José Carlos Francisco entrevistado por Tony Fernandes

Entrevista publicada nos blogues  Tony Fernandes Estudios Pégasus (1ª parte) e Bengalas Boys Club Oficial Blog (2ª parte) respectivamente em 14 e 15 de Janeiro de 2011, por Tony Fernandes.

Entrevista com Zeca Willer, um dos maiores coleccionadores do mundo, das histórias em quadradinhos de Tex, um fenómeno de vendas!

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Foi através do bengala friend, Dom Alvarez – membro honorário da milenar Confraria dos Bengalas Boys Club, via Facebook -, que tomei conhecimento do fantástico trabalho e da existência do guerreiro de além-mar José Carlos Pereira (vulgo Zeca Benfica – alcunha que ganhou por ser torcedor fanático do famoso clube lusitano -, ou Zeca Willer, por ser vidrado nas BDs de Tex Willer, um grande sucesso editorial produzido na Itália).

Ele não desenha, não escreve argumentos, não faz BDs. Acho que jamais teve essa pretensão, mas é um dos maiores coleccionadores que se tem notícia, de Tex além de ser um dos responsáveis do Blogue português do Ranger dos Bonelli, que a cada dia se torna um dos mais comentados do mundo. Convém lembrar que apenas dois sítios do mundo, que falam sobre Tex, merecem destaque aqui: TexBr (do bengala friend e brasileiríssimo Gervásio) e o blogue português do Tex.

Foi durante a Festcomix de 2010, em S. Paulo, que tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente – assim como o Gervásio, rever os Maldonados, o GG Carsan e outras feras -, durante a palestra do Civitelli, um dos mais famosos desenhadores da actualidade do Tex. Durante a palestra do rabiscador italiano, José Carlos (Zeca, para os amigos), mostrou-se um excelente intérprete do italiano para o português, interagindo de forma brilhante para que os fãs ali presentes pudessem fazer questões com o palestrista.

Sua humildade é tamanha que ao enviar um e-mail perguntando se ele podia me conceder a honra de me dar essa entrevista, ele disse: “Eu? Mas, eu não sou artista, sou um simples coleccionador, Tony… será que seus leitores vão se interessar em ler sobre mim?

Além de ser um grande coleccionador do velho Ranger José Carlos realizou o sonho de muitos artistas e leitores, gente que adora BDs e Tex: Foi conhecer in loco as instalações da Bonelli Comics, lá na Itália e com certeza tem muita história interessante para contar.

Bem, foi assim que tive a honra de entrevistar esta fera, que acabou provando que sabe tudo de Tex e sobre o seu autor, e que também já visitou a tradicional editora italiana.

Espero que vocês, web leitores, apreciem também esta entrevista com…
JOSÉ CARLOS (ZECA WILLER), UM DOS MAIORES COLECCIONADORES DE TEX

Tony Fernandes 1 – Grande, Zeca, quanta honra… isto é o que eu chamo começar o ano com o pé direito… (Rsss…). Com uma grande entrevista. Podemos começar? Então, vamos lá, querido bengala friend de além-mar… (Rsss…). Nome completo, dia mês e ano em que você nasceu? Cidade, região, estado, etc?
Zeca – Chamo-me José Carlos Pereira Francisco, tendo nascido a 13 de Dezembro de 1967, em Lourenço Marques, actual Maputo, capital de Moçambique em África, tendo vindo para Portugal, com os meus pais, em 1977. Sou casado, pai de duas filhas, a Andreia Sofia de 17 anos e a Ana Beatriz de 6 e profissionalmente sou director de produção numa indústria de mobiliário metálico, sendo também no campo editorial o representante da Mythos Editora em Portugal.

Tony 2 – Então, você nasceu em Moçambique, na África? Olha só que curioso, nasceu numa ex-colónia portuguesa… muito interessante. Duvido que a maioria do pessoal sabia disso. Vamos em frente… Quando foi que começou a nascer esta sua paixão por Tex? Nunca gostou de outra personagem?
Zeca – A minha paixão por Tex nasceu já em Portugal, mais precisamente em 1980, quando os meus avós, com quem eu habitava na época, ao mudarem de residência, foram morar para uma quinta. Durante as limpezas do sótão da habitação principal, descobri uma caixa com muitas revistas de banda desenhada e entre elas somente um exemplar de Tex, mas era uma edição especial que muito me cativou de imediato. Tratava-se de “Pacto de Sangue“, uma aventura onde acontece o casamento do Ranger e fiquei de tal forma impressionado que mesmo depois de 30 anos aqui estou eu a falar desta paixão, que aumenta a cada nova história, mas desde que me conheço que gosto de banda desenhada, inclusive posso dizer que nasci praticamente no meio dela já que das mais remotas lembranças que tenho é a de ler na livraria da minha mãe, ainda em Moçambique, revistas Disney. Ao longo dos anos a banda desenhada esteve sempre presente na minha vida, fosse no início com Astérix, Lucky Luke ou Tintin, fosse mais tarde com O Mundo de Aventuras, O Falcão, Condor, Tarzan e tantas outras revistas e personagens. Hoje em dia fascina-me sobretudo os fumetti (banda desenhada italiana) da Bonelli, pois para além de Tex também aprecio (em menor grau, óbvio) e colecciono por exemplo Zagor, Mágico Vento e Júlia.

Tony 3 – É impressionante, cowboy, como em todo mundo as personagens Disney são conhecidas, são populares. Acho que não tem um que nunca viu o Donald ou o Mickey. E, também foi bom saber que você também lia outras revistas… Dizem, por aí, que você é o maior coleccionador do mundo das Bds do velho Ranger… você tem ideia de quantas revistas tem desta antiga e bem sucedida série?
Zeca – Somando as duas principais colecções completas das Tex brasileira e italiana e álbuns em 22 outras línguas, tenho mais de 1300 revistas do Ranger. Há ainda a acrescentar mais de 1000 livros e revistas de várias outras colecções e novas séries de Tex que têm surgido nos últimos anos, tanto italianas como brasileiras e ainda um festival de edições especiais e extras com destaque para as coloridas, de vários tipos, formatos e países, totalizando no presente um valor a rondar as 2.500 edições. Por tudo isto que possuo de Tex, muitos consideram-me o maior coleccionador do mundo. Mas, Tony,  não me atrevo a considerar-me o maior.

Tony – Tem certeza?
Zeca – Sim,  porque há pelo menos dois outros grandes coleccionadores que conheço pessoalmente e que também são proprietários de duas colecções verdadeiramente grandiosas e valiosas: Júlio Schneider do Brasil e Enzo Pedroni de Itália. Júlio, advogado de profissão, sendo também tradutor de Tex no Brasil, colecciona Tex desde o primeiro número brasileiro, editado em 1971, sem ter perdido uma única edição que tenha saído no Brasil, de todos os tamanhos e formatos, ou seja tem tudo o que foi publicado de 1971 até aos nossos dias, tendo também toda a colecção italiana, assim como diversas edições dos mais variados países onde Tex foi publicado, para além de diversas edições especiais, algumas das quais, contando inclusive com a sua participação, como aconteceu por exemplo na edição portuguesa de Tex. A fama de Júlio Schneider ultrapassa as fronteiras brasileiras, tendo sido citado em diversas publicações estrangeiras.
Já o Enzo, possui tudo, mas literalmente tudo o que foi publicado de Tex na Itália, de Setembro de 1948 até hoje, sendo sem dúvida alguma o maior coleccionador italiano de Tex e automaticamente um dos maiores do mundo, mesmo não coleccionando edições internacionais da mítica personagem italiana! Recentemente o Enzo comprou por um valor bem considerável (cerca de metade do preço do meu apartamento) todas as páginas originais da história comemorativa dos 60 anos de Tex, desenhada por Civitelli, que devido a isso, resolveu presenteá-lo com uma capa inédita para essa mesma história.

Tony 4 – Minha nossa, como tem maluco – no bom sentido, é claro -, nesse mundo. O Schneider já troquei e-mails com ele… visto que alguns fãs do Ranger andam insistindo para que eu faça Tex e Kit Carson ter uma rápida aparição em Apache – personagem de western de minha autoria, lançada mensalmente pela editora As Américas -, mas o Enzo não tive o prazer de conhecê-lo ou trocar e-mails com ele.  Hmmm… quer dizer que o Enzo pagou a maior fortuna só pra obter os originais da edição comemorativa dos 60 anos feitas pelo Civitelli? Caramba… que loucura… esse Enzo não é fraco não e é um texiano ferrenho, mesmo (Rsss…). Fazer o quê, né? Cada louco com sua mania… e fã é fã… Você mora, actualmente, em que região de Portugal?
Zeca – Eu habito na região centro/norte de Portugal, relativamente próximo ao litoral, entre as cidades de Coimbra e Aveiro, mais precisamente numa localidade chamada Malaposta, pertencente ao concelho de Anadia, que é a cidade mais próxima e que tem cerca de 3.000 habitantes, mas ainda a propósito da minha localidade, o nome Malaposta provém de “Antiga diligência do correio; Carruagem para transporte de pessoas e correio“, um meio de transporte que Tex e seus pards usam em algumas aventuras. Mas voltando à localidade onde resido, ela era a principal estação ou muda de cavalos na ligação da cidade de Lisboa para a cidade do Porto e vice-versa. A origem da Malaposta encontra-se portanto aí. Era terra de paragem obrigatória nas ligações entre o Norte e o Sul para os viajantes restaurarem as forças e as bestas serem rendidas.

Tony 5 – É… parece que o seu destino era mesmo o velho Oeste, my friend… foi morar em Malaposta, um entreposto que ligava as duas cidades, tal qual nos oldies times do Oeste selvagem… (Rsss…). Incrível. Seu Zeca, na verdade, qual é a sua profissão?
Zeca – Trabalho há cerca de 20 anos numa empresa jovem e dinâmica, fabricante de todo o tipo de expositores metálicos para o comércio e indústria, a Expoluso (http://www.expoluso.com/), exercendo o cargo de director de produção.

Tony 6 – Interessante… eu sabia que você deveria ter uma profissão, só não sabia qual… agora está tudo esclarecido, visto que a profissão de coleccionador fanático ainda não existe… (Rsss…). Já vi algumas fotos da sua residência onde as paredes são repletas de quadros do Tex… ou seja, são desenhos feito pelos artistas que fazem Tex, autografados, que você coloca em molduras… quantos quadros maravilhosos desses, você tem? Você compra-os dos artistas ou ganha deles?
Zeca – De facto as paredes da minha residência parecem mais as paredes de uma galeria de arte do que as de uma casa habitacional, já que tenho expostos cerca de 30 belos desenhos devidamente emoldurados e já começam a faltar paredes para pendurar novos desenhos que volta e meia vão chegando vindos de muitos dos desenhadores do staff de Tex e também de outras personagens bonellianas que me privilegiam com a sua amizade (muitos conheço pessoalmente, outros vou conhecendo dos contactos devido ao blogue português do Tex) e sabendo desta minha particular e especial colecção acabam por me surpreender enviando desenhos originais e exclusivos devidamente autografados. Ao todo devo ter um número a rondar os 50 desenhos originais, nunca tendo comprado nenhum e hoje em dia muitos dos consagrados desenhadores da Bonelli fazem questão de me presentearem com desenhos originais para eu os expor na minha galeria junto das artes de autores como Claudio Villa, Fabio Civitelli, Ivo Milazzo, Alfonso Font, Corrado Mastantuono, Lucio Filippucci, Marco Torricelli e tantos outros…
Mas muitos dos meus amigos com jeito para o desenho, sabendo da minha paixão por desenhos de Tex, também acabam por me oferecer belos e exclusivos desenhos originais do Ranger, engrandecendo desse modo ainda mais a minha colecção e tornando-a mais valiosa e única e um dos meus sonhos é um dia publicar um livro dedicado a Tex onde publicaria também todos estes desenhos inéditos e exclusivos que me vão oferecendo.

Tony 7 – Poxa, você é um privilegiado, bengala friend, recebe dos grandes mestres italianos, grátis, suas artes… que maravilha. Essa ideia de você publicar um livro com essas artes é genial. Tomara que você consiga fazer isso logo, logo… Sei que você é casado e tem filhos… sua esposa não se incomoda por esta sua louca obsessão por Tex? Sabe como é… mulher sempre pega no pé da gente e, em geral, não entendem essas manias loucas da gente… (Rsss…).
Zeca – Bem, a minha esposa, a Fátima, não pode reclamar, porque ela sabe que antes de eu a conhecer, o Tex já fazia parte da minha vida (…risos…).
Falando a sério, se hoje tenho a colecção completa de Tex, devo-o a ela porque a Fátima sempre me incentivou a coleccionar e até mesmo a completar a colecção, privando-se por vezes de comprar objectos para ela, inclusive quando Tex deixou de vir para Portugal (por volta do ano 2000) foi ela que me convenceu a entrar em contacto com outros leitores brasileiros e a escrever para a editora em São Paulo.
E quanto às minhas filhas, bem, hoje em dia elas também gostam do Tex, pois de tanto conviverem com o Tex e de me acompanharem a eventos Texianos realizados em Portugal e de me ajudarem a limpar e a manter em ordem a colecção, posso dizer que são tão Texianas como eu. Inclusive a Andreia já leu diversas histórias de Tex (tal como a mãe) e a pequena Beatriz tem como passatempo preferido, pintar desenhos de Tex que eu imprimo para ela, nunca tendo ela estragado nenhum exemplar do Ranger, mesmo estando a minha colecção à mão de semear, como aqui dizemos, pois as minhas filhas sempre foram educadas para não estragarem as revistas do pai. Mas voltando à minha esposa, ela de certo modo também está muito agradecida ao Tex, pois muitas das grandes amigas dela provêm das minhas amizades Texianas, ou seja, esposas e namoradas de outros coleccionadores de Tex que acabam se tornando em belas e sinceras amizades. Mas confesso que não foi fácil convencê-la de que os desenhos de Tex ficavam muito bem nas paredes da nossa casa. Mas hoje em dia, ela tem mesmo orgulho deles e ela própria contesta aqueles que nos visitam pela primeira vez e que colocam em dúvida a minha sanidade (…risos…)

Tony 8 – Você é sortudo, mesmo… (Rsss…). Tive uma mulher que se eu bobeasse ela lançava fogo em todo o meu acervo. Aliás, eu tive grandes acervos nacionais e internacionais e como dizemos aqui no Brasil, “foi tudo pro saco”, ao longo dos anos, com as parceiras que não compreendiam essa minha louca obsessão. A dona Fátima é 10, como costumamos falar, e vocês têm afinidades, estão de parabéns. Até suas fillhas já estão curtindo o Ranger. Que bom. Agora, essa do pessoal que duvida da sua sanidade mental, é óptima… (Rsss…). O bengala friend Alvarez diz que a mulher dele fala que coleccionar revistas de banda desenhada é coisa de criança… (Rsss…). Imagino o sufoco que ele passa, pois vive gastando com BDs… (Rsss…).  Quando conheci o Blogue do Tex, adorei… e confesso que até hoje não consegui ver ou ler tudo, tamanho é o conteúdo que ele apresenta: entrevistas, fotos, vídeos, etc… uma loucura. Indago: quando foi que você começou a fazer este Blogue maravilhoso e por quê? Você conta com alguém para ajudar nas postagens ou faz tudo sozinho?
Zeca – Antes de mais nada, há que informar que o blogue do Tex é uma criação do meu grande amigo Mário João Marques. Ele também um grande fã e coleccionador português do Tex, tendo inclusive completas também as colecções brasileiras e italianas. A ideia nasceu da mente dele em 2006 e foi posta em prática por ele mesmo em Setembro desse ano e como necessidade dele publicar muitos dos textos que escrevia sobre Tex e as suas histórias e desse modo dar a conhecer a outros leitores esses mesmos textos, divulgando assim também o herói criado por G. L. Bonelli e também para mostrar que mesmo não sendo Tex publicado em Portugal, havia muita paixão pelo Ranger neste pequeno, mas belo país à beira-mar plantado. Sendo o Mário um grande amigo e sabendo do meu conhecimento sobre Tex e das minhas amizades, convidou-me a fazer parte deste seu projecto logo desde o início, ao que de pronto aceitei com a condição de fazermos algo muito a sério, já que Tex para mim é algo de sagrado e ao entrar para o projecto era para fazermos algo de verdadeiramente grandioso, à altura do Tex e felizmente com o decorrer do tempo e com a ajuda e colaboração de muitos outros fãs e coleccionadores, tornamo-nos hoje em dia uma referência na Internet mundial, destacando-nos sobretudo pelas interessantes iniciativas que promovemos. Como por exemplo as belíssimas entrevistas aos argumentistas e desenhadores, para além das inúmeras novidades que vamos dando em rigoroso exclusivo, sobretudo devido à forte amizade que me liga aos editores Dorival Vítor Lopes e Sergio Bonelli. Hoje em dia creio que o blogue português do Tex se pode bem resumir em três adjectivos: informação, credibilidade e paixão.A nível das postagens, tudo passa somente por mim a nível de editoração, já que o Mário Marques infelizmente não tem tempo disponível para tal, mas a nível de conteúdo, conto com a colaboração de muita gente que me auxilia enviando textos, artigos, críticas, desenhos, fotos, traduções e novidades que eu depois só tenho o trabalho de editar e publicar.

Tony 9 – Mário Marques, está aí uma pessoa fixe… grande amigo seu, pelo visto, e texmaníaco também. Se não fosse ele, então, o blogue não teria surgido… interessante. Sei que você praticamente pertence à família Bonelli, pois vira e mexe você está lá visitando eles na Itália… quando começaram essas visitas? Ou seja, em que ano você decidiu aparecer por lá e qual foi a receptividade deles?
Zeca – A minha primeira visita à Sergio Bonelli Editore ocorreu em Setembro de 2002 e nasceu de um convite que recebi do editor Dorival (a quem estou eternamente grato) para o acompanhar a ele e ao tradutor Júlio Schneider numa visita de cortesia a Sergio Bonelli. Um convite irrecusável, pois já dizia a lendária diva da canção francesa Edith Piaf: “A vida é um banquete servido para todos. Tem gente que sabe escolher sempre as melhores porções, e há aqueles que se contentam com os ossos.“, ou seja, a vida sempre nos oferece momentos maravilhosos, nós só precisamos estar atentos para aproveitá-los.
Conhecer Sergio Bonelli e realizar o meu sonho de criança de visitar a casa de Tex era uma oportunidade que eu não poderia desperdiçar porque certamente nunca mais teria uma oportunidade igual. Chegando a Milão, onde passei uma semana fantástica, fui apresentado a Sergio Bonelli como sendo o maior coleccionador português de Tex e como tendo inclusive a colecção brasileira completa, o que surpreendeu (e agradou) Sergio Bonelli, que como reconhecimento pelo feito, me presenteou com toda a colecção italiana do Ranger. A partir daí fomos trocando correspondência e telefonemas e a amizade foi crescendo, tendo eu depois retornado algumas outras vezes a Milão, visitando e fortalecendo os laços de amizade com Sergio, seu filho Davide e restantes colaboradores da editora, já que sempre fui recebido de uma forma muito carinhosa por todos que se mostravam muito admirados por haver alguém tão entusiasta de Tex sendo natural de um país onde Tex nem sequer era editado.

Tony 10 – De facto, isto é impressionante, mesmo… pois pelo visto, você já conhecia Tex, mas só começou a coleccioná-lo graças a Mythos que mandava e ainda manda as revistas para distribuir em Portugal? OK? Se foi isto, não é a toa que os Bonellis te adoraram… Fico aqui imaginando que a Bonelli Editora deve ser uma coisa imensa… dá pra você descrever para a gente o tamanho, mais ou menos, dela e onde está localizada a sede?
Zeca – Errado, Tony. Conheci o Tex no tempo da Vecchi, pois ela mandava as edições de Tex para serem distribuídas por aqui. Quando a Mythos decidiu lançar o Tex aí é que a coisa engrossou para nós os coleccionadores portugueses, pois a nova editora havia parado de mandar as revistas aqui para Portugal. Daí, contactei o Dorival pedindo para que eles continuassem a mandar Tex para cá. Foi quando ele me pediu ajuda e passei a representar a Mythos em meu país.

Tony – Ahhh… agora as coisas ficaram claras, grande Zeca. Valeu!
Zeca – Sobre a redacção da Sergio Bonelli Editore localiza-se num local tranquilo de uma região nobre de Milão, na Via Michelangelo Buonarroti, uma rua charmosa e arborizada, mais precisamente no mítico número 38. Trata-se de um edifício habitacional que foi convertido em Editora no andar térreo. No primeiro andar trabalham cerca de 40 pessoas. No seu interior não há um único espaço nas paredes que não esteja preenchido com maravilhosos desenhos originais e ilustrações dos maiores criadores de banda desenhada do mundo. A maioria com dedicatórias de admiração ao conceituado editor italiano, com destaque para os enormes corredores que parecem um autêntico labirinto, porque o primeiro andar é a junção de dois apartamentos já de si grandes, o que dá logo uma ideia do tamanho da editora somente neste andar. Nesses corredores existem desenhos de artistas do calibre de Hugo Pratt, Joe Kubert, Esteban Maroto, Alfonso Font ou do brasileiro Maurício de Sousa, todos eles com a finalidade de homenagear o homem e a editora Bonelli. Os corredores, literalmente, fazem a delícia de qualquer amante do desenho e são necessárias várias horas para poder admirar todos eles. Outro dos grandes destaques da editora italiana é a biblioteca pessoal de Sergio Bonelli, seguramente a maior biblioteca privada do mundo sobre o velho Oeste e que serve de consulta para os seus inúmeros colaboradores.

Tony 11 – Olha, aposto que todos nós gostaríamos de ter conhecido tudo isso… que incrível. Uma visita dessa, pra quem gosta de BDs e de Tex, equivale a conhecer a Disneylândia pela primeira vez… (Rsss…). Quer dizer que a tal biblioteca pessoal, tem tudo sobre o Oeste? Minha nossa, eu ia adorar ler esses acervos. Não é a toa que as BDs do Ranger são bem documentadas. Há desenhadores do Tex que trabalham dentro da editora, ou a maioria trabalha em casa, fazendo free-lancer?
Zeca – No total são perto de duzentos os colaboradores da editora, mas a maioria trabalha em casa. Aliás, a nível de desenhadores nenhum trabalha na editora, a não ser aqueles que fazem algumas pequenas correcções finais evitando desse modo que as páginas tenham que ser corrigidas pelos autores das mesmas. Na editora trabalham sobretudo os redactores e responsáveis de algumas séries, como por exemplo Mauro Boselli, Moreno Burattini ou Alfredo Castelli, para além obviamente de Sergio Bonelli, seu filho Davide Bonelli, Decio Canzio e Mauro Marcheselli, a cúpula da editora…

Tony 12 – Entendi… a empresa tem um “esquema enxuto de trabalho”, como dizemos por aqui. Além do mais manter um staff de desenhadores deste nível custaria uma fortuna, obviamente. Trabalham de uma forma racional. Como são os depósitos da editora Bonelli? Imagino que sejam imensos…
Zeca – O depósito das revistas da Sergio Bonelli Editore, situa-se em Turate, província de Como, cerca de 40 quilómetros a norte de Milão. Trata-se de um armazém com cerca de dez mil metros quadrados, que visitei em Setembro de 2002 na companhia do Dorival e do Júlio Schneider e tendo como cicerones Davide Bonelli e Giulio Terzaghi. É também no depósito de Turate que se situa o sector de Vendas de Números Atrasados. Mas falando propriamente do depósito, não podemos deixar de nos surpreender com a enorme quantidade de revistas que ali se encontram, centenas de milhares de exemplares que fazem a delícia de quem tenha a felicidade de ali entrar. Todos muito bem acondicionados em estantes e prateleiras de metal, assim como em inúmeras paletes de madeira que guardam exemplares de todas as revistas publicadas pela Sergio Bonelli Editore desde os seus primórdios.
Apesar da sua grandiosidade, o depósito também impressiona pela organização e limpeza. Dez mil metros quadrados e milhões de revistas, sem o mínimo exagero: estivemos lá por duas horas, mas a nossa vontade era ficar no mínimo dois dias, e mesmo assim não veríamos tudo, com toda a certeza. Ali estão separados 300 exemplares de cada número, de todas as edições produzidas pela Editora até hoje. Exemplares esses que, guardados em estantes totalmente vedadas, para ninguém poder retirar um único exemplar, representam uma verdadeira “reserva histórica” e não estão à venda, em hipótese alguma. No depósito estão inclusive todas as edições estrangeiras das personagens Bonellianas que foram editadas nos respectivos países com autorização da Sergio Bonelli Editore.
Logicamente está lá também a colecção brasileira completa de Tex, completamente nova, tendo a seu lado todas as colecções das demais personagens Bonellianas editadas no Brasil. Outra particularidade é que hoje em dia, praticamente tudo que a editora publicou nas últimas duas décadas está ainda disponível para venda, um caso único entre as inúmeras editoras de Banda Desenhada que existem no mundo! Por fim é no depósito de Turate que se encontra também a denominada Sala do Tesouro: um local totalmente estanque e trancado a sete chaves, com temperatura e humidade do ar controlados, que guarda milhares de páginas de artes originais de quase todos os artistas que trabalharam para a Sergio Bonelli Editore ao longo das décadas. Ali também se encontram muitas das artes das capas originais das revistas para além dos fotolitos originais que foram para a gráfica, hoje utilizados para fazer as reedições.

Tony 13 – Que organização fantástica você descreveu… isto deveria seguir de modelo aos depósitos dos editores tupinquins que em geral são desarrumados, excepto os dos grandes editores, é óbvio. Essa sala dos originais que você citou também é impressionante… com certeza, ali há um grande tesouro artístico, que um dia vai valer uma fortuna. Você se lembra exactamente de quantas vezes já esteve na editora italiana?
Zeca – Se a memória não me atraiçoa para além da visita inicial em 2002, estive também em 2006 quando viajei novamente na companhia do editor Dorival, numa viagem começada na Holanda onde fomos buscar a Fernanda Martins, uma grande fã e coleccionadora brasileira de Tex, para nos acompanhar na visita à editora milanesa. Em 2008 quando fui apresentar a editora ao pard Mário Marques, em 2009 novamente na companhia do editor Dorival e de Júlio Shneider, tal como aquando da nossa primeira vez e por fim, em 2010 quando viajei com os pards portugueses Mário Marques, Carlos Moreira e Hernâni Portovedo, sendo provável que em 2011 retorne uma vez mais a Milão.

Tony 14 – Maravilha… como costumamos dizer por aqui, você praticamente virou freguês… ou melhor, da família (Rsss…). O que me impressionou no seu relato é saber que há mulheres que também curtem o Ranger. Muito interessante… Actualmente, quantas edições de Tex são lançadas na Itália, você sabe?
Zeca – A Sergio Bonelli Editore publica anualmente 15 edições com histórias inéditas de Tex, distribuídas da seguinte forma: 12 Tex’s regulares com periodicidade mensal, 1 Tex Gigante, 1 Maxi Tex e 1 Almanaque, todos estes com periodicidade anual. Mas provando que Tex ainda tem um grande filão nascerá este ano uma nova colecção (colorida) com histórias inéditas de Tex. A nível de reimpressões, Tex tem na SBE muitas edições que reeditam a colecção principal em várias fases: Tex Tre Stelle e Tutto Tex, ambas com periodicidade mensal e Tex Nuova Ristampa, esta quinzenal e com a vantagem de trazer em todas as edições um mini-póster inédito da autoria de Claudio Villa. Também está a ser reeditada a série Tex Gigante com o novo título Tex Stella D’Oro e com cadência semestral.
Mas o grande êxito no momento tem sido a Collezione Storica a Colori (Colecção Histórica a Cores), a iniciativa, lançada em Fevereiro de 2007 em associação com o “La Repubblica” e o “L’espresso”, que repropõe as aventuras de Tex, pela primeira vez integralmente em “technicolor” e que continua a ser um sucesso extraordinário, como bem atestam ainda os cerca de 70.000 exemplares vendidos todas as semanas e que estando inicialmente prevista para ter 50 números já ultrapassou os 200.

Tony – Uau! Maravilha…
Zeca – Anualmente a editora Mondadori também dedica três edições a Tex reeditando histórias completas e seleccionadas: uma luxuosa e colorida em formato gigante com capa cartonada e duas outras no formato tradicional e que se integram nas colecções SuperMito e Oscar BestSellers.

Tony 15 – Setenta mil exemplares… caramba, muito editor brasileiro, actualmente, teria um enfarto se conseguisse vender 50% disso, aqui no Brasil. De facto, pelo número de títulos publicados pela Bonelli e os demais editores, o povo italiano ama e devora Tex. É incrível. O interessante é que os americanos deixaram de lado o seu folclore e passaram a empestear o mundo de super-heróis. Se não fossem os italianos os bang-bangs teriam morrido há muito tempo. Tanto no cinema como nos quadradinhos. Viva a Itália! (Rsss…). Você tem ideia de quais são as tiragens, em média, dessas edições?
Zeca – Números oficiais não existem, ou melhor, não são divulgados. Mas há a noção de que a série regular de Tex vende actualmente entre 220 a 230 mil exemplares por mês, um número que decresce anualmente mas que ainda é muito considerável. A nível das reedições a série colorida chegou a ultrapassar as 200 mil cópias vendidas, para se situar agora nuns ainda impressionantes 70 mil exemplares por semana, enquanto Tex Nuova Ristampa vende cerca de 50 mil cópias a cada 15 dias.

Tony 16 – Setenta mil semanal? Um número impressionante. Muitos editores e também o meu editor, Marco Antonio Faceto e o Fabiano, da editora As Américas – empresa que publica Apache, no Brasil -, ia ter um orgasmo… (Rsss…). Aliás, eu também ia ficar feliz, Zeca… de ilusão também se vive… (Rsss…).  Com o advento da WEB a vendas das BDs, em todo o mundo, derraparam, e obviamente isto também deve ter acontecido com as vendas do nosso querido Ranger. Você saberia me dizer, quanto vendia Tex, no passado, e quanto ele vende hoje, na Itália?
Zeca – Na fase áurea de Tex, na década de 70, a série principal do Ranger chegou a vender na Itália cerca de 1 milhão de exemplares por mês. Esse número tem decrescido ao longo dos anos, um fenómeno que tem acontecido um pouco por todo o mundo no que à banda desenhada diz respeito, mas Tex continua a ter uma saúde invejável e que o torna seguramente numas das personagens mais vendidas no mundo, isto porque somando todas as séries de Tex que se publicam em Itália, o Ranger ainda consegue vender a astronómica cifra de mais de 7 milhões de exemplares a cada novo ano, tudo isto sem apelo ao merchandising.

Tony 17 – Sete milhões anualmente? É muito pra cabeça… que coisa de maluco. Trata-se de um fenómeno de venda, mesmo… não há escola de marketing do mundo que possa explicar o carisma de Tex, com certeza… No Brasil, nos áureos tempos a Vecchi chegou a vender cerca de 150 mil exemplares, que era uma fantástica venda… hoje as vendas caíram bastante, também por aqui… A maioria dos leitores sabem que a Mythos imprime Tex e manda os exemplares para serem distribuídos em Portugal… por que você acha que os editores portugueses demoraram tanto para lançar o Ranger?
Zeca – Tex existe em Portugal desde 1971, ou seja, desde que saiu o número 1 pela Editora Vecchi. Aliás, na capa dessa lendária edição pode-se ver o preço para Portugal, ou seja, as diversas editoras de Tex no Brasil sempre tiveram o cuidado de enviar as revistas do Ranger para Portugal, embora alguns números por algum motivo nunca chegassem a vir para cá, dificultando desse modo a vida aos coleccionadores portugueses. Quanto ao facto de Tex nunca ter sido publicado regularmente em Portugal, creio que foi por ter vindo sempre do Brasil e por talvez nenhum editor português considerasse que tivesse um número suficiente de leitores em Portugal para se auto-sustentar.

Tony 18 – Os editores portugueses, pelo visto, desleixaram e os brasileiros foram aí “invadir a sua praia”, em busca de mais faturamento, cowboy… Também sei que já há algum tempo uma editora lusitana decidiu investir no Tex e começou a lançar as revistas dele em seu país. Confere? Qual é o nome da editora? Há quanto tempo eles estão lançando o Tex e quais são as tiragens?
Zeca – Nunca houve nenhuma editora portuguesa a publicar o Tex, pois Tex teve apenas uma edição portuguesa, uma edição especial lançada em 2005: o volume nº 8 da 2ª Série dos Clássicos da BD, rebaptizada com o nome “Colecção BD Série Ouro“, uma iniciativa do jornal Correio da Manhã, que contou com a minha colaboração e que trouxe a história (colorida) “Tex contra Mefisto”.Tex foi mas é, como disse antes, distribuído em Portugal desde 1971 até hoje, passando por inúmeras distribuidoras ao longo dos anos, visando sobretudo melhorar a caótica distribuição, sendo no presente a Logista Publicações a empresa que distribui Tex e as restantes revistas da Mythos Editora, no território português.

Tony 19 – Tex contra Mefisto é uma BD genial. Como eu perguntei, antes, por que ninguém nunca ousou lançar Tex em Portugal? (Rsss…). Cara, eu estava, como pôde observar, mal informado. Eu não sabia disso… pensava que algum editor lusitano tinha se aventurado a lançar o Ranger. Uma vez conheci um coleccionador brasileiro que tinha uma edição portuguesa do Ranger… daí pensei que ela fosse regular e que algum editor lusitano, de facto, decidira investir no cowboy. Enganei-me redondamente. Mas, valeu, pelo esclarecimento… Quer dizer que só o jornal português soltou uma única edição, com a sua colaboração… meu caro bengla friend, de além-mar, esses editores da sua terra são piores do que os nossos… ó loco! Que falta de visão comercial, de espírito empreendedor. E tem gente que ainda enxovalha os nossos editores. Voltando à conversa, a crise mundial afectou geral mas, obviamente, os países da Europa sentiram muito mais os efeitos dela do que nós aqui no Brasil. Ciente de que o mercado português há anos já vinha sofrendo baixas nas vendas e que muitas empresas editoriais tradicionais acabaram fechando as suas portas, gerando desemprego, fico aqui imaginando como é que anda o mercado editorial português, nos últimos 2 anos… vendas baixíssimas, suponho?
Zeca – A BD popular, aquela onde se integra Tex, quase que não existe mais em Portugal, pois hoje em dia nos quiosques (bancas de jornais) portugueses praticamente só temos as revistas oriundas do Brasil, as enviadas pela Mythos e pela Panini e certamente com resultados, a nível de vendas, muito modestos. Já quanto à banda desenhada mais luxuosa, aquela com venda em livrarias, essa continua presente em Portugal, sobretudo por intermédio da ASA que recentemente com a “aquisição” de Tintin, reforçou a liderança nacional no segmento da banda desenhada. Astérix, Gaston Lagaffe, Corto Maltese, Blake & Mortimer e Lucky Luke são alguns dos heróis presentes no catálogo da prestigiada editora portuguesa, mas o que tem valido aos apreciadores portugueses de banda desenhada tem sido a colaboração da ASA com o jornal “Público”, que tem permitido a publicação de inúmeros lançamentos (Alix, Gaston Lagaffe, Lucky Luke) a preços bastantes atractivos. Para além disso, somente alguns lançamentos esporádicos de outras editoras menores como são o caso da Devir ou da Kingpin Books, mas parece que 2011 trará boas novidades segundo rumores ouvidos recentemente.

Tony 20 – Grande editora Asa… tenho algumas belas edições dela de Blueberry, o cowboy do Jean Giraud (Moebius), que eu também adoro… Que os deuses das BDs te ouçam, Zeca Willer… e que o mercado de além-mar volte a crescer… A verdadeira Ciranda que o Civitelli andou fazendo por diversos países, com certeza, faz parte de um plano de marketing da família Bonelli – ou de alguém -, para reavivar a imagem do nosso velho cowboy, nos países que publicam o Ranger. Você, que acompanhou o Civitelli nessa ciranda, pode nos dizer quantos países foram visitados, por vocês?
Zeca – Fabio Civitelli esteve por três vezes em Portugal num curto espaço de tempo. Todas elas por iniciativas de convites oriundos dos principais eventos relacionados à BD em Portugal (Salão de Moura em 2007, Festival da Amadora em 2008 e Festival de Beja em 2010) depois de sugestões minhas e nunca por iniciativa da própria editora Bonelli pelo que não se pode considerar como fazendo parte de nenhum plano de marketing da família Bonelli, pois a haver um plano teria que ser meu (…risos…)
Quanto à sua presença no Brasil, onde tive o prazer de também o acompanhar, aconteceu o mesmo, ou seja, foi uma iniciativa da Mythos Editora na pessoa do seu editor Dorival, visando sobretudo dar um merecido prémio a todos os fãs brasileiros de Tex e de Civitelli, lançando para isso duas edições especiais dedicadas ao autor italiano. Sei que Fabio Civitelli também esteve presente em eventos ocorridos na Suiça e na Croácia, também esses devido ao facto de ter sido convidado pelas respectivas organizações, mas infelizmente não tive o prazer de o acompanhar nessas ocasiões.Desse modo, Civitelli tem-se tornado um verdadeiro embaixador de Tex a nível mundial, mas sobretudo devido à sua grande qualidade e popularidade que o tornamnum dos autores mais requisitados.

Tony 21 – Entendi… mas, os editores locais não são bobos e acertaram em cheio convidando o Civitelli e com isso divulgando o Ranger… não deixa de ser uma grande estratégia de marketing, mesmo sem a participação directa dos Bonellis… admita (Rsss…). Achei a jogada genial, pois, além de agradar os fãs esse tipo de coisa também faz reavivar a chama do personagem, atrai novos leitores, chama a atenção da mídia… você, Zeca, pelo visto nasceu também com o dom do marketing nas veias… parabéns e o Dorival, da Mythos, é um homem de visão comercial. Você foi remunerado pela Mythos ou pela editora italiana, para vir ao Brasil e ser o tradutor oficial do Fabio Civitelli?
Zeca – Assim que Civitelli aceitou o convite para ir ao Brasil o Dorival de pronto me convidou para também participar do Fest Comix, pois ele sabe da minha amizade e admiração pelo Civitelli e da minha paixão pelo Brasil.

Tony – Admirável…
Zeca – Então eu fui mesmo na condição de colaborador da Mythos, mas não para ser tradutor, até porque não tenho competência para tal, já que nunca estudei a língua italiana e o pouco italiano que sei, aprendi lendo Tex e falando com alguns amigos oriundos da Itália.

TonySabe, sempre achei que através das revistas e da música dá pra se aprender idiomas. Aprendi inglês comprando as revistas da Gold Key – extinta editora americana. Eu comprava as revistas num importador aqui do Brasil. Eu comprava-as, traduzia… usando um dicionário, meses depois as edições eram lançadas pela EBAL (editora Brasil-América, do saudoso Adolfo Aizen), daí eu comparava a minha tradução com a tradução feita pela editora. Aprendi muito por esse método e através de músicas.
Zeca
– Se no Fest Comix acabei fazendo, não muito bem, a função de tradutor do Civitelli, isso deveu-se a um improviso de última hora motivado pelo atraso do Júlio Schneider; ele sim, um tradutor oficial.

Tony 22 – Que maravilha, você fez a coisa por pura paixão. Não recebeu qualquer remuneração… maravilhoso. Aliás, a viagem ao Brasil para participar do evento já foi uma maravilhosa forma de “pagamento”, digamos assim… Mas, ao meu ver, você se saiu muito bem como intérprete e fez o público que estava presente interagir com o mestre Civitelli. Valeu.
Bola pra frente… Meus queridos e velhos amigos, Marcos e Dolores Maldonado, também estiveram no evento sobre BDs em seu país, onde também o mestre Civitelli esteve presente. Diga-nos, como foi esse evento? Teve boa repercussão entre a imprensa local e os fãs do cowboy?

Zeca – Realmente Marcos Maldonado e sua esposa Dolores, tal como o editor Dorival Vítor Lopes, estiveram presentes no VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. Um evento que uma vez mais juntou autores consagrados e talentos emergentes onde para além das inúmeras exposições houve ainda lugar para a apresentação de projectos, conferências, espectáculos, lançamento de livros, sessões de autógrafos, sessões de cinema, workshops, etc.
Foi um Festival eclético, virado para todos os públicos, que mostrou muitas das orientações que se fazem sentir no campo da banda desenhada contemporânea e onde estiveram representados 14 países e mais de 70 autores, com destaque sobretudo para as presenças de Fabio Civitelli e de Hermann. No que a Tex diz respeito, como em 2010 se comemoravam os vinte e cinco anos de carreira de Fabio Civitelli a desenhar Tex, foi decidido realizar uma mostra com páginas originais de diversas histórias do Ranger, dedicada precisamente a esses 25 anos de Civitelli a desenhar Tex, de modo a se poder ver na exposição a evolução de Civitelli (e do próprio Tex) ao longo do quarto de século de trabalho do artista com Tex Willer.
A presença de Civitelli e da sua exposição, foi um êxito absoluto, tendo sido um dos autores mais requisitados pelo público presente e pela imprensa, assim como tendo sido a sua exposição uma das mais visitadas. O êxito no que aos fãs de Tex diz respeito foi tão grande, que compareceram diversos admiradores vindos de todo o Portugal, assim como também do estrangeiro, casos dos visitantes brasileiros, mas também entusiastas da própria Itália que resolveram inclusive homenagear o consagrado desenhador, entregando-lhe um troféu em vidro, uma bonita peça idealizada com um desenho fora do vulgar, onde constava a efeméride assim como o famoso logótipo de Tex, ou seja, a sua empatia com o público português foi maravilhosa e não será esquecida facilmente por aqueles que visitaram o Festival de Beja.
No que à imprensa portuguesa diz respeito a passagem de Civitelli e de Tex por Beja foi alvo de diversas notícias nos principais midias portugueses, uma vez que os profissionais da comunicação social continuam a escrever sobre Tex nos seus jornais, sobretudo porque Tex continua a estar presente no mercado português após quase 40 anos e sobretudo porque Tex tem sido uma presença assídua nos grandes festivais portugueses dos últimos anos, com destaque para as exposições de pranchas originais e para a presença de autores consagrados, tornando-se desse modo cada vez mais popular no meu país.

Tony 23 –É… esse tipo de coisa (grande jogada de marketing), como eu disse antes, é óptimo. Atrai público, conquista novos leitores e agita a mídia. Vale a pena. Durante a Fest Comix, aqui em São Paulo, você foi uma simpatia e mostrou-se super atencioso com todos que o procuravam, assim como o Civitelli e o GG Carsan, o grande cowboy tupiniquim (brasileiro)… presumo que não é fácil, após encarar horas de voo atravessando o Atlântico, enfrentar essa verdadeira maratona de palestras, fãs, mais isso, mais aquilo… (Rsss…). Onde você arrumou tanta energia, caro bengala Junior and friend?
Zeca – Antes de mais, deixe-me agradecer-lhe pelas suas palavras, mas essa simpatia e atenção para com o próximo fazem parte da minha maneira de ser e por isso não tem nada de difícil em agir assim e não há cansaço no mundo que me faça parar de sorrir ou de conversar quando o tema gira em redor do Tex. Aliás, eu falaria de Tex com outros fãs do Ranger, por horas a fio, noites e dias seguidos e sempre de forma prazerosa porque Tex é o meu ópio. Tex é a minha religião e para além disso, Tex deu-me os melhores amigos do mundo e por tudo isso só lamento não poder ter tido mais tempo para conviver ainda mais com todos que se deslocaram à Fest Comix e aproveito até para pedir desculpas se defraudei algum amigo, como foi o seu caso, prezado Tony Fernandes, não lhe dando a devida atenção. Mas conforme quem esteve presente pôde constatar, as solicitações foram tantas que acabei não dispondo do tempo que queria para me dedicar a fortalecer as inúmeras amizades que fui criando ao longo dos anos, mas certamente haverá mais oportunidades para estarmos todos juntos falando novamente sobre Tex.

Tony 24 – Esse é um legítimo Texmaníaco mesmo… impressionante a sua disposição quando se fala em Tex (rsss…). Quanto ao evento em São Paulo, você foi muito bom, veio me cumprimentar – não só a mim, como a várias pessoas presentes -, etc, e é completamente compreensível que num local onde você tem que atender inúmeras pessoas seja impossível dar atenção especial à alguém. A sua participação na festa foi óptima… sua presença foi marcante.
Prosseguindo… Sou ciente de que os Bonellis criaram inúmeras personagens e que muitas destas tiveram breve duração… enfim, não caíram nas graças do público-leitor… na sua opinião, o que tem nas histórias do Ranger, que parece fascinar e cativar os leitores? Inclusive eu… (Rsss…)

Zeca – É uma pergunta muito interessante e a resposta não é fácil, mas creio sobretudo que é por Tex encarnar valores universais como, por exemplo, o desejo de justiça graças à força da lei ou até mesmo fora dela. A consciência da igualdade entre os homens e a capacidade de julgá-los apenas com base no seu comportamento efectivo, características essas que eram revolucionárias para uma personagem na década de 40 mas que são actuais hoje, assim como continuarão a ser no futuro. Para além disso, existe uma mistura perfeita de factos reais e história inventada, acrescido do facto de Tex sempre ter um alto nível gráfico tornando-se assim uma série de altíssima qualidade gráfica e narrativa.

Tony 25 – Sua análise foi perfeita… todos nós sonhamos com um mundo mais justo… e as BDs do Ranger pregam isto: justiça, a qualquer preço. Quanto à qualidade do trabalho italiano ela é inegável. São excelentes, tanto nos roteiros como nos desenhos. Numa época em que os mangás e os super-heróis inundam as bancas de quase todos os países do mundo é de se estranhar que uma revista bang bang, como Tex, perdure por tanto tempo… qual é a fórmula desse sucesso?
Zeca – Creio que é por Tex não ter mudado com o passar dos anos. Mudaram os autores que trabalharam com ele e se alguém aplicou modificações ou inseriu novas temáticas, fez isso com o mais rigoroso respeito pela personagem, mantendo-se fiel aos princípios de G. L. Bonelli. No fundo Tex é o homem que todos gostaríamos de ser. Esse penso ser na minha opinião o segredo maior do sucesso, mas para além disso e como disse anteriormente há que destacar a excelência da produção. Tex é uma série excepcional pelos seus longos enredos, muitos deles permeados de factos e personagens históricas e que sempre teve magníficos desenhadores.

Tony 26 – Sem dúvida, as histórias de Tex flúem como se fossem um filme e a filosofia de vida do cowboy, na verdade, reflecte tudo aquilo que gostaríamos de ser e que não conseguimos no dia a dia em nossas agitadas megalópólis, repletas de injustiças e desigualdades sociais. Grande bengala brother, Zeca Willer, vamos em frente… nesta quilométrica, mas excelente e esclarecedora entrevista… Na Itália, dos nossos dias, qual é a mais popular revista em quadradinhos, dos Bonellis ou de outros concorrentes?
Zeca – Tex continua a ser imbatível na Itália e os números provam isso facilmente. Na Sergio Bonelli Editore apenas Dylan Dog, que num determinado período chegou até a vender mais do que Tex, consegue apresentar números não muito distantes do Ranger. Da concorrência, creio que Diabolik, um anti-herói criado pelas irmãs Angela e Luciana Giussani em 1962, seja aquele que mais se aproxime de Tex a nível de popularidade, não falando de Corto Maltese de Hugo Pratt, que considero pertencer a outra categoria.

Tony 27 – Na verdade essas irmãs criaram uma grande personagem e ficaram famosas… olha aí a mulherada agitando e fazendo BDs, gente. Conheço bem Diabolik e o trabalho delas. Elas são geniais e Diabolik acabou virando até jogo de vídeo, devido à sua tremenda popularidade. Portugal… vamos falar da sua pátria… os autores de seu país limitam-se apenas a lançar álbuns esporadicamente ou há aqueles que fazem produtos periódicos, como revistas em série de BDs?
Zeca – Não sou um grande especialista no que à banda desenhada portuguesa diz respeito e confesso que nem sequer acompanho-a com a devida regularidade, mas creio que os principais autores nacionais publicam no estrangeiro como acontecerá por exemplo com “Female Force: Angelina Jolie“, a biografia da actriz que será desenhada por Nuno Nobre para o mercado norte-americano através da Bluewater Productions. O mesmo sucede com “Onslaught Unleashed“, mini-série de quatro números que Filipe Andrade está a desenhar para a Marvel a partir de um argumento de Sean McKeever. Ainda na Marvel, Nuno Plati Alves desenha o seu primeiro comic completo, “Marvel Girl #1” e João Lemos volta a Wolverine, desenhando uma história de Sarah Cross. Mas há outros dois projectos que marcaram recentemente a BD feita em Português – “BRK“, um thriller urbano com contornos políticos, de Filipe Pina e de Filipe Andrade, e “Asteroids Fighters“, uma space-opera de Rui Lacas.

Tony 28 – Muita gente trabalhando para fora, por falta de espaço interno, como acontece por aqui… isto é lamentável. Mas adorei saber que os guerreiros Filipe Pina e Filipe Andrade, com “BRK”, e “Asteroids Fighters”, de Rui Lacas, conseguiram publicar com êxito no seu país. Maravilha… não se pode deixar morrer o mercado interno, nunca. Ele gera empregos pra muita gente e até divisas, em muitos casos. Qual é o autor português mais famoso, na actual conjuntura?
Zeca – José Carlos Fernandes é muito provavelmente o mais prestigiado e produtivo autor português contemporâneo, tendo já adquirido um estatuto de clássico. Distinguido três vezes com o Prémio Rafael Bordalo Pinheiro, atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, venceu também outros concursos de banda desenhada, em Portugal e no estrangeiro sendo o autor da notável “A Pior Banda do Mundo”, entre outras obras. É sem dúvida, um dos melhores criadores lusos de banda desenhada e teve inclusive o privilégio de ter sido escolhido como o primeiro autor português presente nos Clássicos da Banda Desenhada – Série Ouro.

Tony 29 – Beleza… preciso conhecer melhor o trabalho desses mestres portugueses…. Você chegou a conhecer ou ouvir falar de Jayme Cortez – um grande e saudoso amigo -, nosso grande mestre do quadradinho brasileiro? O Cortez foi uma grande sumidade das BDs brasileiras e o interessante é que ele era português… (Rsss…). Você sabia disso?
Zeca – Conhecer Jayme Cortez, esse mestre português da 9º Arte, não conheci, mas sei que fez parte de um restrito grupo de autores portugueses que partiram para o estrangeiro em busca de melhores condições de trabalho, como aconteceu também com Eduardo Teixeira Coelho, Victor Péon e Carlos Roque, mas antes de emigrar ainda trabalhou na prestigiosa revista portuguesa O Mosquito tendo inclusive desenhado o westernO Vale da Morte” em 1946, conforme consta inclusivamente no blogue do Tex. E por falar em Tex, recordo também que no Festival da Amadora em 2008 quando se comemorou os 60 anos de Tex, Jayme Cortez também esteve “presente” com Os Dois Amigos na Cidade dos Monstros Marinhos, Uma Espantosa Aventura, Os Seis Terríveis, tudo histórias publicadas n’O Mosquito através da exposição integrada no tema central do Festival: Tecnologia e Ficção Científica na BD portuguesa.

Tony 30 – Que bom saber que vocês também tiveram o prazer de conhecer o trabalho do grande mestre Cortez, que fez história nesse país… No Brasil acontecem coisas interessantes… a maior “cantora brasileira” foi Carmem Miranda – que ficou conhecida internacionalmente, no passado -, o maior “desenhador brasileiro” foi Jayme Cortez… tanto um quanto o outro, de facto, eram portugueses… (Rsss…). Isto prova que o potencial artístico de sua gente é enorme.
Zeca – Realmente é algo de curioso, sensivelmente o mesmo fenómeno que acontece em Portugal quando dizem que o melhor jogador português (de futebol) de todos os tempos, foi o Eusébio, por acaso um cidadão moçambicano como eu (…risos…)
Mas voltando à Carmen Miranda, há a particularidade dela ter nascido na mesma terra do meu pai: Marco de Canavezes.

Tony 31 – Interessante essa revelação sobre a nossa querida, saudosa e grande Carmem, que aconteceu lá nos Estados Unidos e que fez muito sucesso como cantora e actriz dos filmes de Hollywood… Você, quando era garoto – como citou acima -, conheceu O Mosquito, uma publicação sobre BDs lançada pela Meribérica. OK? Fale-me sobre essa publicação que ficou famosa até no Brasil…
Zeca – “O Mosquito” é, pelo que conheço, a grande referência da banda desenhada portuguesa dos anos 40, tendo sido lançado em Janeiro de 1936. Teve uma grande longevidade e um grande número de edições publicadas, mas eu só vim a conhecer a revista já na minha adolescência, isto porque em Moçambique nunca tive contacto com ela e então em Portugal é que vim a constatar que fazia parte das melhores revistas portuguesas de banda desenhada que existiram, e das quais se destacam, “ABC-zinho”, “O Papagaio”, “Mundo de Aventuras”, “Diabrete”, “Cavaleiro Andante” e “Tintin”, mas foi n’O Mosquito que surgiram os primeiros, únicos e verdadeiros autores portugueses, exclusivamente especializados em banda desenhada, como: Vítor Péon, Eduardo Teixeira Coelho e claro Jayme Cortez, os quais viriam também a destacar-se pela notabilíssima carreira internacional que construíram, como você bem fez questão de frisar com o Jayme Cortez, duas perguntas atrás. Com o decorrer dos anos, houve várias séries d’O Mosquito mas julgo que nunca foi uma publicação com o selo da Meribérica, a não ser no seu final de vida editorial, mas se assim foi, eu desconheço.

Tony 32 – Olha que maravilha, acabamos de descobrir o ano em que “O Mosquito” surgiu… essas entrevistas sempre acabam sendo reveladoras e a gente acaba aprendendo sempre um pouco mais… valeu. Quanto a Meribérica, na verdade tenho uma edição de “O Mosquito”, editada por ela… mas, você tem razão… isto aconteceu quase no final desta excelente publicação, na década de 90, eu acho. Falando de BDs… O que lêem seus filhos actualmente?
Zeca – A minha filha mais nova, a Ana Beatriz tem apenas 5 anos e ainda não lê, mas a Andreia Sofia a nível de banda desenhada lê bastantes revistas da Disney que pertencem ainda à minha colecção, mas já a surpreendi lendo aventuras de Tex, sobretudo algumas coloridas.

Tony 33 – Na certa, ambas, puxarão para o lado do pai: grandes leitoras de BD… Qual é a revista de BD mais lida, hoje, em Portugal?
Zeca – Creio que Astérix continue a liderar as vendas em Portugal no que à BD diz respeito, ainda mais depois da grande aposta da ASA ainda embalada pelas comemorações dos 50 anos das Aventuras do gaulês.

Tony 34 – Astérix é genial, através da sátira e do bom humor os álbuns contam a história da França… ainda tenho a colecção. Uderzo e Goscinny, para mim, são geniais. Por sorte voltaram a publicar os belos álbuns de Astérix e Tintin, no Brasil. Mas, durante um bom tempo ficamos sem esta obra fantástica. Outra série que eu adoro é Lucky Luke, do Morris e do Goscinny, é uma sátira genial aos velhos faroestes… Tex também é editado em Luanda, na África?
Zeca – Tex nunca foi editado em Luanda e que eu saiba, nem sequer distribuído por lá, pelo menos a nível oficial.

Tony 35 – Ué… alguém me disse uma vez que ele saía por lá… bem, ao menos, a coisa ficou esclarecida. .. O primeiro país do mundo a comprar os direitos para publicar Tex, na Europa, foi a França, pelo que me consta. Você sabe dizer em que ano isto  aconteceu?
Zeca – Pode datar-se de 1948 a estreia de Tex num país estrangeiro e foi exactamente em França, mais precisamente no dia 29 de Novembro, apenas dois meses depois da sua estreia na pátria italiana. Tex, rebaptizado com o nome “Texas Boy” foi publicado no formato apelidado de striscia (tira, em italiano), semelhante a uma caderneta de cheques.

Tony 36 – Confere, grande mestre coleccionador… de facto, estou aqui testando seus conhecimentos sobre o Ranger… No Brasil, Tex foi publicado pela primeira vez nos anos 50, pela Rio Gráfica Editora (actual Globo), a partir do número 28 da revista Júnior (até o número 27 Júnior publicava outras personagens). Essa revista era semanal e trazia o subtítulo “As Aventuras de Texas Kid“; até o número 178 seu formato era em tiras (deitado), com 36 págs. exactamente como a edição italiana, porém a partir do número 179 passou a ser editada verticalmente no formato 13,5 x 17,5 cms, pouco menor do que a edição italiana “Gigante“. Tex foi a única personagem da revista Júnior que foi publicada até à edição 265, de Julho de 1957. Após esse ano a tradicional revista que fazia a alegria da garotada passou a publicar outras personagens e ninguém mais ouviu falar no velho Ranger até Fevereiro de 1971, quando surge a edição #1 da nova série, no formato idêntico ao original italiano, com edições de 100 e 130 págs., pela extinta editora Vecchi. Você, como coleccionador, possui essas edições brasileiras raras, hoje em dia?
Zeca – Possuo…

Tony – Incrível…
Zeca – … algumas edições da revista Júnior da Rio Gráfica Editora, sendo a mais antiga a número 29 (a que trouxe a 2ª aparição de Tex no Brasil), tanto no formato de 1 tira, como de 2 tiras, todas elas presenteadas por amigos, assim como possuo edições no mesmo formato oriundas da Itália, Finlândia, Alemanha e Argentina…

Tony – Caramba…
Zeca – … Também todas elas recebidas como presentes ou devido a trocas. Servem sobretudo como curiosidades da minha colecção já que não faço questão de as ter todas, isto porque hoje em dia são revistas raríssimas e caríssimas e como nunca vieram para Portugal, só muito tarde é que tive conhecimento da sua existência, além de que possuo todas essas histórias publicadas em colecções posteriores. A propósito destas revistas, há quem considere que as edições de Júnior não se podem bem considerar como verdadeiras peças de colecção de Tex porque o nome da personagem era Texas Kid, opinião que eu não partilho…

Tony 37 – Nem eu. Zeca, você não é fraco, não… conhece mesmo tudo sobre Tex… fantástico… No final dos anos 70 Tex era a revista mais vendida da editora Vecchi, cerca de 150 mil exemplares. Bons tempos aqueles… actualmente, como já citei, as vendas caíram sensivelmente… pergunto: você sabe quais são em média as tiragens de Tex feitas pela Mythos? Qual é o título deles – do Ranger – que mais vende? Sei que as tiragens são pequenas, mas não sei exactamente quantas cópias são feitas actualmente.
Zeca – Por motivos que desconheço as tiragens de publicações tanto no Brasil como na Itália, ao contrário de Portugal, não são tornadas públicas pelo que não há como saber o real número de Tex’s vendidos pela Mythos ou sequer a sua tiragem. Há no entanto rumores de que Tex deve ter um número de leitores no Brasil a rondar entre os 20 e os 30 mil, mas como disse, tratam-se apenas de rumores…
Quanto ao título que mais vende, creio não haver dúvidas de que se trata do Tex regular, tendo em conta o facto de ser a revista mais antiga aliada à circunstância de ter o preço mais acessível.

Tony 38 – Confere, pelo que sei… cerca de 20 a 30 mil leitores… isto, na actualidade, é uma grande e excelente venda, bengala brother… Durante a palestra do Civitelli, aqui no Brasil, ele disse que fazia 15 págs. por mês de uma edição de Tex. Quem me dera ter nascido na Itália ou Estados Unidos, onde os caras são bem remunerados, ou poder fazer 15 páginas, no capricho, por mês… (Rsss…). Em meu país faço 100 págs. de Apache, por mês, é mole?
Mas, voltando a falar dos artistas italianos e de seu moroso processo de criação… obviamente, isto explica a qualidade das artes – apesar da série ter tido muitos desenhistas ruins também, ao meu ver,  como é comum a qualquer série. Daí é fácil concluir que vários desenhadores trabalham simultaneamente em histórias diferentes para poder manter a publicação em dia, pois as edições sempre trazem histórias longas. Pergunto: Todos os desenhadores de Tex trabalham com esse prazo dilatado?

Zeca – Cada vez mais, os novos desenhadores são mais lentos, se bem que hoje em dia há também um cuidado muito maior por parte do desenhador, sobretudo com a pesquisa e documentação. Se no passado os desenhadores de Tex chegavam a fazer mais de 30 páginas por mês, hoje em dia um que desenhe 10 a 12 páginas já é considerado relativamente rápido, até porque há diversos autores que fazem  somente 5 a 8 páginas por mês.

Tony – São tartarugas? (Rsss…). Digo, lerdos assim, pois primam pela qualidade, provavelmente. Impressionante, isto…
Zeca – Continuando… Isto também só é possível, porque os desenhadores de Tex são relativamente bem pagos e porque uma página de Tex pode render outros proveitos. Ou seja, Sergio Bonelli paga a produção de uma página, que por sua vez é propriedade do desenhador que normalmente a vende por um preço muito maior, já que na Itália há um mercado muito interessante de venda de originais e depois sempre que essa mesma página for publicada nas diversas reedições de Tex ou até no estrangeiro, o desenhador recebe novamente uma parte, embora obviamente menor, relativamente aos direitos dessa mesma página. Multiplique-se isso por um número maior de páginas e pode-se ter uma bela ideia dos rendimentos de um desenhador de Tex…

Tony – Que maravilha…
Zeca – Este número reduzido de páginas realizadas pelos autores aliado ao facto das histórias de Tex serem longas e de serem necessárias anualmente cerca de 2.000 páginas …

Tony – Minha nossa, haja produção… admiro o pique dos americanos e dos italianos… o pessoal trabalha muito, levam a coisa a sério. A coisa virou indústria. Isto é o que falta aqui no Brasil…
Zeca –  Como eu dizia, as histórias são longas e são necessárias cerca de 2.000 páginas para todo o leque de publicações inéditas… isto obriga a que o staff de desenhadores de Tex seja muito extenso. Isto porque por norma cada um trabalha numa história do princípio ao fim, levando isso também a que demorem alguns anos até se ver um desenhador reaparecer novamente em Tex. Só para se ter uma ideia, actualmente estão em produção 35 histórias de Tex o que também nos garante ainda um longo futuro pela frente…

Tony 39 – É, eles são hiper-profissionais. Trabalham com uma grande dianteira. Aqui no Brasil conheço gente que a vida inteira fez umas 100 páginas e acha que fez muito… isto é ridículo… (Rsss…). Você saberia me dizer quantas pessoas, hoje, compõem a equipa que produz Tex? Entre desenhadores e argumentistas, revisores, legendadores, etc.?
Zeca – Tex é supervisionado pela cúpula redaccional da Bonelli, representada por Sergio Bonelli, Decio Canzio (já reformado, mas ainda colaborando na editora), Mauro Marcheselli e Michele Masiero e tem actualmente 6 argumentistas: Mauro Boselli, Tito Faraci, Pasquale Ruju, Gianfranco Manfredi, Antonio Segura e Claudio Nizzi, embora este último já tenha abandonado as suas funções, ainda há histórias suas para publicar. A nível de desenhadores o leque é obviamente muito mais extenso: 29.
Já quanto a revisores e legendadores aí não sei ao certo quantas pessoas são, o que sei é que somente mulheres exercem funções de legendador e como curiosidade informo que quem legenda as histórias desenhadas por Giovanni Ticci é a sua esposa, a Monica Husler, que também legenda as histórias desenhadas por Fabio Civitelli devido à grande e duradoura amizade que liga as duas famílias.

Tony 40 – É muita gente, mesmo… olha que maravilha, Tex sustenta muitas famílias. Essa do Ticci e da esposa é muitointeressante… adoro o traço desse veterano… Ao seu ver, quais foram os piores desenhadores dos Rangers?
Zeca – Por incrível que possa parecer, não encontro nenhum mau desenhador na longa história de Tex, aliás, não é por acaso que sempre digo que Tex tem os melhores desenhadores do mundo. Agora as histórias que mais me custaram a terminar de ler, devido aos desenhos não serem totalmente do meu agrado foram as desenhadas por Sergio Zaniboni, Giancarlo Alessandrini e Carlo Ambrosini, curiosamente nenhum deles pertencente ao staff efectivo de Tex…

Tony 41 – Gostei da sua “saída estratégica”… (Rsss…). “Não encontro nenhum mau desenhador”… “…as histórias que mais me custaram de ler…” Foi bom político, Zeca… tá certo… (Rsss…). Toda série tem gente boa e ruim, apesar de eu respeitar todos os trabalhos artísticos, é óbvio. Nobody is perfect… todos nós temos nossos acertos e falhas… Os melhores desenhadores, na sua opinião? E qual é o seu preferido? Ou melhor, quem são eles?
Zeca – Fabio Civitelli e Claudio Villa, ambos com um estilo cristalino, caracterizado por grandes cuidado nos mínimos detalhes e por um hábil uso do preto e branco e do extremo asseio dos traços elegantes e harmoniosos, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo modernos e cativantes. Eles são para mim o expoente máximo, sem desprimor para artistas de tão grande calibre como por exemplo o Ticci nos seus tempos áureos.

Tony 42 – Também gosto dos dois que você citou… mas, o Ticci, para mim é o meu predilecto, há anos… Giovanni Luigi Bonelli foi o mais importante argumentista dos fumetti italianos. Começou a escrever pequenos contos aos 18 anos, após concluir o liceu. As suas primeiras obras foram publicadas no famosíssimo Corriere dei Piccoli e no Giornale Illustrato dei Viaggi, editado em Sonzogno. Nesse mesmo período produziu vários romances de literatura juvenil. Em 1952 Bonelli escreveu I Tre Bill, realizado com Benvenuti, D’Antonio, Dami e Calegari. Em 1953 foi lançada no mercado italiano o primeira edição da revista Collana Arco, trazendo as aventuras de Yuma Kid desenhadas por Uggeri. Como podemos ver a obra do mestre Bonelli é imensa. Você, Zeca, meu querido bengala friend de além-mar, conhece toda a obra do genial Bonelli?
Zeca – Conheço toda a vida e obra do patriarca do fumetto italiano devido aos inúmeros livros italianos que possuo e que falam da sua relevante existência, assim como de ouvir Sergio Bonelli falar do pai, mas a nível literário e com profundidade somente conheço a sua maior criação: Tex.

Tony 43 – Parabéns, tem muita gente por aí que só conhece Tex, Zagor, Mister No, etc… mas, mister Bonelli sempre foi muito prolífico, criativo… antes de acontecer com Tex e abrir sua editora criou inúmeras personagens e trabalhou para diversos editores… Tex foi criado em 1948, pela dupla Gianluigi (texto) e Galleppini (arte), para a revista Audace, confere? Você tem um exemplar raro, como este, que hoje deve valer uma fortuna?
Zeca – Tex foi de facto criado em 1948 por essa mítica dupla, mas a revista denominava-se Collana del Tex. Audace era o nome da editora, mais precisamente Casa Editrice Audace. Quanto a esse raríssimo e valiosíssimo exemplar nº 1, de 1948, continua a ser o objecto mais cobiçado por mim, já que infelizmente não o possuo. Mas apesar de ser historicamente a edição mais importante, não se pode considerar a mais valiosa, já que está avaliada em cerca de 1.800 € enquanto por exemplo o Tex Gigante nº 2, “L’agguato”, da 1ª série, de 1954, está avaliado em quase 7.000 €.

Tony 44 – Sete mil euros!? Uau! É incrível como você, de facto, conhece tudo sobre Tex e seu criador… congratulations, dear bengala brother… Será que existe algum coleccionador que tenha esta edição da Audace?
Tcham-tcham-tcham-tcham!?
Zeca – Existem vários na Itália, por exemplo o meu amigo Enzo, que considero um dos maiores coleccionadores mundiais de Tex, como disse anteriormente, possui-a, assim como também a possui o meu amigo italiano, o Giancarlo. Em Portugal penso que ninguém a terá.

Tony 45 –  Meu amigo, essas pessoas são privilegiadas… minha nossa… No início o Ranger bonelliano ia  se chamar Tex Killer, certo? Mas, quem foi que se opôs a esse nome agressivo e sugeriu o nome de Tex Willer? Você sabe? Putz… isto aqui está mais parecendo um interrogatório policial… (Rsss…). Desculpe-me, bengala Zeca, estou querendo apenas testar e avaliar seus conhecimentos sobre o mundo do Ranger e seu autor.
Zeca – Essa história ouvi-a da boca de Sergio Bonelli, assim como ouvi ele contar a origem do nome Zagor enquanto contava também algumas aventuras que ele próprio viveu na Amazónia, num jantar especial em 2002, onde eu estava acompanhado do Dorival e do Júlio Schneider, lá em Milão, no dia em que conheci Sergio Bonelli, mas vamos lá ao Tex Killer, nome inicialmente eleito por G. L. Bonelli para sublinhar que Tex era um justiceiro. Mas que foi modificado (Sergio Bonelli já não se recordava se pela sua mãe que não sabia inglês, ou se  fôra por indicação de outra pessoa), para Willer, porque poderia ser considerado muito provocatório para a época, sobretudo por aqueles que criticavam a grande carga de violência contida na banda desenhada em geral por essa altura.
Já agora, deixe-me fazer-lhe uma pergunta… você sabe que no Brasil Tex chegou a ser chamado pela Editora Vecchi de Tex Taylor?

Tony 46 – Tex Taylor!? Agora você me pegou… (Rsss…). Esta eu não sabia… mas, só um detalhe, ouvi uma versão de que quem baptizou o Ranger de Tex Willer foi a dona Tea Bonelli, a esposa do criador… como correm muitas lendas sobre Tex a gente acaba sempre ficando na dúvida. Il Totem Misterioso era o título da capa da primeira revista de Tex, lançada no dia 30 de Setembro de 1948… Confere?
Zeca – Confere.

Tony 47 – Você sabe tudo… maravilha… adorei saber que você tem um vasto conhecimento e uma óptima memória sobre o nosso querido Ranger. Parabéns, mais uma vez. Professor José Carlos Willer (Rsss…), foi um prazer imenso poder bater este  “papo” saudável com você e fazer com que assim todos possam conhecer melhor você, suas experiências, etc. Você é uma figura fantástica. Também foi uma grande honra poder dispor de sua amável atenção nessa entrevista quilométrica, mas sensacional e esclarecedora… é pena que estamos prestes a terminá-la… mas, antes eu gostaria de lhe fazer mais algumas questões finais… como: José Carlos por José Carlos? Ou seria, Zeca Willer por Zeca Willer? (Rsss…).
Zeca – Uma pessoa simples, de gostos simples, hábitos simples e amiga do seu amigo, que se preocupa com os outros e o seu bem-estar, especialmente dos que são mais chegados e que tem duas grandes paixões na vida: Tex Willer e o Benfica!

Tony 48 – Muito bom… Um sonho?
Zeca – Gostaria de um dia retornar a Moçambique e rever a cidade onde nasci, de preferência com a minha esposa e filhas.

Tony 49 – Alguma frustração?
Zeca – Frustração propriamente dita, não, mas lamento muito não ter tido a oportunidade de conhecer Sergio Bonelli dois anos antes, pois isso teria certamente permitido conhecer também o seu mítico pai, já que G. L. Bonelli faleceu em 2001.

Tony 50 – John Wayne?
Zeca – Actor que encarna o Tex no meu coração.

Tony 51 – Não existe quem não venere o big John… o maior cowboy que o cinema já produziu… (Rsss…). Em quantos países, actualmente, Tex é publicado? Pode relacioná-los?
Zeca – Com o recente regresso de Tex a Espanha, actualmente Tex é publicado em 11 países: Itália, Brasil, Noruega, Croácia, Finlândia, Turquia, França, Macedónia, Eslovénia, Grécia e Espanha.

Tony 52 – Os americanos, geralmente, não aceitam BDs produzidas por estrangeiros, que falem sobre o folclore deles. Foi preciso que o mestre Joe Kubert se aliasse à família Bonelli para que Tex finalmente entrasse no mercado americano?
Zeca – E mesmo assim a publicação dessa aventura de Joe Kubert nos Estados Unidos foi uma aventura em si mesmo, cheia inclusive de peripécias e que resultou numa primeira fase numa edição colorida e luxuosa que existiu fisicamente mas que nunca chegou a ser posta à venda devido a um litígio entre a Dark Horse e a Venture, tornando-se por isso mesmo uma edição raríssima que somente alguns poucos editores, como por exemplo o Dorival da Mythos, no Brasil e o Pedro Silva, da Vitamina BD (Portugal), possuem. Mas Tex chegou a ver a luz do dia na sua “terra natal”, quando finalmente em 2005 a própria SAF Comics, detentora dos seus direitos internacionais, publicou “Tex: The Lonesome Rider”, numa edição impressa na Eslovénia, com 240 páginas a preto e branco, capa em brochado e com o custo de $15,95 dólares.

Tony 53 – Tex, ele continua a ser publicado na América, ou parou?
Zeca – Essa foi a única história de Tex publicada nos Estados Unidos e mesmo assim foi uma história de características especiais, pois seria certamente complicado publicar alguma história em que se mostrasse Tex como chefe dos índios navajos…

Tony 54 – Esses americanos são terríveis… Mon ami, c’est fini, como diriam os franceses… (Rsss…). No final das contas, você se deu bem nessa verdadeira sabatina texiana que preparei… provou que sabe tudo de Tex e sobre o seu genial criador. Grato por esta brilhante e empolgante entrevista e até a próxima, grande amigo. Muito sucesso e tenha um grande ano novo junto aos seus entes queridos! Valeu! FUIIIII!
Zeca – Agradeço os seus votos, que aproveito para retribuir, agradecendo também esta extensa entrevista que acabou sendo muito prazerosa de responder pese o grande número de perguntas.
Mas antes de concluir, deixe-me parabenizá-lo pela sua excelente série “Apache” que para quem não sabe, é uma jovem e sensual justiceira de chapéu, winchester e colt, na melhor tradição das mocinhas do faroeste. Aliás, aproveito até para recomendar a todos os Texianos que comprem “Apache“, pois eu comecei a ler o exemplar nº 1 e só parei a leitura no final do nº 4 e isto porque eu só possuía esses 4 exemplares 😉
Hasta la vista
!

Tony – Hasta, hombre!

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Copyright: © 2011, Tony Fernandes\Estúdios Pégasus – Uma Divisão da Pégasus Publicações Ltda – Todos os Direitos Reservados

14 Comentários

  1. Adorei esta sua versão. Um belo trabalho… Excelente diagramação e as novas fotos ficaram geniais.
    Show de bola!
    Parabéns, pelo imenso trabalho que teve… (Rsss…).
    Postar as 50 questões de uma só vez é trabalho de “maluco”, no bom sentido, é claro… (Rsss…).
    É sempre um prazer falar de Tex, ainda mais com alguém que sabe tudo sobre ele, como você, grande Zeca!

    Valeu, cowboy e grande amigo de além-mar.

    Espero que esta entrevista faça tanto sucesso entre os seus web-leitores quanto fez aqui no Brasil, onde em apenas 3 dias tivemos mais de 300 visualizações!

    Por aqui, você é o nosso campeão de audiência, bateu todos os recordes, em pouco tempo – nos dois blogs, visto que suplantou aqueles que estavam no podium: professor Seabra e o meteórico Roberto Guedes. Eles lideravam a audiência, cada um num dos meus blogues. Mas, você os tirou do “trono” e se tornou o campeão das Postagens Mais Populares. Parabéns.
    Publiquei a extensa entrevista em 2 partes, para não cansar os meus assíduos leitores.
    Esta tremenda popularidade é um fenômeno que comprova sua popularidade e o interesse que você deseparta em todos nós que adoramos as BDs do velho Ranger.

    Você me falou que tem em mente lançar um livro com os desenhos do Ranger que você ganhou dos grandes mestres italianos. Pode acreditar, vai ser sucesso!
    Demorou… se eu fosse você começava a tocar este projeto de imediato, bengala friend.

    Muito sucesso e muito obrigado por estar aí divulgando os meus blogues! Valeu, parceiro! Boa semana!
    FUIIII!

  2. Zeca e Tony,

    Duas grande figuras não poderiam render menos do que uma sensacional entrevista, no melhor estilo bate-papo.

    Um agrande abraço aos dois, por esta aula de Tex e de Banda Desenhada como um todo.

    Abraços

    Alvarez

  3. Zeca vc é o maior colecionador de Tex, sem dúvida nenhuma. Parabéns pela belíssima entrevista e por vc ter não uma casa, mas um museu de tudo que se relaciona a Tex e seus pards.

    Abraços amigo.

  4. Grande entrevista. Tony tem o dom de entrevistar meio que como se estivesse num papo informal. Fica maravilha. Quanto ao pard Zeca Willder Benfica desta vez arrombou a festa. Esta sua entrevista foi maravilhosa, pois ficamos conhecendo quase todo o universo texiano. Parabéns Tony! Parabéns Zeca pelas declarações. Acho que 70 por cento do que você disse eu não sabia. Suas respostas foram esclarecedoras.
    Acredito que seu livro sobre Tex será um grande sucesso.
    Abração aos dois!

  5. Gervasio, meu querido bengala friend
    muito obrigado por postar aqui e divulgar esta minha entrevista com o grande bengala brother de além-mar, Zeca Willer. Uma pessoa fantástica. Em meus blogs esta entrevista bateu o recorde de audiência. Em apenas 3 dias tivemos mais de 300 acessos, de diversas partes do mundo. Espero que este sucesso se repita aí no TexBr, o maior e mais bem feito portal do Ranger no país! Muito sucesso à vc, a seu sócio e toda equipe. Que em 2011 este seu ponto de encontro dos texmaníacos continue bombando.
    See you later, cowboys!

  6. Sem nenhuma dúvida: É O MAIOR COLECIONADOR DE TEX – só perde pra SBE!! Parabéns, pard Zeca WILLER pela belissima entrevista e também por essa dedicação carinhosa ao nosso queridissimo e destemido grande Ranger: TEX WILLER!!!

    Grande abraço hombre.

  7. Sensacional a entrevista!! O trabalho que o grande Zeca desenvolve para a divulgação de Tex em todos os eventos… seja na Europa ou no Brasil… não tem palavras para descrever. Ótimo trabalho e vida longa ao Tex e a Editora Bonelli!!
    Grande abraço ai Zeca!

  8. Agradeço a todos os Pards, Amigos e desconhecidos que leram a minha entrevista e fico muito honrado e feliz por saber que regra geral ela foi do agrado de muitos Texianos e quanto ao facto da entrevista estar a ser bem popular (aqui mas sobretudo nos blogues onde foi publicada originalmente), tal deve-se mais uma vez à força do Tex, pois o mérito é todo do Ranger, eu só tento passar a sua mensagem e sempre que alguém me cede espaço falo prazerosamente do Tex, porque muito do que sou, devo-o ao Tex e é por isso que tudo que eu faça em prol do Tex será sempre pouco, comparativamente a tudo que ele me deu e continua a dar nesta vida!

    Também fico muito honrado por ver um simples fã e coleccionador de banda desenhada como é o meu caso, num sítio na Internet onde estão publicadas entrevistas com muitos dos maiores nomes da banda desenhada brasileira e fico feliz por graças a isso, Tex estar assim tão bem exposto em mais uma vitrine muito importante, daí o meu eterno muito obrigado ao Mestre Tony Fernades pelo espaço que me concedeu a mim e ao Tex!

    E quanto a ser o maior coleccionador de Tex do mundo, sei que são palavras vindas de Amigos muito especiais que me querem muito bem, como são o caso do Marcílio e do Dionísio, eles também são dos maiores fãs e coleccionadores de Tex no mundo e em nada inferiores a mim e à minha colecção pois têm uma colecção, ou melhor, várias colecções que mostram bem o tamanho das suas paixões por Tex 😉

    Agradeço também em especial, os comentários dos grandes Tony, Alvarez, Wilde e Luiz assim como ao Gervásio pela divulgação dada no maior portal bonelliano do mundo!

    Abraços a todos vós e continuem a ler TEX 😉

  9. Amigos!
    Devido a alguns contra tempos, não pude ler a entrevista do nosso “Grande Zeca“, só hoje pude terminar de ler a 1ª e a 2ª entrevista, e para minha surpresa… Uma foto de Zeca com uma camisa confeccionada para a 1ª Expo-Tex aqui em Pernambuco (Brasil). Que alegria e satisfação, é uma honra ter esta foto em meus arquivos, valeu Zeca pela entrevista, isto tudo prova que você é um grande conhecedor e colecionador desta maravilhosa revista que tanto nos dá alegria e prazer em ler. Um abraço do Pernambucano.

  10. Só agora pude ler com calma essa grande entrevista! Grande em vários sentidos, pois certamente foi uma das melhores que já apareceram neste blogue! Excelente! Fiquei impressionado principalmente com os detalhes sobre a Bonelli (300 edições DE CADA REVISTA PUBLICADA, simplesmente “guardadas” intocadas!!!) e com a imensa gama de artistas que o Zeca conhece pessoalmente… Que inveja!

  11. Simplesmente excelente o entrevistador Tony Fernandes, a gente acompanha com igual interesse tanto as suas perguntas e comentários quanto as respostas do José Francisco!
    Na mão do grande colecionador italiano Enzo está uma edição de Tex que acho bem legal pelo roteiro do Nizzi, sobre o Custer, 407 no Brasil se não me engano no momento.
    Seria legal mesmo um livro com esses desenhos originais que Zeca recebe de presente.
    Eh eh eh eh, a ex-mulher do Toni sim é que era maluca, como diz a canção “mulher ruim, jogou minhas coisas fora“! Se a minha fosse assim já seria ex também, pois amar é respeitar.
    Interessantíssima a descrição da Sergio Bonelli Editore pelo José Francisco, incluindo aí os números aproximados de venda de Tex!
    Tex Taylor, mas que barbaridade da Vecchi, eh eh eh eh.
    Essa entrevista é obrigatória para todo texiano de língua portuguesa, simplesmente excelente, abrangente, instrutiva, reveladora.

    • Fico imensamente satisfeito por ver a reacção que esta entrevista, realmente muito bem conduzida pelo Mestre Tony Fernandes, despertou em si, caríssimo pard João Guerreiro e agradeço de coração, as suas palavras 🙂

      Aproveito para agradecer, embora com algum atraso, também as palavras dos grandes Amigos Lucílio e Filipe 🙂

  12. Jan.2011/set.2016 – Nunca é tarde para se ler algo legal-esclarecedor em qualquer tempo.
    Era inédito enquanto não li.
    Uma ”viagem” à saga do Tex e do Mundo Bonelli.
    Valeu Tony F. & Zeca B.-Tex.

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