Colecção TEX, edição brasileira

Colecção TEX, edição brasileira

Por Sérgio Madeira Sousa[1]

INTRODUÇÃO

Neste texto o objectivo é dissecar os aspectos importantes da colecção (brasileira) TEX, e em simultâneo fazer uma avaliação em termos de valor, possibilitando assim toda a informação relevante para os que ainda procuram completar a sua colecção.

CRONOLOGIA

O primeiro número desta colecção saiu em Fevereiro de 1971 pela então editora Vecchi e, apesar de algumas interrupções mantém-se nas bancas até hoje, atingindo a incrível marca de 525 números.
Ao longo destes quarenta e dois anos foram quatro as editoras a deter os direitos, isto considerando que a Rio Gráfica editora e a Globo, são editoras diferentes.

Entre Fevereiro de 1971 e Maio de 1983, a editora Vecchi publicou Tex até ao Nº 164, com o titulo de “Selva cruel”. Por motivos de falência da empresa que se viu forçada a cancelar a publicação de todas as revistas que possuía, incluindo Tex, deixando incompleta uma excelente história de Guido Nolitta.

Passados alguns meses foi possível encontrar novamente a publicação nas bancas, desta vez pelo selo da Rio Gráfica que adquiriu os direitos de publicação para o Brasil. A editora optou por continuar a numeração em vez de iniciar nova colecção e, em Outubro de 1983 publicou o Nº 165 intitulado, “O rosto do traidor”, concluindo a história inacabada devido à falência da antecessora. A passagem de Tex pela Rio Gráfica foi a fase mais curta da colecção, uma vez que em Janeiro de 1987 a editora resolve mudar de nome para Globo, sendo último número sob a chancela da Rio Gráfica o Nº 206, “Fuga de Anderville”. Curiosamente, outra excelente história marca a transição de editoras, também com os desenhos de  Giovanni Ticci mas desta vez de autoria de Claudio Nizzi.

Iniciou-se então a fase da Globo no mês seguinte, com o Nº 207, “O hotel dos fantasmas”, escrito por Claudio Nizzi e desenhado por Guglielmo Letteri. Devido à crise económica que baixou drasticamente as vendas das diversas publicações, a editora procedeu a reformas envolvendo diversos despedimentos e cancelamento de diversas publicações, entre as quais se encontravam as colecções de Tex: Tex, Tex Colecção e Tex Edição Histórica. Esta fase que durou cerca de onze anos, terminou em Dezembro de 1998 com a publicação de Tex Nº 350, “A bomba humana”, de Mauro Boselli e Guglielmo Letterri.

A Mythos, uma nova editora no mercado não perdeu tempo e, no mês seguinte lançou a já famosa ,“O bando dos irlandeses”, de Mauro Boselli e Raffaele Carlo Marcello com o Nº 351. Também esta editora optou por manter a numeração, o que se compreende, pois não houve interrupção em termos temporais. Esta fase perdura até hoje, com o ultimo número a ser publicado recentemente  em Agosto passado, o Nº 525, “O passado não perdoa”, de Pasquale Ruju e José Ortiz.

ASPECTOS A CONSIDERAR E OUTRAS CURIOSIDADES

•    O Nº 1, “O signo da serpente” publicado pela editora Vecchi em Fevereiro de 1971, veio acompanhado por um brinde: Um arco e flecha de plástico.
•    Os primeiros 37 números foram publicados num formato ligeiramente maior (14cmx21cm), muito semelhante ao italiano (16cmx21cm). Apesar disso não existia aproveitamento do formato italiano, pois os dois centímetros cortados em largura, implicavam deixar em branco vários centímetros nas partes superior e inferior das páginas. A redução de formato para o actual (13,5cmx17,5cm), a partir do Nº 38, pouco alterou a dimensão das vinhetas, apenas teve como consequência a eliminação dos enormes espaços em branco, nas partes superiores e inferiores das páginas.
•    Até ao Nº 39 apenas foram publicadas histórias completas. A primeira história em continuação ocupou três números (40 – O bruxo Mouro, 41 – O mistério das pedras venenosas e 42 – A caverna do vale dos gigantes).
•    As edições Nº 78 e Nº 160 vieram acompanhadas de pósters, tal como o brinde do Nº 1, estes pósters são hoje itens muito raros e caros.
•    A editora Vecchi lançou diversas edições especiais com histórias completas, com um maior número de páginas, entre 160 e e 240 páginas, intituladas de “Especial de Natal” ou “Especial de férias”. Estas edições faziam as delicias dos coleccionadores, limitados à existência de Tex e Tex 2ª edição. Para a editora significavam um aumento das vendas, uma vez que eram adquiridas, para além dos compradores habituais, por aqueles que gostavam de histórias de “Western”,  mas não estavam dispostos a esperar dois ou três meses para a conclusão da história. Os números das edições especiais da Vecchi são:  22, 34, 46, 58, 70, 82, 88, 94, 100, 106, 112, 118, 124, 135, 150 e 160 .  A editora Globo publicou apenas uma edição especial, o Nº 300, intitulado “Oklahoma”. A Mythos, duas edições: Nº 400, “Homens em fuga”, edição colorida e o Nº 500, “Os demónios da noite”.
•    Devido ao enorme sucesso da colecção, a editora Vecchi lançou uma segunda edição em 1977, proporcionando desta forma a possibilidade de os coleccionadores completarem as suas colecções, mesclando as duas edições. Esta forma de completar a colecção é aceitável, no entanto, desvaloriza a colecção devido às diferenças existentes entre as duas colecções, principalmente a partir do Nº 135. Devido à supressão da história “ A mão vermelha” do Nº 135 da segunda edição, as histórias publicadas entre o número 135 e o 150 da primeira edição, não correspondem às publicadas com a mesma numeração, na segunda edição.
•    Existem outros aspectos e outras curiosidades de menor importância nesta colecção, para conhece-los recomendo uma visita ao Portal Tex Brasil.

MELHORES HISTÓRIAS

Numa série tão longa que perdura ao longo de mais de quatro décadas, com cerca de duas centenas de histórias publicadas, existem dezenas de histórias que poderia referir. No entanto, vou me limitar a dez, sem identificar a ordem de preferência e sabendo que esta escolha é muito subjectiva, mas que na globalidade agradará à maioria dos Texianos.
•    A cruz trágica, argumento de G.L. Bonelli e desenhos de G. Ticci (50 – Flechas pretas assassinas, 51 – Tambores de guerra e 52 – Na polícia montada).
•    Assalto ao trem, argumento de G.L. Bonelli e desenhos de G. Ticci (71 – Assalto ao trem).
•    A grande intriga, argumento de G.L. Bonelli e desenhos de E. Nicoló (107 – O grande golpe, 108 – Em nome da lei, 109 – A cela da morte e 110 – A sombra do patibulo).
•    Missão em Great Falls, argumento de G. Nolitta e desenhos de F. Fusco (131- Missão em Great Falls, 132 – A rocha negra, 133 – Tortura e 134 – O ataque dos monties).
•    O solitário do Oeste, argumento de G. Nolitta e desenhos de G. Ticci (163 – O solitário do Oeste, 164 – Selva cruel e 165 O rosto do traidor).
•    A grande ameaça, argumento de G. Nolitta e desenhos de A. Galleppini (182 – A grande ameaça e 183 – O vingador mascarado).
•    O assassino sem rosto, argumento de G. Nolitta e desenhos de A. Galleppini (193 – O homem na sombra, 194 – Grito de guerra e 195 – A vingança de Jack Tigre).
•    Chamas de guerra, argumento de C. Nizzi e desenhos de G. Ticci (204 – Os abutres, 205 – Território inimigo e 206 – Fuga de Anderville) .
•    Orgulho Navajo, argumento de C. Nizzi e desenhos de G. Ticci (294 – Percurso infernal, 295 – Fúria vermelha, 296 – Na pista dos renegados e 297 – Tempo de matar).
•   Oklahoma, argumento de G. Berardi e desenhos de G. Letteri (300 – Oklahoma).
Apesar de seleccionar dez histórias, a selecção é sempre polémica pois ficaram excelentes histórias de fora, como: “Caçada humana”, “El Muerto”, “A patrulha perdida”, “O juramento de vingança”, “O passado de Kit Carson” ou mesmo, “O bando dos irlandeses”, que para muitos coleccionadores merecem estar  no Top ten.

VALOR DA COLECÇÃO 1

Avaliar algo, tal como seleccionar as melhores histórias é sempre subjectivo e, depende de muitíssimos factores. A avaliação da colecção que se segue, tem como objectivo proporcionar aos coleccionadores que procuram adquirir determinados números, ou mesmo a colecção completa, a ideia dos valores que poderão encontrar. Os valores que apresento são para artigos em óptimo estado, livros usados sem defeitos, apenas apresentando o miolo amarelado de acordo com a idade. Numa revista com quarenta anos é aceitável que as páginas se encontrem amareladas, o mesmo já não se aceita para uma revista com cinco anos, que deve apresentar-se com as folhas clarinhas.
•    O Nº 1 é sem dúvida a revista mais cara da colecção, um valor justo para este exemplar oscila entre os 150 e os 200€. Este exemplar tem um valor de tal modo elevado, que actualmente encontram-se no Mercado Livre, site de leilões brasileiro, cópias de alta qualidade a cerca de 100€.
•    Os números seguintes apesar de terem um valor elevado, o preço baixa drasticamente se comparado com o primeiro exemplar. Assim, do número dois ao numero nove podem ser adquiridos a um preço que oscila entre os 80 e os 150€.
•    Entre o número dez e o trinta e um, uma nova baixa de preço, com um preço a variar no intervalo entre os 50 e os 100€.
•    Para os números trinta e dois a trinta e sete, o último de formato aproximado ao italiano, os preços podem variar entre os 30 e os 60€.
•    A partir do número trinta e oito até ao número cem, existe uma grande quebra nos valores pedidos por estes números, comparado com os anteriores. Algumas edições poderão sair do intervalo apresentado, mas mais de noventa por cento poderão ser adquiridos a um preço que varia entre os 6 e os 15€.
•    Do Nº 101 até ao Nº 164, último número publicado pela editora Vecchi, a maioria dos números podem ser encontrados a um preço que varia entre os 3 e os 7€. As excepções são os últimos números publicados pela editora, entre o 159 e 164 que poderão atingir os 15€, assim como as edições especiais (106, 112, 118, 124, 135 ou 160) que poderão ser encontrados a um preço entre os 6 e 12€.
•    Os números publicados pelas editoras RGE e Globo são relativamente fáceis de encontrar, mesmo em Portugal, com preços a variarem entre os 2,5 e os 6€. O valor mais alto aceita-se para os primeiros números publicados pela RGE (165 ao 170) e os últimos números publicados pela Globo (340 ao 350). A excepção a estes valores é a edição especial Nº 300, “Oklahoma” que pode atingir os 15€.
•    Dos números publicados pela Mythos, apenas os primeiros números possuem valor superior ao actual 3,6€ por exemplar. Os números entre o Nº 351 e o Nº 400, assim como o Nº 500, edição colorida podem ser encontrados a preços que variam entre os 3 e os 6€, os restantes, entre 2,5 e os 3,6€, o preço de novo.
•    O arco e flecha de plástico, que foi oferecido com o Nº1 deve ser o item da colecção mais valioso, sinceramente não lhe consigo atribuir nenhum valor. Ao longo de todos estes anos nunca encontrei nenhum à venda, nem sequer no Mercado Livre, apenas sei da existência do brinde, por comentários nos fóruns e por artigos no Portal Tex Brasil.
•    Os pósters que saíram em conjunto com as edições Nº 78 e Nº 160, são dos artigos mais valiosos e raros desta colecção. Normalmente estas revistas encontram-se à venda sem os referidos pósters, que são vendidos separadamente. Se o póster da edição Nº 160 pode ser encontrado por preços a rondar os 15, 20€, o póster da edição Nº 78 atinge valores muito superiores, podendo rivalizar com os valores pedidos pelas primeiras edições, com excepção do Nº 1, ou seja, entre os 50 e os 150€.
•    A colecção completa incluindo os pósters, possui um valor que varia entre os 4300 e os 5000€. Excluo o arco e flecha por ser praticamente impossível, quer de avaliar, quer de encontrar à venda. Muitos coleccionadores poderão achar que estou a sobrevalorizar a colecção e, julgarem que se adquirirem aos lotes ou individualmente, poderão completá-la por um valor bastante abaixo. Até poderão conseguir, mas terão de ser bastante pacientes e estarem preparados para esperar vários meses ou mesmo anos, dependendo de quanto abaixo destes valores pretendem pagar. Quem está a iniciar a colecção, se optar por esta forma de a adquirir, inicialmente poderá ficar com essa ilusão, pois as primeiras compras que efectuar, se comprar aos lotes, provavelmente conseguirá preços bastante abaixo. Mas à medida que for comprando lotes, as revistas repetidas vão se acumulando e também os exemplares em mau estado, que vai querer substituir mais tarde. Quando as faltas se limitarem às poucas dezenas, normalmente os exemplares mais difíceis de serem encontrados, é que existe a percepção da dificuldade em completar e da justeza do valor da colecção. O valor anunciado também inclui o valor sentimental de quem levou mais de quarenta anos para conseguir completar esta colecção, valor esse, que por vezes é desprezado por quem está comprador.

LEGENDA:

1 – Os valores apresentados, para compras efectuadas no Brasil têm em conta o câmbio actual de, 1 Euro para 3 Reais e, incluem o valor estimado dos portes de envio e a pagar na alfândega. No entanto, quem fizer aquisições de pequeno valor, os elevados custos de envio vão fazer disparar o custo unitário. Para conseguir custos na ordem dos mencionados, há que dimensionar o peso das encomendas, para que os custos alfandegários e de envio, tenham pouco peso nos custos unitários. Para isso, o ideal é que estes custos não ultrapassem os 25% do total pago.

FONTES:

Tex, edição brasileira
Portal Tex Brasil (seguem-se os principais links):

http://www.texbr.com/texnormal.htm
http://www.texbr.com/tex/relacao_sr_1.htm
http://www.texbr.com/texnormal/curiosidades.htm
http://www.texbr.com/texnormal/resenhas.htm
http://www.texbr.com/artigos/artigos2002/otacilio_reflexao.htm
http://www.texbr.com/texnormal/editoras.htm
http://www.texbr.com/texnormal/ed1e2_diferencas.htm

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
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[1]
Texto de
Sérgio Madeira Sousa apresentado no blogue Thebonelliemporium em 23 de Setembro de 2013.

Copyright: © 2013, Sérgio Madeira Sousa

7 Comentários

  1. Ótimo texto e que deveria ser publicado numa revista mensal do Tex! Só faltou dizer que os pôsteres agregam valores se estão bem emoldurados! Me ofereceram 2000 reais nos meus dois pôsteres recentemente e que estão em perfeito estado… eu não vendi e nem penso em vender!

  2. Interessante matéria, embora eu talvez seja mais um leitor do que colecionador. Posteres e brindes nunca me interessaram muito, nunca os guardei. Só os textos e desenhos me atraem.

  3. Boa malha, Sérgio!

    Muita informação e bem interessante! Parabéns.

    A título de curiosidade, tenho a coleção completa (1.ª edição) e para conseguir a totalidade dos números foram precisos mais de 20 anos! Posters não tenho nenhum e nem sequer sonho com o arco e flecha ou o álbum de figurinhas!!!

  4. Ótima matéria, eu sempre tive a curiosidade de saber o valor das edições antigas do Tex.
    Eu comecei a colecionar Tex há um ano, mas me lembro bem que conheci as revistas do Tex nos anos 80 por intermédio de um amigo do meu pai, que tinha muitas destas revistas.
    Esta matéria me fez “voltar” no tempo 🙂

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