Entrevista com o fã e coleccionador: Carlos Fernando Viegas Rosa

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Carlos Rosa: Nasci em Faro em 1970. Pertenço a uma época em que só havia uma televisão a preto e branco e um só canal, mais tarde veio a televisão a cores, dois canais, até um máximo de quatro.
O importante dos serões era reunirmos à volta da televisão para assistirmos às séries que nos faziam despertar a nossa criatividade e imaginação o que possibilitavam dar força às nossas brincadeiras e conversas nos dias seguintes.
Completei os ensinos primário e secundário e formei-me em gestão de empresas na Escola Superior de Hotelaria e Turismo em Faro.
Hoje em dia a minha profissão está ligada com curso que tirei, trabalho numa micro empresa, do sector da reparação automóvel, como Técnico Oficial de Contas.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Carlos Rosa: A criatividade e a imaginação que alimentavam as nossas brincadeiras de rua, não esquecendo as infindáveis tardes de futebol, “saltavam” também das páginas dos livros de quadradinhos que se compravam na banca de jornais perto da nossa casa.
Naquele tempo, e relembro mais propriamente os inícios da década de oitenta, a oferta era muito mais diversificada, podíamos ler histórias das personagens da Disney, de todos os Super heróis, tais como, Super-Homem, Batman, Homem-Aranha, etc. Mas também existiam os westerns, os policiais e até mesmo alguns livros relacionados com as séries de TV, como era o caso das “Jornadas nas Estrelas” – STAR TREK.
Com esta oferta era impossível não começar a ler Banda Desenhada.

Quando descobriu Tex?
Carlos Rosa: A personagem TEX é descoberta dentro de todo aquele conjunto de revistas de quadradinhos que referi atrás.
À medida que as etapas do nosso crescimento vão evoluindo, também nós vamos agarrando as revistas com que nos identificamos mais. Em primeiro lugar foram os heróis da Disney, foi uma época mais infantil, depois foram os super heróis, foi uma época mais fantástica e finalmente uma época mais adulta, procurando argumentos e histórias mais elaboradas, nos policiais e westerns, estes últimos com TEX.

Porquê esta paixão por Tex?
Carlos Rosa: Gosto verdadeiramente das histórias. Da construção dos enredos, desde o conhecimento dos “maus da fita”, passando pelo desenrolar de toda a história até ao final, sempre recheado de muita acção terminando com a condenação dos mesmos. Gosto também dos desenhos a preto e branco que nos permitem visualizar estas histórias e das capas coloridas capazes de num só olhar nos encher de curiosidade acerca do que estará à nossa espera dentro daquelas páginas.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Carlos Rosa: Confesso que não gosto quando se introduzem nas histórias aspectos fantásticos ou muita ficção científica, portanto eu tenho abandonado as leituras de revistas que estejam relacionadas com estes tipos de heróis.
Creio que quando falamos de TEX falamos de um herói que poderia muito bem ter existido, bem como, todos aqueles episódios que lemos nas suas revistas.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Carlos Rosa: Esta questão é embaraçosa para mim porque depois da minha juventude eu não fiquei com qualquer revista antiga das que li ou comprei.
Na verdade eu já nem imaginava que estas revistas se encontravam à venda. Há alguns meses atrás reparei numa banca que estavam para venda, bem escondidas, revistas do TEX e como gosto bastante de banda desenhada comprei de imediato.
Não compreendi bem quais as edições que estavam a ser publicadas e procurei fazer uma pesquisa na Internet para um melhor esclarecimento.
Depois de tudo isto decidi voltar às leituras e a coleccionar, nunca é tarde. Tenho apenas dez revistas.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Carlos Rosa: Neste momento estou apenas a coleccionar revistas, tenho habitualmente comprado a revista TEX e a revista TEX Coleção. Estas Férias, como tive mais tempo para ler, comprei a edição especial Férias.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Carlos Rosa: Como estou a relançar a minha colecção estou a planear arranjar um espaço para a mesma. Talvez uma estante seria o ideal. Neste caso, gostaria imenso de possuir a figura de TEX em PVC, ou não sei que material se trata, para colocar em cima da minha futura estante que guardará a colecção de livros.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Carlos Rosa: Pelos motivos que vos referi atrás vou-vos falar de histórias recentemente editadas. Gostei imenso da história completa em “TEX Férias 8 – Grito de Guerra”, que recentemente adquiri. Esta história foi publicada pela primeira vez em 1984 e trata da assinatura de paz entre os “Casacas Azuis” – Exército Americano e a tribo dos Índios “cheyennes”, atribulada por vários e misteriosos atentados o qual TEX tem por missão descobrir a origem para poder repor a ordem e a paz. – Texto Guido Nolitta e Desenhos Aurelio Galleppini.
Chamo ainda especial atenção para a nota introdutória desta edição, que nos revela como uma simples fotografia, pertencente a um facto histórico da América, pode eliminar um “branco” na criatividade do autor e originar uma história brilhante, em que até o fotógrafo que vai registar o momento da assinatura do tratado de paz se torna determinante para a ajuda a TEX quando este lhe empresta, a si e aos seus companheiros, os cavalos pertencentes ao seu laboratório fotográfico ambulante, tomando conhecimento do evento.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Carlos Rosa: O que mais me agrada em TEX é sem dúvida o entretenimento que nos proporcionam todas as suas aventuras, através do mistério e da acção que lá estão sempre presentes.
Existe também o valor histórico que permite não só caracterizar uma época mas conhecer factos históricos reais como vimos na questão anterior.
Não me ocorre, muito sinceramente, nada que me agrade menos.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Carlos Rosa: TEX possui valentia, coragem e perícia logo torna-se no elemento ideal para actuar nas missões mais difíceis e duras, por todo o território dos Estados Unidos, protegendo sempre os desfavorecidos através do seu enorme sentido de Justiça e fazendo cumprir as leis.
TEX é um ranger devidamente preparado para enfrentar estas situações.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Carlos Rosa: Nunca me encontrei com outros coleccionadores, talvez por simplesmente não os conhecer, ou da não existência de uma entidade que pudesse promover esses encontros.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Carlos Rosa: TEX é passado, presente e futuro. TEX anda nestas aventuras desde 1948, foi capaz de se manter ao longo dos tempos sendo incontáveis os episódios em que já participou. Portanto, a editora possui um arquivo de valor incalculável que lhe permite, estrategicamente, colocar no mercado histórias mais antigas, agora revistas e completas, tornando-as mais atractivas ainda.
Por outro lado, TEX continua a manter-se fiel aos seus fãs e leitores mais assíduos aparecendo sempre em novas histórias, sendo também capaz de recuperar leitores “adormecidos”, como foi o meu caso, e de captar novas gerações.
TEX tem características definitivas e inimitáveis, seria impensável imaginar o seu desaparecimento pois, o espaço em branco que deixaria, só poderia levar ao aparecimento de imitações de baixa qualidade.
Espero que o ranger continue as suas aventuras muito mais tempo proporcionando o entretenimento e gosto pelo coleccionismo a todos nós. Obrigado.

Prezado pard Carlos Fernando Viegas Rosa, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

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