Entrevista com o fã e coleccionador: Óscar Xavier Fangueiro

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Óscar Xavier Fangueiro: Olá, chamo-me Óscar Xavier Fangueiro, nasci em Paredes, distrito do Porto, tenho 39 anos, sou casado, tenho 1 filho, o Tomás, e vivo na cidade de Penafiel, distrito do Porto. Trabalho como motorista numa empresa de distribuição de medicamentos, e sou massagista desportivo em part-time.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Óscar Xavier Fangueiro: Tudo começou na infância, através de livros emprestados porque não era possível, financeiramente, comprá-los. E a avidez de os ler era tanta, e a possibilidade de o concretizar tão oposta, que a paixão ficou ainda mais marcada e eterna.

Quando descobriu Tex?
Óscar Xavier Fangueiro: Não posso precisar a idade que tinha, talvez na década de oitenta, foi já quase na adolescência, e pelo processo anterior; um livro aqui, outro ali, de amigos ou conhecidos, mas sempre de acesso difícil, ou limitado. Nesse tempo era difícil adquirir livros do Tex, ou por não haver ou porque eram caros e os meus pais não me davam, mas ia lendo alguns, através de amigos da escola e de vizinhos.

Porquê esta paixão por Tex?
Óscar Xavier Fangueiro: Creio que está intimamente ligada aos westerns americanos, e a essa grandiosa série televisiva Bonanza. Mas também à personalidade de Tex, no qual me revejo e me faz lembrar a minha infância quando brincava aos índios e cowboys. Mas é também a acção constante das aventuras e o senso de justiça. E sobretudo aos seus criadores Bonelli e Galleppini que através das suas narrativas e desenhos com um estilo elegante, quase fotográfico, que nos levam a viver intensamente as suas aventuras. E finalmente porque adorava ter um Amigo assim…

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Óscar Xavier Fangueiro: Assim a frio, porque há coisas que não têm explicação, por pura intuição; ‘caiu’ sempre bem, enquanto outros não. Por ser uma personagem Aventureira, Incomum, Justa, Bondosa, e defensora dos Índios, mas ao mesmo tempo dura e agressiva para com os “maus”.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Óscar Xavier Fangueiro: Para mim são todas importantes, porque só foram adquiridas de há três anos para cá. Não tenho nenhuma revista do Tex adquirida na minha infância, talvez por isso sejam todas importantes. Quanto ao total de revistas desde Tex Coleção, Tex Normal, Tex Edição Histórica, Tex Edição de Ouro, Os Grandes Clássicos de Tex, Tex Especial Férias, Tex Almanaque, Tex Anual, Tex Edição Gigante e Tex a cores, terei à volta de 400 livros.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Óscar Xavier Fangueiro: Colecciono apenas os livros, não tenho mais nada relativo a Tex. Gostaria de ter miniaturas, pósters, roupas etc. O que lamento imenso, pois adorava ter essas coisas relativas ao Tex, Bonelli e Galleppini.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Óscar Xavier Fangueiro: A colecção completa!!! Ou um Quadro com as personagens principais de Tex (nomeadamente Tex Willer, Kit Carson, Kit Willer, Jack Tigre, o cavalo Dinamite e alguns amigos como Pat o Irlandês, Cochise, Gros Jean, Montales, Morisco, etc. E claro não esquecer os Grandes criadores de Tex, Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini).

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Óscar Xavier Fangueiro: Em geral gosto de todas, e só poderei ter uma opinião mais concreta quando tiver lido todas as histórias de Tex, mas para já cito “O Vale da Morte” em que a história nos prende em suspense até ao fim, de Fusco e os três números 208/209/210 “Reserva Índia”, “Mensageiro da Morte” e “Águia da Noite” de Fusco, em que é deliciosa a história, pois conseguem ludibriar os soldados americanos, levando o povo Apache de Lobo Cinzento à reserva dos Navajos. São todos bons os desenhadores e argumentistas, pois têm uma forma diferente de ver a personagem desde os criadores Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, passando por Fusco, Villa, Ticci, Lettèri, Claudio Nizzi, Civitelli, Antonio Segura, José Ortiz etc.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Óscar Xavier Fangueiro: Começo pelo que gosto menos, Tex por vezes é um pouco ingénuo, tem excesso de confiança, mas penso que seja de propósito. O que por vezes não gosto é a escrita, nomeadamente o Português do Brasil utilizado na narração das histórias, há termos que não conheço, e por vezes as frases não estão bem redigidas. Quanto ao que me agrada mais é o sentido de Humor, o de comédia em especial entre Tex e Carson, de Justiça, de Amizade incondicional, confiarem uns nos outros, fazerem tudo pelos outros arriscando a própria vida, um Ser Altruísta, que é sem dúvida um Bom exemplo para a nossa sociedade, e que se existisse na realidade este mundo seria concerteza bem melhor…

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Óscar Xavier Fangueiro: O revermo-nos na sua personalidade, creio, e o facto de ser uma personagem que não é egoísta, que é amiga, enfim, um herói como há poucos no mundo real.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Óscar Xavier Fangueiro: Infelizmente não. Quem sabe um dia destes…

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Óscar Xavier Fangueiro: Por mim será eterno, como todas as Obras-Primas…

Prezado pard Óscar Xavier Fangueiro, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Óscar Xavier Fangueiro: Eu também queria agradecer e prestar a minha homenagem aos criadores de Tex, pois sem eles, não existiria o nosso Tex. Penso que a Personagem Tex seja um espelho fiel das suas personalidades, Bonnelli e Galleppini. Para eles muito obrigado, e Tex para Sempre…

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3 Comentários

  1. Boa entrevista, mas Tex ingénuo?

    Boa entrevista até o momento que expressou que o personagem Tex é ingénuo. Considero ilógica essa linha de raciocínio…

  2. Quanto ao Tex ingénuo, acredito que, só se for ingénuo no sentido de “amaciar” na hora de descer o cacete nos bandidos, pois Tex tem mais é que não se deixar levar pelas lábias dos facínoras e meter porrada… mta porrada neles… e depois dar um tiro de misericórdia estourando seus miolos!!
    BANDIDO BOM, É BANDIDO MORTO!!! Se a polícia usasse esse método, o Brasil seria mais civilizado.
    Abraço.
    Qualquer coisa estou lá no ORKUT: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=10238456907069696838

  3. Tex ingénuo, não tem nada a ver com o que você expressou, ele quis expressar que o personagem é ingénuo porque se arrisca demais, enfrenta situações de perigo sempre com ofensividade e pouca cautela.
    Há personagens reais como Wyatt Earp que agia assim no entanto, deu certo, morreu de velhice.
    Quem combate o crime na ofensiva gera respeito e temor nos criminosos.
    Essa ofensividade do Tex é o que faz dele tão apreciado pelos colecionadores, entre outras inúmeras qualidades.
    A policia não deve sair por ai matando,porem, há necessidade de maior ofensividade, em escopo inibir tantos homicidas.

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