Entrevista com o fã e coleccionador: Iran Barros da Silva

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Iran Barros da Silva: O meu nome é Iran Barros da Silva, nasci em 1965 em Carolina, Estado do Maranhão, Brasil. Actualmente moro no Distrito Federal, onde está localizada Brasília, a capital do país, e trabalho no serviço público federal desde 1987.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Iran Barros da Silva: Desde criança, pode-se dizer que aprendi a ler com as revistinhas Disney, mas, há muitos anos que não tenho contacto com essas personagens, só recentemente chamou-me a atenção a série Disney Big, volumes de mais de 300 páginas, com histórias de várias personagens, que lembra a épica Disney Especial.

Quando descobriu Tex?
Iran Barros da Silva: Eu e o meu irmão tínhamos algumas caixas cheias de revistas Disney e de super-heróis Marvel e DC, e na minha cidade os garotos gostavam de se reunir na porta do único cinema da cidade para trocar revistas. E foi numa dessas ocasiões que me chegou às mãos um exemplar de Tex, acho quer era o número 43 – Juramento de Vingança. O segundo encontro com Tex foi quando estávamos na casa de uma tia, que era casada com um austríaco, e descobrimos que ele gostava de ler Tex, e inclusive tinha um quarto cheio de revistas de todos os tipos, e quase todos os números de Tex lançados até então. Foi aí que começamos a pegar emprestado com ele os números mais antigos, e ao mesmo tempo, passamos a comprar a edição que saía todo mês na única banca de revistas da cidade.

Porquê esta paixão por Tex?
Iran Barros da Silva: Naquela época (anos 1970) era diferente, não tinha as diversões electrónicas de hoje, como jogos de vídeo, telemóvel, computador e Internet, por isso além de assistir filmes no cinema, os jovens gostavam de ler, inclusive líamos até revistas de foto novela, comum naquele tempo, e no contacto com a primeira revista de Tex que adquiri, o que me chamou mais atenção foram os desenhos, tão perfeitos que a história parecia um filme, com isso, de imediato veio a vontade de ler mais histórias com o Ranger, que passou a ser prioridade sobre as outras revistas em quadradinhos.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Iran Barros da Silva: Em todas as histórias, Tex está sempre pronto para ajudar os amigos e defender os mais fracos da prepotência e maldade dos fora-da-lei que infestam o oeste selvagem, sejam homens de negócio, especuladores de terra, gambler, políticos corruptos, chefes militares linha dura, índios hostis, bruxos, e até mesmo um extra-terrestre, como ocorreu na história “O Mistério do Vale da Lua” (Tex nº 17), característica essa que todos esperam de um herói dos quadradinhos, cinema ou literatura, mas o motivo principal do sucesso é que, nesses mais de 60 anos de vida editorial, foi mantida e consolidada a fórmula criada por G. L. Bonelli para as primeiras histórias, não houve nenhuma mudança brusca na maneira dos outros autores escreverem as histórias, não houve mudanças significativas na atitude e no modo de agir das personagens, como às vezes acontece com outros heróis da banda desenhada.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Iran Barros da Silva: Actualmente colecciono apenas Os Grandes Clássicos de Tex e Tex em cores. Tinha a colecção completa de Tex mensal, mas quando a editora Globo começou a cortar vinhetas, tiras, e até páginas inteiras das histórias (o mesmo aconteceu com Tex Coleção), fiquei desanimado e parei de coleccionar. Tex Ouro parei de comprar porque preferi ficar comprando só “Os Grandes Clássicos”, por apresentar histórias mais antigas. Tex Edição Histórica era uma colecção interessante quando editada pela Globo, mas quando passou para a editora Mythos, publicaram as primeiras histórias fora da ordem de Tex Coleção, e também, com o tempo, a qualidade da edição foi caindo, por isso parei de comprar, mas sempre compro e leio Tex, Tex Coleção, Tex Almanaque, Tex Anual, Tex Gigante, e Tex Férias. Tenho aproximadamente 300 revistas de Tex, incluindo os exemplares repetidos, e mais umas 220 de outras personagens, e não existe uma que considero a mais importante.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Iran Barros da Silva: Colecciono revistas, e tenho os livros dedicados a Tex que saíram aqui no Brasil, que são o do Gonçalo Júnior e do GG Carsan, e “O Oeste Segundo Civitelli”; também tenho porta-chaves e camisetas; quanto a outros produtos relacionados a Tex, aqui é mais difícil de encontrar, além disso não me interesso muito por certos objectos, como os bonecos do mundo de Tex.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Iran Barros da Silva: Gostaria de ter os primeiros números da primeira edição da editora Vecchi, mas somente se fossem em estado de banca, e também gostaria que saísse no Brasil uma colecção totalmente igual à colecção italiana, mesmo formato, mesmo número de páginas e mesmas capas.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Iran Barros da Silva: É muito difícil definir uma única história como a melhor, por isso vou citar três histórias de G. L. Bonelli, três de Guido Nolitta (Sergio Bonelli) e três de Claudio Nizzi: O Corcel Sagrado (Tex 22), Navajos em Pé de Guerra (Tex 34), O Mistério das Pedras Venenosas (Tex 40-42), Caçada Humana (Tex 68-69), El Muerto (Tex 112), O Coronel Watson (Tex 196-198), Chamas de Guerra (Tex 204-206), Orgulho Navajo (Tex   294-297), e O homem Sem Passado (Tex 335-337). Sobre o argumentista, sem dúvida G. L. Bonelli. Desenhadores: A. Galleppini, G. Ticci, G. Letteri, E. Nicolò, F. Fusco e C. Villa.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Iran Barros da Silva: O que me agrada mais é a variedade de situações que são criadas ao longo de toda a série. Assaltos a bancos, duelos ao pôr-do-sol, guerras com os índios, são temas muito comum nas histórias e nos filmes de faroeste e tudo isso existe em Tex, só que em roteiros muito bem elaborados, resultando em empolgantes histórias com centenas de páginas. E o que me agrada menos são os erros que às vezes aparecem em algumas histórias, tanto com relação a roteiros e mais ainda com relação a desenhos, erros que poderiam ser evitados com uma revisão mais cuidadosa.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Iran Barros da Silva: Acredito que a personalidade e a coragem de Tex, que está sempre disposto a ajudar os amigos, ou a aceitar uma missão do comando dos Rangers, por mais arriscada que seja, o habitual pessimismo do Kit Carson, que contribui para a parte cómica nas histórias, além da bravura de Jack Tigre e o espírito aventureiro de Kit Willer. Essas características próprias de cada um, e a união dos quatro pards em torno de um objectivo comum fazem com que o leitor se sinta dentro da história, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos até o dramático final.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Iran Barros da Silva: Pensei seriamente em ir ao 17º Fest Comix em São Paulo, mas surgiram alguns problemas de última hora e não foi possível comparecer, por isso fica para um próximo encontro.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Iran Barros da Silva: Actualmente o Ranger está numa óptima fase, com a chegada do número 600 na Itália, que será o número 500 no Brasil daqui a alguns meses, além da publicação regular das outras séries como o Almanacco, o Maxi e o Gigante; mas confesso que há uma certa preocupação, pelo menos pra mim, ocasionada pela iminência da saída de Claudio Nizzi dos roteiros, porque depois de G. L. Bonelli é o argumentista que melhor soube contar as histórias de Tex; mas felizmente temos outros grandes argumentistas que com certeza continuarão a fornecer óptimas histórias para o Ranger por muitos anos ainda: Mauro Boselli, que agora é o argumentista principal, Tito Faraci, Pasquale Ruju, Gianfranco Manfredi, e Antonio Segura, que sempre está escrevendo alguma edição especial.

Prezado pard Iran Barros da Silva, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

6 Comentários

  1. É, realmente é inquestionável o amor que Iran tem pelos quadrinhos do Tex. Ele é meu tio e de longa data nunca deixei de perceber sua atenção em adquirir novos exemplares da revista Tex. Um grande abraço tio.

  2. Felicitações grande amigo Iran!!! Ótima entrevista, linda e valiosa coleção heein? Adorei o blog também; é excelente…

  3. Adorei sua entrevista, você faz um breve resumo histórico sobre como conheceu Tex e ainda elogia as histórias feitas pelas roteiristas. Concordo que Gian Luigi foi e sempre será um grande roteirista, mas concordo também que as tramas deveriam ter novos elementos para conquistar novas gerações.

    Abraços

  4. Parabéns, Iran! Ótima entrevista. Acredito que sua foto logo estará no quadro da família GIBITEX.

    ABRAÇOS.

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