Entrevista com a fã e coleccionadora: Michelle Lima

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Michelle Lima: Bom, meu nome é Michelle Lima, nasci em Recife, Pernambuco em 16 de Agosto de 1990. Estou terminando o curso de Direito e adoro tocar guitarra.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Michelle Lima: Quando criança eu lia algumas histórias da Turma da Mónica, Zé Carioca e tal, mas nada que me fizesse realmente gostar de ler histórias em quadradinhos, pois eram coisas comuns que eu assistia directo na TV, nada empolgante, eram desenhos normais. Meu interesse mesmo começou quando conheci Tex.

E quando descobriu Tex?
Michelle Lima: Eu tinha na época uns 16 anos quando o meu pai apareceu com umas BDs diferentes em casa, que eu nunca tinha visto, ele comprou para ele mesmo ler. Passou um tempo e elas continuavam lá, foi quando eu decidi ler, achei diferentes das histórias que já tinha visto em outras revistas, eram em preto e branco e cheio de bang bang. Foi quando li as primeiras histórias do grande Tex Willer. A primeira foi o número 352 – O ouro do imperador, eram 5 revistas, que se seguiam até a 356- O retorno do Tigre Negro, essa edição tem o desenrolar da anterior, a 355- Um ranger em perigo, e já começa uma nova aventura com essa personagem que me chamou muita atenção desde o primeiro momento que dei de cara com aquela revista de faroeste. Como a história não terminava fiquei com muita vontade de ver o desenrolar da trama, mas como era uma história antiga ficou difícil achar nas bancas de revistas. Como não achava a continuação da história resolvi comprar as actuais que estavam saindo nas bancas. E volta e meia estou lá nas bancas de revista comprando as histórias em quadradinho dessa personagem que tanto gosto, Tex Willer.

Porquê esta paixão por Tex?
Michelle Lima: As histórias de Tex, trazem um escape da vida comum levada por muitos, traz à imaginação coisas que te levam a outro mundo, uma viagem com muita acção, humor e a coragem de Tex em enfrentar qualquer um que atravesse seu caminho rumo à justiça. Tex é emocionante, cheio de surpresas, passa por muitos caminhos, atravessa aldeias indígenas sempre muito respeitado por todos, o grande Águia da Noite, passa por Saloons, cidades fantasmas, povoados, etc., sempre com um ar sereno e muito respeitador, temido pelos mais maléficos bandidos. Quando se junta com seus companheiros e amigos, especialmente os três principais (Kit Willer, Jack Tigre e Kit Carson) é certeza de histórias que vão te fazer prender o fôlego até à última página e de que será uma viagem inesquecível. É isso que me faz gostar tanto de Tex.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Michelle Lima: Tex é uma personagem diferenciada das outras das histórias em quadradinhos, até mesmo daqueles dos filmes famosos de faroeste, onde havia muitos anti-heróis. Tex é um verdadeiro herói, mas diferenciado daqueles heróis criados em que você tem muita imaginação mas falta de realidade\humanização na coisa toda. Tex é humano, uma pessoa que não tem super-poderes, nem veio de outro planeta, mas uma pessoa comum com senso de justiça, sério, mas em muitas vezes engraçado, que busca aquilo que é certo e não tem medo de encarar autoridades ou bandidos para que a justiça seja feita. É preciso tanto com um colt, quanto com uma faca, ou até mesmo só com as mãos. Juntamente com os seus amigos de aventura, Tex demonstra que é esse diferencial que faz as pessoas ficarem fissuradas em suas histórias.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Michelle Lima: Tenho um total de 103 revistas de Tex, e que eu espero aumentar e muito esse número. Para falar a verdade, para mim e acho que para a maioria dos coleccionadores de Tex, é difícil dizer com precisão qual é a mais importante. Mas, vou tentar responder a essa pergunta. Uma revista muito especial para mim de Tex, é a do especial de 60 anos de Tex – Na trilha das recordações -, que é feita em papel especial, em cores, é uma história inédita e é uma história que traz à tona uma coisa pouco falada em suas histórias, que são as recordações de Tex da sua esposa Lilyth. Para mim essa é uma revista muito especial principalmente por ser da comemoração dos 60 anos de Tex.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Michelle Lima: No momento coleciono apenas os livros, o que já me traz uma alegria muito grande. E muitas viagens, à aldeias indígenas, várias cidades americanas e até canadenses 😉

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Michelle Lima: Acho que miniaturas do nosso Ranger seriam os objectos que eu gostaria de ter, e também  algumas revistas especiais com desenhos de Fabio Civitelli.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Michelle Lima: A minha história favorita de Tex é A Cidade Corrompida, de Tex Almanaque. É uma história que chama muito a atenção principalmente porque é recheada de pancadaria e muita explosão, bem ao estilo Tex. O desenhador que eu mais gosto é o Fabio Civitelli, na minha opinião o melhor desenhador de Tex, pois retrata-o com uma perfeição incrível, seus traços são claros e precisos e traz uma beleza inigualável a esse território de velho oeste. Civitelli é um desenhador que, desde a primeira história de Tex que eu li, desenhada por ele, eu percebi a grandiosidade desse desenhador que nos faz viajar ao ver as histórias de Tex com uma beleza inigualável que só Civitelli traz ao mundo do faroeste.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Michelle Lima: As histórias cheias de pancadaria e bang bang, também gosto muito do Kit Carson e suas famosas frases e as caras que faz quando Tex resolve enfrentar uma missão mais arriscada. É difícil dizer uma coisa que menos me agrada em Tex, ele é uma personagem incrível, mas talvez seja o facto de que muitas revistas não têm final, você tem que esperar um mês inteiro, de ansiedade, para saber o final da história.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Michelle Lima: Suas histórias são cheias de acção e emoção, com roteiros bem definidos. Tex traz em suas histórias um senso de justiça muito interessante, ele é uma personagem íntegra e respeitada por todos os que o conhecem, que busca sempre as coisas justas e certas, e mesmo que às vezes possa estar errado em seus métodos, ou só um pouco mais bruto, até devido à época em que vive, sempre está voltado para o bem. Sem maldade em seu coração, segue sempre recto pela estrada da vida, que vem cheia de acção, no caso de Tex.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Michelle Lima: Infelizmente não. Conheço algumas pessoas que já leram Tex quando criança, ou adolecência, mas não conheço, na minha cidade, colecionadores de Tex.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Michelle Lima: É um futuro promissor, pois muita gente está descobrindo este mundo do velho Oeste com Tex, já mostrei as histórias do nosso Ranger para alguns amigos meus e eles adoraram. Acho que Tex vai continuar nas bancas e no imaginário de muitas pessoas por muito tempo.

Prezada pard Michelle Lima, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Michelle Lima: Queria só pedir que na entrevista incluísse um agradecimento meu ao pard G. G. Carsan que foi quem nos apresentou! Conheci ele em João Pessoa e é um fã muito contagiante de Tex.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

24 Comentários

  1. Parabéns pela entrevista e pelo fascínio que fala do nosso Ranger. Continue sempre com esse entusiasmo.

  2. Muito abrigada gente, agradeço demais as palavras de elogio! Valeu Felipe, Emerson e Mattheus! 😉

  3. Michelle podíamos unir nossas coleções do TEX e os livros jurídicos? Que acha?
    Brincadeira, parabéns pela coleção!

  4. Parabéns Michelle pela entrevista e por ser mais uma mulher colecionadora de Tex. Com certeza sua coleção ainda vai aumentar muito. Não moramos tão longe um do outro, eu aqui em Arcoverde a 270 km da capital pernambucana. Abração e continue firme e forte tanto na sua coleção, como em seu curso de direito. Abração.

  5. Só quero ver quando o também texiano pai da Michelle levar as mãos às armas para proteger a filhota desses velhos a la Kit Carson. kkkkkk
    Bem, quero acrescentar que a Michelle é realmente apaixonada pelo Ranger civitelliano e inclusive eu disse isso pra ele lá em Sampa, e na semana passada estive em Recife e levei-lhe em mãos um desenho autografado pra ela pelo astro aretino, fazendo-lhe muito feliz. Ela estava acompanhada da família e no papo com o seu pai, fiquei sabendo que eles têm uma propriedade rural e lá tem cavalos, e adivinhem o nome de um… acertou quem pensou em… isso mesmo, o antigo e eterno cavalo de Tex.
    Por fim agradecer a Michelle pela lembrança, mas foi o Grande Espírito que possibilitou o nosso encontro lá na Expo-Tex que fiz no HQPB 2012 e daqui pra frente é continuar com o Tex, o grande herói do faroeste, que nos traz enredos maravilhosos, personagens apaixonantes e desenhos inesquecíveis… e faz justiça a qualquer preço.
    Hasta la vista!

  6. Valeu Rafael e Jozemar! Marcilio mais gente de Pernambuco que gosta de Tex que bom, valeu! João Adolfo toco um pouco de Country sim, to procurando aprender mais sobre esse estilo que gosto muito, toco blues e rock rsrsrs 😉
    Isso G.G. Dinamite é o nome do cavalo rsrsrs Agradeço mais uma vez pelo autografo de Civitelli que adorei demais!
    Valeu gente! 😉

  7. Bela matéria, as mulheres estão lendo cada vez mais Tex, isso mostra que os fumetti não vão perder fôlego, já que temos uma nova geração chegando.

  8. Nossa, que maravilhoso é o seu entusiasmo almejando novas e excelentes leituras pelas pradarias do Oeste com Tex e seus pards. Mantenha sempre essa motivação pela leitura, pois considero um hábito muito saudável para nossa saúde mental.
    Beijos e tudo de bom pra você.

  9. Parabéns Michelle pela entrevista e por ser mais uma mulher colecionadora de Tex e pernambucana.
    Sou de Pernambuco da cidade de Timbauba a 100km da capital.

  10. Parabéns Michelle, além de bonita você tem muito bom gosto, aliás, ler TEX também é cultura. Forte abraço garota.

  11. Parabéns Michelle, pela entrevista e pela coleção de Tex; é bom ver mais uma garota que gosta de HQ, diferente da maioria das pessoas (do Brasil) que acha que gibi é coisa para crianças. Uma pergunta: você gosta do Tex em cores? Que vai começar a sair de novo a partir de janeiro.

    Um abraço.

  12. Parabéns pela entrevista e fotos da coleção.
    Coloquei sua entrevista no meu blog para os meus leitores ouvintes possam te ver e ler.
    Abraços.

  13. Parabéns por mais uma mulher na lista de pard´s do nosso Tex. Colecionava TEX desde 1975 e em 1980 cheguei a ter as duas coleções completas a 1ª e 2ª e Zagor eu vi nascer no Brasil.
    Mas em 1985 fatalmente perdi todas motivada pelo ciumes de uma ex-mulher.
    Parei de ler e colecionar desde aquela época.
    Mas graças a um presente de minha esposa atual a edição gigante de Tex nº 24, Os Rebeldes de Cuba me deparei com um Tex diferente e com um desenho que pra falar a verdade não gostei. Pois só tinha em mente os traços de Galep, Ticci Letteri, Gamba, Nicolò, Fusco e alguns do tempo antigo.
    Aí comecei a comprar e me deparei comprando 15 revista Almanaque e 125 da Tex Coleção. Hoje tenho 5 coleções com a Anual, Almanaque e Tex Coleção quase completas e mais de 250 da primeira edição e umas 50 da segunda.
    Tenho uma loja a Lojinha do TEX no endereço http://www.bicodepena.loja2.com.br
    Visitem-me mandem emails e vamos levar nosso Ranger para novos leitores.
    Abraços e sucesso a todos texianos.

  14. Muito boa a entrevista. É muito bacana ver leitores(as) tão jovens do ranger mais famoso do mundo, leio Tex desde os 11 anos e espero que seu número de colecionadores se expanda cada vez mais em todas as gerações.

  15. Michele! Tambem sou pernambucano de Afogados da Ingazeira e se não me falhe a memoria, Grilo também é de Recife, parabéns pela entrevista, final do mês estarei aí em Recife.

  16. Olá Michelle, Parabéns pela sua escolha, eu também tenho perto de 150 edições [diversas] do Tex, tenho até uns exemplares gigantescos e em italiano (são poucos) você precisava ver a qualidade do papel e da tinta preta [é preto mesmo] e não cinza como as nossas. (é diferente!) Li toda sua entrevista e muito do que você falou [era como se eu estivesse sendo o entrevistado] em vários pontos penso muito igual a você. Comecei a ler Tex com 8 anos e me entusiasmei rapidamente. Comprei muitas edições usadas em bancas (tipo Sebo) em São Paulo, pois havia números antigos que eu não conhecia, e eu queria de qualquer forma ver o final (como você citou, era angustiante). Possuo também alguns “scans” de várias edições que achei pela internet. Fico feliz pelo seu bom gosto e por sua entrevista, estou morando no estado da Bahia. Se quiser entrar em contato, para trocarmos ideias a respeito, Eis o meu e-mail: edf1103@bol.com.br
    Fique em paz.
    Ed

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