Entrevista com o fã e coleccionador: Francisco Leido dos Santos Jr. (Shikus)

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Francisco Leido dos Santos: Moro em Natal, cidade onde nasci, localizada no Rio Grande do Norte, Nordeste brasileiro. Tenho 31 anos,  trabalho como suporte técnico na área de informática e formei-me em Jornalismo pela Universidade Federal do RN – hoje curso Filosofia nesta mesma universidade.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Francisco Leido dos Santos: Vem desde criança. A minha educação nos primeiros anos da escola primária era muito fraca e a minha mãe acabou tomando para si a missão de melhorar a minha leitura e escrita. Para me incentivar a ler, ela convenceu o meu pai a comprar quadradinhos, o que acontecia nos dias em que ele recebia o salário do mês. Eu lia as revistas e trocava-as, em sebos (em Portugal: alfarrabistas) e com colegas da escola. Li muita Disney, Turma da Mônica e alguns super-heróis.

Quando descobriu Tex?
Francisco Leido dos Santos: É curioso que antes de mim ninguém na minha família lia Tex. O meu pai comprava muitos livros de bolso com histórias de guerra e de faroeste, e eu gostei muito destes últimos. Isso despertou-me o interesse pelo tema – alguns filmes e brinquedos também ajudaram. Um dia fomos visitar um cliente – meu pai consertava electrónicos nesta época – e o sujeito tinha umas revistas de Tex espalhadas sobre uma mesa. Aí eu, para passar o tempo, comecei a ler algumas e na hora de partir, na maior cara de pau, pedi para ficar com uma – o meu pai quase morreu de vergonha com o pedido inusitado, hehehe. O dono da casa foi super simpático e acabou dando-me uma revista de presente. Eu ainda me lembro qual era a história – A Hora da Violência, escrita por G. L. Bonelli e desenhada por Lettèri (que acabou se tornando o meu artista favorito). Parte dessa aventura foi republicada pela Mythos na Tex Coleção 225 e quando vi esta edição numa banca de jornal pensei “hora de voltar às pradarias!” e acabei comprando. Foi o reinício da minha relação com a personagem Tex.

Porquê esta paixão por Tex?
Francisco Leido dos Santos: Eu amo quadradinhos. E sempre gostei do género western. Agora junte isso a uma personagem carismática, histórias bem construídas e uma arte de qualidade. Não tinha como não me apaixonar.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Francisco Leido dos Santos: Tex é a encarnação da justiça, um paladino moderno. Ele nunca recusa um pedido de ajuda e está sempre pronto para socorrer qualquer um, conhecido ou não. Ele vê todos os homens como iguais. É fiel ao seu povo e aos seus amigos. É incorruptível e muito inteligente. Conhece bem a natureza humana. Enquanto os heróis de outros géneros demolem cidades inteiras para derrotar seus inimigos, Tex sempre põe em primeiro lugar a protecção dos mais fracos. E ele não descansa enquanto não vê a justiça triunfar. Se tivéssemos hoje homens que fossem 50% do que Tex é, o nosso mundo seria um lugar muito mais seguro e justo.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Francisco Leido dos Santos: Tex mensal, 52 revistas. Tex Coleção, 51. Outros títulos diversos, 61. Total de 164 edições, todas devidamente protegidas em sacos plásticos. As minhas edições mais importantes são duas: a Tex Coleção nº 225, que comprei em Outubro de 2005 e foi o reinício da minha colecção; e uma edição colorida com a aventura “O Ídolo de Cristal”, publicada pela editora Globo, e que foi a única revista Tex que “sobreviveu” à minha infância.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Francisco Leido dos Santos: Por enquanto, devido às limitações orçamentárias, detenho-me apenas às edições regulares. As especiais eu compro quando a história publicada me interessa. Estou fazendo um esforço enorme para comprar a edição colorida recentemente lançada aqui no Brasil – espero que a colecção vingue, pois adorei o material.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Francisco Leido dos Santos: A revista que restou, a Tex colorida com a história “O Ídolo de Cristal”. Durante muito tempo eu dei-a como perdida, até que a reencontrei durante a limpeza de um armário condenado pelos cupins.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Francisco Leido dos Santos: Minha história favorita é El Muerto. Eu tive a revista no passado, quando foi publicada pela Rio Gráfica, e a readquiri quando foi lançada no Almanaque Tex nº 7. Nunca esqueci desta aventura – o rosto medonho do antagonista e sua triste história, o dinamismo da narrativa, o bom uso das personagens auxiliares e a presença do desfecho mais perfeito e clássico das histórias de western que eu acompanhava – o famoso duelo ao fim do dia. Inesquecível. Outra história que me marcou foi O Caçador de Fósseis, um verdadeiro romance em forma de BD. O meu desenhador favorito, como citei antes, é o Guglielmo Lettèri, seguido de perto pelo José Ortiz. Dos argumentistas, não tem como vencer G. L. Bonelli, mas destaco também Guido Nolitta, Mauro Boselli e Antonio Segura.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Francisco Leido dos Santos: O que me agrada mais – além de tudo que já citei da personagem em si – é a qualidade das histórias, tanto no quesito roteiro como na arte. Mesmo depois de décadas de publicação o padrão mantém-se altíssimo. O que me agrada menos é o pouco destaque que se dá hoje às personagens coadjuvantes. Tenho a impressão que antigamente elas participavam mais das histórias e eram melhor desenvolvidas. Hoje andam tão sumidas que cabe ao Tex bolar todos os planos, resolver todos os problemas, contar todas as piadas e salvar todo o mundo, tornando a personagem omnipresente demais, quase um Super-Homem.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Francisco Leido dos Santos: Seu grande senso de justiça e o respeito que ele tem por todos os homens honestos, de todas as raças. Numa época extremamente relativista e racista como a actual, é maravilhoso termos uma personagem como essa com tantos fãs e admiradores. É uma mostra de que ainda temos pessoas honradas, de carácter e amantes da justiça espalhadas pelo mundo.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Francisco Leido dos Santos: Ainda não tive o prazer, mas planejo fazê-lo num futuro próximo, quando algum encontro do tipo acontecer aqui por perto.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Francisco Leido dos Santos: O melhor possível. Tex tem uma base sólida de fãs e estes sempre estão a falar bem da personagem, tanto no mundo real como nas infinitas pradarias virtuais. Veja só a quantidade de edições de Tex que temos hoje no mercado e compare com uma década atrás. A Bonelli vem fazendo um óptimo trabalho e espero que continue assim por muitas décadas. A Mythos também não fica atrás. E graças à Internet posso manter contacto com outros fãs, conhecer novas personagens, ver o que rola nos bastidores das editoras, ler resenhas de aventuras e posteriormente adquiri-las com relativa facilidade. Não há época melhor para quem ama e colecciona as aventuras do grande Tex.

Prezada pard Francisco Leido dos Santos Jr., agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

4 Comentários

  1. Mais um Pard Nordestino mostrando a sua grande paixão pelo nosso Ranger. Parabéns.

  2. Conterrâneo nordestino, muitos adjetivos para TEX nê? O cara é super mesmo!
    É bom saber que TEX frequenta todos os caminhos e bom mesmo é que sempre terá alguém no futuro dizendo “vou andar por estas pradarias“.
    Sou do Estado vizinho ao teu, Paraíba. querendo teclar segue o mail:
    leiomutarelli@hotmail.com

    Salve TEX!

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