Falecimento de Virgilio Muzzi, desenhador de Tex

Por José Carlos Francisco e Júlio Schneider

VIRGILIO MUZZI (1923-2010)

Virgilio MuzziVirgilio Muzzi, que fez mais de trinta edições do Ranger, faleceu no passado dia 25 de Fevereiro no hospital de Codogno, Itália, com 86 anos, realizando-se o seu funeral hoje, dia 27, às 10 horas, partindo o corpo do número 22 da Via Mauri, para chegar à igreja paroquial, na Praça XX de Setembro, local onde lhe serão  prestadas as últimas exéquias.

Nascido em Milão, Itália, em 13 de Junho de 1923, ele começou a mostrar o seu talento no mundo da pintura, e estreou nos quadradinhos em 1946, com trabalhos para a Audace, a Editora Audaz dirigida por Tea Bonelli, na mesma época em que também fazia páginas para a revista Grande Hotel. Em 1950 fez algumas capas para uma revista semanal brasileira chamada Encanto e, no mesmo ano, ilustrou O Cavaleiro Negro e, em 1953, Yuma Kid, ambos com texto de Gianluigi Bonelli. Em 1957, por meio do estúdio Amalgamated Press, trabalhou para o mercado inglês desenhando aventuras de Kit Carson, Buffalo Bill, Dick Daring e Jaqueta Vermelha – depois publicado na Itália pela Araldo (Arauto, outro dos antigos nomes da SBE).

Desenho de Virgilio MuzziNo mesmo ano de 1957 começou a se envolver com Tex, ora fazendo alguns desenhos a lápis, ora a arte-final em desenhos de Galep, ora trabalhando a quatro mãos com Francesco Gamba (nas últimas 54 páginas de A Quadrilha do Ás de Espadas). A sua primeira história completa – considerada a sua estreia oficial com o Ranger – foi publicada na Itália em Abril de 1960 com o título Contrabando (no Brasil, Tráfico de Armas, uma história curta inserida em Tex Coleção n° 72, da pág. 23 à pág. 87, republicada em Tex Edição Histórica n° 27) e, durante os quinze anos seguintes, Muzzi foi um colaborador constante, alternando-se com outros profissionais. O seu estilo “apressado” e extremamente simples fez dele um dos autores menos apreciados da saga do Ranger, mas há que se levar em conta que o resultado de seu traço é fruto directo da agilidade: sendo Muzzi um tanto lento, para cumprir os prazos ele devia correr e, de consequência, não podia dar o melhor de si – e, de facto, há muitos autores que, se podem dedicar mais tempo e atenção ao próprio trabalho, obtêm resultados bem diferentes.

Desenho de Virgilio MuzziTomando como exemplo o seu último trabalho texiano, no qual ele pôde trabalhar com mais tempo, pode-se observar a riqueza dos ambientes e enquadramentos, além do equilíbrio na composição de cada quadro. Estamos falando da aclamada história Texas Bill (na Itália, Nov/1975, no Brasil, Tex n° 72, Fev/1977). A única intervenção nesse trabalho foi a de sempre, com Galep refazendo o rosto de Tex. Depois disso, em 1977 Muzzi ilustrou a história A Serpente de Prata, na Colecção Rodeio e, em 1984, fez uma aventura em três edições de Mister No, Uma Noite em Trinidad.

Ainda no que se refere a Tex, Muzzi desenhou cerca de 1.500 páginas, para um total de aproximadamente 12 mil vinhetas. Finalizamos este texto mostrando, em exclusivo mundial, aquele que muito provavelmente terá sido o seu último desenho de Tex, feito há poucos meses para presentear o autor Giancarlo Malagutti:

Original de Muzzi, para Malagutti(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

10 Comentários

  1. Meu coração se entristece ao ler isto. Tomara que Manitu o proteja nos pampas celestiais. Só tenho uma história de Muzzi (TEH 76) mas gostei de seus traços. Fico sem palavras diante desta notícia.

  2. Fico triste em saber que mais um grande desenhador de Tex dá adeus à vida. Como disse o leitor acima, que Manitu o proteja e o acolha lá em cima. Ele era um ótimo desenhista. Gosto muito de seu traço. É uma perda inestimável.

  3. Sinto muito e meu coração se entristece terrivelmente com o apagar desta estrela. Era um excelente artista e nos deixará saudades sem fim. Meus pesâmes a família e a todos os adoradores de Tex.

  4. Todos sentimos quando se vai um grande talento, principalmente, no nosso caso, quando é um artista ligado à saga de Tex. Mas homens como Virgilio Muzzi, Galep e Bonelli não morrem, pois já são imortais pelo legado, pela obra que nos deixaram!

  5. Um homem morre, a obra de um gênio fica, e com grande pesar que os fãs de Tex choram essa perda, mas Virgilio Muzzi, sempre estará presente em nossos corações.
    Pois sempre que olhamos uma revista com o traço desse grande gênio lembraremos dele, pois como disse o grande escritor Guimarães Rosa, “As pessoas não morrem, ficam encantadas”.

  6. A palavra “MORTE” é um termo muito pesado e muito doloroso, é como se DE REPENTE tudo que foi criado se perde e passa a nunca ter existido, por isso não gosto da palavra “MORTE”, prefiro dizer que ele foi fazer uma “VIAGEM” do qual todos nós sem exceção faremos um dia, e quando chegar a minha hora e a sua hora, deixaremos por completo este mundo, mas deixaremos aqui nossas raízes, nosso trabalho, nossa lembrança eterna nos parentes a amigos que lembrarão de nós por décadas e décadas, séculos e séculos.
    Peço apenas que Deus possa estar presente nos corações dos entes queridos para conforta-los e mostrar que o dia da grande viagem chegará para todos nós.

  7. Lamentável perda! Infelizmente, a vida é assim mesmo! Uns vão mais cêdo, outros mais tarde! O fato é que ninguém viverá para sempre neste mundo! Que o Todo Poderoso Deus, cujo nôme é JEOVÁ, o tenha em sua misericordiosa memória!! Amém!!!

  8. Os meus sentimentos à família e amigos. Fica a obra de um grande desenhador e artista.

  9. Realmente desde os 6 anos que comecei a desenhar por causa dele e quando se foi eu chorei muito, mas eu vou continuar a desenhar por ele e ele vai ver lá de cima que todos estamos junto com ele pelo desenho.

  10. Um dos melhores desenhistas de Tex, sem dúvida.
    Os desenhos de “Texas Bill“, última história desenhada por Muzzi na série normal de Tex, são lindos. E todas histórias desenhadas por Muzzi eram de excelente qualidade, além de ele ser um exímio desenhista. Seus traços eram únicos. O Tex dele tem uma estampa inconfundível.
    Deus o tenha bem onde estiver. Virgilio Muzzi jamais será esquecido pelos leitores de Tex de todas as épocas. Apesar de ele ser da antiga, os desenhos dele ainda são enormemente atuais.

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