Entrevista com o fã e coleccionador: Giuseppe Asciuto

Entrevista a Giuseppe Asciuto, pai de Alessandro, italiano residente em Portugal há mais de quinze anos. O pai e os filhos, Alessandro e Antonello, coleccionam Tex desde os anos sessenta. Aquando de uma visita de Giuseppe ao seu filho Alessandro, este dá-lhe a honra, de ser entrevistado pelo Blogue Português do Tex, encarregando-se da respectiva tradução.

Giuseppe Asciuto

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Giuseppe Asciuto: O meu nome é Giuseppe Asciuto, nasci em Palermo, Itália, em 1929. Sou reformado como professor catedrático da Universidade de Palermo e continuo a exercer a profissão “di dottore agronomo e forestale” (o equivalente de engenheiro agrónomo e florestal).

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Giuseppe Asciuto: Desde pequeno, quando lia uma revista italiana intitulada “Il Corriere dei Piccoli” cuja publicação em papel terminou só há relativamente poucos anos mas que mantém ainda uma versão on line. Faziam parte da revista personagens carismáticas como “Bibì e Bibò; il Signor Bonaventura e Arcibaldo e Petronilla”.

Quando descobriu Tex?
Giuseppe Asciuto: No começo dos anos sessenta, desde a saída dos primeiros números em formato álbum (série regular).

Porquê esta paixão por Tex?
Giuseppe Asciuto: Porque representava, desde então, uma personagem forte, justa e defensora generosa dos mais fracos, como cada um de nós queria ser. A isto acrescento que o ambiente do Faroeste sempre me suscitou interesse e curiosidade de tal modo que nunca perdia a visão de um bom filme western.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Giuseppe Asciuto: O facto de estar tão bem integrado com os índios Navajos, chegando a casar-se com a filha do sakem da tribo, Lilyth, adquirindo Tex o nome de “Aquila della notte”. Para além disso, depois da dolorosíssima morte prematura da mulher, Tex quer que o filho Kit cresça entre os navajos.
Se calhar, de forma inconsciente, esta atitude anti-racista, que contrariava a tendência de muitos filmes onde os índios eram caracterizados como assassinos sem piedade, serviu para que Tex ficasse para mim como um modelo de civilização social e não só como um invencível herói.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Giuseppe Asciuto: Possuo a colecção completa da série actual embora com alguns álbuns da 1ª reedição “Tre Stelle”. Também tenho a colecção completa da série histórica a cores, editada pelo “Gruppo Editoriale L’Espresso” e tantos outros álbuns das colecções paralelas (Speciale Tex, Maxi, Almanacchi del West, etc.).

Estando você a residir em Portugal há vários anos como consegue continuar a ler e a coleccionar o Tex?
Giuseppe Asciuto: A esta pergunta deveria responder o meu filho Alessandro, mas na verdade a colecção continua em minha casa e ele aproveita da permanência de férias em Palermo para pôr a leitura em dia.

Alessandro Asciuto, um dos herdeiros da colecção de Giuseppe Asciuto

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Giuseppe Asciuto: Apenas livros.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Giuseppe Asciuto: Sendo caçador com carta, desde os meus 16 anos, não me importava de ficar com a infalível carabina Winchester.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Giuseppe Asciuto: É difícil responder à primeira pergunta, são demasiadas as histórias favoritas. Sem entrar em pormenor, gosto muito das histórias inseridas no contexto índio em que Tex, como chefe dos Navajos e agente índio, tem a função de intermediário. Também gosto de outras onde aparecem personagens que realmente existiram, como por exemplo “Cochise”, “Buffalo Bill” e “Geronimo”. Para terminar, acrescento aquelas mergulhadas em ambiente canadiano e para que fique o nome de uma história surge-me esta:“I ribelli del Canada”.
Relativamente ao desenhador não posso esquecer o criador Aurelio Galleppini, mas também admiro imensamente todos os outros, verdadeiros pintores de quadradinhos.
Como argumentista escolho o pai de Tex, Gianluigi Bonelli.

A colecção de Giuseppe Asciuto

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Giuseppe Asciuto: Gosto da sua maneira de “cavalgar” duas realidades, como Ranger e como chefe dos Navajos. Agrada-me menos o Tex envolvido em histórias sobrenaturais, por exemplo de Mefisto, ao contrário dos meus filhos, e em ambientes alheios ao território americano.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Giuseppe Asciuto: Do meu ponto de vista, ao que já respondi, acrescento a generosidade para com os que a merecem e o desinteresse pelo enriquecimento material.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Giuseppe Asciuto: Não, a não ser em conversa habitual com os meus dois filhos.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Giuseppe Asciuto: Até quando, por um lado, o ser humano ainda apreciará a coragem, a seriedade, o altruísmo e porque não a ousadia e, por outro lado, sendo a paixão transmitida de pai para filhos, como aconteceu connosco, Tex e os seus Pards continuarão a povoar o nosso imaginário, perpetuando assim gerações de coleccionadores de todos os grupos sociais e culturais.

Prezado pard Giuseppe Asciuto, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

2 Comentários

  1. Parabéns Giuseppe! Isso mostra que para ler TEX nunca haverá idade e é com essas entrevistas que nos incentiva a sermos admiradores de TEX.

  2. Parabéns a este coleccionador italiano, já com a bonita idade de 85 anos (ou perto disso…). Que conte ainda muitos, em companhia dos seus filhos e do indomável “Águia da Noite”, continuando a cavalgar ao seu lado nas pradarias da aventura e da imaginação.

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