Entrevista com o fã e coleccionador: Claudinei Pires de Campos

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Claudinei Pires de Campos: Chamo-me Claudinei Pires de Campos e nasci em 24 de Dezembro de 1963 na cidade de Santa Lúcia, residindo hoje em Américo Brasiliense (São Paulo, Brasil) há mais de 30 anos levando uma vida tranquila até certo ponto, apesar dos compromissos, junto dos meus filhos Eduardo com 14 anos e Marcelo com 23 anos e da minha esposa Márcia. Trabalho desde os meus 13 anos de idade, profissionalmente já fiz um pouco de tudo: atendedor de posto de gasolina, operador de máquinas, caldeireiro, mecânico de manutenção de linha férrea, ajustador mecânico, sendo esta a minha profissão mas no momento não estou exercendo por alguns problemas, mas nada muito sério.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Claudinei Pires de Campos: Desde sempre, sou fascinado por desenhos e ilustrações de todos os géneros, mas principalmente o western. Posso dizer que hoje sou mais um coleccionador que leitor pois ultimamente leio muito pouco, o meu maior interesse é em coleccionar as revistas visando o trabalho dos artistas, alguns são geniais ilustradores. Lembro-me que desde os meus 5 anos já rabiscava alguma coisa no caderno, hoje olhando um desenho original consigo copiá-lo com grande perfeição, meu sonho era ter sido um desenhador profissional e estar hoje na Bonelli ilustrando Tex.

Quando descobriu Tex?
Claudinei Pires de Campos: Isso aconteceu no ano de 1976, estava eu e o meu irmão em um local da cidade onde morávamos vendo funcionários de um circo desmontarem o próprio para mudança de endereço. Depois que deixaram o local observamos que no meio de alguns papéis e jornais velhos havia uma revista, peguei e vi na capa o nome Tex, a história era A Ponte Trágica, começou ali o meu interesse pelo herói. Levei a revista para casa, li, mas não entendi o final, pois faltava o começo que era a edição anterior, O Desfiladeiro da Morte, mais tarde, alguns anos depois, consegui a revista e aí sim a coisa clareou e pude entender o que tinha acontecido no final da história, isso foi o início de uma batalha sem fim indo até às bancas todos os meses à procura da personagem, quando não conseguia dinheiro com a minha mãe para comprar ficava muito chateado, mas hoje, depois de tantos anos, posso comprar tudo o que é publicado. Graças a Deus!

Porquê esta paixão por Tex?
Claudinei Pires de Campos: Tex vive em um ambiente que sempre gostei muito, o velho oeste, a paixão começa aí, acho até que em vidas passadas, eu acredito nisso, tive uma passagem por lá, as pradarias, desfiladeiros, canyons, manadas de gado, cavalos selvagens, os grandes ranchos, e as armas da época que eram magníficas. Tudo isso deixa-me encantado e quando leio as histórias de Tex e vejo as belas ilustrações, sinto-me cavalgando junto de nossos heróis, aí a paixão torna-se maior ainda.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Claudinei Pires de Campos: Um grande diferencial é o próprio western, que sempre me encantou como disse anteriormente, mas Tex com o seu carácter, onde predominam a honestidade e a justiça, principalmente com os mais ”fracos’,’ não pensa duas vezes em prestar socorro a qualquer ser humano, sempre visando o carácter das pessoas,  e quando é necessário agir e tomar atitudes duras é sempre rápido e preciso, independente de quem quer que seja. Vejo assim Tex como o herói mais justo que conheço, isso o faz diferente dos outros heróis.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Claudinei Pires de Campos: A minha colecção é bastante grande, só revistas de Tex publicadas no Brasil chega a um total de 1100, isso porque tenho todas as colecções completas: Tex, Tex Coleção, Tex Ouro, Tex Edição Histórica, Almanaque Tex, Tex Gigante, Tex Anual, Grandes Clássicos do Tex, Tex e os Aventureiros, Mini-séries, Tex Coloridos, Especiais e vários números antigos da primeira edição.
Revistas de Tex da Itália, 260 com Tex inédito, Tex Nuova Ristampa, Collezione Storica a Colori, Almanacco, Maxi e álbuns da Mondadori, somando todas 1360 revistas só de Tex. Mas como gosto muito de quadradinhos tenho também muitas revistas das outras personagens Bonelli: Ken Parker, Dylan Dog, Mágico Vento, Dampyr, Zagor, Mister No, Martin Mystère, Napoleone, Júlia e Nick Raider.
Como colecciono de tudo, e tenho vários géneros de quadradinhos, inclusive os antigos livros de bolso de western, só desses possuo 1600, somando tudo chega a um total de 5675 exemplares. Quanto à revista mais importante , apesar de haverem muitas e visando o lado de coleccionador cito duas publicadas pela Mondadori: Tex n’ell inferno verde e Terra promessa, ambas ilustradas pelo Giovanni Ticci.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Claudinei Pires de Campos: Tudo o que estiver ao meu alcance, diante da condição financeira. Tenho póster, chaveiro, marcador de páginas, mini-revistas e vários livros em italiano, apesar de não saber o idioma, e pretendo adquirir mais alguns e também algumas miniaturas das personagens quando for possível.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Claudinei Pires de Campos: Com certeza o álbum de cromos, um dos poucos objectos que não possuo, procurei por vários anos até que encontrei um em perfeito estado de conservação, completo com todas as figuras, quase fechei negócio por um preço bem camarada, mas na hora H, houve a desistência. Tentei outras vezes e nada, com certeza a pessoa ficou sabendo que tinha uma raridade nas mãos, mas não desisto, vou conseguir um.

Qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Claudinei Pires de Campos:
Tenho várias histórias favoritas, principalmente as com argumento e roteiro de Guido Nolitta e desenhos de Giovani Ticci, mas escolhendo apenas uma fico com Flechas  Pretas Assassinas. Aprecio vários desenhadores: Giolitti, Ticci, Villa, Civitelli, Piccinelli, Frisenda, Venturi, Della Monica e Galleppini, mas este no auge de sua forma,  pois no início de sua carreira os seus desenhos não tinham qualidade; escolhendo apenas um fico com Giovanni Ticci. Argumentista também gosto de todos: G. Bonelli, Claudio Nizzi, Mauro Boselli, Decio Canzio, mas o meu preferido é Guido Nolitta, vulgo Sergio Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Claudinei Pires de Campos: O que me agrada mais em Tex, como disse antes é o próprio western, a sua valentia e também ver grandes mestres dos quadradinhos ilustrando as suas histórias, sobretudo os que citei anteriormente. O que me agrada menos são as histórias ilustradas por Guglielmo Letteri, ilustrou muitas histórias, e na minha modesta opinião não é desenhador ideal para este género, é um bom desenhador, mas não de western, que me desculpem os seus fãs.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Claudinei Pires de Campos: Puxa vida, nessa pergunta não sei bem o que responder… eu acho que Tex é o ícone que é porque é verdadeiro sempre, exacto em tudo o que faz, “perfeito “, isso fascina os leitores que o conhecem e também porque quando G. L. Bonelli o criou foi iluminado por Deus.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Claudinei Pires de Campos: Infelizmente não, a cidade onde moro é pequena e conheço apenas um amigo que lê Tex, mais dois na cidade vizinha, trocamos algumas ideias de vez em quando sobre novidades, lançamentos ou até fazemos algumas trocas de revistas, mas é só. Pretendo ainda ir em algum encontro de coleccionadores num futuro próximo.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Claudinei Pires de Campos: Apesar da tecnologia estar dominando o planeta e os jovens estarem voltados mais para os jogos de vídeo ou a própria Internet, vejo sempre com muito optimismo, não me permito pensar que um dia o nosso herói possa ser cancelado e deixe de ir às bancas brasileiras, portuguesas, italianas e outras mundo afora. Mas com a chegada das cores, e espero que fiquem, a tendência é que ainda veremos os quatro justiceiros muitos anos em acção, pois vai ser muito bom termos essas histórias coloridas.
Vida “eterna” a Tex e seus pards.

Prezado pard Claudinei Pires de Campos, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

23 Comentários

  1. Uma entrevista que gostei bastante de ler. E que fabulosa coleção!! E já há algum desenho no blogue do Claudinei?

  2. Parabéns pela fantástica coleção e pela contabilidade. Incrível a precisão como afirma o numero exato das revistas, há anos que pretendo fazer uma base de dados da minha coleção mas vou adiando sempre. Quanto à descoberta de Tex, a sua história é igual à minha e de muitíssimos colecionadores: A descoberta, a febre de adquirir os anteriores e, contra todas as expectativas, continuar a comprar por décadas tudo o que vai saindo, inúmeras repetições.
    Cumprimentos,
    Sérgio Sousa

  3. Olá amiga Denize e amigos pards, agradeço de coração os elogios à minha coleção e à entrevista.
    Um abraço à todos!
    Nei Campos.

  4. Boa entrevista, acompanhava o colecionador nas cartas do correio do Tex, belíssima coleção. Quanto ao Letteri sem sombra de duvida foi o melhor desenhista do Tex, aquele que deu um tom especial nas aventuras inteligentes do Tex, como as magnificas historias de El Morisco, a seita do dragão e o Proteus.

  5. E eu achando que era um grande colecionador kkkkkkkkk
    Parabéns cara pela entrevista… nossa tem coisa de Tex que não sei nem o que é…
    Abraço;
    Jackson.

  6. Um baita colecionar + uma baita coleção = uma baita entrevista.
    Andava meio sumido o Claudinei, isso nas cartas. Ele foi um autor contumaz de cartas nos tempos da Globo, né? Se não me falha a memória.
    E no capítulo Cartas, por um lapso de memória, não citei o seu nome, mas…
    Eu imaginava que o Claudinei morava na Americo Brasiliense, uma rua da Granja Julieta, na zona sul de Sampa, onde eu passava quando ia para o trabalho, muito tempo atrás… mas vejo que é no interior.
    Um abraço texiano e prazer em conhecer mais um grande colecionador das antigas, em foto e palavras.
    G.G.Carsan

  7. Claudinei, sua coleção é invejável!

    Digna de um grande colecionador. Um motivo para ser sequestrado. (brincadeirinha)

    Queria saber: você lê ou leu tudo já?

  8. Não amigo Willer, não li nem a metade de tudo isso, como disse na entrevista, viso mais o lado de colecionador, mas quando resolver ler vou ter muita coisa pra curtir. Agradeço à vc e aos amigos os elogios á minha coleção!
    Um abraço!
    Nei Campos.

  9. Belíssima coleção Claudinei, e parabéns pela bela entrevista. Os seus Tex internacionais são magníficos. Abraços.

  10. Olá Claudinei, amei sua entrevista, confesso que fiquei com inveja de sua coleção, e que coleção!!

    Seja bem vindo a mais uma galeria de fanáticos por Tex.

    Leia minha entrevista também e dê sua opinião.

  11. Baita coleção!!! Que inveja boa!! hehehehe
    Quando era criança, meu irmão e eu fazíamos de tudo pra comprar Tex e Zagor, além de bolsilivros também. Um dia, minha mãe resolveu se desfazer delas, porque não fazíamos mais nada, só lendo!! Reproduzíamos as histórias no quintal de casa.
    Hoje, depois de muitos anos de saudosismo, tento recuperar, comprando tudo o que posso pela net, livrarias e até mesmo em bares!!

  12. De facto, é uma fabulosa colecção (vejam só o estado “novinho em folha” daqueles exemplares) e colecionadores assim, apaixonados desde muito jovens por Tex, pelo “western” (e não só), estão de parabéns!
    Partilho a opinião de Claudinei a respeito de Letteri, um bom desenhador mas nada vocacionado para histórias de “cowboys“, por ter um estilo pouco dinâmico. Mas temos de reconhecer que ilustrou algumas das melhores aventuras de sempre do nosso Ranger… e isso é mais-valia bastante para que o seu nome seja recordado com apreço por muitos fãs.

  13. Obrigado amigo Jorge, fico feliz pelas palavras elogiosas, quanto ao Letteri é exatamente isso que lhe faltava: dinamismo – e também mais detalhes na hora de desenhar as armas da época por exemplo, Ticci nesse aspecto é mestre, perfeito para o genero western, e o grande responsável por isso é o genial Alberto Giolitti.
    Um abraço!
    Nei Campos.

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