Reencontrando Fabio Civitelli em São Paulo

Reencontrando Fabio Civitelli em São Paulo

Por Filipe Chamy

Filipe Chamy e Fabio Civitelli no Fest Comix em 2010

Já havia conhecido Fabio Civitelli em 2010, por ocasião também do Fest Comix paulistano — uma grande feira de quadradinhos que apresenta alguns eventos e participações de quadrinistas e gente da área.

Naquela ocasião, Civitelli mostrou-se extremamente solícito e educado. Mas eu fiquei com uma pequena desilusão: Civitelli não me fez um desenho exclusivo! Alegando não desenhar na hora, pois já havia desenhos prontos (o da ocasião era Tex na Avenida Paulista), ele acabou me ofertando apenas óptimas conversas e muita cordialidade.

Pouco tempo depois, por este blogue capitaneado pelo amigo de além-mar José Carlos Francisco, o Zeca, pude ver que ele realmente não fez toneladas de desenhos — mas alguns poucos felizardos haviam ganho sim um belíssimo agrado na forma de rápidas (e lindas) artes originais de Tex, Lilyth, Kit Willer, Carson e Tigre. Apesar de ter adorado conhecer Civitelli e passar dois belos dias bonellianos junto a amigos que dividem essa paixão comigo, fiquei por dois anos sempre um pouco chateado por olhar na minha parede uma arte reproduzida, que muitos possuíam igual.

Aí neste 2012 aparece o anúncio de que Civitelli voltaria ao Fest Comix. E lá fui eu, esperançoso; além dele, os também míticos Moreno Burattini e Roberto Diso. Caso eu não conseguisse um desenho, a experiência de ver essas lendas reunidas já compensaria qualquer esforço em ir abraçar essa oportunidade.

Eu havia chegado no sábado, dia 20 de Outubro, pouco depois das quatro e meia da tarde. A fila de Civitelli era maior que a dos outros dois artistas, bem maior, e só fazia crescer. Um pouco ressabiado, deixei passar essa vazão e enquanto isso peguei desenhos e autógrafos de Diso e Burattini, conversando animadamente com eles e com os amigos que encontrei no stand da editora Mythos, onde estávamos reunidos.

Filipe Chamy e Fabio Civitelli no Fest Comix em 2012

Foi G. G. Carsan quem me disse que Civitelli estava cansado, há horas assinando e atendendo ao público. Claro que na hora senti um misto de admiração, por ser o simpático italiano tão acessível e humilde, e preocupação, pois se ele estava cansado o meu desenho exclusivo parecia estar cada vez mais distante! Mas, munido de coragem e audácia (afinal, não sou leitor texiano?), fui em frente e entrei na fila. Em breve saberia se minha intrepidez daria resultado.

Quando chegou a minha vez, deparo-me com um Civitelli ainda mais afectuoso que em 2010! Cumprimentou-me, e disse que se lembrava de mim, eu havia ido de Dylan Dog em 2010! Sim, é verdade; e agora em 2012 eu estava com uma camiseta de Zagor. Civitelli pareceu se divertir com o facto, e dedicou-me um desenho pronto, “Para Filipe, ex Dylan Dog“. Foi um gesto verdadeiramente amigo, muito marcante.

Falando em amigo, eu pedi a Civitelli vários autógrafos para o meu amigo Paulo César, que não pôde ir à feira, mas, fã de Tex e de Civitelli, me havia pedido vários itens para serem adquiridos e assinados no Fest Comix. O bravo Fabio não se recusou em nenhum momento a assinar qualquer livro/revista, e mesmo estava tão disponível que pedi que dedicasse o seu impressionante Tex Gigante a minha mãe, grande admiradora de seu traço!

Tex de Fabio Civitelli para Filipe Chamy, Fest Comix 2012

Até que eu pedi o desenho. Civitelli fez uma pequena careta de hesitação, como quem diz: ah, mas todo mundo se contenta com o desenho…“. Não que estivesse de má vontade; pelo contrário, ali está um artista que faz de tudo para agradar a um seu apreciador. Mas é que realmente devia estar bem cansado, já quase encerrando o “expediente”. Mas eu insisti brevemente, e disse que ele não havia me feito um desenho em 2010. Pois aquela deve ter sido a senha para ele se decidir: fez uma expressão de que o problema (a falta de desenho) precisava ser corrigido. E pegou uma folha de papel e, armado de sua caneta, começou a desenhar um Tex, este que posto aqui junto a este pequeno texto. Não querendo me gabar, é talvez o Tex mais bonito que já o vi fazer para um leitor — pelo menos considerando o que já conferi Internet afora.

O desenho já está em vias de virar um quadro, e guardo/guardarei na lembrança com intensidade o carácter fraterno que Civitelli demonstra a quem for, contagiando a todos com sua alegria pela profissão (e por Tex) e com sua excelente personalidade, que acolhe e anima quem por perto estiver. Esta pequena crónica, com suas fotos e vídeos (inclusive Civitelli cantando, e em dueto com Burattini!), é uma nota de gratidão a esse grande artista
bonelliano que cada vez mais podemos chamar de “nosso amigo brasileiro”.

Vídeos bónus:

Civitelli desenhando o meu Tex
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Civitelli cantando Tom Jobim
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Civitelli em “dueto” com Moreno Burattini
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(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

14 Comentários

  1. Muito boa a oportunidade de poder relatar nesta importante “vitrine” esse reencontro com Civitelli. Tomara que ele possa ver esse texto, pois eu falei para ele que colocaria o vídeo de sua cantoria no YouTube… 😀

    • Filipe, pode ter a certeza que o Civitelli verá este seu texto, pois o Civitelli é um leitor assíduo do blogue português do Tex 😉

  2. Caramba, amigo Filipe, tive a sorte de ganhar um desenho do Civitelli também… E tão bonito quanto o seu.

    Em breve vou fazer o meu relato no Quadro a Quadro!

    Parabéns pela aquisição e belíssima crônica!

  3. Parabéns, Filipe.
    Um autógrafo dos nossos autores bonellianos já é motivo de comemoração e um belíssimo Tex do Civitelli é um prêmio que todo colecionador almeja. Fui embora antecipadamente e não pude conversar contigo. Espero revê-lo num próximo encontro bonelliano.
    Abraços,
    Nilson Farinha

  4. Mas foi um prazer te ver por lá, Nilson! Pelo menos pudemos nos cumprimentar, ainda que brevemente. Nunca esquecerei um fato em minha “vida texiana”: foi você quem me presenteou com meu primeiro Tex italiano, muitos anos atrás, ao perguntar no Fórum TexBR quem não possuía nenhuma edição original do nosso ranger
    Um abraço!

  5. Fantástico desenho de Fabio Civitelli, o grande embaixador de Tex, mestre da nona arte. E bom cantor… (onde se compra o disco? LOL)

  6. Que bacana, num próximo encontro pedirei um desenho exclusivo (não 5 feito o Ezequiel – 1º da fila -… brincadeira!) para eles, aliás me lembrava, hoje mais tarde, que o Civitelli ficou espantado quando lhe dei um Mister No da Mythos, com roteiro do Sclavi para ele dar um autógrafo e disse: “Este não tenho, vou pedir a Dorival“, em um português melhor de que vári@s compatriot@s por estas banda!! 😀
    Os 3 artistas foram extremamente gentis, bem humorados, e com uma força/garra férrea, em meio a toda aquela loucura que foi a FestComix!
    Valeu por compartilhar conosco, mais este belo relato, Filipe!!
    Disse mais este, pois o outro relato dele, segue: http://www.zagorgigante.blogspot.com.br/2012/10/darkwood-paulistana-ou-burattini-em-sao.html

  7. Ei, não havia visto o post do Lucas, amigo de anos que só esta semana pude conhecer pessoalmente… Aguardo o teu Tex, mas duvido que seja tão belo quanto o meu! 😀

    Zeca, que bom que o Civitelli verá esta postagem, torço junto ao Orlando para que ele prossiga paralelamente na carreira de cantor… rs

    Wilson, também já levei Mister No para ele assinar, como se pode ver na primeira foto ali em cima. E aliás, fiquei pensando… Será que eu devo pedir na próxima vez para ele me desenhar um Mister No?

  8. Parabéns Filipe, eu sou fã do Tex, mas não fui à Fest Comix, mas fiquei muito feliz em saber que o Fabio Civitelli foi muito cordial e educado com todos os fãs e você ainda teve a felicidade de conseguir um desenho exclusivo. Da minha parte ao saber que os artistas tratam tão bem os seus fãs, só me faz ser cada vez mais fã de toda a família Texiana, e espero algum dia quem sabe ter a oportunidade de participar de uma feira destas.

  9. Belo relato Filipe. Civitelli é realmente tudo isso dito por Luan, a gentileza em pessoa – estive ontem na Gibicon e posso testemunhar (em causa própria) essa afirmação. Mas não ficam atrás os demais companheiros, e daí acho que posso afirmar: todos os demais bonelianos! Parabéns pela experiência e pelo relato, pard!

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