Entrevista com o fã e coleccionador: Israel Donizetti Elias

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Israel Donizetti Elias: O meu nome é Israel, nasci em Alfenas, Estado de Minas Gerais no Brasil e desde 1983 que vivo em Sertãozinho no Estado de São Paulo. Profissionalmente sou metalúrgico.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Israel Donizetti Elias: Em 1980.

Quando descobriu Tex?
Israel Donizetti Elias: Tinha uns 13 anos (em 1980) e morava em Alfenas. Era um garoto muito pobre e mudamos para um bairro na periferia (Vista Grande) de Alfenas onde conheci uns três ou quatro garotos que coleccionavam Tex, Zagor, Mandrake, Fantasma, Ken Parker, etc., eu vendia picolé (sorvete ou gelado) e ganhava uns trocadinhos para comprar Zagor e   Fantasma que era um pouquinho mais cara que Tex. Eu trocava com eles minhas revistas de Fantasma por duas, às vezes até três do Tex e fui assim aumentando a minha colecção que uns três anos anos depois desapareceu…

Porquê esta paixão por Tex?
Israel Donizetti Elias: Como era muito pobre na minha casa não tínhamos televisão. Eu estudava meio período e vendia picolé na parte da tarde e ainda engraxava sapatos de noite. O meu divertimento era ler Tex, uma personagem que gosta de fazer justiça, ajudar os seus companheiros para além de ser rápido no gatilho. As suas histórias são muito emocionantes (vocês não têm ideia do quanto me emociono com Tex, dou até risadas sozinho) e já me peguei chorando e a minha mulher nem acreditou no que estava vendo, dai foram só gargalhadas. Gosto em especial das histórias com os quatros pards: Tex, Kit Carson, Kit Willer e Jack Tigre.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Israel Donizetti Elias: Não tem comparação, primeiro Tex é um cobói e um agente da lei que por incrível que possa parecer, às vezes ajuda até bandidos injustiçados. Para além disso é um herói que só depende de suas habilidades físicas e mentais.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Israel Donizetti Elias: A minha colecção está nascendo de novo. Já estou com um pouco mais de 40 revistas, mas tenho o objectivo de completar pelo menos Tex Coleção até no final de 2013. Para já possuo as edições 297, 298, 299, 300, 301, 302 e 310 até 322. E compro todas as edições de Tex Ouro, Os Grandes Clássicos e Tex Anual, aliás foi por causa de um Tex Anual que comecei a coleccionar novamente: O Caçador de Fósseis. Achei esta maravilha da dupla Segura & Ortiz que me despertou novamente para o meu herói adormecido 😉
Quanto à mais importante não sei! Gosto de todas mas talvez seja a que traz a história Pacto de Sangue, que por incrível que pareça ainda não a tenho.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Israel Donizetti Elias: Apenas livros e revistas mas agora estou descobrindo tudo de novo e quem sabe se não coleccionarei mais coisas interessantes do Tex.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Israel Donizetti Elias: O livro “O Meu Tex – A Balada do Oeste“, desenhado por Civitelli e com textos de Burattini.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia?
Israel Donizetti Elias: As histórias com Mefisto com especial destaque para A Volta de Yama. Quanto ao desenhador preferido sem dúvida é o Aurelio Galleppini (Galep), mas actualmente o desenhador Fabio Civitelli é o melhor. Inversamente o que gosto menos é o Victor De La Fuente que desenhou Springfield Calibre 58, pois na minha opinião Tex está com uma estatura muito baixa e Kit Carson não parece com o perfil já acostumado do nosso Galep.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Israel Donizetti Elias: É muito difícil falar do que me agrada mais, mas falar do que agrada menos é mais fácil: o atraso das revistas que não saem nas datas certas. E ainda por cima ter que ouvir os argumentos dos donos das bancas: “Este Tex é enrolado”.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Israel Donizetti Elias: Ser um defensor dos fracos e dos oprimidos, não ser racista e ser amigo dos índios para além de ser um agente da lei que age conforme a sua própria opinião.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Israel Donizetti Elias: Não mais.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Israel Donizetti Elias: Gostaria que com as baixas que sofremos em nossa aldeia, os autores mais novos que assumirão o comando do barco, não deixem ele ir à deriva e que continuem escrevendo e desenhando o nosso épico herói. Inspiração é o que não vai faltar, pois na minha opinião Tex é imortal.

Prezado pard Israel Donizetti Elias, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

12 Comentários

  1. Parabéns pelo bom gosto, Israel!
    Precisamos de pessoas como você nesse mundo tomado de viciados em tecnologia, em que leitura e imaginação infelizmente acabam ficando para trás. Boa Sorte no recomeço de sua coleção, fique bem companheiro texiano!!

  2. Olá Pard! Todos nós começamos assim, sempre numa descoberta, e a partir da tomamos gosto, pode ser por qualquer coleção!! Eu demorei 15 anos… e hoje posso dizer que não me arrependi, de todas as edições de TEX só me falta um (1) numero. Parabéns, um dia chegarás lá.!

  3. Também rio sozinho lendo Tex. Quando minha mulher está perto, leio umas falas mais engraçadas de Tex e dos outros personagens imitando as vozes. Queria ver os donos de bancas daí falarem isso (enrolado) para o Tex… “É um defensor dos fracos e dos oprimidos, não ser racista e ser amigo dos índios para além de ser um agente da lei que age conforme a sua própria opinião.” Realmente, bem o que o Tex é.

  4. Olá, quero dizer a todos que tenho muito orgulho de ser filha desse homem, que mesmo com toda essa história de vida sofrida, sempre tentou fazer o melhor por toda a família. Ele nos deixou muito cedo, faleceu em um acidente de carro na cidade onde ele nasceu dia 6 de agosto de 2013. Saudades pai.. te amo muito!

    • Prezada Priscila,
      em nome de todo o staff do blogue português do Tex lhe envio os mais sentidos pêsames a si e a toda a família e amigos deste nosso grande Amigo, o Pard Israel Donizetti Elias, pessoa fascinante e que tive o privilégio de contactar aquando desta entrevista que nos mostra bem a fibra do seu pai que agora descansa, nas pradarias celestiais, junto de tantos e tantos autores de Tex que ele apreciava!

  5. Prezada Priscila Elias,
    eu estou triste com a partida do Israel Donizetti Elias para as pradarias celestiais.
    Os meus pêsames para a Famílias Elias.
    Com amizade.

  6. Priscila, sinto muito pela partida de seu pai. A história dele me emociona pois é muito parecida com a minha e de muitos texianos. Que Deus lhe dê forças para superar este momento tão difícil.

  7. Lamento a perda de um grande texiano. Tomara que lá nas pradarias celestes encontre-se com Sergio Bonelli, Aurelio Galleppini, G. L. Bonelli e tantos outros mestres.
    Um sincero abraço nos familiares.
    Espero que tenha deixado um sucessor que também goste de Tex.
    Ruy

  8. Agradeço a todos pelas palavras de conforto, essa entrevista me traz uma grande lembrança, ele me mostrou essa entrevista todo orgulhoso, e me pediu para tirar essas fotos. Meu pai era uma pessoa muito alegre, divertida. E quanto ao sucessor, ele deixou um netinho (meu filho) de um aninho, que vai crescer ouvindo falar desse avô texiano, e quem sabe ele dará continuidade a coleção.
    Abraço a todos.

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