Entrevista com o fã e coleccionador: Carlos Diniz de Assis

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Carlos Diniz de Assis: Sou natural do Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, nascido em uma cidade pequena chamada Deodápolis em 3 de Maio de 1962. Sou professor de História e também de Geografia. Pertenço ao quadro de professores efectivos do meu Estado. Este ano completo 22 anos trabalhando com alunos do ensino fundamental e médio na cidade de Deodápolis. Sou casado, a minha esposa chama-se Edna e tenho dois filhos, o Gabriel de 6 anos e o Eduardo de 3 anos.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Carlos Diniz de Assis: Desde da minha adolescência, comecei lendo Tarzan, Zorro, Capitão América entre outros, mas o que despertou em mim o interesse incontrolável por esse tipo de leitura foi Tex mesmo. Quando eu li a primeira história de Tex eu pensei: “Puxa! Esse cara é de mais!” E assim surgiu o interesse.

Quando descobriu Tex?
Carlos Diniz de Assis: Quando um dia entrei em uma pequena banca de venda de revistas na minha cidade, nessa época eu morava na herdade do meu pai que não ficava muito longe da cidade. Lembro como hoje, entrei na banquinha e olhei para as revistas expostas, os meus olhos se fixaram numa entre os demais. Era um Tex o nº 7, segunda edição da Editora Vecchi – “Drama na Pradaria”. Eu ainda não tinha lido nenhum Tex, mas aquele eu comprei e li no mesmo dia e naquele dia eu descobri que seria um leitor fascinado do Tex.

Porquê esta paixão por Tex?
Carlos Diniz de Assis: Uma paixão acontece quando você se encanta com alguma coisa. Eu acredito que no momento em que conheci o Tex por meio da leitura e de desenhos, ele me encantou, me cativou e me conquistou como leitor de suas histórias.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Carlos Diniz de Assis: Tex é diferente exactamente por ele ser o Tex. Além disso, as histórias de Tex são muito bem criadas e de uma inteligência tremenda que dá ao Tex e aos seus pards uma tonalidade de realidade.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Carlos Diniz de Assis: Devido a um contra-tempo eu perdi a minha primeira colecção, por isso tive que recomeçar recentemente. Tenho 133 revistas e estou aos poucos recompondo a colecção. A mais importante para mim, embora não seja a favorita é a primeira revista de Tex que eu li – “Drama na Pradaria”. A importância está no facto de que foi por ela que eu descobri o Tex, e foi nessa leitura que Tex se tornou uma paixão para mim.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Carlos Diniz de Assis: Além de livros, colecciono também filmes, os chamados faroeste Spaghetti.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Carlos Diniz de Assis: Além das revistas Tex, tenho também o filme: “Tex e os senhores do abismo”. Eu gosto do filme e guardo com carinho na minha colecção de filmes do mesmo género.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Carlos Diniz de Assis: Gosto muito de “Flechas Pretas Assassinas”. Aurelio Galleppini (Galep) é meu desenhador preferido. Ele une rigidez de carácter e alegria. Nos seus desenhos vemos um Tex austero, mas alegre. Giovanni Luigi Bonelli é o melhor argumentista na minha opinião.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Carlos Diniz de Assis: Sua medita exacta de justiça, seu equilíbrio, sua coragem e sua calma interior em qualquer circunstância. Uma coisa que me desagrada um pouco é o formatinho da maioria das revistas. Poderia ser um pouco mais expandida.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Carlos Diniz de Assis: Sua luta incansável em favor dos mais fracos. E também a atracção que ele exerce de modo geral, às vezes até mesmo com os seus próprios inimigos, que terminam respeitando ele. O Tex sabe desenvencilhar dos obstáculos das leis sem se tornar fora-da-lei. Ele é capaz de ficar acima da lei para fazer a justiça em favor do bem.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Carlos Diniz de Assis: Na minha cidade tenho conversado com pessoas que coleccionam Tex, mas encontro no sentido mais amplo não, mas gostaria.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Carlos Diniz de Assis: Acho que Tex tem o futuro garantido. Penso que não haverá um fim da linha para o Tex. Ele continuará com os seus pards para a alegria de todos nós.

Prezado pard Carlos Diniz de Assis, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

2 Comentários

  1. É bacana vermos, um companheiro de profissão e pard nesta grande família de Texianos que vão aumentando dia a dia, lentamente redescobrindo ou descobrindo, o que esse ranger traz de bom neste mundo conturbado: senso de justiça, de amizade, luta incessante pela verdade, laços que parecem tão frágeis hoje em dia, mas que tod@s buscamos.
    Excelente entrevista, e boa sorte Carlos, na reconquista de sua coleção – irá conseguir!!
    PS: Carlos, você já usou TEX didaticamente/pedagogicamente na sua disciplina – relacionado aos temas históricos junto à gurizada aí do Mato Grosso do Sul?
    Abraços, Wilson Sacramento.

  2. Olá Wilson, é um prazer saber que você é um companheiro de profissão e também por gostar das mesmas aventuras desse fantástico personagem chamado Tex Willer. Quanto a pergunta a resposta é sim. As histórias de Tex são ricas em relação as aspectos históricos e também geográficos do continente americano, especialmente o EUA, como por exemplo:a conquista do oeste, isto é, a expansão territorial do país em direção ao Pacífico, a corrida do ouro e a imigração, a Guerra da Secessão, a questão índio, o México, o Canadá, o Alasca (antigo território russo, inclusive o Tex dá uma aula sobre isso em Flecha Negra nº 10 Vecchi e Ed.Hist. nº 41. Além disso, as história de Tex tem mapas maravilhosos, formas de relevo e os seus nomes, é tudo muito didático. Eu mesmo aprendo história e geografia, e nem vou falar da diversidade cultural que tem. Além disso, alguns alunos meus gostam de ler Tex. Eu levo as revistas para sala de aula, é uma festa. Um grande abraço, um natal Santo e um ótimo ano novo. Vida longa para o Tex e seus pards.

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