Entrevista com o fã e coleccionador: Arlindo José Canejo

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Arlindo José Canejo: Nasci em 1973 em Ouricuri, município brasileiro do Estado de Pernambuco e sou locutor de uma rádio, a Rádio Voluntários da Pátria AM, onde tenho um programa à noite com muitos ouvintes internautas, inclusive já toquei a balada de Tex nesse programa.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Arlindo José Canejo: Comecei lendo Conan e outras revistas, coleccionando inclusive o Homem-Aranha, tendo lido toda a saga do Clone. De Conan eu li, A Rainha da Costa Negra, uma super-saga… depois li várias revistas do Zagor, até descobrir e me identificar com Tex.

Quando descobriu Tex?
Arlindo José Canejo: Minha paixão por Tex Willer? Nasceu em 1985, quando um professor, coleccionador na época, o colega José Ailton me emprestou a revista “Na Pista de El Lobo” (Tex nº 227). Depois ele deu-me toda a sua colecção e continuei a partir do ponto em que ele tinha parado, mas a história que me cativou de verdade foi “O Navio do Deserto” (Tex nº 236), pois desde então não parei mais de coleccionar Tex.

Porquê esta paixão por Tex?
Arlindo José Canejo: Hoje em dia não se vê pessoas apaixonadas pelo Velho Oeste. Tex mostra o seu verdadeiro eu na luta pela igualdade social entre brancos e índios e luta por uma sociedade melhor, como vemos nos dias de hoje. Tex tornou-se um vicio positivo na minha vida, pois acompanho o Ranger há 10 anos. Quando vem uma revista com histórias completas como Tex Ouro, Tex Férias, Tex Edição Histórica, Grandes Clássicos do Tex, delicio-me porque eu dispenso a leitura das revistas em continuação, mas colecciono-as porque na verdade o importante é ter a colecção completa. Mas a minha paixão por Tex é tanta que há algum tempo atrás, tentei gravar um CD fazendo várias vozes diferentes lendo a revista de Tex, para dar a alguns amigos, algo parecido com o que fiz há 12 anos atrás numa cassete áudio.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Arlindo José Canejo: Apesar de já ter lutado com o sobrenatural, Mefisto e Yama sobretudo mas não só, Tex mostra momentos verdadeiros na nossa vida e as suas histórias de ficção sempre têm um toque de realidade. Já li todo o tipo de banda desenhada inclusive super-heróis Marvel ou DC, mas onde me encanto mesmo é com Tex. Há também algumas histórias tristes e que podemos estranhar quando as lemos como por exemplo “O Preço da Honra” (Tex nº 438) e “A Força do Destino” (Almanaque Tex nº 30). Nesta última vemos Tex a assistir impotente à execução de um homem, o índio Santos, mesmo contra a sua vontade e este tipo de histórias deveriam acontecer mais frequentemente, pois dão mais vida real à personagem.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Arlindo José Canejo: Infelizmente não tenho a colecção toda, pois as distribuidoras não cumprem o objectivo na íntegra aos coleccionadores, inclusive nem as reclamações feitas pelos coleccionadores nas bancas fazem melhorar a distribuição e por vezes alguns números não aparecem, mas mesmo assim tenho uma colecção considerável de revista do meu ídolo…
Quanto à história mais importante entre os títulos publicados, amo todas, mas a ter que escolher uma em especial, escolho a história que li e que me fez apaixonar por Tex, “O Navio do Deserto”, inclusive já a li mais de sete vezes e consigo até contar toda a história de cor.

Colecciona apenas livros da personagem italiana ou tem mais alguma colecção?
Arlindo José Canejo: A minha paixão musical na qual eu tenho um grande orgulho, também com discos, CD’s, DVD’s, fotos, álbuns de fotos e recortes de jornais e revistas, quadros e pósteres de Michael Jackson, o qual perdemos recentemente é a minha outra grande colecção, pois tenho toda a colecção de músicas lançada por ele. Não danço como Michael Jackson, mas é um ídolo o qual colecciono há mais de 19 anos. Fora isso só filmes em colecções de Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Steven Seagal e Jean-Claude Van Damme.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Arlindo José Canejo: Eu sempre sonhei em usar uma estrela de Ranger igual à de Tex, de preferência dourada. Deviam lançar uma de brinde na revista anual, pois eu uso o chaveiro do Tex que também saiu de brinde num Tex Anual. Tenho também uma galeria de quadros do Tex, a qual penso em alimentar um pouco mais a cada mês, além de já ter também o póster gigante de Tex na parede.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Arlindo José Canejo: “Terra Prometida” (Tex nº 95) mas também gosto muito de “Dez Anos Depois” (Tex nº 470), pois é uma das melhores que já li. Quanto a desenhadores, os meus preferidos são Cláudio Villa, Guglielmo Letteri e Erio Nicolò. Relativamente aos argumentistas, não tenho preferência, todos são muito bons.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Arlindo José Canejo: Tex deveria ter uma saga de umas 10 revistas, abordando mais o passado dos pards, mexendo mais com o particular de cada um. O que não me agrada é a questão de vida de um homem que se preocupa apenas com os outros. Tex precisa de um outro amor, assim como os parceiros de se envolverem também em laços amorosos, riscos de mortes, desaparecimentos de cada um, para colocar mais drama no leitor, fazer o leitor chorar mesmo pela personagem, entendem?
Tex não leva um tiro certeiro no meio de uma parada de bandoleiros? Isso vale para todos os 4 pards. Lógico que não é matar a personagem principal, mas dar mais continuidade à acção da revista. Gosto também quando relembram alguma outra personagem de uma história passada de uma outra revista e isso deveria inclusive acontecer mais vezes. Também deveriam fazer um novo filme de Tex com os pards, pois quem sabe se agora não daria certo a ponto de sair uma triologia texiana. Igualmente poderiam realizar um desenho animado com Tex e Zagor, pois uma série com ambos seria excelente. Para além de tudo isto também se lucraria com outros itens decorrentes, tais como pósteres, revistas e tudo mais…

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Arlindo José Canejo: Bem, Tex é o herói que todo mundo sonha, o clássico mocinho do Oeste Selvagem, amigo, bondoso, intolerante com o mal intencionado, cheio de sentimentos, idealista, calculista, enfim, um herói que todos queriam ser.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Arlindo José Canejo: Não, na minha cidade por incrível que pareça, só eu colecciono Tex, pois há muitos leitores que lêem, mas não coleccionam como eu.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Arlindo José Canejo: Só sucesso! Daí prevejo um futuro cada vez melhor, pois Tex tem um futuro ainda muito mais brilhante, podem crer. Demos graças a Manitu e que este o proteja.
Um abraço a todos que fazem Tex acontecer e que Deus abençoe a todos.

Prezado pard Arlindo José Canejo, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

9 Comentários

  1. Caraca, essa entrevista foi show, eu conheço o Arlindo e também sua coleção, já ouvi muito falar sobre Tex por ele, e já fizemos comparativos sobre os desenhistas de cada época do Tex.
    Parabéns ao blog e que venham mais colecionadores de Tex dar o seu testemunho.
    Um abraço,
    Zezinni – PE

  2. Ô>… Arlindo… Meu locutor preferido… Conheci sua dedicação e maestria nas relações humanas… Sua grande habilidade nos recurssos da alegria… Parabéns pelo blog… Felicidades… Um abraço e… Conte comigo na sua vida… Laercio

  3. Valeu Arlindo. Sou do agreste,Caruaru-PE. É bom saber que TEX está nos mais variados ambientes e com pessoas que o divulgam e valorizam sempre.

    Viva TEX!

  4. Rapaz, vc está de parabéns, o conteúdo da entrevista é muito bom. Sempre vi essa revista com as pessoas e nunca me interessei. Mas agora, depois que falei com vc, me chamou muito a atenção e vou fazer parte do seu fã-clube. Parabéns.

  5. Eu sou o Deca e conheço muito bem o Arlindo José, trabalhei muito tempo na lanchonete do Raul Lins.

  6. Pard! Realmente acho a saga da Terra Prometida uma das melhores que já li, parabéns pela entrevista.

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