Entrevista com o fã e coleccionador: Jessé Machado (Jessé Bicodepena)

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco. Fotos de Elisa e Rafinha.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Jessé Machado: Sou Jessé Machado popularmente no meio político chamado de Jessé Bicodepena (o Bicodepena se dá pelo facto de ter há mais de 20 anos uma empresa de design gráfico de nome Bico de Pena Artes Gráficas), nasci na cidade de Alagoinhas Bahia (distante 93 km da capital Salvador) em 1964, há 48 anos, sou empresário, contabilista de formação técnica  mas hoje dedico-me mais à politica partidária como presidente do PTC, Partido Trabalhista Cristão, faço politica por acreditar em uma sociedade mais justa e igualitária, tendo como molde o carácter do nosso Tex agindo com justiça e rectidão a favor do bem comum. E como não poderia deixar de ser, na medida em que fui adquirindo exemplares das revistas repetidas ou que não estava coleccionando resolvi abrir uma loja virtual, e hoje tenho duas de nome LOJINHA DO TEX nos endereços: www.bicodepena.loja2.com.br e www.texcolecao.com.br.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Jessé Machado: Com uns 8 anos eu era vidrado em revistas de banda desenhada, aprendi a ler com revistas de todos os géneros  com preferência para os infantis, e de super heróis  mas firmei-me mesmo foi com Tex Willer e Zagor.

Quando descobriu Tex?
Jessé Machado: Tudo começou aos 14 anos de idade quando de forma casual achei jogada no lixo uma revista do Tex. Creio se não me falha a memória que foi o número 94, Pacto de sangue. Encantei-me com a história  que na sua primeira edição saiu com a história completa e aí saí em busca de novos números e deparei-me que na sua maioria as histórias não tinha final tendo que na ânsia e curiosidade pelo final desempenhando uma busca desenfreada pela continuação. Infelizmente nas bancas só tinha lançamentos e como não tinha dinheiro para comprar, utilizei-me dos sebos (alfarrabistas) locais. Comecei a duras penas, como menino pobre que eu era a trocar as revistas que já tinha lido por outras que não tinha. Trocava com dó pois não aceitava perder algo que eu considerava tão especial. Como eu comecei a trabalhar cedo para sustentar a minha mãe e o meu irmão (aos 7 anos) não poderia me dar ao luxo de ter as revistas comigo, só comecei a coleccionar de facto aos 17 anos onde tive todas do número 1, “O signo da serpente” até o número 177, “Bandoleros“’ na primeira e diversas da segunda edição.
Tive o privilégio de ter também o Zagor do número 1 à última edição editada pela Vecchi e Rio Gráfica, na época duas colecções completas. Casei-me e fui trabalhar fora, depois de uma briga de casal e aproveitando a minha ausência, a esposa da época (hoje ex) tocou fogo em quase todas as revistas, sendo uns dos motivos para a separação. As que sobraram eu vendi bem baratinho, e afastei-me de Tex e de qualquer outra revista, isto no ano de 1985. No ano de 2009 (24 anos depois) quando o meu amigo Juarez Anunciação, um craque dos desenhos de Tex e de várias obras de arte, quem eu considero o maior artista plástico de minha terra com seus menos de 30 anos, emprestou-me várias edições de Tex para eu ler, e sem eu esperar a minha linda esposa presenteou-me com um Tex Gigante, o número 24 “Os Rebeldes de Cuba“, desenhado por Orestes que na minha concepção é um péssimo desenhador de Tex, mas guardo a edição com muito carinho, depois ela presenteou-me com 2 Tex Almanaque, daí decidi voltar a coleccionar e fui em um sebo e comprei de uma só vez 125 revista Tex Coleção e 12 Tex Almanaque voltando assim de novo ao mundo de Tex Willer, e hoje eu tenho três colecções de  Tex, faltando menos de 30 revista para completar Tex Coleção, 1 de Tex Anual e 14 edições de Tex Almanaque, num total de mais de 400 revistas de todas as edições. Tenho ainda outras 600 repetidas que coloco à venda na Lojinha do Tex.

Porquê esta paixão por Tex?
Jessé Machado: Porque Tex Willer com sua lição de homem digno, recto, carácter ilibado, justiceiro dos fracos e oprimidos ajudou-me, quase sem pai e sem mãe, na formação do homem que hoje eu sou. Identifico-me moralmente com ele e ajo no meu dia a dia usando estes princípios de vida.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Jessé Machado: Como eu falei antes, ele sabe distinguir a palavra “justiça” da palavra “vingança”.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Jessé Machado: Tenho nas colecções mais de 400 e um acervo de mais de 600 fora da colecção e todas são importantes. As mais importantes são as que minha esposa me presenteou.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Jessé Machado: Só tenho revistas mas pretendo ter outros objectos, principalmente os livros sobre o Ranger.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Jessé Machado: Nossa, dói quando me lembro das duas revistas número 1 “O signo da serpente“, primeira e segunda edição, sendo que hoje a número 1 da primeira edição passa de mais de 1.000,00 Reais e  eu já a possui. Dói e muito, não pelo valor monetário mas pelo valor sentimental.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia?
Jessé Machado: Como falei “Pacto de Sangue” é imbatível mas a história que mais gostei foi a trilogia de nº 95 a 97, “Terra Prometida“, “Cheyennes” e “Kento Não Perdoa” (esta capa ficou em minha memória a vida toda), não sei se foi porque foram as primeiras que eu li. Meus desenhadores são Galep, Fusco e Ticci. Acho que os desenhadores de Tex da actualidade têm um traço muito longe de Galep que é o pai dele, no argumento G. L. Bonneli deixará sempre um gosto de quero mais. Mas Nizzi e Boseli deixam-me sem dormir até ler o ultimo quadradinho.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Jessé Machado: Mais o senso de justiça e menos a opção dele em não se relacionar com outras mulheres. Ele tem que dar a volta por cima, a vida continua e nos braços de uma bela mulher tudo fica mais fácil. Li uma justificativa do editor a um leitor descontente assim como eu, mas não me convenceu.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Jessé Machado: A ideia de G. L. Bonneli em dispor de uma personagem com condutas ética e moral que qualquer cidadão se encaixa perfeitamente em executá-las se assim o quiser, em qualquer sociedade ou época, e seus filhos Sergio e Giorgio estão de parabéns em mantê-lo assim por tantas décadas mesmo mudando de argumentista de uma história para outra.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Jessé Machado: Hoje não mais, só por e-mail ou para emprestar revistas a leitores das antigas para terem o velho sabor do Oeste bravio na pele de Tex Willer.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Jessé Machado: Promissor. Como falei antes, a Bonelli Comics está de parabéns e se continuar assim será uma honra ver os meus três filhos e minhas duas netinhas lendo Tex. Hoje eu já tenho a minha esposa e a minha filha do coração que lêem Tex, a filha só tem um probleminha, ela só lê as coloridas e ai fica mais caro nè? (…risos…)
Abraços texianos a vocês do blogue.

Prezado pard Jessé Machado, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

11 Comentários

  1. Obrigado pelo carinho a mim dispensado por todos os pards texianos. Vida longa ao nosso Águia da Noite.

  2. Parabéns pela entrevista, que Deus esteja abençoando sempre sua vida e sua família. Bacana seu site de vendas, desejo muito sucesso.

  3. Mais um entusiasta de Tex, neste imenso Brasil. Por ele e por outros milhares, eu inclusive), TEX nunca acabará. Tenho certeza de que os leitores brasileiros (com o devido respeito aos leitores de outras nacionalidades) são os mais entusiasmados do mundo. Talvez nós tenhamos um sentido de justiça mais arraigado, não sei.
    Um abraço a todos, principalmente ao Jessé, seus filhos e sua linda e inteligente esposa (o coração dos homens é conquistado por revistas de Tex e não pelo estômago!. he he he)

  4. Parabéns pela coleção pard, e que consiga completá-la em breve, nada como vermos nossos sonhos sendo realizados, e vida longa à TEX independentemente do formato, coloração ou papel, aliás, danada de esperta a sua filha, além de estar certíssima (para o desespero do bolso) na escolha, TEC é tudo de bom!!

  5. Uma lojinha do Tex, que tri isso. Se a minha esposa tocar as mãos nos meus Tex, vira “ex” também. “Porque Tex Willer com sua lição de homem digno, recto, carácter ilibado, justiceiro dos fracos e oprimidos ajudou-me, quase sem pai e sem mãe, na formação do homem que hoje eu sou. Identifico-me moralmente com ele e ajo no meu dia a dia usando estes princípios de vida.” Que legal isso Jessé. Realmente, perder O Signo da Serpente deve ter sido uma dor, mas foi o caminho para um grande amor, e nisso Tex também te ajudou, de certa forma. Com relação a mulheres, acho que tá legal o Tex assim, na dele, exercendo um sacerdócio no combate ao crime. Eh eh eh eh, a guria só quer as coloridas? Buenas, tem bom gosto ela. Um grande abraço.

  6. Puxa meu amigo,
    que bela entrevista e que belas coleções.
    Esse é o operoso Presidente fundador do Fã Clube Tex Brasil!
    Grande abraço.
    José Leonardus, Presidente do Conselho Deliberativo do Fã Clube Tex Brasil.

  7. Feliz em saber de sua felicidade. Dedicação é a capacidade de se entregar à realização de um objetivo. Não conheço ninguém que tenha progredido na carreira sem trabalhar pondo energia e sentimentos nesse objetivo. O sucesso é construído, mas, para conseguir um resultado diferente da maioria, você tem de ser especial. Você atingir uma meta especial, planejou, permaneceu firme, trabalhou e conquistou, e o resultado foi à realização de um sonho. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica. Mas toda mágica é ilusão. E ilusão não tira ninguém do lugar onde está. A felicidade é a conquista do sucesso. Que ao receber essa mensagem seu coração pulse mais forte, seus olhos brilhem e seus lábios sorriam. Ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de amigos, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor. Isso é ter tido sucesso. Parabéns amigo!

  8. Rsrs… Também, queimar os Tex, aí já é demais. Interessante como algumas histórias de texianos, de lugares e situações diferentes, sejam tão parecidas. Outra trajetória exemplar de cidadão, a prova que texiano é texiano. Bela coleção! Parabéns pela entrevista. Abraço, pard!

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