Entrevista com o fã e coleccionador: Rozan Silva

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Rozan Silva: Nasci em Barra Mansa, Estado do Rio de Janeiro, cidade esta que já foi uma das maiores produtoras de café  e leite do mundo. Tenho 45 anos e trabalho no ramo da informática, prestando serviços a empresas por contrato, e gosto muito de história, tendo sido Presidente da Academia Barramansense de História de 2004 a 2012. Sou também director do GREBAL – Grêmio Barramansense de Letras, instituição que publica em média 6 livros por ano de autores barramansenses.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Rozan Silva: Aprendi a ler com as revistas Disney. A primeira que ganhei do meu pai e tenho até hoje foi a Tio Patinhas 128, quando tinha 8 anos. Os meus pais deram-me muitas revistas, e foi quando comecei a minha colecção e a paixão pela leitura. Guardei quase todas as que ganhei, e hoje tenho quase 3.500 revistas de banda desenhada. Leio muitos livros também, tendo quase 3.000 em minha biblioteca.

Quando descobriu Tex?
Rozan Silva: Quando tinha 9 anos um amigo de meu pai emprestou-me o Tex nº 2 (Vingança de Índia). Gostei muito. Alguns meses depois, conheci no bairro em que morava um amigo cujo pai coleccionava Tex, então comecei a pegar emprestado e ler. Lembro como se fosse hoje, que li os Tex nº 77 e nº 78 (Pesadelo e Espectros) com muito medo (…risos…). Em 1980 mudei-me para o centro de minha cidade, onde moro até hoje. E o Tex acompanhou-me, pois o pai de outro amigo, o Sr. Luis Alves, que era meu vizinho de frente, também coleccionava Tex, e continuei a ler pegando emprestado dele. Quando passei a trabalhar, comecei a comprar as minhas próprias revistas de Tex e Zagor, na época lançadas pela Vecchi. Então, em 1993, o Sr. Luis propôs-me que comprasse a colecção dele, desde que continuasse a comprar as edições de Tex e emprestá-las para ele ler. Era o nº 285 (Rancho Dorado). Eu comprei a colecção dele, e foi a realização de um sonho!

Porquê esta paixão por Tex?
Rozan Silva: Sempre gostei de ler. Leio revistas e muitos livros. Mas Tex tem um lugar especial no meu coração. Quando li o primeiro Tex (o nº 2) havia acabado de passar por uma operação que pode ser simples (amígdalas), mas que para uma criança era um verdadeiro pavor, e a primeira revista que li após essa operação foi uma revista que para mim era nova (só conhecia as Disney, que leio até hoje) e não consigo explicar porque gostei, só que gostei. A paixão foi tão forte, que passou pela prova do segundo Tex que li, que era o nº 67 (Vingança dos Tuaregues) que era continuação do nº 66, e o exemplar que me chegou às mãos foi impresso com defeito (não tinha fim, as páginas foram encadernadas de forma errada pela editora e mais da metade da revista estava errada. Vejam como eram as coisas naquela época (…risos…). Mesmo assim fui atrás de mais revistas Tex para ler.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Rozan Silva: Tex lembra-me as personagens dos westerns antigos (meu pai era fã do John Wayne). Seu senso de justiça é único, e suas acções são as que gostaríamos de tomar. Ele é um herói de carne e osso, leva tiros, engana-se às vezes, mas continua em seu objectivo por justiça. Era fácil gostar de uma personagem assim.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Rozan Silva: Tenho cerca de 1.700 revistas da Bonelli, entre Tex, Zagor, Mister No, enfim, quase tudo que saiu no Brasil após 1971 eu tenho, com excepção dos Zagor da Vecchi e da Rio Gráfica (só tenho alguns). A peça mais importante para mim é o primeiro Tex que li, o nº 2 (Vingança de Índia), que é o mesmo que o amigo de meu pai me emprestou, e teve que me dar, pois não devolvi (…risos…).

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Rozan Silva: Apenas livros, mas gostaria de ter outras coisas do universo de Tex. Cheguei a ter o Álbum de Tex, completo, mas perdi numa mudança. Aliás, foi a única coisa de Tex que perdi até hoje.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Rozan Silva: Sem dúvida as estatuetas das personagens do mundo de Tex produzidas pela Hachette. Estou planeando comprá-las aos poucos.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Rozan Silva: O meu gosto tende mais para o sobrenatural e para os enredos envolvendo chineses e grupos afins, como o do Tigre Negro mas sou ecléctico, e gosto de todo tipo de histórias. Minhas favoritas são San Francisco, A Volta do Mestre e todas do Mefisto e do Yama. Quanto ao desenhador gosto de todos, mas destaco em especial o Civitelli. Quanto ao argumentista sou fã do Claudio Nizzi.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Rozan Silva: Agrada-me o seu dinamismo, a amizade que ele tem pelos seus, seu senso de justiça, e até seu humor sarcástico, como vemos em algumas histórias que ele implica com Kit Carson. Por falar nele, sempre que leio uma história em que o Kit Carson não está presente leio com um pouco de tristeza, pois acho o Carson uma grande personagem, que ajuda muito para que as histórias tenham um pouco de leveza e graça. Quisera eu chegar à idade do velho pard com toda a disposição dele, com mil batatinhas (…risos…). Não me lembro de nada que me desagrade, ou agrade menos em Tex. Afinal, considero Tex um amigo meu, um pard, e amigo meu não tem defeitos (…risos…).

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Rozan Silva: Tex é uma personagem atemporal. O mundo mudou muito nas últimas 6 décadas, mas as lições de Tex continuam a valer até hoje. Basta que você as transporte para o presente. Além disso, muitos de seus leitores conseguiram passar o gosto de Tex através das gerações, seja para o filho, para o sobrinho, ou para um vizinho. E conseguiram passar este gosto em um mundo que não era tão globalizado com o de hoje.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Rozan Silva: Infelizmente não tive ainda este prazer, mas conheço muitos de nome, através de seus trabalhos na Internet. Gostaria de me encontrar com outros pards, com certeza.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Rozan Silva: Quando comecei a ler Tex não havia computador nem Internet. As informações de bastidores (se é que se pode chamar assim), vinham através da secção de cartas (acho que escritas pelo Ota). Hoje sei quem são os autores e desenhadores de Tex, vejo pela Internet até a sede da SBE, sei quais são os próximos trabalhos a serem lançados. Enfim, meu Tex, que era apenas (e sem depreciação, esse apenas me satisfazia muito) um mundo de leitura que considerava quase que só meu, passou a ser universal (e sempre foi). Poder dar esta entrevista e demonstrar meu amor pelo universo que é Tex, e compartilhar com leitores do Brasil, de Portugal, e do mundo minhas ideias a respeito, é muito bom. E com essa facilidade toda surgiram e surgirão novos autores, desenhadores e editoras. Por isso vejo que o futuro do Ranger é infinito, pois ele sobreviveu a muitas intempéries, e nunca nos decepcionou. Passei o gosto de Tex para meu filho, Igor de 12 anos. Acho que estou fazendo minha parte (falta ainda conquistar alguns vizinhos …risos…), mas espero estar ainda por muitos anos nestas pradarias, junto com Tex, seus pards, e todos que fazem parte do universo Bonelli, desde os coleccionadores, até aqueles que só leram Tex emprestado, como foi meu começo. Parabéns à Mythos, ao blogue português do Tex, ao portal TexBR e muito obrigado a você, José Carlos, pela oportunidade.

Prezado pard Rozan Silva, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

10 Comentários

  1. Parabéns Rozan pela sua grande, bela e bem cuidada coleção de revistas, porque podemos observar através das fotos que elas são embaladas em saquinhos de plástico.
    Mais uma vez parabéns, pela coleção e também por estimular o seu filho a ser um fã do ranger.

  2. Igor, bem legal essa entrevista que você fez com seu pai, estou muito feliz por você, parabéns por isso.
    Tex ”Ranger” é super legal, sou seu fã.

  3. Olá pard Rozan ! Parabéns pela sua grandiosa coleção, é muito legal conhecer mais um fã apaixonado pelas aventuras do nosso amado ranger. Que pena que você perdeu seu álbum que é verdadeira raridade! Longa vida a TEX!!!
    Um abraço!!

  4. Obrigado a todos, e principalmente ao Zeca, por publicar minha entrevista nesse blogue, que é tão importante para todos nós que fazemos parte do mundo de Tex!

  5. Parabéns pela entrevista Pard!!
    Muito legal a foto com a leitura de Vingança de Índia, 2ª ED.

  6. Parabéns pela linda coleção, pode se dizer uma das melhores coleções existentes no Brasil, parabéns!

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