Entrevista com o fã e coleccionador: Valderi Neitzke

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Valderi Neitzke: Bom, antes devo avisar que, se alguém quiser conhecer o Valderí coleccionador, favor pular para a 2ª pergunta, agora, se alguém quiser conhecer um pouco sobre a minha pessoa, minha vivência e história e esteja disposto a perder alguns minutos para me conhecer um pouco melhor, favor continuar lendo, bom, sou o 3º de sete filhos, nasci no dia 24 de Julho de 1976 na localidade chamada Sede Flores, pertencente à pequena cidade de Guaraciaba, com 10.000 habitantes, no Estado vizinho de Santa Catarina, mas morei lá somente até os 4 anos de idade, quando os meus pais decidiram deixar a vida do campo e fomos morar em uma cidade vizinha menor ainda chamada Guarujá do Sul, a minha mãe era dona de casa e o meu pai aprendeu o ofício de carpinteiro e pedreiro.
Meu primeiro trabalho de carteira assinada foi no sector de acabamento e pintura em uma fábrica de móveis, lembro que fiquei muito feliz por ter finalmente conseguido um emprego fixo, ter um trabalho como esse naquela cidade pequena era um orgulho para qualquer um. Nesta época fiz um curso de técnico em contabilidade, e em 1994, aos 17 anos, fui embora para Tocantins em busca de melhores oportunidades, fui morar na cidade de Gurupi e consegui trabalho em um escritório de advocacia e contabilidade, eu era office-boy, praticamente só fazia serviços de banco e de vez em quando ajudava no trabalho interno, como lançar as notas dos clientes nos livros diários, entre outras coisas, mas fiquei lá por apenas um ano, quando o meu irmão me convidou para juntos abrirmos uma escola de informática, então viemos para o Rio Grande do Sul, na cidade de Carazinho, foi a primeira vez que pisei os pés neste belo Estado, terra natal dos meus pais, aos 19 anos de idade.
Com o passar do tempo, já estávamos em quatro irmãos trabalhando na escola, a procura por cursos era muito grande, e resolvemos expandir a escola para outras cidades, nos tornamos uma das mas conceituadas escolas de informática da região, mas como na vida tudo cansa, aos poucos cada um foi deixando esse ofício de lado, seguindo um rumo diferente.
Em 2005 formei-me no curso de Sistemas de Informação, trabalhei por conta própria no desenvolvimento de softwares para empresas de pequeno e médio porte, foi quando percebi finalmente ter encontrado a coisa certa para fazer na minha vida, que é desenvolver sistemas, afinal, há um ditado que diz: “Procure trabalhar em algo que goste de fazer, pois depois que encontrar, nunca mais vai precisar “trabalhar” na vida…”, ou seja, depois que conseguir trabalhar em algo que você goste de fazer, o trabalho passará a ser prazeroso.
Em 2006 trabalhei no sector de TI em um grande escritório de contabilidade, desenvolvendo os sistemas internos da empresa, e em 2007 tive a oportunidade de vir trabalhar aqui na cidade de São Leopoldo – RS, em uma grande empresa de desenvolvimento de softwares para a área académica (www.gvdasa.com.br), onde estou até hoje.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Valderi Neitzke:
Diferentemente da maioria absoluta das crianças cujo primeiro contacto com BDs são, normalmente, com personagens infantis, da Disney principalmente, e aqui no Brasil podemos citar mais especificamente as personagens do Mauricio de Souza, tais como Mônica, Cebolinha, Chico Bento (que desta linha, sempre foi o meu preferido quando criança), etc… meu primeiro contacto com a banda desenhada, por incrível que pareça foi com Tex, eu tinha apenas 5 anos de idade quando morava na pequena cidade de Guarujá do Sul – SC, estava eu andando na rua quando, ao passar por uma casa, vi uma revista num monte de lixo, estava toda molhada e suja de erva-mate, essa foi, realmente, a primeira vez que tive contacto com uma revista de banda desenhada, e na época nem fazia ideia do que se tratava aquela espécie de livro cheio de quadrados em preto e branco com uns balõezinhos cheio de letras, eu ainda nem sequer sabia ler, mas a curiosidade era tanta que peguei aquela revista, levei para casa, deixei secar, tirei o grosso da sujeira e passei diariamente a folhear aquela revista, interpretando, apenas pelas imagens, a história que se desenrolava naquele “livro”, não tinha a capa e a contra-capa, e nem as primeiras folhas, começava a partir da página 7, ficava imaginando o que as personagens falavam, eu olhei tantas vezes aquela revista que cheguei a decorar os detalhes de cada quadradinho, mais tarde fui saber que se tratava da edição nº 140 (Tucson), tempos depois, quando consegui a mesma edição em perfeitas condições, infelizmente, acabei me desfazendo desta edição que havia encontrado no lixo, não lembro se joguei fora ou dei para alguém, hoje talvez seria a maior relíquia de valor sentimental que eu teria em minha colecção, estaria disposto até em pagar uma pequena fortuna para tê-la novamente em minhas mãos.
Bom, voltando um pouco, a segunda revista que chegou em minhas mãos foi o número 1 de Zagor da editora Vecchi, também estava sem a capa e sem as primeiras páginas, já estava aprendendo a ler, e confesso para vocês que, quando criança eu me identificava mais com esta personagem, talvez por contar a história de uma criança que teve os seus pais mortos, o juramento que ele fez de vingar a morte deles junto às cruzes, a vingança concretizada, a forma como conheceu os Sullivan, a primeira vez que usou aquela roupa que se tornou a marca dele, a primeira grande aparição no conselho dos índios, enfim, no início estava claro que Zagor era a minha personagem favorita, até parecido com o garoto eu achava que era (rsrsrs).
Bom, passado algum tempo chegou até minhas mãos a segunda revista do Tex, consegui do pai de um amigo meu e tratava-se da edição nº 42 (A Caverna do Vale dos Gigantes), também não tinha a capa e 1ª folha, depois consegui os números 123 (Dakotas) e 124 (Mesa dos Esqueletos) de um primo. Por um bom tempo, minha colecção de Tex ficou estagnada apenas nestas 4 edições e mais a edição solitária de Zagor, a minha cidade era tão pequena que nem banca existia, e não conhecia nenhum coleccionador de Tex/Zagor na cidade que pudesse pedir emprestado algumas edições para ler, por outro lado, já possuía várias edições da Disney e do Maurício de Souza, pois destas, meus colegas de escola e demais amigos tinham aos montes, então, acabava trocando meus brinquedos pelas revistas, lembro de um skate velho que eu tinha e que troquei por algumas revistas da Disney com um amigo, e, com o tempo, minha colecção foi aumentando cada vez mais, trocava meus brinquedos por qualquer tipo de revista de banda desenhada, sendo aos quadradinhos era o que importava, com o passar do tempo, a minha colecção era enriquecida também com outras personagens, como as BDs da Hanna Barbera, Conan, Recruta Zero, entre outros…

Quando descobriu Tex?
Valderi Neitzke: Como falei na resposta à questão anterior, a minha paixão por Tex nasceu quando encontrei aquele número em um monte de lixo, depois de ter ficado algum tempo curtindo outras personagens aos quadradinhos, aos 9 anos aconteceu uma coisa que fez despertar novamente em mim a paixão que tinha por Tex, um colega meu chamado Alessandro, e que não gostava muito da leitura, havia ganho do irmão dele algumas edições de Tex, ofereceu-me as mesmas por uma certa quantia que não me recordo, na época eu era jornaleiro, lembro que, por alguns meses tive que dar metade do meu salário para pagar essa dívida, bom, os números eram aleatórios do número 3 ao 105, todos em estado impecável, eram em torno de umas 30 edições da 1ª e 2ª edição e foi um belo “up” em minha colecção.
Entre estas edições havia o nº 100 (Aventura em Utah), nas últimas páginas desta edição há uma lista com todos os números de Tex publicados pela Editora Vecchi desde o número 1, como ainda faltava em minha colecção mais de 60 números até o 100, ficava olhando as capas das que eu não tinha, imaginando e desejando possuí-las, muitas vezes até sonhava que as tinha em minhas mãos, gostava de ver os classificados que haviam nas revistas, de coleccionadores que estavam disponibilizando para venda alguns números de Tex que eu não possuía, cheguei muitas vezes a escrever para alguns perguntando se ainda as tinha, claro que nunca obtive resposta, pois os números contendo estes classificados haviam sido publicados muitos anos antes, só para vocês terem uma pequena noção do quão “Texmaníaco” eu sou.
Algum tempo depois, descobri na minha cidade outros dois coleccionadores das antigas, os dois eram alguns anos mais velhos do que eu e haviam parado com suas colecções havia muito tempo, ambas estavam incompletas, foi difícil mas consegui convencê-los a vendê-las para mim, infelizmente só vendiam se fossem todas, então acabei ficando com várias edições repetidas, mas mesmo assim, fiquei muito feliz por ter conseguido agregar muitas revistas inéditas em minha colecção, além do mais, todas estavam em óptimo estado de conservação, os números variavam entre 1 e 150, os números mais baixos eram da 2ª edição e os últimos eram da 1ª edição, mas eu não me importava com isso inicialmente, queria a todo custo completar a minha colecção sem fazer distinção entre a 1ª e 2ª edição.
Passei muitos e muitos finais de semana enfiado dentro de casa lendo e relendo os meus Tex, gostava de colocar no assoalho do meu quarto, um ao lado do outro, todos os gibis de Tex por ordem de número, sabia cada detalhe de cada capa, gostava de criar estatísticas do que eu via, quantas vezes Tex aparecia de camisa amarela, azul e vermelha, quais as capas em que ele aparecia sozinho ou com alguns dos pards, quantas vezes aparecia com roupa rasgada, com chapéu e sem chapéu, montado no cavalo, quantas ocorrências de uma determinada palavra ocorriam nos títulos, como “vingança” por exemplo, entre outras maluquices.
Foi quando trabalhava como jornaleiro (sim, fui jornaleiro, daqueles que iam de casa em casa entregar o jornal aos assinantes) que comprei a minha primeira edição de Tex novinha em folha na primeira banca que abriu na cidade, era a edição 206 (Fuga de Anderville), devido à banca ser bem modesta, as edições de Tex apareciam esporadicamente, então não conseguia manter uma regularidade na compra dos números novos.
Quando eu tinha 13 anos, veio morar em minha cidade aquele que se tornaria um de meus melhores amigos de infância e parceiro na arte de coleccionar banda desenhada, principalmente Tex, ele chamava-se Jair, tinha a minha idade, foi ele quem me deu de presente o número 32 de Zagor da Editora Vecchi (O Monstro da Lagoa), o que me fez despertar novamente o desejo de coleccionar também esta personagem, passávamos horas e horas lendo e discutindo o tema principal, que obviamente era Tex e Zagor.
Nessa mesma época, começou a aparecer em uma pequena sapataria de minha cidade, grupos de 3 revistas embaladas em um plástico para venda, cada pacote continha edições de uma mesma personagem ou de personagens diferentes, tais como Tex, Zagor, Histórias do Faroeste, Akim, Carabina Slim, Mister No, Martim Mystere, entre outros, a cada semana tinha um pacote diferente para venda, mais tarde vim a descobrir que se tratava dos números do acervo do próprio proprietário da sapataria, que estava se desfazendo aos poucos da colecção, e como na cidade os únicos coleccionadores acredito que eram eu e o amigo Jair mencionado acima, sempre havia uma disputa entre nós dois para ver quem teria a sorte de chegar na sapataria e ver disponível para venda mais um pacote de revistas. Ao final, vi aumentar consideravelmente a minha colecção graças às edições que aquele sapateiro colocou à venda, nesta altura acho que eu já deveria possuir em torno de uns 500 números em meu acervo, contando todos as personagens.
Lembro que, quando mudei-me para Tocantins, deixei as minhas revistas encaixotadas na casa de meus pais, foi muito difícil ficar longe da minha colecção, e uma forma de matar a saudade era lembrar o número e o título de cada uma das edições, isso mesmo pards, eu era tão fanático por Tex que teve uma época em que eu sabia de cor o título de todas as edições, bastava que alguém me falasse o número que eu, de bate-pronto já dizia o título daquele número. Quando ligava para a minha mãe, antes de perguntar como estava a família eu perguntava: “Como está a minha coleção, tá bem cuidada…?”, e ela sempre dizia: “Sim, sim meu filho, está fechadinha na caixa, do mesmo jeito que tu deixaste”, deixei lacrada porque nenhum dos meus irmãos nunca demonstrou interesse nenhum na leitura de banda desenhada, infelizmente.
Lembro muito bem quando e como consegui o tão sonhado número 1 de Tex, em 1998, eu e um de meus irmãos tínhamos ido em uma caravana para São Paulo, para acompanhar uma feira na área de informática, muito conhecida na época chamada Fenasoft, bem, um dia resolvi dar uma volta nos arredores do Hotel, cheguei a uma pequena banca, essas pequenas de esquina, havia vários montes de Tex para venda, e, para minha surpresa, a última revista de um dos montes era justamente a número 1, em perfeito estado, tudo bem que não era da 1ª edição, mas fiquei muito feliz, ainda mais porque paguei a bagatela de R$ 1,00 (um real) apenas.
Lembro-me muito bem do ano de 1999, pois foi quando completei a minha colecção normal de Tex, vim para Porto Alegre fazer um curso, fiquei em um hotel e como o curso era de 3 horas diárias, passava o resto do tempo visitando todos os sebos (alfarrabistas) que podia ali pela região do Mercado Público, nos 3 dias em que durou o curso, não só fechei a colecção de Tex como também a de Zagor, na época havia prateleiras e mais prateleiras de Tex, Zagor & Companhia e os preços das revistas eram bem acessíveis, diferentemente de hoje em dia, pois nos mesmos sebos que visitava na época, hoje, há pouquíssimos exemplares disponíveis, sem falar do preço, que é muito alto.

Porquê esta paixão por Tex?
Valderi Neitzke: Não sei ao certo, talvez por ter sido justamente com Tex o meu primeiro contacto com BDs, e como sempre tive o hábito de coleccionar tudo o que aparecesse, álbuns de cromos de campeonatos de futebol, animais e carros, cromos de chicletes, tampas de garrafas, enfim, tudo o que representasse uma sequência e que indicava uma “colecção”, eu procurava coleccionar, com Tex, claro, não foi diferente, levei anos para completar a minha colecção, mas hoje, posso dizer que sou um coleccionador realizado, tenho a 2ª edição, do nº 1 ao 149 completa, e da 1ª edição, só me faltam os números 3 (A Batalha de Silver Bell) e 8 (Horda Selvagem), mas creio que logo logo estarei com esta completa também. E como não se apaixonar por esta fantástica personagem, Tex tem sido meu fiel amigo, aliado, companheiro de tantas aventuras por mais de 30 anos, em alguns momentos deste longo companheirismo estivemos um pouco distantes, é verdade, mas apenas fisicamente, pois Tex nunca saiu do meu pensamento, e sempre que estou triste, desanimado, passando por algum problema, basta ler uma aventura de Tex que meu ânimo se renova e os problemas parecem desaparecer por um momento.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Valderi Neitzke: Muitas coisas, a começar que ele não tem super-poderes como tantos outros heróis aos quadradinhos, mas mesmo assim, com a sua mira inigualável, bota pavor em todos os criminosos e foras-da-lei, e uma coisa que dá um toque especial nas aventuras é o senso de humor de Tex e seus pards que sempre está presente, outra qualidade de Tex é a simplicidade, pois mesmo sendo Ranger, prefere estar na sua aldeia navajo, junto ao seu povo, e, finalmente, pelas aventuras se ambientarem no velho Oeste americano, muitas vezes mostrando alguns episódios históricos dos EUA levando até os leitores um pouco de cultura da época.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Valderi Neitzke: Bom, na verdade colecciono as mais diversas personagens, dos mais diversos géneros, seja de faroeste ou não, e que já passaram por diversas editoras aqui no Brasil, tais como: Tex, Zagor e Ken Parker, que são os mais importantes, em especial o primeiro, além de Akim, Carabina Slim, Zorro, Jonah Hex, Chacal, Mister No, Martin Mystère, Dylan Dog, Dampyr, Julia, Chet, Sobrenatural, Skorpio, Spektro, Histórias do Além, Pesadelo, Blueberry, Buck Jones, Coleção Reis do Faroeste, Aventura e Ficção, Série Graphics Novel, Histórias do Faroeste, A História do Oeste, Epopeia Tri, Kripta, Calafrio, Mestres do Terror, Conan, Diabolik, Flash Gordon, Histórias de Assombração, Mad, Tarzan, Korak, Lazarus Ledd, Magico Vento, Cripta do Terror, Eureka, Texas Kid, Tex-Tone, Giddap Joe, Judas, Audax, Nathan Never, Nick Holmes, Nick Raider, O Pequeno Sheriff, Turok, Storm, algumas personagens Disney como Zé Carioca (principalmente) Pato Donald e Mickey, Recruta Zero, entre outras personagens de menos expressão, e não, turma da Mônica deixei de coleccionar quando criança ainda (rsrsrsr), bom, se contar todas os personagens, hoje seriam em torno de 6.000 exemplares.
Mas se o foco é Tex, entre nacionais e estrangeiras tenho um total exacto de 1577 edições, incluindo os livros, edições especiais e o álbum de cromos, sendo:
Nacionais:
Tex (1ª edição) – Ed. Vecchi/Rio Gráfica/Globo/Mythos = 531
Tex (2ª edição) – Ed. Vecchi/Rio Gráfica/Globo = 150
Tex Coleção – Ed. Globo/Mythos = 350
Tex Edição Especial (Gigante) – Ed. Globo = 5
Tex Edição Gigante – Ed. Mythos = 28
Tex Edição Histórica – Globo/Mythos = 87
Tex Ouro – Ed. Mythos = 70
Tex Almanaque – Ed. Mythos = 45
Tex Anual – Ed. Mythos = 15
Tex grandes clássicos – Ed. Mythos = 30
Tex Edição Especial Colorida – Ed. Globo = 6
Tex Edição Especial Colorida – Ed. Mythos = 2
Tex em cores – Ed. Mythos = 18
Tex e os Aventureiros – Ed. Mythos = 6
Tex – Almanaque do Faroeste (capa verde) – Ed. Globo = 1
Tex – Edição Comemorativa de Meio Século de Aventuras no Brasil – Opera Graphica = 1
Tex – O Idolo de Cristal – Ed. Vecchi = 1
Tex – O Oeste Segundo Civitelli – Ed. Mythos = 1
Tex Especial 60 Anos – Ed. Mythos = 1
Tex Especial Civitelli – Ed. Mythos = 1
Tex Especial de Férias – Ed. Mythos = 11
Tex Minissérie – Mercadores de Morte – Ed. Mythos = 2
Tex Minissérie – O Retorno de Mefisto – Ed. Mythos = 2
Tex Minissérie – O Veneno do Cobra – Ed. Mythos = 2
Tex Willer – A História da Minha Vida (Livro) – Mythos Books = 1
O Meu Tex – A Balada do Oeste – Ed. Mythos = 1
Álbum de figurinhas – Ed. Vecchi (Fac Simile)
Importadas:
Tex Série regular Italiana – Sergio Bonelli Editore = 34
Tex Nuova Ristampa – Sergio Bonelli Editore = 3
La Ristampa di Tex Speciale – Sergio Bonelli Editore = 2
Collezione Storica a Colori – Sergio Bonelli Editore = 5
Fax – Palle In Canna – Editora Zero Press = 1
Tex Albo Speciale – Sergio Bonelli Editore = 1
E mais 162 Tex repetidos (1ª e 2ª edição)
Quanto a mais importante, são diversas as que tenho um carinho especial, tem a edição Almanaque do Faroeste, de capa verde, tem a edição especial de capa dura “O Ídolo de Cristal”, as primeiras edições a cores da Ed. Globo, por serem as precursoras, as edições de nº 40 a 42 e as edições de 140 a 142, ambas da série normal, por serem estas as histórias em que conheci Tex e por serem as que mais li, tem também o magnífico exemplar “O Meu Tex – A Balada do Oeste”, de Civitelli e Verger.
Mas talvez a mais importante seja a nº 1 de Tex da 1ª edição (O Signo da Serpente) devido à grande importância que o número representa para todo coleccionador e também devido às circunstâncias em que a mesma chegou até minhas mãos, estava eu percorrendo os sebos da região até chegar a um na cidade de Canoas, pertinho da minha cidade, quando, conversando com o proprietário, o mesmo me disse que possuía o nº 1, detalhe, ele não era coleccionador de Tex, quase enfartei na hora, perguntei se podia olhá-la, e ele respondeu: “Claro!”, não acreditei quando a peguei em minhas mãos, eu tenho dois exemplares da nº 1, mas são da 2ª edição, que saiu alguns anos após a primeira, mas quando você possui ou acaba de adquirir um exemplar de numeração baixa da 1ª edição, isso tem outro significado, ainda mais em se tratando do raríssimo número 1, os pards que estão lendo sabem do que estou falando, então meus olhos brilharam quando a peguei em minhas mãos, não faltava nenhuma página, porém, estava em péssimo estado de conservação, as traças haviam feito um bom estrago, perguntei se estava à venda, crente que a resposta seria não, mas por ele me considerar um assíduo cliente, acreditem, ele deu-me de presente, antes que ele mudasse de ideia, agarrei-a firme em minhas mãos, paguei as revistas que havia comprado e saí rapidamente, hoje ela tem um lugar privilegiado em minha estante.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Valderi Neitzke: Eu tento coleccionar tudo que consigo e que diz respeito a Tex, livros, marcadores de páginas, posteres, possuo também algumas estatuetas da Hachette, tenho também todas as edições especiais que saíram no Brasil, inclusive o álbum de capa dura “O Ídolo de Cristal”, tenho 4 mini-tex desenhados por quatro mestres espanhóis (Jordi Bernet, Alfonso Font, José Ortiz e Victor de la Fuente), um Fac Simile do álbum de figurinhas, mas ainda pretendo adquirir o original, possuo também uma fita VHS original do filme Tex e o Senhor do Abismo e uma cópia em DVD do mesmo.
Gostaria de ter mais objectos coleccionáveis nacionais e importados, infelizmente não tenho filhos, e minha esposa não me dá muito apoio, chega a ficar com a cara enfurecida cada vez que chego em casa com um exemplar novo em mãos, vejo aqui mesmo, em outras entrevistas, que as esposas de alguns dos pards também lêem e adoram Tex, então fico um pouco chateado com isso, pois se eu tivesse alguém que me apoiasse, acredito que minha colecção seria muito maior.
Como podem ver nas fotos, a minha estante está abarrotada, não tem mais lugar nem mesmo em cima, tenho que organizar o quarto e mandar fazer um armário novo, pretendo fazer isso ainda este ano, e quando o fizer, tenho certeza que vou comprar uma briga feia com ela, mas confesso que sentirei muita falta dela (a esposa), caso chegue a um ponto em que ela peça para que eu escolha entre a minha colecção e ela (rsrsrs).

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Valderi Neitzke: Além dos números 3 e 8 de Tex que ainda faltam em minha colecção, gostaria de ter a colecção completa das estatuetas da Hachette, se não me engano são 40 estatuetas e actualmente possuo apenas 7 destas. Quando criança, além de ler as aventuras de Tex & companhia, outro hobby que gostava muito era montar puzzles, então, para juntar os meus dois principais hobbies, outro item que gostaria muito de adquirir são os puzzles de Tex lançados pela Mondadori na Itália, queria muito as versões com 1.000 peças, o problema é o preço que é muito salgado, quem sabe um dia…

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Valderi Neitzke: Não posso citar apenas uma pois acho que seria injusto, então cito Tex nº 9 (O Louco do Deserto), Tex nº 15 (Traição na Trilha do Ouro), nº 36 (A Fabulosa Cidade de Ouro), nº 39 (A Batalha dos Vingadores), a sequência de Tex nºs 43, 44 e 45 (Juramento de Vingança, Vingança com Dinamite e Um Carrasco para os Tubarões, respectivamente), a história publicada em Tex nºs 79 e 80 (Os Filhos da Noite e A Aldeia da Morte), nº 112 (El Muerto), nº 124 (Mesa dos Esqueletos), nº 236 (O Navio do Deserto) além de todas as que aparecem Mefisto, Yama e El Morisco por gostar muito do género sobrenatural/terror.
Argumentista sem dúvida nenhuma Gian Luigi Bonelli, e desenhador sempre tive um apreço muito grande por Guglielmo Lettèri, talvez devido ao Tex nº 140 (Tucson) ter sido desenhado por ele e por ter sido o meu primeiro Tex, tendo lido e relido dezenas de vezes, em segundo lugar o grande Galep, e contemporaneamente os meus preferidos são Claudio Nizzi como argumentista, Claudio Villa e Fabio Civitelli como desenhadores.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Valderi Neitzke: Acredito que o ambiente, a época onde as aventuras se desenrolam, aliado ao facto de Tex ser um grande protector dos índios (a quem admiro por demais a sua história) é o que mais me agradam, além disso, o que me agrada também na personagem é o seu senso de justiça e os famosos sopapos nos criminosos para arrancar-lhes a verdade, e Tex sabia como ninguém, fazer bom uso deste artifício, já o que menos me agrada são duas coisas, quanto à personagem em si, nunca rola nenhum romance para valer entre o herói e algumas das muitas garotas que já apareceram nas histórias, acho que neste aspecto ele precisa aprender um pouco com Zagor (rsrsrs), brincadeirinha, sei que ele é muito fiel à Lilyth, mesmo depois da morte da amada, mas um pouco de romance não faria mal a ele, já que ainda é jovem, quanto à revista em si, sei que pode ser um pouco complicado, mas gostaria que as histórias não terminassem no meio de uma revista, a história poderia ser dividida em quantos números fosse necessários, porém, que cada nova história começasse sempre no início da revista.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Valderi Neitzke: Acredito que a sua longevidade é algo admirável, pois geração após geração, sobrevivendo a várias transições de editoras, lá na banca está o nosso glorioso herói, pronto para saciar a fome de leitura e curiosidade de seus antigos e assíduos fãs, conquistar novos adeptos, e, quem sabe, resgatar aqueles leitores, que por algum motivo, deixaram de ler as suas aventuras.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Valderi Neitzke: Conheci poucos coleccionadores pessoalmente, mas agora que estou passando a acompanhar mais os sites e blogues sobre o assunto, pretendo conhecer e estreitar laços com outros coleccionadores, inclusive o pard Neimar Nunes, que já respondeu aqui mesmo a uma entrevista, conheci em um blogue, foi ele inclusive quem me indicou para dar esta entrevista para o blogue português do Tex, quero aproveitar e já mandar um grande abraço ao amigo Neimar e também para você, José Carlos, pela oportunidade concedida.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Valderi Neitzke: Em minha humilde opinião, nunca Tex esteve em tão boas mãos como está agora com a Mythos, o fã encontra nas prateleiras exemplares belíssimos e de qualidade, além de ser a editora que vem publicando as aventuras de nosso herói há mais tempo do que as outras, e merece o nosso respeito, vejo ainda uma vida bastante duradoura de Tex aqui no Brasil, somos o segundo país que mais vende revistas da personagem italiana em todo o mundo, só ficando mesmo atrás da Itália, onde sempre foi, e ainda é um fenómeno de vendas, embora uma boa parcela dos coleccionadores já tem uma certa idade, portanto, logo logo estarão galopando nas pradarias do céu, Tex vem conquistando muitos fãs novos, prova disso são algumas das outras entrevistas em que li neste blogue, são vários jovens que também acompanham o nosso Ranger, então, acredito mesmo que Tex terá uma vida muito longa e estou crente que terei um encontro com Tex todo mês nas bancas até o fim dos meus dias.
Quero também frisar aqui, assim como outros entrevistados já o fizeram, a importância de alguns coleccionadores e divulgadores de Tex, tais como G.G. Carsan, Adriano Rainho e Gervásio, nenhum destes tive o prazer de conhecer pessoalmente, já fui várias vezes na loja TexBr em Sapucaia do Sul, que fica a uns 5 km apenas de onde moro, comprar algumas revistas, porém, em nenhuma das vezes encontrei o Gervásio por lá, o Rainho é um Senhor coleccionador de Tex, sendo talvez a  maior referência aqui no Brasil no que se refere ao Ranger,  inclusive, já negociei com ele dezenas de exemplares de Tex, Akim, entre outros, enfim, todos estes, assim como outros divulgadores no Brasil inteiro merecem o nosso respeito e admiração, pois estão engajados no mesmo intuito de conglomerar os fâs de Tex e buscar novos adeptos do nosso herói.
Quero concluir essa entrevista, desculpando-me por agumas respostas exageradamente longas, e agradecendo mais uma vez ao pard português José Carlos, também grande divulgador de Tex pelo mundo.
Vida longa a Tex e seus pards.

Prezado pard Valderi Neitzke, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

21 Comentários

  1. Sensacional entrevista! A coleção nem se fala.
    Parabéns… mas com o tempo sua esposa vai lhe apoiar.

  2. Faço minha as palavras do pard ZIN, sensacional entrevista e mais sensacional ainda a grandiosa coleção do Valderí, uma das maiores (senão a maior) que já vi, pela diversidade de títulos. E muito me honra a amizade do Valderí, a despeito da gente ainda não se conhecer pessoalmente, coisa que espero, aconteça em breve. Seu maior defeito é ser colorado
    Abraços, pards Zeca e Valderí, e vida longa a nossos personagens de papel…

  3. Hehe, grande Neimar, não perde a oportunidade pra dar aquela zoadinha no meu time, tu é daqueles que perde o amigo, mas não perde a piada, não é? rsrsrs
    Bom, pelo menos compartilhamos da mesma paixão pelo nosso eterno personagem, espero nos vermos em breve, abraço!

  4. Bela entrevista e grandiosa coleção pard Valderí Neitzke!! E sendo amigo do grande Neimar Nunes é uma ótima referência por ser persona que admiro e Zagoriano de carteirinha; e parabéns pela diversidade de estilos.

  5. Parabéns Valde.
    Sei da tua dedicação a sua coleção, sempre te admirei pela tua força e determinação em tudo o que faz, abraços.

  6. Parabéns Valderí Neitzke, um dos maiores programadores do Brasil (teve um bom professor por sinal) e colecionador de Tex, matéria fantástica.

  7. Prezado Valderi,
    Assim como você não economizou em nos passar tantas informações legais sobre sua saga com Tex, não economizarei elogios e comentários.

    1 – parabéns pela sua bela história de vida, de sucesso e de alegrias na profissão.

    2 – você já é o arqueólogo das revistas sem capas e faltando páginas encontradas ao acaso.

    3 – parabéns pelos mais de 6 mil exemplares de HQs da sua coleção que tem itens sensacionais e espetaculares.

    4 – mostre pra sua esposa as qualidades de Tex que passam para os leitores e as coisas que cada um deixa de fazer fora de casa, justamente para estar em casa – ela é feliz e não percebe – mas sempre lhe reserve um tempo mesmo que tenha que parar de ler bem no meio do tiroteio.

    5 – você disse que gosta e com a aquisição do livro Tex no Brasil 1 (que acabas de fazer) terás várias estatísticas texianas e muitas referências num só lugar e (extra extra: já estão feitas as dedicatórias e autógrafos).

    6 – obrigado pela lembrança do meu nome e aproveito para dizer que você tem vocação para divulgador, é só querer e encontrar a fórmula que melhor lhe agradar, para incentivar a leitura nos pequeninos.

    7 – dizer que espero ir ao RS dia desses, conhecê-lo pessoalmente e passar em revista as suas coleções.

    8 – por fim dizer que continue firme com Tex e pedir que participe das discussões e dos encontros que ocorrem pela região, pois certamente tem muito para testemunhar e para ensinar para nós, já que certamente não deu pra contar tudo nessa bela entrevista.

    Forte abraço e saudações texianas,

    G. G. Carsan

  8. Inicialmente quero agradecer ao Inaldo pelos elogios, realmente, sempre fui bem eclético, o único lado ruim nisso é que tu acaba gastando uma fortuna em tentar fechar todas as coleções.
    Quero agradecer também a minha cunhada Lisiane e ao meu irmão Neri pelas palavras e incentivo, para aqueles que leram o comentário do Neri, não vão muito na pilha dele, ele sempre foi exagerado nos elogios (rsrsrsr).
    Quanto a você Gege Carsan, sem comentários, elogios vindo de você, para qualquer colecionador valem muito, fico muito feliz pelas palavras e conselhos, e falando em conselhos, acho que minha esposa, não que ela não goste da minha coleção, na verdade acho que ela tem uma pitadinha de ciúmes das HQs, então, de hoje em diante vou procurar dar mais atenção a ela, pode deixar.

    Grande abraço a todos.

  9. Que mundo pequeno! Pard Zeca, estou estudando programação e as aulas do Neri Neitzke tem me ajudado muito. E hoje, entro no seu blog e vejo um parente do Neri Neitzke. Só mesmo você Zeca…

  10. Caro Mattheus, o Neri não só é meu parente, como também é meu irmão, rsrsrs, abraço!

  11. Caro Pard Valderi,

    sem comentários sua entrevista. Simplesmente incrível.
    Parabéns a você e ao Pard Zeca.
    O Fã Clube Tex Brasil promoveu nos dias 19 e 20 de abril o primeiro encontro nacional, na cidade de Alagoinhas-BA.
    Estaremos promovendo o primeiro encontro regional na cidade de Rosário do Sul, distrito de Capela do Saicâ, onde mora o Pard Neimarrento… rsrsrs.
    Os Pards Zin e Neimar estão lá arregaçando as mangas e mandando ver, seguindo sugestão do grande Pard e sócio honorário GG Carsan.
    Segundo Neimar já confirmaram presença os Pards Gervásio, Jesus Nabor e Ary (grandes nomes texianos). Nosso pequeno/grande presidente Jesse também já confirmou presença, além do Pard sócio Emerson Cruz.
    Ótima oportunidade para o pessoal do Sul, participem.
    Maiores informações no Fórum Tex Br e no grupo do Fã Clube Tex Brasil, no facebook (e-mail: clubetexbrasil@gmail.com).
    Grande abraço.
    José Leonardus, Presidente do Conselho Deliberativo
    do Fã Clube Tex Brasil.

  12. Excelente entrevista, ainda mais vestindo este manto sagrado que é a camisa vermelha.
    Forte Abraço
    Jailson

  13. Olá José Leonardus, com certeza tentarei me fazer presente neste grande evento, onde poderei conhecer pessoalmente um dos meus grandes pards, o Neimar, dentre outros grandes aficionados de Tex.

  14. Meu grande amigo Jailson, depois de algum tempo vamos nos rever novamente, e justamente hoje, no casamento de um amigo nosso em comum, o Luiz Henrique Moutinho, outro grande colorado, obrigado pelo elogio e forte abraço!

  15. Muito legal a entrevista, gosto muito de Tex. Tenho uma pequena coleção pois só aos 37 anos é que voltei a ler Tex, eu lia quando era criança e não sei dizer ao certo porque parei de ler.
    O bom é que agora eu leio.

  16. Prezado Avani, fez muito bem em ter voltado a ler Tex, é uma leitura saudável, divertida, que nos remete aos diversos locais e cenários da história Norte-americana e de outros países, como falei em uma parte da entrevista acima, é uma oportunidade de conhecer os costumes da época, ou seja, Tex também é sinônimo de cultura.
    Abraço!

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