Entrevista com o fã e coleccionador: Glauber Henrique de Castro

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Glauber Henrique de CastroPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Glauber Castro: Meu nome completo é Glauber Henrique de Castro, e nasci há 17 anos em Santo André (Brasil) mas passei os meus primeiros 12 anos de vida em Ribeirão Pires, ambas as cidades no ABC Paulista. Há mais ou menos 4 anos mudei-me para Leme, no interior do Estado e foi lá que comecei a ler Tex. Não trabalho ainda, mas estou a formar-me no 3°ano do ensino médio e fazendo alguns cursos profissionalizantes, com a esperança de poder cursar uma faculdade no ano que vem.

Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Glauber Castro: Quando eu tinha uns 10 anos, comecei a comprar algumas revistas usadas da Marvel e DC, mas não gostava muitos de quadradinhos naquela época e comprava apenas por curiosidade.Quando mudei-e para o interior, tinha o hábito de pegar bastantes livros na minha biblioteca e foi lá que encontrei um Tex Gigante desenhado por Galep, mas na época a situação financeira não ajudava muito e não me preocupei em coleccionar a personagem italiana. Mas um ano depois eu encontrei na biblioteca municipal várias revistas de Tex, as quais eu sempre levava para casa e foi assim que me viciei no Ranger e decidi coleccionar.

Colecção de Glauber Henrique de CastroPorquê o Tex e não outra personagem?
Glauber Castro: Nunca me identifiquei muito com os quadradinhos americanos por achá-los fantasiosos demais.Quando conheci Tex o que me chamou a atenção foi a simplicidade com que as revistas eram feitas, desenhos simples, o preto e branco, papel inferior, etc., e tudo isso combinado com o facto de Tex ser uma personagem humana, que não precisa de picadas de insectos nem de injecções letais para derrotar os seus inimigos. Sua vida quotidiana, seus problemas, seu passado e seu futuro não importam, mas apenas como ele fará para derrotar seus inimigos.

Glauber Henrique de Castro e a sua paixão pelo desenhoO que Tex representa para si?
Glauber Castro: Tex vive num mundo diferente do nosso, por isso eu não sou maluco de sair socando ou jogando as pessoas pela janela. Mas Tex dá-nos um exemplo de um carácter sólido, imutável e de um senso de justiça cada dia mais decadente em nossa sociedade.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Glauber Castro: Tenho 140 revistas. Se a pergunta fosse qual a história mais importante eu diria “O signo da serpente“, por ser a primeira história que eu li. Mas em minha colecção, “Intriga no Klondike” é a primeira revista que eu comprei e por ela tenho um carinho especial.

Tex's de Glauber Henrique de CastroColecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Glauber Castro: Infelizmente, o filme é apenas a única coisa que tenho fora de série.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Glauber Castro: Uma das coisas mais difíceis é ter de escolher entre “El Muerto” e “O Bando dos Irlandeses“, mas vou ficar com a segunda opção por ser a história mais cinematográfica de Tex que já vi. Com tantos novos desenhadores fica ainda mais difícil escolher, Milano, Marcello, os irmãos Cestaro, Civitelli, Spada, Mastantuono me agradaram muito, mas Galep e Villa definitivamente são imbatíveis. De argumentista, o que mais me agrada é Mauro Boselli, pois suas histórias são bem montadas, com argumentos bem interessantes e personagens bem caracterizadas, e gosto ainda mais de histórias suas em edições mais longas.

Glauber Henrique de Castro desenhando TexO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Glauber Castro: Tudo me agrada em Tex, as histórias, as personagens com suas respectivas características, as capas, os desenhos, sua personalidade séria e justa. Já o que menos me agrada, é uma caracterização pouco específica de Tex, acho que ele devia ter barba ou alguma outra característica que permita aos leitores identificá-lo melhor. Outra coisa que me desagrada, é o autoritarismo exercido por Tex em seus próprios companheiros, acho que Carson, Kit e Tigre deviam agir mais por si próprios, também sinto falta dos trocadilhos entre Tex e os pards, da participação de Kit e Tigre que fica cada vez mais rara e das histórias mais longas. Sergio Bonelli devia dar mais liberdade para os argumentistas criarem aventuras mais longas e empolgantes.

Tex's de Glauber Henrique de CastroEm sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Glauber Castro: Tex e seus parceiros são simples caubóis, que lutam contra bandidos, ora nos pântanos, ora no frio do Canadá e às vezes com inimigos com poderes sobrenaturais, mas sempre representando a justiça, não importando quem quer que a necessite. Tex conseguiu sobreviver todos esses anos graças a sua personalidade imutável, ao facto de nunca precisar mudar para atrair mais leitores.

Glauber Henrique de Castro e o computadorPara concluir, como vê o futuro do Ranger?
Glauber Castro: Se essa pergunta fosse feita há alguns anos atrás eu não teria muita esperança de que Tex sobrevivesse por muito tempo nas bancas, mas Sergio Bonelli provando ser um grande editor, prolongou a vida de Tex ao contratar novos desenhadores e argumentistas trazendo um novo fôlego à série, já que uma personagem com 60 anos não pode sobreviver simplesmente com uma dúzia de artistas. Acho que Tex só precisa continuar sendo Tex para sobreviver por mais 60 anos nas bancas

Prezado pard Glauber Henrique de Castro, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)

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