Entrevista exclusiva: MIGUEL ANGEL REPETTO – Uma viagem a Lujan

Entrevista conduzida por Jesus Nabor Ferreira, com a colaboração de José Carlos Francisco.

UMA VIAGEM A LUJAN

Maria Celina, Jesus Nabor e Miguel Angel RepettoCheguei a Lujan, província de Buenos Aires, situada a 60 km da capital argentina, por volta das 16 horas. A ideia era fazer uma entrevista a um dos maiores desenhadores de TEX da actualidade; um veterano desenhador argentino que há já alguns anos trabalha para a Sergio Bonelli Editore. Este desenhador chama-se MIGUEL ANGEL REPETTO.
Ao chegar, fui recebido pelo Mestre e por sua esposa, a senhora Maria Celina que nos convida para passarmos à sala, onde nos brinda com um excelente café! Repetto não representa a idade que tem; talvez o entusiasmo e amor pela banda desenhada sejam o factor que o mantém assim jovem.
Sobre a mesa há vários desenhos originais em tamanho natural, de TEX e de outras personagens de Repetto. O desenhador, já tinha preparado várias cópias de alguns dos seus originais (os quais eu fiz questão de pedir que ele autografasse) para que eu levasse como recordação desta viagem de sonho. Sobre dois cavaletes em volta da mesa, há vários retratos de crianças, que fico a saber serem dos seus netos. Os quadros foram pintados por ele mesmo, pois Repetto também é um óptimo retratista. Ao todo são cinco netos.
Enquanto tomávamos o café, começo a entrevistar o ídolo:

ConrackPeço que faça uma pequena introdução, contando um pouco da sua história, onde e quando nasceu, enfim, os seus dados pessoais.
Repetto: Nasci em Lujan, província de Buenos Aires no dia 17/02/1929 e sim, ainda que não pareça (risos) já tenho 78 anos. Casei-me aos 29, com Maria Celina, ou seja, já temos praticamente 50 anos de casados. Tivemos dois filhos: Alejandra e Miguel que nos deram cinco netos, os quais sempre pedem-me que lhes ensine a desenhar, coisa que faço com muito gosto. Minha filha Alejandra é argumentista (e poeta) e espera um dia poder trabalhar para uma grande editora.

Como foi que o senhor entrou para o mundo da banda desenhada?
Repetto: Quando eu tinha 17 anos, Ramon Columba promoveu um concurso de desenho. A minha mãe avisou-me e perguntou se eu não me iria inscrever. Entusiasmei-me e acabei por fazê-lo. O resultado foi a vitória no concurso.
Arte de Miguel Angel RepettoRamon Columba veio a Lujan para me entregar o prémio, cujo valor monetário já não me recordo quanto era, mas o mais importante era a possibilidade de fazer parte como desenhador, da Editorial Columba, uma das mais importantes editoras da Argentina. E assim foi. Comecei a desenhar, recebendo um salário; porém as minhas histórias não eram publicadas, isto porque me ofereciam trabalho para que eu praticasse, para que fosse lapidando o meu estilo, até estar pronto para ser publicado. Na verdade, eles estavam a pagar para eu aprender…
Quando Ramon Columba, depois de mais ou menos cinco anos, considerou que finalmente eu estava preparado para desenhar profissionalmente, tirou-me então da condição de assalariado e passou a considerar-me como pleno desenhador, pagando-me por página desenhada, como a todos os demais.
(n.d.r. – Repetto e sua esposa são admiradores incondicionais de Ramon Columba, a quem consideram um cavalheiro e a quem estão muito agradecidos, pois foi graças a ele que Repetto  ingressou no mundo da historieta, como chamam os argentinos à Banda Desenhada. Columba, explicou  a esposa de Repetto, era um caricaturista excelente, trabalhou muitos anos como taquigrafo no Congresso Argentino e ao mesmo tempo fazia caricaturas dos deputados, senadores e demais políticos. Foi assim que publicou um livro chamado “O congresso que eu vi“. Foi um dos maiores editores da Argentina, foi inclusive quem publicou pela primeira vez uma revista totalmente de banda desenhada, “El Tony”, cujo primeiro número apareceu em 1928.
DiegoMisturando autores nacionais – na sua maioria – com histórias importadas, “El Tony” chegou a ter uma tiragem de 300.000 exemplares – uma enormidade fantástica. Na década de 40, junta se ao titulo,  a revista “Intervalo”, dedicada  ao público feminino e depois conforme passavam os anos, foram  agregando-se outros títulos como “Fantasia”, “D’Artagnan” e por ultimo, “Nippur Magnum“, inclusive no Brasil, chegou a ser publicada uma revista chamada “Implacáveis”
)

Quais as histórias e séries que publicou para a editora Columba?
Repetto: Bem, ilustrei durante anos, a série Diego, um cowboy californiano, refinado, descendente de espanhóis, amigo dos menos favorecidos, que foi publicado também na França e Mapache, uma série com argumento meu, que foi publicada também na Itália, pela Editora Eura e ilustrei ainda Conrack e Dan Flyn.

Dan FlynnE para que outras editoras trabalhou?
Repetto: Na Argentina, publiquei também para a Fronteira, a editora de Oesterheld, de quem desenhei vários roteiros. Eram aventuras de aviação (guerra) e de western.
Também publiquei na Dante Quinterno Editora, o titulo Patoruzito e ainda na Editorial Bruguera. Para esta editora fiz uma série chamada Frontier Bill, que depois acabou sendo editada mais tarde também por Columba.

Que também foi editada  no Chile e na Espanha…
Repetto: Suponho que sim… Deve ter dado a volta ao mundo, como tantos outros trabalhos meus.

E também publicou algo seu nas Ediciones Record?
El CobraRepetto: Sim, eu tinha acabado de me formar e estava a fazer um doutorado (n.d.r. – Repetto é escrivão, que na Argentina é uma profissão superior a advogado) quando Scutti – o dono da editora Record –  chamou-me e disse que Arturo Del Castillo, que desenhava a personagem “O Cobra” (n.d.r – com argumento de Ray Collins – na verdade Eugenio Zapietro, um argumentista que era comissário aposentado da policia federal. “O Cobra” foi também publicado no Brasil na revista “Histórias do Faroeste”, da editora Vecchi) estava abandonando a personagem, para desenhar  “O Loco Sexton“ (n.d.r – também publicado no  Brasil  na revista “Skorpio” igualmente da editora Vecchi) com o argumento de Oesterheld .
Eu não tinha tempo para aderir ao trabalho, em função do doutorado, porém Scutti, tanto insistiu comigo e com a minha esposa, que me vi obrigado a aceitar desenhar “O Cobra“. Então a partir do episódio número 8, desenhei esta personagem por mais de 70 episódios.

Arte de Miguel Angel Repetto a preto e brancoEste talvez seja uma das suas personagens mais conhecidas, se exceptuarmos o Tex.
Repetto: Sim, ele foi publicado durante muito tempo na Itália, mas também em muitos outros países.

Procurando na Internet, informações sobre o seu trabalho, descobri que você foi publicado em diversos países, como por exemplo Itália, Espanha, Dinamarca e França. Você afirmaria que o seu trabalho com Scutti foi a sua porta de entrada  para a Europa?
Repetto: Bem, eu já tinha desenhado para editoras estrangeiras; desenhei para a Charlton Press Inc. (EUA) no fim dos anos  60, para D.C. Thomson (Escócia), Fleetway Publications Ltd (Inglaterra), Piero Dami Editore S.p.A (Itália), Casa Editrice Dardo (Itália ). Ou seja, os meus trabalhos com Scutti foram publicados na Itália. A ideia dele era que os nossos trabalhos fossem vendidos na Itália, principalmente para a Eura Editoriale e isso ele realmente fez.
Infelizmente, nós desenhadores não vimos muito do dinheiro que ele ganhou com o nosso trabalho… mas isto é uma outra história.

Jet PowerQue outras personagens desenhou?
Repetto: Também criei um piloto de aviões de guerra, chamado Jet Power, com argumento e desenho meus, que também foi publicado na Itália.

E sempre publicou na Itália através de Scutti?
Repetto: Não! Viajei a Itália por volta de 1988 ou 89 e a partir daí consegui trabalhos por minha conta na editora Eura. Foi por exemplo lá que publiquei Mapache, como disse anteriormente.

Sempre cowboys?
Repetto: Não! Também havia histórias de guerra. Sempre desenhei os dois géneros; guerra e western. Salvo uma vez em que desenhei para a Bruguera uma história de futebol e uma outra, muito interessante, onde os rostos ficavam em branco, para que as crianças colassem ali as suas fotografias.

Você desenhou uma personagem chamada Larrigan, que foi editada em Portugal na revista Falcão?
Repetto: Larrigan era uma personagem de Arturo Del Castillo, que depois passou a ser desenhado por um artista chamado Haupt. Eu nunca o desenhei.

Falando em Del Castillo, o senhor conheceu-o? É que os seus estilos são muito parecidos…
Repetto: Infelizmente não o conheci pessoalmente. Sempre fui admirador do seu trabalho e lamentei muito não tê-lo conhecido.

Green Force FiveO senhor também trabalhou para a King Feature Syndicate?
Repetto: Sim! Para eles fiz o Agente Corrigan X-9, a partir de 1984-85. Foram ao redor de 30 histórias em formato de tiras. Estas, foram publicadas na Escandinávia (Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia)  em forma de revistas.
O argumento era de um tal de Gill.
Também para a KFS, fizemos Green Force Five, criação minha e de Grassi (n.d.r – um conhecido argumentista argentino). Este projecto foi eleito vencedor, entre mais de dois mil outros apresentados.
Era uma aventura ambientalista constituída por uma equipa de cinco pessoas e um leopardo. Apresentamos no ano de 1982 e foi publicada também na Escandinávia  durante mais ou menos 2 anos. Creio que também foi distribuída em alguns jornais do interior da Argentina e ainda de outros países, mas não tenho dados.

Tira 1 de Príncipe ValenteTem alguma curiosidade a contar sobre a sua colaboração com a King Feature Syndicate?
Repetto: Sim, tenho. Por culpa do representante da KFS em Buenos Aires não desenhei uma das maiores personagens das tiras mundiais. Explico: Pouco antes de Cullen Murphy  começar a desenhar a personagem, fiz diversas amostras para um teste  de Príncipe Valente; fi-las logicamente (como se pode ver nas fotografias que ilustram a entrevista) num estilo similar ao de Foster, afinal era o Príncipe Valente e não se pode mudar muito o rosto das personagens. Bem, acontece que estas amostras acabaram por se “perderem” nos escritórios da KFS, isto porque o representante as engavetou e esqueceu-se de enviar a quem de direito ou ele pessoalmente não gostou (o que não me convence), e lá ficaram guardadas.
Tira 2 de Príncipe ValenteMas 5 anos depois, quando começamos com Green Force Five, as amostras que tinha feito para o Príncipe Valente apareceram novamente.
Ao vê-las, os responsáveis da editora ficaram encantados e lamentaram nunca as terem visto anteriormente.
Ou seja, foi por uma questão de esquecimento de uma pessoa, perdi a oportunidade de desenhar um dos maiores mitos da banda desenhada.

Que coisa chata, não?
Repetto: Sem dúvida, mas tenho outra curiosidade…
Fui o primeiro desenhador a pedir-lhes que me reduzissem o salário.

O quê? Como foi essa história?
Tira 3 de Príncipe ValenteRepetto: Estava no escritório deles em Nova York e a secretária disse-me que tinha uma boa notícia para mim. Pergunto qual é, e ela respondeu dizendo que me tinham aumentado o soldo e ela passou a explicar-me o motivo.
Fiquei surpreso, pois o caso não era para menos, já que me pagavam por cada história completa de 16 páginas, 1.800 USDólares e ela informava-me que a partir desse momento, iria passar a receber 2.000 USDólares, mas por 22 páginas!
Surpreso, quis fazê-la entender que não era um aumento, muito pelo contrário. Então disse-lhe que agradecia, mas que não precisava de aumento; que voltassem a pagar o mesmo de anteriormente pelas 16 páginas… depois de muita conversa, consegui fazer a mulher compreender e tudo se ajustou.

E como foi o seu primeiro contacto com a Sergio Bonelli Editore?
Repetto: Bem, eu estava a pensar em deslocar-me a Itália pela segunda vez, para fazer novos contactos e ver se conseguia alguma coisa por lá. E aí pensei que seria interessante, ter algum dado dos editores que valia a pena procurar.

Em que ano estávamos?
Repetto: Foi no final dos anos 80, princípio dos anos 90. Ocorreu-me a ideia de ligar para uma jovem chamada Marina, filha do grande Hugo Pratt, que nessa época habitava em Buenos Aires. Bem, a sorte estava do meu lado, pois ela disse-me que o seu pai, estava casualmente em Buenos Aires por aqueles dias. Deu o nome do hotel onde estava alojado o pai e eu prontamente fui vê-lo.

Arte de RepettoEra então amigo de Hugo Pratt?
Repetto: Sim! Éramos amigos; conhecemo-nos numa exposição que aconteceu em Lujan, na biblioteca Ameghino; ele trouxe diversos desenhos, também estavam presente Oesterheld e um desenhador e ilustrador que fazia capas de livros juvenis, chamado Pablo Pereyra e um caricaturista chamado Narciso Bayon.
Pratt veio comer um assado (n.d.r – na Argentina, principalmente nas cidades do interior, o assado é uma comidas típica, equivalente ao churrasco brasileiro. A carne argentina é considerada uma das melhores do mundo,e seus cortes para o assado, incomparável.) e degustamos um bom vinho e inclusive tocamos guitarra (n.d.r – na Argentina chamam guitarra, ao que nós chamamos de violão), acabando por ficarmos muito amigos e víamo-nos sempre que ele visitava Buenos Aires .
Quando decidi viajar até à Europa tentar a sorte, pensei em falar com ele para que me desse alguns conselhos e então fui ao hotel, mas ele tinha saído para almoçar. Esperei que voltasse e quando regressou, falei-lhe dos meus planos de ir a Itália e perguntei-lhe quais os editores que valeria a pena visitar. Fui lhe dizendo alguns nomes, e ele, dizia, este sim, este nem perca seu tempo, este pode ser, etc… Quando lhe perguntei sobre a sua editora, que publicava o Sargento Kirk, ele respondeu que nem valia a pena, pois estava para ser encerrada e que eu devia era visitar a Sergio Bonelli Editore? Era algo que eu já tinha pensado, mas não conhecia ninguém da editora. Hugo, disse-me para eu não me preocupar, pois era amigo pessoal de Sergio Bonelli e iria apresentar-me, embora não naquele momento, porque Sergio Bonelli estava de férias viajando. Ainda tentei demover o Hugo dizendo que um desenhador não precisa que lhe apresentem, mas somente deve mostrar o seu trabalho e é com os seus desenhos que o editor deve avaliar se serve ou não.
Santa ignorância, isto era o que eu pensava na época. “Não, não” – respondeu me o  Hugo, pedindo para eu voltar a estar com ele no dia seguinte. “Eu vou fazer umas ligações e direi ao Sergio, coisas que não estão no papel”. E assim foi, pois ele disse a Sergio Bonelli que eu era cumpridor nas entregas, que eu fazia uma amostra e depois cumpria com esta amostra, que não fazia trabalhos às pressas, que era muito responsável, enfim coisas que ele pensava que eu era.
Chego ao hotel na manhã do dia seguinte; chovia torrencialmente em Buenos Aires e encontro Pratt contemplando a chuva, tranquilo, em baixo da marquise do hotel, com as mão nos bolsos – “Que anda fazendo por aqui?” – Questiona-me ele. “Não me diga que esqueceu o que combinamos ontem?” Ele então tira do bolso um papel com quatro nomes de editores e diz-me: “Olhe, todos eles esperam por ti, menos Sergio Bonelli. Para visitá-lo você tem de esperar, pois ele esta de férias. Ligue para ele dentro de 15 dias. Já lhe disse que você é meu amigo e que viaja desde a Argentina, assim eles vão recebê-lo rapidamente”.

Tex de Repetto para Jesus NaborE você foi para Itália?
Repetto: Sim! Sim! Quinze dias depois fui para Milão e liguei para Sergio Bonelli que me disse que fosse vê-lo de imediato, já que não era necessário que levasse amostras algumas, pois, já conhecia o meu trabalho e minha trajectória. E assim fui, levei a minha pasta com diversos desenhos de cowboys, ao que ele me disse que não. Que na editora não precisavam de um desenhador de cowboys. Eles queriam um desenhador para o Tex e perguntou-me se eu queria desenhar o seu Tex.
Respondi o óbvio. Seria magnífico. Excelente! E então Bonelli disse que era preciso que o rosto fosse igual ao Tex que a editora idealizara. Para isso era necessário eu saber qual de todos os desenhadores, se aproximava mais do rosto ideal de Tex, ao que Sergio respondeu com o nome de Giovanni Ticci e em segundo lugar de Claudio Villa, que na verdade são bastantes parecidos. Para tudo o mais, Bonelli deu-me liberdade absoluta. Tanto para desenhar os cavalos, os índios, as multidões, até porque já sabia que eu tinha muito material de referência e não havia problemas, mas o Tex tinha de ser o Tex, frisou várias vezes, ao que eu brincando, respondi para ele não se preocupar já que eu faria um perfeito primo ou até irmão de Tex. Aí o Sergio mais uma vez disse que queria um Tex e não um primo ou um irmão de Tex, enquanto me dava os meus primeiros trabalhos: O Almanacco del West de 1999 e os Maxi Tex.

Almanacco del WestComo o senhor se sentiu ao ver o seu primeiro trabalho para SBE, editado?
Repetto: Ninguém pode imaginar; eu estava muito feliz, apesar de toda a minha experiência e trajectória, pois eu não era nenhum inexperiente e assim tinha a noção da importância desta personagem para os italianos. Mais, eu estava tão contente já que me considerava muito importante pelo facto de na Bonelli me terem dado histórias para edições especiais. Afinal, que ignorância… eu só soube anos depois que era precisamente o contrário. Durante 8 anos estive a desenhar os Maxi Tex e os Almanacci del West porque estavam a testar-me.
Quando me deram o meu primeiro trabalho para a colecção mensal, telefonou-me o (já falecido) simpático Mario Faggella, dando-me os parabéns porque finalmente eu tinha entrado no staff permanente de desenhadores da Casa Bonelli. Desconhecedor do significado, ele explicou-me que eu tinha alcançado a meta, ou seja, o mais difícil era afinal entrar para desenhar o Tex mensal e isso eu não sabia.

O que representa para si estar desenhando uma personagem tão famoso e popular que está a caminho de completar 60 anos de existência.
Dedicatória para José Carlos FranciscoRepetto: É algo que me enche de orgulho e prazer, poder fazer parte da lenda desta personagem. É uma honra que Sergio Bonelli tenha confiado em mim para fazê-lo e compreendo perfeitamente a responsabilidade que implica em desenhar uma personagem com tanta história e trajectória. E quero frisar uma coisa; em nenhuma outra editora com a qual trabalhei, senti-me tão bem tratado como na Bonelli. Eu admiro e quero muito bem a Columba, o dono da editora Columba, que sempre me tratou muito bem, mas Sergio Bonelli é excepcional, é um homem que se interessa, que ama os fumetti (n.d.r. – como é chamada a banda desenhada na Itália) e que ama o Tex. Ele supervisiona os desenhos pessoalmente, muitas vezes telefona-me para falar de alguns detalhes, perguntando acerca de um sombrero ou de uma arma, que não conhecia ou não parecia correcta. E sempre de uma forma amável e colocando-me à vontade. Realmente é um gosto enorme trabalhar para um editor que ama os quadradinhos, pois muitos com quem trabalhei no passado, amavam somente o dinheiro que provinha da publicação deles.
Ray Collins, amigo pessoal e argumentista de muitas das minhas personagens, dizia que a banda desenhada é uma mesa de três pernas: o desenhador,o argumentista e o editor. Se uma delas está mal, a mesa tomba.
E Sergio Bonelli ama o que faz, percebe-se o quanto ele gosta da nona arte e isso também é extensivo a todos os que trabalham na editora italiana, todos são muito amáveis. Eu não falo muito bem o idioma italiano e por isso quando falo com eles, todos fazem o impossível para entender-me e para que eu também os possa entender. Mesmo que seja preciso que repitamos diversas vezes o que queremos, até que por fim, conseguimos nos entender.

Qual o seu ritmo de trabalho? Quanto demora para finalizar uma página?
Miguel Angel Repetto e Jesus NaborRepetto: Normalmente se tudo está indo bem, se estou inspirado e se estou debruçado sobre a prancha o dia inteiro, demoro de 8 a 10 horas, isto, quando não há nenhuma complicação, como dei a entender.

Bem rápido…
Repetto: Não se confunda. Algumas páginas são bem complicadas de desenhar. Lembro-me por exemplo de uma cena, desenhada por Ticci; era uma simulação de um fuzilamento, onde apareciam 200 soldados no forte e ele teve de desenhar oito quadradinhos com todos esses soldados de diversos ângulos, era um terror. Ticci desenhou com  uma solvência, uma classe, uma limpeza extraordinária. Eu próprio pedi a Sergio Bonelli para felicitar Ticci e disse-lhe como me encantava a maneira como ele simplificava. Ou seja, simplificar não é trabalhar menos. Simplificar significa  fazer somente as linhas que realmente são necessárias e não fazer linhas em excesso! Outra coisa, é o tempo que se demora para nos documentarmos (n.d.r. – Repetto , assim como a grande maioria dos grandes desenhadores, possui dezenas de livros, revistas, fotos, modelos – uma enormidade de material para documentação e caracterização de época).  Tex é uma banda desenhada onde aparecem armas reais, paisagens reais, vestimentas reais. Então o desenhador não pode por exemplo, desenhar uma pistola que existe somente na sua imaginação, tem de ser real. E para isto é preciso estudo.
No presente estou a desenhar uma história ambientada em Atlanta, na época da Guerra da Secessão. Tenho diversas fotografias da cidade antes do bombardeio de Sherman, depois de bombardeada e durante a reconstrução. Ou seja é preciso ter um bom arquivo, por isso é que em média, faço 15 páginas por mês. Além disso Tex é uma história diurna, ou seja com poucas cenas nocturnas, então, é necessário fazer tudo, e bem detalhado, tem de se fazer o chapéu, os bolsos da camisa, o cinturão com as balas, o lenço, etc.
Tudo isso, mais o facto de que não há usualmente muitas cenas de primeiro plano, que por vezes são um descanso para o desenhador.

Prancha original inédita - 1Você tem algum ajudante, ou faz tudo absolutamente sozinho?
Repetto: Tenho um ajudante de luxo, é um jovem que já publicou para o exterior, mas que hoje tem uma empresa. Ele ajuda-me com os fundos quando estou muito apertado com os prazos e a verdade é que ele desenha os edifícios maravilhosamente bem. Nesta história actual, ele está a desenhar umas mansões do sul, na época da Guerra da Secessão.
Como ele tem conhecimento de arquitectura, faz tudo com muitos detalhes.

Conte-nos um pouco sobre os roteiros, como os recebe? Eles são bem detalhados? Ou dizem-lhe apenas que em tal quadradinho Tex está galopando e você decide o demais?
Prancha original inédita - 2Repetto: Não. Os roteiros são super detalhados.
Um pouco menos os dos argumentistas mais jovens, mas os demais dizem absolutamente tudo que tenho que desenhar. Como o argumentista quer cada quadradinho, o plano que ele quer, o fundo, a postura, enfim, tudo mesmo, inclusive há um roteiro do Antonio Segura que tem cerca de 400 páginas, onde além de super detalhar cada vinheta, dava-me também a documentação necessária, ou seja, se havia uma arma para desenhar, ele enviava-me a foto da arma.
Uma maravilha já que isto simplifica muito a vida do desenhador.

Como é o seu processo de criação? Faz uma página completa e depois passa a outra?
Prancha original inédita - 3Repetto: Não, não!
A dificuldade de se desenhar Tex é que são histórias muito longas, com muitas personagens secundárias, que aparecem num momento, desaparecem e voltam a aparecer muitas páginas depois.
E é difícil lembrar como havia desenhado tal personagem. Geralmente no roteiro, vem os recordatórios do argumentista, informando que esta ou aquela personagem vai aparecer meses depois, ou 30 ou 40 páginas depois.
Então geralmente eu desenho várias páginas ao mesmo tempo, pois não espero terminar completamente uma para passar à outra e além disso, deixo os fundos para o meu ajudante, como já dissera.

E como é a forma de envio dos seus desenhos para a editora. Você envia os originais ou envia na forma de arquivos?
Prancha original inédita - 4Repetto: A editora Bonelli  gosta de aplicar as letras nos originais. Desse modo eu envio as páginas originais por  correio prioritário e eles completam o trabalho. Faço envios mensais com as páginas que tenho  concluídas. Assim, uma história pode demorar até mais de dois anos para ser desenhada.

E se houver necessidade de alguma modificação, como procedem na Itália? Ou nunca existe esta necessidade?
Repetto: Sim, às vezes  é necessário, inclusive por alguma mudança no roteiro.
Por vezes, Sergio Bonelli não concorda com alguma coisa, ou alguma situação parece-lhe supérflua e ele dá ordem para que se modifique. Informam-me quais as mudanças que tenho de fazer, em que quadradinhos, ou se for caso, em toda a página e eu refaço a cena e volto a reenviar o desenho original.

O seu trabalho com TEX teve repercussão na Argentina?
Prancha original inédita - 5Repetto: Não! Infelizmente  poucas pessoas sabem que  eu trabalho para a Editora Bonelli, desenhando Tex .Principalmente porque Tex não é publicado na Argentina desde a época de Rayo Rojo, na década de 50. Ele era denominado no meu país, de Colt Miller e eu, diferentemente do meu amigo, também desenhador de Tex, Ernesto Garcia Seijas, que sempre diz que Colt Miller foi a primeira banda desenhada que leu, eu nunca havia lido uma história sequer de Tex. Infelizmente não se publica quase mais nada na Argentina desde que fechou a editora Columba e hoje em dia é muito pouco o que é publicado no meu país, e muito menos ainda, banda desenhada de Autor, ou de temas como western ou guerra, hoje tudo ou quase tudo que há nas bancas é mangá ou super-heróis!

Em Tex você trabalhou com Claudio Nizzi, António Segura, Mauro Boselli e Gianfranco Manfredi. Quais as diferenças entre cada um deles e com o qual gostou mais de trabalhar?
Prancha original inédita - 6Repetto: Trabalhei com os quatro ,sim. E com todos entendi-me muito bem, claro, com alguns melhor que com outros. Com quem me senti mais à vontade foi com Claudio Nizzi e com Antonio Segura.
Segura que me entregou um roteiro completamente documentado. Nunca encontrei um argumentista que fizesse isso. Era uma aventura na fronteira com o México, e ele enviou-me fotocópias de toda  a documentação necessária. Armas, casas, inclusive foi devido a isso que descobri, já que desenhei, que numa determinada marca de Tequila, existia dentro da garrafa um verme, que é colocado ali, ainda vivo e depois acaba morrendo devido ao álcool.
Com Segura sempre estive à vontade, pois sempre falávamos ao telefone, algo facilitado pelo facto de ambos falarmos espanhol e acabamos por ficar amigos. Toda a documentação enviada por ele, poupou-me horas de trabalho. Quando terminei, fiz fotocópias de todas as pranchas da história e enviei para ele que a mantém guardada, assim como eu tenho o roteiro dele.

O seu Tex, fisicamente, é inspirado em alguém que conheça ou conheceu?
Prancha original inédita - 7Repetto: Não. Como disse anteriormente, eu tenho de fazer o Tex  como o Sergio Bonelli quer, que é o Tex de Ticci, embora obviamente com o meu estilo, porém com o rosto que Ticci desenha. Tenho percebido que Aurelio Galleppini, o criador gráfico de Tex, se inspirou livremente em Garry Cooper. No presente, o desenhador não tem essa liberdade.
É também por isso, que Sergio Bonelli disse uma vez, que apesar de admirar profundamente Hugo Pratt, nunca poderia pedir-lhe que desenhasse uma história de Tex, porque já não seria Tex, mas sim, uma personagem de Pratt.

Você lê as aventuras de Tex? Gosta do Ranger? Em caso afirmativo, quais os seus autores preferidos?
Repetto: Não li muito do Tex, tenho de confessar, principalmente porque não está editado em espanhol (n.d.r. – o desenhador referia-se à Argentina) e eu não leio muito bem em italiano. Assim na verdade, li as histórias que fui desenhando, embora a editora envie para mim, uma edição de cada número de Tex que é editado na Itália.

Sabia que Tex é publicado no Brasil  e que é uma personagem muito popular tal como em Portugal?
Repetto: Não sabia, inclusive não tenho nenhum exemplar brasileiro de Tex (n.d.r. – agora o Mestre argentino já pode dizer que tem, pois eu previdentemente levei algumas edições das suas histórias, publicadas pela Mythos e lhe presenteei, o que o deixou muito feliz). Eu sei que o Sergio Bonelli gosta muito do Brasil, mas não sabia que Tex fazia tanto sucesso num país vizinho do meu.

Agente CorriganPorque, apesar da incontestável qualidade de seu trabalho, você é relativamente pouco conhecido? Por exemplo, foi com alguma dificuldade que encontramos na Internet, dados a seu respeito. Excepto uma pequena biografia, tudo o que encontramos está ou em italiano ou em português. Parece que lhe consideram mais neste dois países do que na sua própria pátria.
Repetto: Não sei… mesmo em Lujan, poucos ouviram falar de mim como desenhador. E eu vivi aqui toda a minha vida. Aqui conheci a minha esposa e casei-me. Nunca gostei e nem tive muitas oportunidades de fazer exposições do meu trabalho, nem fui a eventos de banda desenhada. Isto tudo, claro, foi prejudicial, mas por outro lado, sou muito pacato. Segundo a minha esposa, muito humilde, por outro lado, como disse antes, há muito tempo que não publico nada na Argentina.

Em 2008, os 60 anos do Ranger não irão passar em branco. Você estaria disponível para viajar a Portugal e/ou ao Brasil, caso fosse convidado para algum salão ou festival de Banda Desenhada, que pretenda comemorar a efeméride?
Repetto: Claro que sim, seria uma felicidade. Sei que na Itália, estão a preparar coisas muito especiais para a comemoração. Eu estou à disposição. Sempre gostei de uma boa Festa…

The war criminal of Abilene de RepettoE é verdade, muitos não sabem, mas Repetto  também é um famoso autor de tango – bem, famoso na sua Lujan. Já venceu mais de um festival de folclore local e a sua esposa  também  é uma artista e canta músicas românticas, inclusive o casal Repetto é admirador de Roberto Carlos e Caetano Veloso.
Repetto é um anfitrião fabuloso, não me deixou sair de sua casa, sem antes nos deliciarmos com uma pizza grande e várias “empanadas“,  tudo regado a generosos copos de cerveja.  Quando ele disse que a sua esposa havia gravado um CD, imediatamente pedi para o ouvirmos. Que noite! Não acreditava que estava à  mesa de um dos maiores desenhadores dos fumetti, brindando à camaradagem  e ouvindo uma melódica musica folk argentina.
Houve tempo ainda para saber que Repetto nunca esteve no Brasil, que ele admirava  um grande desenhador brasileiro chamado Motinni, que a sua esposa adoraria viajar ao Brasil, pois poderiam fazê-lo de carro até porque ela  detesta aviões e outras coisas…

Deixei a casa de Repetto por volta das 23:30. Nem percebi o trajecto de volta a Buenos Aires, pois o meu cérebro ainda estava registando tudo o que havia acontecido naquelas 7 horas de pura magia. Na bagagem levava comigo, diversas artes (cópias claro), autografadas pelo gentil desenhador. Será que o povo de Lujan sabe, que ali, a poucos quarteirões da praça principal, numa bela habitação, mora um génio da sua época? Um homem que gosta de música, que ainda toca a sua guitarra para a sua esposa e filhos e que brinca desenhando com os seus netos? Um poeta, um cavaleiro, um homem, que mesmo estando numa cidade do interior,  pelo seu trabalho, pelo seu espírito, pode ser considerado um cidadão do Mundo.
No gravador, a prova de que aquelas horas realmente existiram, que não foi o sonho de um fã . Na verdade, sim, foi um sonho, um sonho que se fez realidade. Um sonho que começou a se formar, há exactos  6 anos, quando, numa comic store em Buenos Aires, ouvi um amigo perguntar: “Você sabe que Repetto está na Bonelli?”. Foi nesse momento, que decidi, fazer tudo para um dia ,estar frente a frente com este gigante do desenho. Demorou, mas consegui!
Mestre Repetto, muchas gracias, por tudo!


Jesus Nabor Ferreira – Coleccionador de Banda Desenhada desde 1976.
Santa Maria – RS – Brasil 08/09/2007

(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima, clique nas mesmas)

15 Comentários

  1. O Blog está de parabéns por nos trazer a voz desse ‘argentino’ que passo a considerar muito mais depois dessas breves palavras. Nada que me surpreenda demais pelo fato de saber que ‘estar’ com o Tex é algo que por um lado molda, prepara, dá ascensão e por outro melhora, cativa e emociona, pois Águia da Noite tem o poder bíblico de mostrar o que é bom e o que é ruim, fazendo prevalecer sempre o bem, a justiça e todas as boas qualidades humanas, todas essas coisas acontecendo tanto com quem faz como com quem ler e coleciona.
    Entrevista muito bem conduzida e muito bem respondida, a melhor já realizada com um colaborador bonelliano, que tenho conhecimento. A riqueza de detalhes, a simplicidade das palavras, o fato de um homem famoso se dizer anônimo no seu ‘paese’, a obstinação pelo trabalho e a postura diante dos desafios. Tudo muito bem dosado.
    Enfim, uma entrevista tão prazerosa quando uma aventura texiana, passível de ler e reler.
    Parabéns pelo trabalho!
    G. G. Carsan

  2. Entrevista esclarecedora para mim!!!

    E Repetto, simplesmente brilhante!!!

    Parabéns pela grande entrevista!!!

    Wagner Macedo

  3. Sensacional! Uma excelente e encorpada entrevista, recheada com o que de melhor Repetto podia nos dar: mostras do seu enorme talento, combinada com sua simplicidade que só poderiam culminar no alvo: inúmeras informações e imagens sobre o fantástico mister de desenhar desse que já é um dos grandes no staff de desenhistas de Tex Willer. Parabéns, Repetto, por sua abertura a franqueza. Parabéns, Jesus, pela forma agradabilíssima com que conduziu a entrevista! Show de bola!
    Gervásio Santana de Freitas
    Portal TEXBR – http://www.texbr.com

  4. G.G. Carsan, caro amigo,
    agradeço muito suas palavras, vindas de vc ,tem um significado todo especial. Repetto logo entendeu que quem falava com ele era um apaixonado pela historieta e ele sendo também um amante da nona arte ficou e me deixou bem a vontade.

    Era o grande contador de histórias a descortinar seus chistes. Com Repetto a conversa fluia rápida, seus olhos brilhavam a cada lembrança, diante de mim estava um homem realizado na vida. Feliz com sua familia, feliz com seu trabalho e agora mais feliz ainda,pois eu lhe dizia da grande admiração e respeito que brasileiros , portugueses e italianos tem por seu trabalho.

    Repetto ama o futebol, falamos da rivalidade Brasil x Argentina …Falamos de basquete, ele fez questão de me contar que tinhamos perdido a vaga na olimpiada para ”los hermanos” depois, ouvindo a bela música cantada por sua esposa, brindamos a amizade.

    Repetto, em tudo e por tudo, UM ÍDOLO!!!!

  5. Jesus,
    Simplesmente brilhante.
    Brilhante entrevistador e brilhante entrevistado.
    Obrigado e parabéns.
    Mário João Marques

  6. Gervásio Santana de Freitas,
    Grato pelo elogio velho pard. A vontade de trazer para todos os amigos colecionadores e admiradores do trabalho deste grande desenhista foi o que motivou-me. E a oportunidade de conhecê-lo fez valer a pena cada segundo.
    Um grande abraço.
    Jesus

  7. Agradeço as palavras caro Mário Marques, e agradeço muito ao grande ZECA por sua ajuda incondicional ao editar e direcionar muito do material apresentado.

    O Zeca, como digo sempre, é o exemplo que devemos seguir, de quem com trabalho, paixão e vontade, os sonhos são alcançados.

    Valeu Grande Zeca

  8. Jesus Nabor Ferreira, grande pard e Amigo, eu é que lhe agradeço (em meu nome e em nome do blogue) pelas suas palavras e por me ter permitido a mim e a muitos outros Texianos, ler esta maravilhosa, fantástica, interessante, importante entrevista, que aliás é mais uma conversa, onde ficamos a saber imensas coisas do Repetto, algumas delas, que tenho a certeza são um exclusivo na internet (e não só) mundial!

    E o mérito é todo seu, mas foi um enorme prazer colaborar, mesmo que minimamente consigo, neste trabalho!

    E em breve teremos também uma entrevista com o desenhador argentino Ernesto Garcia Seijas, não é verdade? 😉

  9. Excelente entrevista! Não está 5 estrelas! Está antes 6 estrelas!!!

    Quanto ao traço de Repetto… dispensa comentários! Tex nos seus desenhos está em muito boas mãos!!!

    PARABÉNS!

  10. Excelente esta entrevista com Repetto.
    Não sabia que ele estava tão perto de nós.
    Tentarei visitá-lo em minha próxima viagem a Buenos Aires.
    Claro, se ele quiser me receber.

    AMoreira

  11. Exelente!!!!!! Formidável!!!!!

    Valeu meu amigo Jesus. Senti o cheiro do café. Muito bom! Parabéns! Grande Abraço.
    Ary Otávio

  12. Grande amigo Ary.
    Que prazer ter noticias suas…
    Quando vais aparecer na Zona Franca Comics, para batermos um bom papo sobre nossos herÓis de papel.. tudo bem contigo?
    Um grande abraço
    Jesus Ferreira

  13. Grande momento, eu achei de procurar as revistas as quais eu colecionava na época de 80, além das revistas, me deparo com essa matéria extraordinária.

    Parabéns!!

  14. Excelente entrevista.
    Os especialistas dizem que uma boa entrevista depende principalmente do entrevistado. E que belo entrevistado é o Repetto, não?
    Suas respostas passam muita emoção e sentimento.
    Vê-se que ele é um apaixonado por sua arte.
    Irei apreciar ainda mais seu trabalho quando ler, ou reler, uma aventura de Tex por ele desenhada.

    Mas uma entrevista depende também do entrevistador. E você, caro Jesus, merece nossos cumprimentos. Um magnífico trabalho. Temos a sensação de uma bate-papo entre amigos. Só posso agradecer-lhe por esse momento.

    Aproveito a oportunidade para parabenizar o blogue como um todo. Leio-o sempre e as matérias, textos e demais entrevistas são de excelente nível.

    Parabéns Zeca, Jesus e demais colaboradores pela dedicação em nos trazer tanta informação de qualidade.
    Aguardo ansiosamente as próximas novidades.
    Edson

  15. Ray Collins (Zapietro) estuvo complicado en la represión entre 1976/1983. Escrivia os discursos do Xefe de policía Federal y decía que “Oesterheld estaba en Europa”, cuando bien babía ele que estaba no campo de exterminio
    Justus

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