histórias que eu li, tenho um sentimento especial por esse exemplar. É até meio estranho explicar, mas eu sinto-me uma garotinha de anos atrás sempre que me deito e o releio.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Raissa Lira: Além das revistas, eu tenho o Dvd “Tex Willer e os senhores do abismo“, com o actor Giuliano Gemma, uma revista-póster do Tex número 1 e o Livro ‘’Tex Willer, a história da minha vida“, do autor Mauro Boselli.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Raissa Lira: Um sonho de consumo de todo coleccionador é ter a sua colecção do Tex completa, e comigo não seria diferente. Felizmente tenho tido a ajuda de alguns pards que têm contribuído fazendo-me doações de alguns exemplares que têm em duplicado, visando também que o meu estado finaceiro não me dá condições de comprar todos os lançamentos actuais e os números atrasados. Agradeço imensamente aos amigos Edison Bertoncello, Miguel J. Zinelli e Roberio Wilson, do Fã Clube Tex Brasil.
Quem também quiser contribuir é só entrar em contacto comigo pelo e-mail  raissamsn@hotmail.com ou Facebook Raissa Lira, eu agradeço desde  já.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Raissa Lira: O casamento de Tex (os Grandes Clássicos do Tex #1). Já o meu desenhador preferido sempre foi o Civitelli… seguido também do Claudio Villa e do falecido Aldo Capitanio. E quanto ao argumentista que mais aprecio é o Mauro Boselli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Raissa Lira: Agrada-me a sua simplicidade com tudo e com todos, o seu companheirismo fiel a seus amigos, o senso de humor e o optimismo mesmo nas horas mais difíceis… também me agradam as cenas de romance, enfim… muitas outras coisas.  O que menos me agrada às vezes é a sua teimosia em lidar com certas situações e o facto de não ter uma companheira para si depois da morte da Lilyth.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Raissa Lira: Ser um justiceiro temido pelos maus e honrado pelos bons… símbolo de carácter e honestidade… um homem que não dá valor aos bens materias, mas sim ao que tem no coração.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Raissa Lira: Vou ter a primeira oportunidade de conhecer alguns coleccionadores agora em Novembro, dias 1 e 2, na ExpoTex que será realizada pelo nosso Tex brasileiro, o G. G . Carsan, em parceria com o 7º HQPB.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Raissa Lira: Vejo um futuro longo, passando de geração em geração… sempre progredindo.


Prezada pard Raissa Lira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

18 Comentários

  1. Parabéns Raissa pela entrevista!! Belas e sábias palavras em contar a sua grande paixão pelo Tex e, com certeza a partir desta entrevista surgirão muitas texianas e cairá por terra essa “evidência” do sexo frágil, que não há nada frágil, serem apreciadoras da Leitura. O Fã Clube Tex Brasil é para isso, ajudar e incentivar novos leitores. Tenho certeza que você chegará no seu objetivo. Parabéns e vamo que vamo!

  2. Que belíssima entrevista Raíssa.
    E sua coleção tá show de bola, fico feliz em ver que o Clube Tex Brasil tem feito o seu papel de unir os texianos do Brasil e assim estreitar os laços de amizade entre fãs e colecionadores.
    Parabéns aos pards Edson Bertoncello, Robério e o Magnifico Zinelli pela generosidade e grande coração que vocês têm. Sinto-me honrado em ser o presidente deste clube que tem pessoas tão valorosas como vocês.
    É isso ai Raíssa nos vemos na Expo-Tex de Jampa City e passe-me os números que lhe faltam e verei dentro do acervo de mais de 800 gibis do clube se tenho algo pra doar para a sua coleção.
    Vamo que vamo com o Clube Tex Brasil.
    Hááá Zeca já estou de passagem comprada para ir a São Paulo lhe conhecer e te levar uma grande surpresa do Clube Tex Brasil.
    Abraços.

    • Sem dúvida, é mais uma grande e especial entrevista do blogue português do Tex. A Raissa, que deu excelentes respostas onde mostra bem a paixão pelo Ranger, junta-se assim a outras entrevistadas: Michelle Lima, Rosiane Rode, Darrimar Lopes de Andrade Lucena, Denize Machado, Cecília Tavares, Marli Santos, Adriana Couto Pereira, Nicole Di Domenico e Fernanda Martins, como se constata no índice de entrevistados que pode ser visto em http://texwillerblog.com/wordpress/?page_id=14

      Mudando de assunto, presidente Jessé, será um grande prazer e uma honra enorme conhecê-lo pessoalmente (assim como aos sócios brasileiros que estiverem no evento) em São Paulo no decurso do Brasil Comic Con e desde já agradeço a sua manifestação de carinho pela surpresa em nome do Clube Tex Brasil 🙂

  3. Uma bela entrevista. Parabéns pela coleção, Raissa. Em breve farei doações para a sua coleção!

  4. Belíssima coleção Raissa, parabéns!!! E parabéns também pela ótima entrevista, falo contigo pelo Facebook, pois terei o maior prazer em doar alguns de meus exemplares repetidos.

  5. Parabéns pela bela entrevista, cara pard. Que esse desejo venha a crescer mais e mais e que não deixemos o Tex morrer… Vida longa à Tex.

  6. Caramba, menina!! Tanto tempo já lendo o Tex, hein? E eu que pensava que você só tinha algus Tex a cores, hehee
    Acabei de ler sua entrevista….
    Eu também gosto de ler Tex num lugar calmo e tranquilo… e ouvindo o canto dos pássaros, hehe
    Pensei que só eu tinha largado o interesse por outros personagens que comecei a ler antes de Tex… eu lia e colecionava de tudo até uns 4 anos atrás!! E é exatamente isso: quem se identifica com Tex, se apaixona a primeira vista (lida, hehe)!! Outra coisa que você falou e é muito comum, Raissa, é quando você pega uma, ou uma das primeiras revistas que leu pela 1ª vez e num passe de mágica a gente volta no tempo outra vez e realmente se sente mais jovem… você vai sentir essa sensação sempre!! Parabéns pela belíssima coleção… e entrevista!! E pode contar comigo também para completar sua coleção, pois, nossa missão aqui na terra é ajudar uns aos outros independente de credo, raça ou religião!!
    Abraços.

  7. Me faltam palavras pra descrever o quanto estou feliz por esse momento único de conceder a entrevista em prol do Tex e ser apoiada e parabenizada por todos vocês.
    Sei que posso contar com vocês, amigos, obrigada… desde do ínico o Fã Clube Tex Brasil e companhia me acolheu de braços abertos e honradamente reconheço isso.

  8. Um dos maiores golaços desse Blog sem sombra de dúvidas são as Entrevistas com autores e com colecionadores. A cada entrevista publicada nos últimos anos vamos conhecendo mais e mais pards, mais e mais características, mais e mais histórias alegres (na maioria) e tristes e também curiosas. As perguntas são as mesmas para todos, mas nunca entendia e cada história é realmente única.

    E quando a entrevistada é uma mulher colecionadora, uma pard, causa uma sensação muito mais impactante, seja pelo já falado fato de haver mulheres num universo povoado quase que unanimemente por homens, seja pela esperança de que agora surjam mais e mais mulheres colecionadoras, tanto as omissas e/ou desestimuladas de aparecer ou as que iniciarão o hobby texiano catapultadas pelo exemplo da nossa bela Raissa Lira.

    A Raissa pousou no Mundo Texiano com status de Lupe, a Mexicana. Causou geral igual a Kelly Key ou Annita, ou seja, uma celebridade, pela belezura, pela simplicidade, pela simpatia, e agora mais ainda pela inteligência.

    E para acabar de lascar tudo, no bom sentido, é claro, estará na 8ª. Expo-Tex de Jampa City nos dois dias, auxiliando na organização, vestida a moda cowgirl, fotografando com os cowboys visitantes e conhecendo a galera texiana que vem de vários lugares, para o evento e também para conhecer esta, agora, celebridade texiana.

    Voltando à entrevista, realmente muito bem respondida, ela foi muito feliz nas respostas, falou como gente grande, entendida, segura, e demonstrou um amor imenso pelo nosso Ranger mais destemido do Oeste.

    Então, quem estava na dúvida sobre vir na Expo-Tex, cito a participação da Raissa Lupe como um bom incentivo. A texiana é uma gata e ouvir suas histórias deve ser um must. Vai perder, cowboy?

    Parabéns Raissa, um abraço! Hasta la vista!

  9. Belíssima entrevista com a Raissa.
    Gostaria de parabenizá-la pela coleção e por, conforme ela mesma diz, estar nesse universo tão masculinizado que é o colecionismo de faroeste. Claro que não vejo nenhum empecilho nisso, muito pelo contrario, é um prazer saber que novas gerações estão se interessando pelo universo HQ.
    Espero que esta paixão nunca acabe e que esta bela coleção em breve esteja completa.

  10. Muito parabéns pela entrevista, com palavras simples e bonitas.
    Vejo que tem uma coleção já enorme e vai crescendo…
    Moro em Portugal, no Arquipélago dos Açores, onde é difícil a venda das revistas do Tex, penso que só eu coleciono os títulos da magnífica editora Mythos.
    Continua assim sempre a lutar, porque quem luta com coração e alma pelos seus objetivos sempre alcança.
    Também eu muitas vezes me sento no lugar calmo e tranquilo a ler, me faz muito bem.
    Os meus sinceros parabéns, muitas felicidades, tudo de bom!!
    Marco Avelar

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